Archive for the ‘Uncategorized’ Category

A Angústia do Ser Lúcido

junho 7, 2015

 [ Colaboração: Hugo Júnior ]

Pode ser que o título deste texto lhe cause estranheza e possa trazer perguntas a mente como as seguintes: – Não é bom ser lúcido? – Porque traria angústia algo que existe em nós e que nos faz melhores que os animais?. Se eu estivesse lendo um texto assim, também não entenderia. Na verdade não tenho a pretensão de ser elucidador de conflitos teológicos, psicológicos ou colocar neste papel idéias revolucionárias acerca deste assunto. O que eu me proponho aqui, é analisar esta sensação tão dúbia e intrigante que nos acomete.

Acontece que rotineiramente estamos enfrentando a angústia da lucidez. A todo tempo somos surpreendidos com pensamentos, atos ou palavras que não nos convém ou que deveriam já fazer parte do nosso passado. O certo é que recorrentemente a sensação de estar fazendo algo errado nos invade como um tufão. É quando nos pegamos desejando o mal a alguém, quando somos quase que “compelidos” a não sermos honestos, ou simplesmente quando sofremos de uma preguicite aguda para não termos que ser apenas gentis. Os exemplos aqui são apenas para nos dar a dimensão de como estas coisas estão em nossa realidade mais palpável, mais visível. Não enxergá-las é “viver bem” dentro de padrões obscuros e desprovidos de limites.

A lucidez nos angustia e nos remete para o caos porque ela nos instiga a mente, nos denuncia, nos coloca nus diante de nossas fraquezas e ri de nós. É como se dissesse para cada um de nós:  – Eu não disse? – Esta frase nos deprime e oprime, nos arrefece as forças a ponto de querermos desprezar qualquer limite e dar um grande adeus para o que chamamos de pudor.

Seria muito melhor que as coisas não possuíssem regras e normas. A vida seria mais liberada e a nossa psiquê não sofreria tanto. Existir sem o menor senso de limite nos transformaria em super homens, verdadeiros donos do mundo. Ah, enfim liberdade ! Concordar ou não com esta vida ou não-vida é opção de cada um. A construção de nosso universo é pessoal e cercada de percalços inerentes a condição de humanos. É possível que algum dia possamos ter pensado assim. Quando nos vimos à mercê de cometer algo censurável, e tomados pela raiva da lucidez, pedimos a morte ou pelo menos que nos fosse retirado este senso de certo e errado que carregamos dentro de nós.

Diante de tantos motivos para poder aqui fazer uma ode à libertinagem, prefiro me apoiar em princípios mais elevados. Estes, por mais duros de serem alcançados, ainda são a única saída. Podemos ser donos do mundo, mas nunca seremos donos de nós mesmos. Podemos ter “toda a liberdade”, mas estaremos presos à condição de animais guiados por instintos dos mais primitivos.

O que posso dizer é que a angústia, a dor e o desespero de ser lúcido devem ser canalizados para Aquele que pode nos conter e nos direcionar diante do absurdo. Não há como desprezar a nossa humanidade cheia de falhas e contaminada com o pecado. Ela é nossa. O que podemos fazer é nos cercar e vigiar para que a nossa carne não vença o Espírito e tornemos a sofrer com a nossa lucidez, descrita na Bíblia como Espírito Santo.

A lucidez angustia e por vezes enlouquece. Evitar viver na linha tênue entre o sacro e o profano nos fará melhores seres humanos.

Em Cristo,

Hugo Júnior

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emtodasuaverdade

agosto 14, 2014

. reconhecer a verdade total é enxergar a paternidade consciente e amorosa que nos dota de liberdade para errar (experiência do pecado), nos instrui ao arrependimento (autocrítica decisiva) e graciosamente nos livra e resgata de nós mesmos de volta ao estado primordial de dependência (salvação);

. não há caminho possível de dignidade cristã sem pleno conhecimento; a verdade é que o tempo deveria nos tornar íntimos, mas a superficialidade nos rouba isto;

. tudo que existe fora da dignidade é enganação\encenação, histeria coletiva, esquizofrenia, charlatanismo, crise de fé, experimentalismo, sincretismo de incompatibilidades e hipocrisia; tudo isto é frustrante e não sustentável a longo prazo;

. nos fundamentos da dignidade cristã, que a legitimou\divulgou, está o conhecimento\reconhecimento, a identidade firme, a referência clara, a confusão entre criatura-criador e seus atributos, em outras palavras, a tão enunciada “imagem e semelhança de Deus”, que impõe a pergunta “quem é Deus” e imediatamente, na vida, responde com bem, com amor, com esperança;

. existe resultado\fruto mais expressivo, poderoso, do que dar significado à vida? existe dúvida mais incômoda que “pra quê vivo?”, “por quê vivo?”? Existe ser mais abandonado de respostas que o ser humano? Ter segurança num projeto de tamanha magnitude, responder à vida, e viver de acordo com esta Fé, certamente, é uma experiência arrebatadora;

. a autossuficiência angustiada, a ganância de Tântalo, o moralismo intolerante, o insustentável modo de vida e a extinção gradativa do amor incondicionado são exemplos de “tão densas trevas” de onde precisamos ser resgatados. A natureza humana está aí;

. não vivenciar uma consciência\vivência remediada de tais aflições é não ter gerado ainda, interiormente, a convicção, a aposta racional\positiva da aceitação das verdades cristãs; é ter ouvido sem crer; crer altera o curso da existência, crer transporta, ou seja, te leva a superar a vida;

. a transformação, finalmente, se dá na razão prática, quando a vida serve à vida e a vida eterna (e seus valores), ela sim, é o paradigma;

. a transformação se dá na criatividade, quando a ambivalência dos nossos projetos cede ao bem; quando o meu está a serviço do outro, não para consumo, mas para dávida;

. a transformação torna possível existir, permite que a vida seja uma experiência desimpedida, sem falsas expectativas ou frustrações, transitória, sem deixar de ser digna, ensaio da plenitude almejada;

II Coríntios

agosto 13, 2014

Acabei de ler o capítulo 4 da segunda carta aos Coríntios. Que leitura. Apreciei sobremodo os versículos 8 a 11, uma vez que identifiquei alguns aspectos importantes que me fizeram olhar de certa forma diferentemente para esse texto inúmeras vezes lido por mim.

É engraçado ver passagens bíblicas intrigantes e reais como essa. Paulo vai falar exatamente daquilo que é contrário ao nosso (meu) crer evangélico. Ele vai pulverizar a nossa fé religiosamente certinha, imaculada e indefectível. Os versículos citados me provocam reflexão mais aguda porque trazem palavras fortes e situações limite. Sendo bem honesto aqui: Quem gosta de situações limite? Sendo mais franco ainda: Nesse nosso caldeirão evangélico de doutrinas e idéias para todos os gostos, falar sobre limites não dá ibope nem faz pregador/escritor famoso. Pois bem, voltemos ao assunto em tela.

Para adentrar ao texto vou pedir licença a você, caro leitor(a), para poder buscar ajuda profissional (no caso , o dicionário) para, com a ajuda dele, aprofundar as compreensões das palavras paulinas. Vou aqui abaixo elencar todos os significados a fim de tornar a leitura mais clara e compreensível.

Atribular: causar tribulação;
abatidos: derrubados, prostrados;
perplexos: espantados, atônitos;
perseguidos: importunados.

Esses quatro estados do ser são perfeitamente bíblicos e senti-los não descaracteriza o nosso crer, tampouco o nosso Deus. Aliás, quem escreve estas palavras conhecia muito bem os estados que tais sentimentos/situações nos colocam, bem como conhecia o Deus com quem andava.
​O que mais me chama a atenção no texto é que tais circunstâncias “limites” têm um LIMITE no nosso caminhar com o Pai.Todo sentimento de dor, de desgraça, deve obedecer um LIMITE. Tal LIMITE (desculpe a redundância, mas esta é necessária) ocorre nesse nosso contexto de desventura na estrada dos corações pavimentados daqueles que já descansaram Nele graciosa e confiadamente a ponto de não fazer da tribulação, angústia (ânsia , agonia); da perplexidade , desânimo (falta de ânimo, de alma); da perseguição, sentimento de desamparo (abandono); do abatimento, momentos de destruição ( assolação , arrasamento).

Amar e viver com o Pai é mais do que discurso e mãos levantadas. Se trata , na verdade, de experimentá-Lo nos universos mais inóspitos do ser, sabendo que todas as dores do meu e do teu viver devem habitar nos LIMITES transgressores da Graça de Deus. Esse é o paradoxo da Graça libertadora: limites que obedecem LIMITES quando se anda com aquele que é ILIMITADO. Só pode estabelecer LIMITES, para os “limites”, aquele que é ILIMITADO. Aleluia !

Despeço-me na certeza de que os alívios da Graça são maiores que as marcas mais indeléveis da tribulação, perplexidades, perseguições e abatimentos.

​Nele, o Ilimitável,

Hugo Jr
(Texto escrito em 14/01/2009)

Economia do Ego

julho 20, 2014

Um dos piores efeitos da Inflação se chama indexação. Funciona assim: o que era considerado aumento, encarecimento, ontem, se torna o marco inicial hoje. Assim, os preços continuamente são reajustados e o sujeito vai se adaptando às novas exacerbações, sempre tendo como novo “normal” um limite cada vez maior e perdendo-se do preço “real”.

Isto porque somos da moda e nos adaptamos bem à efemeridade, dada a enorme importância que damos à vaidade e seus subprodutos no comportamento, na estética e na ética. No campo da Moral, temos dificuldade em ser consistentes e a indexação também existe. O que ontem era absurdo, hoje é padrão, mas com uma disfaçatês que assusta aos economistas. Os excessos se multiplicam, sem que ninguém registre que este “todo mundo faz” de hoje, um dia, já foi o fundo do poço.

O antídoto econômico para a inflação do ego é complexo. O individualismo hedônico tem muitas causas, mas suspeito que a principal seja nosso profundo sentimento de solidão. E ela é materialista e de um relativismo alucinador. Homens e mulheres que já não sabem como construir solidez e constância no amor. Filhos abandonados por pais individualistas e despreocupados. Seres humanos que, ao se distanciarem de Deus (“não é mais um ‘conceito’ necessário em pleno século XXI”, dizem), estão órfãos de significado e caminho. Veja, por mais peso que determinadas aquisições tenham, elas não são dotadas de calor humano. E quando não há verdades absolutas, até mesmo a própria vida pode acabar à disponibilidade da efêmera “felicidade”.

Por mais que o Egoísmo cresça, ele jamais poderá prover auto-suficiência e segurança. Pelo contrário, a tendência é a experimentação de um esvaziamento íntimo enorme, um “cair em si” de proporções cada vez mais dramáticas.

Somos o que somos. Relacionais, espirituais e dotados de tamanho potencial ético, ainda que latente, que podemos até inflacionar nossas verdades, mas nunca ignorar: quando se trata da economia da existência humana, todo excesso tem um preço.

O antídoto? Ah, sim. O antídoto é ter memória.

“Guarda estas minhas palavras”.

Na Babilônia, Negar a Deus

julho 20, 2014

Ergueram um monumento à babilônica divindade. Seu nome é Patrimônio. A voz de autoridade decreta a escolha: ajoelhar-se ou perecer.

Mas veja só. Foi pensando na morte que os cristãos encontraram o sentido da vida. Não só porque há redenção eterna. Mas também porque não existe Humanidade distante de Significado. E não há nada no materialismo que nos traga significado mais profundo que Amar. Não há lucro em estar só, não há vantagem em cercar-se de bens e perder momentos, não há alegria em enriquecer para uma velhice tola, sem afetos, sem saudades, sem filhos e netos.

Não. Negar a Deus seria o mesmo que Negar-se, humanamente, intimamente. Ajoelhar perante o Patrimônio, para adorá-lo, seria mutilar uma existência essencialmente relacional, contemplativa, graciosa, desapegada, planejada para fruir, não possuir, e viver como os passarinhos que não semeiam nem ceifam, mas não padecem pelo cuidado de quem os sustenta. Seria baixar os olhos. Nunca mais ver um pôr-do-sol sem pressa ou culpa.

Por isso os cristãos optaram pelo perecimento, como santos. E confiaram a Deus suas preocupações com o futuro. Todos sabem como termina o conto: nem a lei, nem as chamas foram capazes de destruir este ideal. Intocados pela nova ordem e pelo fogo, os cristãos alcançaram a eternidade e, ainda hoje, escolhem não se curvar, porque crêem nas Palavras eternas:

Tudo mais passará. O amor é eterno.

A Novidade

julho 18, 2014

Nós, nós mesmos , os homens , amamos a novidade . Aliás, veneramos tanto o novo ,que às vezes fazemos de tudo para sê-lo. É um tal de muda isso , troca aquilo, põe aquilo outro. O barato é que o novo , em regra , é bem vindo.
​Desconfio que esta volúpia pelo novo é dada para nós desde o primeiro dia em que nos descobrimos como seres existentes. Naquele momento, onde nossas mães nos expelem para fora dos seus ventres, a novidade aparece. Até ali , tudo era normal. A placenta estava sempre no mesmo lugar, o útero sempre foi daquele jeito, enfim , tudo não era novo.
​Até que vem esse “boom”, e nós descobrimos que tudo era deliciosamente efêmero naquela vida. Agora existe outra realidade. Os outros nos olham , nos medem , riem, fazem graça , e , diante da primeira grande novidade da nossa existência nós choramos copiosamente. Choramos porque a novidade do ar entrando em nossos pulmões nos agride (literalmente) por dentro.
​Mas as novidades não param por aí. Descobrimos que, passados alguns meses , podemos nos locomover sem precisar dos outros. Inicialmente de quatro, como que vistoriando tudo ao nosso redor, posteriormente nos colocamos de pé , e aí sim, tudo é mais novo do que nunca. Podemos alcançar o outrora inalcançável, corremos e desfrutamos das primeiras quedas , e conseqüentemente , das primeiras lições práticas acerca dos nossos limites. O fato de se tornar bípede divide barreiras em nossas vidas , fulmina distâncias e aguça em nós a busca pelo novo.
​Como se não bastasse andar com apenas dois membros , descobrimos que somos capazes de falar, articular palavras e estabelecer comunicação com outros iguais a nós . Ao tomar posse desta mais “nova novidade” nos tornamos insuportavelmente tagarelas. Nunca mais deixaremos de falar. Esta novidade nos incendeia a alma, e falar passa a ser quase que compulsivo. Queremos nos comunicar, gostamos de falar , de sermos ouvidos , e de preferência por muitos. Comunicar passa a ser a maior novidade em nossa pequena existência.
​Caminhando nesta série de descobertas , deparamo-nos com outras novidades que perto daquelas podem ser consideradas menores, mas não de menor importância. Coisas do tipo ir a escola, a chegada de um irmão, as primeiras traquinagens, as brincadeiras e outras tantas que preenchem a nossa vida. Poderíamos aqui falar de tantas outras novidades que não mais sairíamos deste ponto da nossa discussão.
​Olhando a questão apenas sob o prisma das novidades andar e comunicar –se ,vemos quão grandes são os seus desdobramentos. Aquelas perninhas , antes tão curtinhas e inseguras, vão se firmando e tornando-se maiores ,nos levando paulatinamente a outros mundos até que nos tornemos crianças, adolescentes, jovens e velhos ….. . As palavras pronunciadas de maneira balbuciadas e confusas, são agora alvos da gramática, sintaxe, formalismos, retórica ….. . O certo é que as novidades que estão no porvir decorrem destas duas primeiras novidades. Ou seja, o nada ou o tudo que somos , é reflexo do que falamos e de onde estamos.
​Diante disto, para onde nos têm levado as nossos pernas? A nossa caminhada é sem sentido e as novidades cada vez mais enfadonhas. Aquelas primeiras sensações maravilhosas obtidas tantas vezes, agora se tornaram insossas? Queremos caminhar muitas vezes , mas a estrada é esburacada, feia , torta , e por isso nos é melhor ficar parados. Afinal, a inércia nunca prejudicou a ninguém e o máximo que pode acontecer é não acontecer nada, inclusive a magia da novidade. Ah!!! perninhas inquietas!!!!!
​E a nossa voz tem ecoado da mesma forma ? A nossa tagarelice moleca ainda nos trás novidades ? Ou falar se tornou perigoso? Somos reféns daquilo que falamos , e por isso, melhor é ficar calado – alguns diriam. A nossa falação se torna cada vez mais temerária já que o outro que nos ouve , é o outro. E o outro é sempre o outro e não eu. E tudo o que não sou eu não merece confiança,portanto eu não falo com o outro. A vivacidade da comunicação ,fruto de nossa volúpia por falar , se transformou em adversária, inimiga, e por isso deve ser evitada. Em caso de se falar, que se fale do outro. A novidade conseguida por este poderoso elo é debelada, arrefecida de maneira contumaz. Eu não falo , e com isso , o novo é algo tão próximo como as estrelas ou o sol. Sou apenas eu e as minhas convicções , que já não são novidades pra mim.
​Quero dizer que a novidade deve ser algo presente em nossa existência. Viver do que é velho , obsoleto e ultrapassado não é vida – é sobrevida. As marcas da novidade devem estar estampadas em nossa vivencia de maneira patente. Não consigo enxergar alguém que se escondeu em si mesmo e já não mais permite que seus pés sejam velozes e constantes , que da sua vida flua comunicação, contatos , elos.
Viver é novidade. Afinal, nenhum momento da vida é igual ao outro. Mas, tornar estes momentos novos, dentro da uma novidade diária é para aqueles cujos pés e bocas não se curvam diante do enfadonho e embrutecedor cotidiano .

Ande! Fale! Seja Novo!

Em Cristo,

Hugo Júnior

O Maior Dilema Humano: A Maçã ou a Eternidade

julho 6, 2014

Por esses dias me peguei desejando e querendo o Agora, intimamente, irresponsavelmente. Até orei a Deus para que ele interviesse sobre as circunstâncias e me desse, de bandeja, o bem imediato que desejava.

Engraçado como somos realmente, nós, pessoinhas pequenas desse mundinho finito, previsíveis. Isso facilita, de certa forma, a autocrítica. Pelo menos para as religiões, filosofias e pessoas que ainda estão dispostos a se propor críticas sérias e a aprender alguma coisa com elas, tentando acertar mais tarde.

Pois não é esse o maior dilema da Humanidade? Desde que caímos, sempre tendemos a escolher a Maçã, o bem imediato, a vantagem palpável, o objeto de consumo, o enriquecimento terreno, em detrimento daquilo que a Bíblia chama de “tesouros no céu”, que são incorruptíveis e durarão para sempre.

Vamos ser bem realistas, pra não pecar contra a consciência: amar não está na agenda contemporânea. Não no sentido cristão da Palavra, que seria sacrificar-se pela salvação, em todos os sentidos, do outro. E não é que o Amor é justamente uma dessas coisas de que falamos, eternas, segundo a mesma Bíblia?

Da próxima vez que eu me flagrar desejando vou, incontinenti, recolher a mão estendida e pensar:

E Se fossem as mãos de Jesus, para onde estariam estendidas?
Mais uma Coisa ou o Próximo?
A partir daí farei minha escolha.

Não precisamos de números, Precisamos de Exemplos

junho 24, 2014

Agora que o BOOOMM já é um dado conhecido e, agora que já descobrimos que ter um, dez, cem ou mil crentes na vizinhança, por si, não faz a mínima diferença na prática, chegou o momento de refletir: o que, de fato, poderia transformar a nossa realidade em algo melhor do que o que está aí? E a resposta é tão poderosa que foi o fundamento do ministério de Jesus: dar exemplo.

Veja que é muito fácil (apesar de improdutivo) viver um cristianismo coletivo, pop e musicalizado, auto-afirmativo e abstraído do mundo real, que piora. Difícil (mas recompensador, salvífico) é viver para demonstrar na vida o que é que Deus pode fazer, encarnar este bem inequivocamente, na construção e consolidação de relacionamentos, no conhecimento e zelo pelos valores e pela honestidade, na serenidade necessária para recusar a oferta de comprar riqueza e estabilidade pela bagatela de “todo o seu esforço e tempo”.

Finalmente, é preciso coragem pra não só fazer, mas deixar claro a quem vê: FAÇO PORQUE CREIO. Parte de nosso comodismo se justifica no medo (bem fundamentado, porque estamos mal alimentados) de faltar forças aos compromissos e dar um mal exemplo. Tanto pior que mal exemplo é exemplo nenhum. E, além disso, esquecemos que se estivermos dispostos a tentar com humildade, Deus está conosco. Portanto, avante. Não acredite na força dos números, acredite na força do exemplo. E lembre-se: No resultado final, crentes nominais não contam.

Ilustres Estrangeiros

junho 24, 2014

Às vezes, muitas vezes na verdade, me senti deslocado no mundo. Essa deveria ser uma sensação comum a um Cristão minimamente preocupado com seus valores. Num mundo como este, em que monogamia, fé e auto-sacrifício são temas tratados com total descrédito, seria comum imaginar que a diferença seria óbvia. Mas não é. Perdemos a condição de ilustres estrangeiros no reino da Babilônia. Nos alimentamos do mesmo do resto, sabemos o que a média sabe, não nos destacamos em nada, nem em matéria de fé, porque a nossa morreu no dia em que morreram nossas práticas: estudar a bíblia para conhecer a Deus e a sua vontade seriamente, orar e estar em contato com Deus e em reflexão intensamente, abster-se das ofertas que nos seduzem e contaminam, radicalmente.

Se na Babilônia somos iguais, dificilmente no dia do juízo seremos reconhecidos como algo diferente.

Você tem uma vida cristã autêntica? Um teste de uma pergunta só

junho 24, 2014

O Cristianismo está centrado na radicalidade de DAR A SUA VIDA EM FAVOR DO PRÓXIMO, PARA TESTEMUNHAR SOBRE O AMOR DE DEUS. Então, a única questão a responder é: na prática das 24h, a quem sua vida serve? Todas as respostas exceto AO PRÓXIMO se situam fora do Cristianismo. A parábola do Bom Samaritano adverte: nem os empresários de si mesmo, nem os pastores do egocentrismo, nem os covardes do amor-próprio fazem o que Jesus disse ser necessário fazer para alcançar autenticamente a vida eterna. Ele finaliza: “faça o mesmo e você viverá”. Não há como por de outro modo. Finalizo: aquele que não ama na prática das 24h pode até ter ouvido falar e admirar e dizer-se isto ou aquilo mas, diz a Bíblia: (infelizmente) Não conhece a Deus. Nem ama ao Jesus que subiu ao Calvário. “Aquele que me ama, cumpre os meus mandamentos”.

Um Corpo

junho 24, 2014

Hoje, nosso corpo tem muitas cabeças, que pensam e falam indepententemente, além de terem uma visão de objetivos e obstáculos contraditória. Precisamos que a mente de Cristo nos una em ideais e metas. Isto só seria possível pela submissão aos princípios daqueles mandamentos, esquecidos. Se o cabeça fosse Cristo, nossa boca ensinaria e edificaria, ao invés de julgar e machucar; nossos olhos veriam com amor e atenção, ao invés de omitirem-se a encarar a realidade de nossos próprios erros e da dor que nos cerca.
Hoje, nossas mãos estão a serviço, muitas vezes, de projetos, não de uma missão. Precisamos de mãos como as de Cristo, que se estendem ao cego e acalmam a tempestade (da violência dos nossos, inclusive). Esquecemos que o afeto de nossas ações constrói mais que a simples engenharia de congregações. Perdemos o tato e o dom de curar. Perdemos a capacidade de abraçar primeiro, disciplinar quando necessário, nunca rejeitar quem pede socorro.
Hoje, nosso corpo está doente, sedentário e indisposto. Precisamos de domínio próprio, sobretudo, porque andamos contra a corrente, corremos em direção contrária ao mundo, lutamos contra nossas inclinações e há muita oposição ao nosso avanço. Não é fácil trilhar o caminho do auto-sacrifício, esta via crucis radical, só por onde é possível encontrar salvação num mundo que se perde e se destrói ao viver, que desconhece o significado desta humanidade.

E tudo isto sabendo que está escrito: até o fim, este corpo há de padecer, para que finalmente seja glorificado.

Provem e Vejam

junho 22, 2014

Segundo a Bíblia, Foi o próprio Deus dos cristãos – nenhum outro – quem disse: provem, vejam. E indicou o caminho para que cada pessoa na terra tivesse a possibilidade de pessoalmente ter um encontro com Ele. O caminho, diferente do que se pensa, não envolvia ir a algum lugar específico de culto, muito menos “dar para receber”. Era simples: Deus estaria “à porta”, esperando para intimamente, individualmente, “habitar” em quem aceitasse caminhar por onde ele caminha e fazer o que ele faria, pensar como ele pensa, viver como ele viveria. Assim, misturados, Deus e o homem passariam a se conhecer cada vez mais profundamente, até o dia em que, ao andar na rua, este homem fosse confundido com o próprio Deus, dando assim testemunho de sua EXPERIÊNCIA PESSOAL com Deus.

Por isso sou cristão. Pela possibilidade de encontrar a Deus desta forma. E ao encontrar dificuldades de reaprender a viver, deixar velhos hábitos, transformar minhas inclinações negativas, não desanimo, estes são os únicos obstáculos que me separam do maior tesouro que existe: Provar e Ver pessoalmente a Deus, me tornar como Ele é: Bom e Eterno.

Esperança

junho 22, 2014

Crentes narcisistas, carentes de atenção, crentes violentos, crentes maledicentes, crentes desonestos, crentes frios, legalistas, crentes místicos e supersticiosos, fanáticos barulhentos, crentes acomodados e infrutíferos, crentes mentirosos, crentes problemáticos e imaturos, crentes falastrões e falsos, crentes vaidosos e impacientes, crentes de rótulo, crentes consumistas, insatisfeitos, crentes sem paz, intolerantes, crentes estagnados, vencidos, crentes preguiçosos, sem memória, sem prazos, crentes velhacos, perigosos, crentes apegados ao dinheiro, injustos, crentes que fazem em 24 horas mais mal que bem.

Acusação? Não. Esperança. De que os crentes busquem a Deus. E que ao o encontrarem, sua Transformação seja seu Testemunho.

“Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens”.

Palavra Viva

outubro 7, 2013

Sem dúvida, a verdade é o que é. A palavra dita, freqüentemente, se distancia da verdade, ainda que não tenha originalmente esta intenção, porque somos muitos limitados, simplistas e bons teorizadores. Algumas dificuldades, simplesmente, não podem ser antecipadas ou enunciadas.
Assim, o evangelho não pode se basear na palavra dita ou facilmente se perderá num mar de moralismo, teorização estéril, discurso sem consequente resposta existencial.
O evangelho, então, deve, literalmente, viver a verdade, e este compromisso nos impõe, necessariamente, algumas lições automáticas. A primeira diz sobre nossas limitações. Uma coisa é dizer que o evangelho cura a alma do homem. Outra é vivenciar esse tipo de experiência. A superação de traumas, a reabilitação de identidades corroídas pelo mal do mundo… Há poder em Cristo para isto… Em Cristo. E só quem puder vivenciar Cristo, de fato, Poderá experimentá-lo. Daí o distanciamento que vemos entre o que é dito e o que de fato temos vivido.
Outra lição, tão profunda quanto a primeira, diz respeito a Pessoa de Jesus e a verdadeira identidade cristã. Porque ser identificado como cristão deveria ser o resultado de uma profunda personificação moral, social e ideológica da figura dele e, consequentemente, do pai. O discurso, quando fora desta relação, revela uma das piores faces da hipocrisia ou da cegueira. Por isso o discurso, no cristianismo, deve ser último, como a assinatura de um documento, aposta após a certeza da veracidade de seu conteúdo.

A Favor e Contra

julho 7, 2013

Como cristão, eu me preocupo com o futuro da nossa humanidade. Minha vida e a vida de muita gente me preocupa. Principalmente porque sinto que as verdades que escolhi eleger como nortes da minha vida, as vezes, tem um imenso efeito constrangedor, até irritante, nos outros. Imagine o caso hipotético de uma discussão filosófica sobre a Mentira. Todo mundo sabe que não se pode mentir em juízo. Imagine, então, se num dado momento histórico a mentira vier a ser vista de maneira diferente. Como uma legítima forma de defesa. Como uma prática saudável. Um recurso imaginativo, criativo, viável no discurso e na prática. Traição, na relação a dois, já o é (em muitos casos, dizem os colunistas de revistas, pretensamente, científicas). Podemos não estar, então, divagando tanto. Veja que me ponho, por conta de minhas convicções, numa enrascada programada. Porque como um idealista eu sinto que não devo calar minha opinião com relação aos meus valores. Como um progressista acredito que devo tentar influenciar na tomada de decisões de minha comunidade. Mas eu me veria em grande apuro quando, ao me manifestar, fosse mal interpretado, taxado de moralista, intolerante, fundamentalista e tudo o mais, mesmo sabendo que eu sempre estive, ideologicamente, no mesmo lugar. Foi o mundo que “progrediu” e não me deu alternativas, senão a de me negar em acompanhá-lo. Sou A FAVOR das pessoas, e tranquilamente CONTRA determinados “avanços”. Acredito na consistência de determinados valores, ainda que muitos não consigam experimentá-los, circunstancialmente, por diversos motivos, e pelo maior deles, pela liberdade de autodeterminar-se.

Enquanto for livre para pensar e agir, espero ter forças para, mesmo mal interpretado e assumindo a priori a falibilidade humana inerente, manifestar meu completo respeito e amor ao próximo, que me levará, vez ou outra e mesmo que temendo represálias, a dizer humildemente:

Meu caro, não posso apoiá-lo desta vez, pois acredito que você está errado.

Sociedade

julho 7, 2013

Engraçado como as palavras nos pregam peças, inadvertidamente. Se alguém diz que abriu uma empresa em “sociedade” com outra, logo se vê que esta pessoa firmou um compromisso, baseado em responsabilidades recíprocas, em colaborações ativas, constantes, inadiáveis, insubstituíveis, diante do objeto do negócio. O que assusta é ver como nós conseguimos ignorar que DEVEMOS à sociedade, justamente o pressuposto de sua existência: nossa participação. Como cristãos, então, o termo sociedade assume um viés ainda mais complexo, revelador. Somos parte de um grupo de pessoas que assumiu o compromisso de, vivendo juntas, usar os recursos que dispõem (tempo, dinheiro, habilidades pessoais, inteligência, valores) para construir um ambiente confortável, positivo, para viver. Se cremos que somos dotados pela graça de Deus de ferramentas de cura, edificação e inspiração de nossa realidade, de salvação de pessoas, não podemos nos omitir. Nos omitir diante desta sociedade seria o maior dos desfalques, o mais flagrante dos calotes, o furo mais vergonhoso que se viu. Pra finalizar, faço referência às palavras de Jesus, que disse: Pai, não peço que eles sejam tirados do mundo. Livra-os do mal. E nos dias de hoje, o mal se faz presente, sobretudo, quando conscientemente nos ausentamos.

Anda com Ele

julho 7, 2013

Violência. Impressiona pensar no que o homem é capaz. Além de ser capaz de ferir, tirar a vida, o ser humano ainda tem uma enorme capacidade para ferir a alma. Nós, que prezamos pela nossa segurança, aprendemos então, através do medo, a eleger os nossos inimigos. E a regra de ouro do medo é: fique longe deles. É a partir deste raciocínio que vamos refletir sobre como Jesus revolucionou a humanidade, tanto diante do medo, como através da esperança. Veja, se nós seguimos a lógica deste mundo individualista, nosso bem estar estará de tal modo acima da importância do outro que nos tornaremos, aos poucos, ilhas. Isto porque, nos últimos tempos, ninguém quer ferir-se, expor fraquezas, chorar abertamente. Nos escondemos sob máscaras insensíveis e nos afastamos daqueles que, do menor ao maior grau, nos ferem. E aí nos tornamos ilhas. Uma humanidade solitária, existencialmente esvaziada do outro.

O Cristianismo, contudo, tem como fundamento o amor. Amar ao próximo como a si mesmo. Amar amigos. Interceder pelos inimigos. Recorro aos dois textos mais chocantes a respeito do tema:

“Vocês ouviram o que foi dito: ‘Olho por olho e dente por dente’. Mas eu lhes digo: Não resistam ao perverso. Se alguém o ferir na face direita, ofereça-lhe também a outra. E se alguém quiser processá-lo e tirar-lhe a túnica, deixe que leve também a capa. Se alguém o forçar a caminhar com ele uma milha, vá com ele duas. Dê a quem lhe pede, e não volte as costas àquele que deseja pedir-lhe algo emprestado”. “Vocês ouviram o que foi dito: ‘Ame o seu próximo e odeie o seu inimigo’. Mas eu lhes digo: Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem, para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos céus. Porque ele faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos (ver Bíblia, livro de Mateus, cap. 5)”.

“Abençoem aqueles que os perseguem; abençoem, e não os amaldiçoem. Alegrem-se com os que se alegram; chorem com os que choram (…) Não retribuam a ninguém mal por mal. Procurem fazer o que é correto aos olhos de todos. Façam todo o possível para viver em paz com todos. Amados, nunca procurem vingar-se (…) mas pelo contrário, Se o seu inimigo tiver fome, dê-lhe de comer; se tiver sede, dê-lhe de beber. Fazendo isso, você amontoará brasas vivas sobre a cabeça dele. Não se deixem vencer pelo mal, mas vençam o mal com o bem (v. Bíblia, livro de Romanos, cap. 12)”.

Nas palavras de Jesus e de Paulo, qualquer deliberada devolução de violência é insustentável do ponto de vista cristão. E isto para nós, cidadãos deste mundo, onde se clama por “justiça” e se luta tão ativamente contra a violência urbana, pode parecer loucura, mas pense. Você consegue ver o potencial revolucionário que um princípio como este tem se for diligentemente praticado? O poder de encerrar guerras históricas, de pacificar povos, de por ordem no caos do ódio humano. Nós só precisamos entender que um cabo-de-guerra só é possível quando os dois lados tencionam vencer através da força, através da dominação do outro, em revelia a suas necessidades. E as vezes, mesmo o lado “vencedor” experimenta perdas tão profundas que o valor em si da disputa se perde.

A intensa verdade reside, pra mim, na sentença: “anda com ele”.

Quando isolamos nossos inimigos, quando nos entrincheiramos, polarizamos a disputa e confundimos a violência em si com o ser humano em si. Aí, aos poucos, o valor da vida humana cede lugar ao desprezo e, uma vez tendo o nosso pensamento traumatizado pelo medo, iremos sem demora recorrer à pena de morte, às prisões perpétuas, na tentativa de afastar inimigos, como se fosse humanamente possível afastar todo o mal que existe, acorrentá-lo, mantê-lo longe, quando ele muitas vezes reside em nós e dentro daqueles que estão ao nosso lado. Ingenuidade.

Se, contudo, fazemos como Jesus nos disse, nos expomos, humanizamos a disputa e insistimos no bem, ainda que feridos, veremos que o homem em si não é o maior problema e que muitas vezes somos os maiores responsáveis pelos nossos próprios conflitos. Diálogo, atenção, investimento no outro, repartição de cargas, ações afirmativas que de alguma forma busquem as reais causas das nossas lutas, da violência, podem revelar verdades mais profundas e caminhos mais eficazes que os que o medo indica. O fim da violência, segundo Jesus, reside aí.

O medo de ferir-se, a recusa em sacrificar-se, em algum ponto, destrói a vida em comum. Leva a falência casamentos. Destrói amizades. Encerra oportunidades. Mas o amor, ah, só o amor, aprendido nesta perspectiva da encarnação de uma nova mente e uma nova postura diante da vida, através desta Palavra, nos leva à “superação de uma multidão de erros”. Suportar um tapa na cara, como a Bíblia sugere, pode evitar uma contenda maior futuramente e, quem sabe, nos fazer credores de uma dívida impagável, porque não há nada mais nobre que o perdão que nasce em meio a dor. Foi assim que Ele, Jesus, clamou:

“Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”.

Ser Cristão devia Incomodar

julho 4, 2013

Não sei qual foi a última vez que ouvi alguém dizer que perdeu o sono preocupado com os problemas de um estranho. Não sei qual foi a última vez que vi alguém perder o apetite ao ver mendigos catando no lixo o que comer. Não sei se já vi alguém dividir mais do que o extremamente supérfluo com um pobre. Poucas vezes vejo o mal ser devolvido com o bem. Ser cristão devia incomodar.

Ser cristão devia ser uma necessidade mais urgente que ajuntar dinheiro, consumir. Mas o apelo do TER é maior que a vontade de SER. Ser cristão devia incomodar.

O fato de não termos certas respostas, não sabermos abraçar o diferente (mesmo que reprovando algo em si), nem curar o mundo de suas enfermidades, o fato de vivermos uma comunidade de relações superficiais, devia nos deixar perplexos, indignados com nós mesmos. Ser cristão não é ser mais um. Era pra estarmos dando o exemplo. Mostrando como se deve amar, ensinar, viver. E se estamos deixando a desejar, isso devia nos incomodar.

Ser cristão não se aproxima em nada da maior parte das associações que se faz a isso. Prosperidade, disputa de poder, enriquecimento e manipulação. Isto são inverdades. Distorções da verdade. E não há ninguém que seja capaz de desmentir essa história mal contada, representada por tantos falsos mestres, divulgadores de uma “fé” suicida, controversa e incoerente.  Isso devia nos incomodar. Profundamente.

Ser cristão, claro, devia ser uma grande alegria para quem já teve experiências reais de transformação. Mas, sobretudo, diante do mundo, devia desencadear uma dor especial, como a preocupação das mães para com seus filhos. Uma dor vigilante. Uma dor intercessora. Dor pelo zelo. E esta dor, como dores de parto, devia nos tornar pessoas melhores.

Cegueira

julho 4, 2013

Perder a visão pode ser um grande inconveniente. Um claro e grave empecilho no cotidiano. Mas existe coisa pior. Pior que a cegueira, é a incapacidade de julgar o que se vê. A incapacidade de tomar pé da miséria do mundo. Pior que a cegueira, é a megalomania de sempre enxergar qualidades em si, nunca defeitos. É ver no espelho sempre uma pessoa idônea. Desmentir a decadência patente, alegar ilusão de ótica, erro de interpretação. E o orgulho, a incoerência, a intencional rotina desencaminhada, desnorteada, é pior que chorar lágrimas de sangue, pior que areia, cal,  nas vistas. Quando o problema está nos olhos, ainda se pode contar com os outros sentidos. O problema mesmo é quando o centro dos sentidos se corrompe. Quando o problema é a cegueira, alguém ainda poderá ajudá-lo a aprender, a ler, a conhecer o mundo. Se o defeito, contudo, está na razão, aí então, a verdade perde sua claridade, aquela claridade que se nota ainda que de olhos fechados.

Está escrito: Se teu olho te contamina, renuncia a ele. Mas é bom dizer: O mesmo vale para o Caráter.

Tesouros

julho 4, 2013

Me parece que estamos sendo pouco produtivos. Aliás, estamos tendo prejuízo nos nossos negócios. Nosso lucro é minguado, volátil. Nosso crédito é escasso. Ninguém está disposto a financiar nossas causas. Somos trabalhadores de um trabalho roubado antes mesmo de estar completo. Os abusos corroem nossos salários. E sobre o que poupamos pesam impostos, taxas e outros penduricalhos. Ficamos pobres. Vivemos à míngua da vida que almejamos.

E tudo isto porque nos esquecemos. Isto mesmo, o sol nasce e se põe, inúmeras vezes por sobre nossas cabeças, e nos esquecemos, ignoramos, os conselhos antigos:

“Porque os filhos são a herança do Senhor”, “melhor adquirir sabedoria que o ouro”. “Com a sabedoria se constrói a casa” e “ser estimado é melhor que riqueza e ouro”. “Mais vale ter um bom nome do que muitas riquezas”. Por isso “emprega tudo o que possuis na aquisição de entendimento”, “pedi, e dar-se-vos-á”. “Deus dá a sabedoria”. “Não acumulem tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem corroem e os ladrões roubam”. “Acumulem tesouros no céu”, porque “onde estiver o seu tesouro, aí estará o seu coração”.

É isto. Tesouros, então, são conhecimento, relacionamentos e uma vida íntegra e respeitável. Estamos no negócio errado.  Encerro com uma última recordação, uma história cuja lição não poderia ser mais clara:

“Um homem rico tinha produzido com abundância; E ele pensava consigo mesmo, dizendo: Que farei? Não tenho onde recolher os meus frutos. E disse: Farei isto: Derrubarei os meus celeiros, e edificarei outros maiores, e ali recolherei todas as minhas novidades e os meus bens; E direi a minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e folga. Mas Deus lhe disse: Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus (v. Bíblia, em Lucas 12)”.

 

“Jesus como seu Salvador”

novembro 20, 2011

Ter Jesus como Salvador parece simples. Parece uma questão de Afirmação. Vou tentar dar aqui minha perspectiva do que isso significa, em poucas palavras.

Nós diariamente precisamos de Salvação. A cada instante. Nossas escolhas podem representar Salvação ou Perdição. Aceitar aquela determinada proposta de emprego pode significar a ruína dos meus relacionamentos ou uma grande alavancada no meu desenvolvimento pessoal. Quem determina qual será o resultado das minhas escolhas ? O meu espírito, o que carrego de virtudes e valores comigo, a minha bagagem. É aí que Jesus é determinante. Acredito que Ele representa o exemplo máximo de alguém que viveu, como dizemos, “em espírito”, ou seja, viveu em virtudes, viveu bem (no sentido de saber amar, permitir ser amado, valorizar a vida e as pessoas, não se perder pelas ilusões do mundo) e para o bem. Acredito também que não há outro caminho que leve alguém a este nível de entendimento, senão aquele que Jesus aponta. Ele é o exemplo mais intenso, constrangedor e poderoso de amor e de elevação que jamais existiu. Quando eu digo que “aceito Jesus como meu Salvador”, estou dizendo que aceito este modelo de existência, essa postura diante da vida, esses “mandamentos” de alguém que é mais que um mestre de boas maneiras, mais que honorariamente o “filho de Deus”. Ele é o único que pode me levar a, vivendo a vida de maneira diferente, descobrir a resposta para meu maior questionamento: qual é o significado de tudo isto.

“Eu sou o caminho, a verdade e a vida”.

Meu Caminho, Minha Verdade, Minha Vida.

O Pecado da Ignorância

novembro 17, 2011

Não é novidade que o cristianismo, a “igreja institucional”, tem uma história controversa e paradoxal. Maior parte do estrago foi resultado desse sentimento de “nós temos a Lei de Deus” para os homens. Em nome desta linha de pensamento, muita gente viu o fogo e a fúria, o sangue e o açoite, até mesmo o próprio Cristo (quando se pensa no Judaísmo como antecessor imediato do Cristianismo). O que se vê hoje não está muito distante do que já houve à epoca da igreja medieval. O pretenso cristianismo, de pretensos “pais da fé”, já produziu resultados igualmente nefastos. Da fogueira ao linxamento social, só muda o método. E não negaremos, em momento algum, que somos herdeiros deste passado histórico, ou estariamos cinicamente, tolamente, nos desviando da questão central que determina o poder para o bem ou para a desgraça da religião: o poder do conhecimento. Podemos pecar. Só não podemos ignorar nossa condição de pecadores. Não podemos ignorar a existência e a prevalência dos valores sobre as intenções. “Ainda que desse o meu corpo para ser queimado e não tivesse amor, nada seria”. Citações como estas, se esquecidas, determinam o obscurecimento do potencial salvador que há no Evangelho. Sobretudo, não podemos ignorar a obra orquestral que se deu através da vida de Jesus, de seu exemplo e direcionamento, que nos tira da ignorância humana. Longe da igreja institucional, que por si só não apresenta qualquer novidade, o Cristianismo em Jesus assume o “conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. A novidade que transcende a vida, que propõe a eternidade, uma mensagem baseada em valores cultivados com consciência e amor sacrificial, a ponto de anular totalmente a vingança, a brutalidade, o ressentimento. O que se vê no cristianismo de hoje é a crise de identidade, a pane estrutural, o câncer principiológico desta religião que perdeu o “sentido”, tornou-se ignorante de sua missão, de seus resultados, de seus porquês e pra quês. E pior, ignora sua ignorância, veementemente divulgando a “vontade de Deus”, os “planos de Deus”, as “promessas de Deus”. Os fiéis, desse modo, aplicam sua fidelidade sem questionar. Os pastores, pastoreiam um rebanho de um Deus anônimo, ou generalizado, ou no pior dos casos, egocêntrico.

Como se não bastasse isso, a ignorância ainda impõe um castigo maior: a simploriedade. Omne ignotum pro magnifico est. Qualquer latim nos ilude, qualquer evento místico, qualquer evento “além de explicação”, e acreditamos que Deus deve prezar pela ignorância, pela credulidade cega, sem saber que Jesus instruiu e promoveu a sabedoria, em atos e palavras, além de ter alertado contra os profetas, adivinhadores, operadores de milagres, etc. A ignorância nos prega peças, nos faz acreditar que o que não entendo DEVE ser verdade. Se não sabemos que Deus é este, então qualquer um há de servir. Se não sabemos o que esperar, então o que vier será inesperado e maravilhoso aos nossos olhos. A ignorância nos tira da condição de “ovelhas em verdes pastos” e nos faz ovelhas caminhando distraidamente para o matadouro. Engraçado fazer este tipo de referência a ovelhas, quando o próprio Jesus disse (veja Evangelhos) que “minhas ovelhas conhecem a minha voz, e eu as conheço, e elas me seguem”. Não somos ovelhas estúpidas. Não somos uma manada desorientada.

Claro que ainda estamos resolvendo nossas crises, buscando praticar nosso discurso, aprimorar nossa parcela de contribuição no mundo, esta busca para nós é “louvor a Deus”. Podemos até não saber todas as respostas. O que não podemos é ignorar o tamanho da nossa ignorância. Numa atitude de humildade, devemos prequestionar nossas certezas diante deste mundo caótico e despreocupado com qualquer verdade que exceda o agora.

“Por causa disto me ponho de joelhos perante nosso Deus, do qual toda a família nos céus e na terra toma o nome, para que, segundo as riquezas da sua glória, conceda a vocês que sejam confirmados com poder pelo seu Espírito no homem interior, para que Cristo habite pela fé em suas mentes, a fim de, estando arraigados e fundamentados em amor, possam perfeitamente compreender, todos juntos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade, e conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento, para que sejam cheios de toda a plenitude de Deus”.
(ver Bíblia, Efésios 3)

A verdadeira resposta ao mundo será dada pela boca do cristão que sabe que precisa da mente de Deus para responder ao significado da vida. E esta mente para nós não é patente, mas sim mistério, a ser revelado diariamente, numa vivência intensa e significativa de descobrimento.

De si, de Deus, do outro  e do mais.

Sobre o Perdão e a Culpa

novembro 15, 2011

Todos os dias eu me sentia arrastado pelos cabelos até o centro do pátio de terra. Rosto espremido sobre o chão quente, meus acusadores furiosamente brabando “morte”, “pedras”. Assim os erros da juventude, os excessos, a vida oscilante, me faziam curvar, feriam-me, envergonhavam-me, usando tantas vezes a própria Palavra como sentença: “seus pecados fazem separação entre você e Deus”.

Então aprendi sobre a Graça, sobre o Dom Imerecido, sobre o que é sinceramente desejar não errar mais. Em Paulo, conheci o conceito do “mal que não quero fazer”. Em Jesus, aprendi o conceito do “venham a mim os que estão cansados e sobrecarregados”. Todos os dias, daí em diante, quando erro, ouço Sua voz dizendo…

“Eu também não te condeno. Vá”.

Amando a Deus sobre Todas as Coisas

novembro 14, 2011

Amando a Deus mesmo diante da morte

Amando a Deus quando se evita ofender

Amando a Deus e vendo a beleza de ser responsável

Amando a Deus por ver Luz em Dizer a Verdade

Amando a Deus e trabalhando para o Bem de Todos

Amando a Deus e dizendo Não aos “jeitinhos”

Amando a Deus e Tendo humildade para reconhecer o Erro

Amando a Deus por Entender que a Paz é Inegociável

Amando a Deus por ver Valor e Vida no exercício de Princípios

Amando a Deus a ponto de Sacrificar-se

Amando Mais a Deus, Amando a Vida.

“Aquele que diz que ama a Deus, mas odeia a seu irmão, mente”.

Despersonalização do Milagre

novembro 14, 2011

Acompanhe comigo: Jesus encontra alguém e diz: levanta-te e anda. A outro, num outro momento, diz: Vai, tua fé te salvou. A outros diz: Homens de pouca fé (logo após ter salvo a todos de uma tempestade). A outro diz: Sai para fora. A outros diz: Porque choram, não vêem que a menina apenas dorme? Menina, levanta. A outro diz: Toma teu leito e anda…

Em todos esses casos eu vejo Jesus, cercado talvez por uma multidão, mas repousando os olhos sobre Alguém. Alguém com nome, com uma história, alguém específico. A pergunta que fica é: Jesus curou a todos os enfermos? (biblicamente, não). Jesus operou milagres diante de todos que ansiavam por milagres? (novamente, resposta negativa). Diante disto, eu me pergunto:

Quem transformou o milagre em uma oferta coletiva, determinável e voluntária?

Quem ensinou que o milagre é exigível?

Quem ensinou que há um milagre para tudo?

Onde estão tais promessas de milagres?

Eu gostaria muito de ouvir, um dia, a canção sendo cantada em forma de pergunta, da maneira mais sublime, humilde e singela, sem triunfalismo, mas com consciência da condição humana: Deus…

“hoje o meu milagre vai chegar?”

Nenhum motivo para Ser Cristão

novembro 14, 2011

Eu sempre desconfiei, agora tenho certeza: Na verdade, não existe uma boa razão para ser cristão. Engraçado pensar assim. Engraçado e alarmante. E revelador também. Pense comigo: quem poderia explicar a alguém o cristianismo? Quem poderia demonstrar, com qualquer argumento, que é esta a melhor escolha? São tantas dissensões, tantas linhas de interpretação, tanto esforço para definir o que é e o que não é “cristão”, tantas recordações dolorosas de um passado doutrinariamente caótico, tantas experiências cotidianas de uma realidade vergonhosa e paradoxal, tantas justificativas de “certo e errado”, modos, usos, abreviações, estereótipos, que se torna cansativo e insustentável manter uma tese que seja a favor do cristianismo. A prova disso é que depois de tantas boas pregações, o mundo é o mesmo. E todas aquelas conversões simbólicas? E todos os cristãos nominais? E toda essa Fé midiática que soluciona todos os problemas, e nenhum? Quem explica isso? De fato, não existe uma boa razão que tenha o poder de te fazer parte de algo que transcenda isso, que se supere.

Ficam as lições de que o Cristianismo Autêntico é vivenciado individualmente e que só nos sobra Ser o exemplo. A opção por profundidade e seriedade para com esta filosofia de Ser é absolutamente pessoal. No silêncio dos bons motivos e da comprovada inabilidade das definições de “certo-errado” permanece como regra universal: viver. Viver como a bíblia orienta no que diz respeito ao “temor do Senhor”: Afastar-se do mal, apegar-se ao bem. Assim, não há necessidade de longas explicações, que convencem momentaneamente, até que outra explicação convença melhor. Assim, sem tocar a liberdade de alguém, eu representarei simplesmente, justamente, a opção. E optar pelo cristianismo não será determinado por motivos, mas por uma pessoal, íntima, lúcida, espontânea e duradoura… Escolha.

Encerro com uma enigmática máxima cristã:

“Alguém me buscará e me encontrará quando me buscar de todo o coração”.

De onde Vem a Salvação.

julho 3, 2011

Elevo os meus olhos para o montes, de onde virá o socorro. Elevo os olhos às cidades, às favelas, aos presídios, aos hospitais, às creches, às casas de recuperação, às instituições políticas, às famílias em crise, às igrejas, às religiões, aos movimentos sociais, às lideranças políticas… e não consigo dizer de onde virá, de onde virá o socorro. Apesar da consciência de que “O socorro vem do Senhor, que fez os céus e a Terra”, não consigo ver de onde ele virá. Porque não vejo mais a fé inabalável, vivenciada, existencial, que um dia tivemos em Deus. O que restou foi o enunciado deste como de tantos outros salmos – que são resultado deste tipo de experiência pessoal do homem salmista com Deus – usados para dizer o oposto do que se vê. Vejo pessoas crendo em si mesmas: crendo em suas “palavras proféticas”, nos seus amuletos, no seu “chamado”, mas se apoiando pouco ou quase nada na verdade inabalável que é a existência de um Deus à prova de fragilidades, desvios, des-entendimentos, que denuncia em nós o oposto do que ele é, ou seja, nossa propensão a fragilidades, desvios, des-entendimentos. Uma experiência religiosa (individual e coletivamente) frágil, exposta, porque se deu por suficiente e renunciou à realidade da dependência que tem de proteção. Deixamos de ser o pequeno povo (interiormente). Deixamos de ser a nação santa (interiormente). Nossas cidades estão abaladas. Somos o produto da nossa independência. Eu, contudo, voltarei os meus olhos para os montes. E farei a pergunta de novo, procurando redescobrir em mim o significado desta resposta.

A Fé de um Homem.

junho 20, 2011

A Crença de um homem pode levá-lo a muitos lugares. Sim, Crer por si só não é suficiente, nem garantia de que alguém atinja a Deus. É preciso crer, sim, mas não crer em um objeto obscuro ou indeterminado, que não se dê a conhecer, que não responda (ou precise de interlocutores), que não apresente um “sentido de significado”. Isto é credulidade. A credulidade é a Fé esvaziada de Sentido. A Fé pressupõe uma intensidade positiva inerente, como uma virtude que se comunica com um “transcendente bem”. Engraçado o que dizem a respeito da Fé, injustamente. A Fé nunca promoveu um desvalor. Já a credulidade: motivou inúmeros morticínios, incentivou mutilações, deliberou tragédias. A Fé, ao contrário do que se diz (de que é um terreno infértil de idéias, “quem muito crê pouco pensa”), é o único ponto de encontro possível entre a razão e Deus. Por isso que quem crê, por mais que o diga, não irá conseguir explicá-lo. Testemunhá-lo sim, ou seja, narrar suas impressões, tentando promover interesse experimental, mas explicá-lo, definí-lo, nomeá-lo jamais. A Fé, então, se torna uma virtude exclusiva daqueles que, depois de muito refletir, passem a crer que algo assim é possível, que tamanho bem, gratuita e naturalmente, possa fazer parte do real, a tal ponto que represente o significado da vida aqui, desta pequena vida que temos.  O que pode ser mais forte que o ódio senão a compaixão? O que pode ser mais forte que o determinismo caótico senão a Salvação? O que pode ser mais forte que a morte senão a vida? A Fé se revela na certeza do que chamados de amor, do que chamamos de Deus, do que chamamos de eternidade. E as consequências desta Fé em forma de convicção, sim, podem de fato transformar a existência a partir da “simples certeza”. Por isso mesmo a Fé sempre parecerá, aos olhos do racionalismo, a alternativa mais improvável. Mas aos olhos da razão que crê, a Fé será, como sempre foi, a única alternativa possível. A Crença de um homem pode levá-lo a muitos lugares. A Fé de um Homem dará a ele a visão de que, esteja onde estiver, ele jamais estará perdido.

“E nós conhecemos, e cremos no amor que Deus nos tem. Deus é amor; e quem está em amor está em Deus, e Deus nele”.

Quem somos. Quem não somos.

junho 7, 2011

Não somos cristãos. Somos o relógio moderno. Somos a soma das horas de trabalho cumpridas diligentemente, mais o tempo que levamos nos percursos que fazemos (sempre com pressa), mais o tempo que gastamos em entretenimento, mais o tempo que investimos em nós mesmos, ou seja, somos um cronograma, em que a espiritualidade e as questões transcendentais, por sinal, contam com uma parcela medíocre do todo. Não somos cristãos. Não buscamos com primazia a realização prática de uma consciência profunda de significado, que nos daria uma única noção de tempo, um alfa e um omega. Alfa: Jesus morreu e ressuscitou e ali começa a correr o tempo para nós, tempo de arrependimento e de busca, interior e sobrenatural, de retorno a Deus. Omega: o mesmo Jesus disse que viria novamente, num advento de propósitos sem conta, para selar nossa aliança. Se fôssemos cristãos, nossos relógios só marcariam estes dois momentos. Nossas preocupações, logo, seriam programadas cronologicamente por eles.

Não somos cristãos. Somos cidadãos do mundo. E como cidadãos, vivemos imersos, aconchegados e em uma relação diretamente proporcional de decadência, não só de valores, mas também de consciência. Explicamos, através da afirmação bélica de democracias, através de barganhas humanísticas a que chamamos “direitos humanos”, de esquemas infantis de “desenvolvimento sustentável”, que podemos nos governar sozinhos. Que somos donos do pedaço. E o pedaço é este mundo azul, girando em seu próprio eixo, previsível e aparentemente governável, mas que estaria bem melhor sem nossa presença aí. Se fôssemos cristãos, aprenderíamos como nossos bichinhos de estimação uma lição simples de humildade: a criatura não tem condições de se auto-governar. Se fôssemos cristãos, saberíamos que “governo de Deus” em nenhum sentido significa “política”. Que somos cidadãos de uma outra pátria, e assim, devemos ser identificados. Se fôssemos cristãos, seríamos atípicos, causariamos estranhamento nas ruas, despertariamos curiosidade sobre “vida além da terra”, “vida além da morte”, mas somos mundanos demais pra isso. Passamos desapercebidos.

 Não somos cristãos. Somos o patrimônio. Somos um fundo de investimentos em ferro e carne. Distante dos discursos, cada um ajunta o que pode desses materiais preciosos no porão. “Tempos difíceis estão vindo”, pressagiamos, sem perceber o quanto estamos certos e enganados ao mesmo tempo. Somos o que podemos realizar, a profissão que desempenhamos, a família que construímos, a herança que deixamos. Nossa matéria emocional e psicológica  tem a mesma consistência da nossa “estabilidade financeira”. Somos o que podemos ter. E aos poucos vamos dando preferência às coisas, às instituições de utilidades, à tradição dos prédios e negócios, esquecendo que éramos pessoas. Se fôssemos cristãos, saberíamos perguntar primeiro “o que posso fazer por você?”, antes de perguntar “o que você pode fazer por…?”. Saberíamos enxergar no mendigo, gente, e não um fracasso social, veja. Teríamos uma escala de valores invertida e não estereotipada. Teríamos outros objetivos para realizar nesses curtos 70 anos médios de vida que dispomos (com sorte) que não casa-trabalho-filantropia. Não nos mobilizariamos para acabar com a pobreza material no mundo. Isso faríamos dividindo tudo o que temos com os pobres. Nos mobilizariamos radicalmente para debelar toda “fome existencial” que há, e que não faz distinção entre classe social. Se fôssemos cristãos, a palavra “prosperidade” para nós significaria tudo, menos bens materiais.

Não somos cristãos. Somos profetas de uma nova religião: o Egocentrismo. E como tais, apregoamos que a única e determinante pessoa que realmente importa na relação com qualquer outra coisa é: o eu. Pronunciamos assim, o maior dos absurdos. Porque a palavra relação traz como radical de significado a figura do outro. Pressupõe e impõe o outro. Este outro que não toleramos, logo, ignoramos. Ignoramos sem muita cerimônia. Existem certos meninos de rua praticamente invisíveis. Existem certos idosos, certos depressivos, certos homossexuais que preferiamos que não existissem. Perdemos o “trato”, o tato, com quem é diferente ou nunca o tivemos? Quando foi que começamos a perder os sentidos? Fomos sempre assim, inábeis para ajudar? Os profetas do Egocentrismo tem os braços curtos demais, suas mãos jamais serão plenamente estendidas. Ouvidos defeituosos, olhos prejudicados pelas traves e obstáculos do “meu primeiro”. Cultivar amizades é um sacrifício pra nós. Só mesmo as convenientes. E nos filiamos apenas àquilo que possa nos promover algum “rendimento pessoal positivo”. Doar é coisa de instituição de caridade. Doar-se, então, nem se fale. Se fôssemos cristãos teríamos no outro a medida de Deus, sabendo que “toda vez que você der de comer a um desses pequeninos, está fazendo isto a mim”. Se fôssemos cristãos, teríamos um quarto de hóspedes na nossa alma, não simplesmente nas construções. Saberíamos aconselhar sabiamente, entenderíamos o outro profundamente e seríamos precisos como Jesus em palavras e cura. Poderíamos encher a boca e dizer: “venham todos que estão cansados e sobrecarregados… nós ajudaremos”.

Não somos cristão. Somos uma sombra do que deveríamos ser e o nome não mais nos cabe. No início, estávamos nele, mas “todos pecaram” e aí estão nossos pecados.  Auto-conhecimento e arrependimento é a alternativa salvadora para uma vida verdadeiramente cristã. Espero que não sejamos, sobretudo, orgulhosos demais pra isto.

 

Radicalidade

maio 15, 2011

A radicalidade religiosa dá ordens de execução. A radicalidade do amor sacrifica-se. A radicalidade religiosa nos torna fanáticos, seguidores de uma ideologia que, como todas as outras, é frágil, falível, contextual; preterindo princípios em nome de normas periféricas. A radicalidade do amor nos faz criativos, críticos e bem intencionados; dinâmicos na apresentação e representação de nossas verdades centrais. A radicalidade religiosa nos esvazia de conteúdo, quando sedimenta nossa mente, e nos induz à vergonha, impedindo a humildade em reconhecer que, apesar de  nos chamarmos filhos de Deus, somos passíveis de erros, inclusive sobre como entendê-lo, seguí-lo, obedecê-lo; sem conhecer o poder da dúvida, nos negamos a reavaliar conceitos milenarmente falidos. A radicalidade do amor é sensível à dor alheia, aos conflitos existenciais de outrem e, longe de atribuir culpa e condenação existencial, procura dar sentido onde há carência de significado, onde há sofrimento interior, crise espitirual. A radicalidade religiosa invade, ganha terreno, disputa influência e poder. A radicalidade do amor é capaz de esperar, pacientemente, à porta. 

“Se alguém abrir a porta… entrarei… e será Alegria… Juntos”.

Profundidade. Eternidade.

maio 15, 2011

Não houve sequer uma noite que Ele não reviu dolorosamente o passado. Ter fugido do egito depois de assassinar um homem, ainda que por uma causa justa, o marcou profundamente. Fugir significou abandonar seu povo. Abandonar as músicas que amava, os amigos e parentes, os pequeninos e pequeninas de Isaque, os velhinhos sofridos de Israel, gente que habitava sua alma permanentemente. Fugir, para Moisés, certamente foi uma dor profunda. Mas do mesmo modo como a dor penetrou profundamente, assim também a Palavra e suas verdades sutis invadiram seu coração. Nos anos no deserto, Moisés tornou-se sensível. Aprendeu a amar uma mulher e edificou sua casa. Aprendeu a submeter-se a uma autoridade, na figura do sábio sogro. Aprendeu a cuidar sem oprimir. Aprendeu o valor do silêncio, da calma, da reflexão a sós. E foi ali, no deserto, que Moisés aprendeu uma das lições mais profundas e poéticas de sua vida, diante da Sarça, que ardia em chamas, mas não se consumia. Ver a Sarça arder foi como relembrar a dor de um povo oprimido, sem sorte, massacrado pelo mundo cruel e primitivo. Mas perceber que ela não se consumia, que permanecia, ainda que engolida pelas chamas, o fez entender a grandiosidade do Deus que estava prestes a conhecer, um Deus que se lembra de todos os oprimidos, ainda quando estes acreditam estar inevitavelmente entregues ao esquecimento. Nas noites seguintes, quando os sonhos e visões de opressão retornaram, eles foram afastados pela lembrança da Promessa: Uma promessa de Eternidade. Sem mais dores.

Nomes Antigos

março 11, 2011

Havia um mestre, um verbo e um nome. E nunca mais houve.

O que eu sentia no íntimo como uma certeza crescente em “perceber que Nele há uma eternidade que me abraça e não me deixará depois do fim”, conheci por Fé, nome antigo. Ela ainda vive, mas roubaram-lhe o nome. Agora chamam Fé suas expectativas daqui e de agora.

Então apresentaram-me o Amor, nome antigo, que expressava o “desejo ardente de dedicar, de si, um bem a outro”. Ele ainda existe, mas roubaram-lhe o nome.  Agora chamam por Amor simplesmente “sorrir e dizer”, ingenuamente, insubsistentemente, indiferentes à vida, à dor, à doação de si.

Conheci um nome antigo chamado Louvor, que nascia de cada um como “uma canção livre e incontível de gratidão a Deus, trilha sonora da vida”. Ele ainda existe, mas roubaram-lhe o nome. Agora chamam Louvor à música. Mas não toda música. Aquela música. Interpretada. Tanto por quem toca quanto por quem ouve.

Conheci o nome antigo para as “pessoas que creram no Filho, como meio não só de ida, mas de vida, ao Pai”, os Crentes, às quais um dia me uni. Ainda existimos, mas roubaram-nos o nome. Agora Crentes são os que crêem, independemente do “em quê”, que não se pergunta, logo não se responde.

Por muito tempo estive confuso, nostálgico. Ouvia os nomes antigos, nossos nomes, sendo usados e tinha esperanças de rever seu valor, encontrá-los nalguma rua, em alguém.  Não houve um nome sequer intocado. Nem mesmo o Seu: Jesus. Muitos levam seu nome sem sequer terem-no conhecido. E “em seu nome”, fazem tanto, fazem tão pouco. Isto me força ao silêncio, um silêncio de alma, profundo. E a esperar ansiosamente pela Verdade que está em conhecê-lo. Não pelo ouvido.

Ao que vencer darei uma pedra branca, e na pedra um novo nome escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe.  O que vencer, de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida; e confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos. A quem vencer, escreverei sobre ele o nome do meu Deus, e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, do meu Deus, e também o meu novo nome.
(v. Bíblia, s. Apocalipse, cap. 2).

Fé, na Certa uma Boa Escolha!

março 6, 2011

Não quero uma Fé baseada na crença da Sorte. Porque Sorte é a generalização do “caos”. Sorte é pra qualquer um, não faz ninguém Diferença. Eu quero uma fé minimamente progressiva, que me faça um bem inexplicado por motivo certo. Algo que eu possa me apoiar, recorrer na necessidade. Uma fé crescente e evidente, não um terreno movediço.

Também não quero uma fé mística e generalizada, que creia em tudo e não ateste suas convicções. Em resumo, eu não quero nem a incredulidade que me afasta de Deus e do sobrenatural, nem a credulidade cega que me ilude com um Deus de rosto desconhecido e rituais simbólicos, alienantes.

Eu quero apoiar minha fé em algo tão palpável e certo quanto um Abraço. Um Abraço Eterno.

Esvaziado.

março 6, 2011

A Palavra sempre nos diz que Cristo “esvaziou-se” da sua condição divina para assumir a Humanidade. Com ela, assumiu fraquezas, limitações, dúvidas (sim, Jesus teve dúvidas, como em “Pai, se for possível, passa de mim…”, um ensaio de “Não há outro modo de fazer?”), que vinham no pacote de Ser Humano que ele comprou. E comprou caro, a custo de sua própria Existência aqui. É certo dizer que ele, Jesus, foi humanamente impecável. Amou como ninguém, doou-se como ninguém e viveu para nós, ao contrário de nós, que vivemos cada um por si e para si. 

O que me entristece e intriga é ver que estamos assimilando o Cristianismo de uma igreja “cheia” e não “esvaziada”. Nós estamos avidamente apelando para que Deus nos “encha de poder”, para que ele nos “faça voar como águias”, que nos “leve por sobre o mar”. Estamos centrados no “Divino”. Esquecemos, negligenciamos o Humano. E assim, cultivamos a “divinização da Igreja”, pregando uma igreja super-poderosa, cheia de semi-deuses, ainda que estes hajam irresponsavelmente com as responsabilidades que tem diante de tamanho poder. Nesse ponto, até a história em quadrinhos do “Homem-Aranha” ensina mais: Um grande poder exige uma grande responsabilidade. Mas da responsabilidade não nos damos conta. Queremos apenas mais poder, mais poder, mais poder. Eu, sinceramente, estou esvaziado. No chão, como um saco vazio que não se suporta de pé. E, assim, sem mais suportar ouvir os entusiásticos gritos dos heróis e jingle´s de vitória de suas “batalhas espirituais”, eu me calo, me condôo, me ressinto comigo mesmo, por ter tão pouco a oferecer a esta “nossa igreja”, por poder fazer tão pouco por “nós”.  

Aprendi a amar a Jesus porque ele me amou, e amou a idéia da Humanidade com uma intensidade tão grande que ainda me atinge, através de suas palavras. A Cruz é a maior prova da Humanidade Domana, Equilibrada, Iluminada. Nela, vejo Jesus pregando amor, ainda que na dor dos pregos. E quando Ele disse “Eu venci o mundo”, eu entendo perfeitamente o que quis dizer: Eu venci, neste mundo, a mim mesmo. Esvaziado. Perfeito. Santo.

Seja seu Nome e sua Palavra Eternos em Nós. 

Deus. Política e Religião.

fevereiro 20, 2011

Difícil proposta, hã? Incluir na mesma conversa, como participantes, de um lado Deus, o que ele representa para nós, intimamente, e política e religião, propostas tão “cheias de verdades absolutas”. Mas vamos a ela, à esta tentativa de propor diálogo. Como ocorreu a iniciativa? Um amigo fez, a algum tempo atrás, uma afirmação um tanto desconcertante pra mim. Dizia ele que religião e política nunca deviam se misturar. Eu discordei ferrenhamente. Não porque não havia entendido o significado daquela afirmação (que só exprime o temor, o horror evocado na nossa memória quando lembramos de todas as vezes que alguém misturou esses dois “combustíveis sociais altamente inflamáveis” e pôs fogo na mistura), ou seja, ele estava incomodado com uma questão próxima, real e bastante coerente, mas não tinha em foco o problema em si. E desse modo me propus a ajudá-lo a enxergar este ponto de vista, na medida do possível.

Religião e política não podem ser dissociadas. Assim como política e psicologia, música  e religião, o fenômeno pop e a configuração da família, ou seja, tudo que é humano versus qualquer outra coisa ainda humana.

Mas para responder a esta questão básica preciso traçar uma fronteira. A fronteira entre Deus, na figura de Jesus (que nos é a mais íntima e chegada), e religião. E só recorro a um único argumento simples para estabelecê-la: A religião, toda forma de religião, é anterior ou posterior a Jesus? Sim, porque uma coisa é dizer que Jesus veio instituir a religião, ou que é seu patrono ou ícone. Isto é totalmente falso. A religião é anterior a Jesus. E inclusive, grande parte do seu empenho foi nos tornar mais lúcidos com relação a ela.

Sim, porque é nele, no seu “Life Stile” (ou estilo de vida, como diz um amigo) que eu deposito toda a minha confiança. Minha fé está firmada em sua afirmação quando disse “eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vem ao Pai senão por mim”. Logo em seguida ele se levanta, cansado da teoria, e põe em prática aquele modo de viver de arrepiar, contrário a tudo que somos, ferrenhamente oposto ao “modo corriqueiro de viver” ou, como chamamos, “o modo mundano de viver”.

Minha fé não está, nunca esteve, fundamentada na religião, pelo contrário, uso minha fé como bem entendo para criticá-la, assim como faço com a política, a economia, a arte, a moda, enfim, tudo que minha consciência puder tocar, numa tentativa de humanizar estas experiências, torná-las saudáveis. E não vou dizer que quero divinizar nada, porque já quanto a isto não tenho condições. Humanizar sim, porque sou humano. Divinizar pertence a Deus, e somente isto peço diariamente: Senhor, não necessito que a religião seja divina, nem a política, nem a história, nem a economia. Quando chegar a hora, Diviniza a minha alma. E por enquanto, humaniza-me ao máximo.

Logo, quando digo que não posso comprometer meus princípios cristãos diante de qualquer coisa (política, inclusive), estou certo. Mas quando digo que não posso relacionar Jesus a qualquer coisa, estou enganado. Na verdade, o desconforto está em perceber que o que chamamos de “princípios cristãos” não são, ao contrário do que é dito, uma unanimidade pacífica. Há quem diga que levar as pessoas a votar em determinado candidato por esse ou aquele motivo, ditas “em nome de Jesus”, é um ato cristão. Sinceramente, estas discussões pra mim são completamente periféricas, superficiais e frágeis. Quando penso na Palavra “enganoso é o coração do homem, quem o pode sondar?” perco a coragem de defender ferrenhamente quem quer que seja. Quando medito sobre “Como rio de águas assim é o coração do rei na mão do SENHOR, que o inclina a todo o seu querer” percebo que a escolha deste ou daquele nome é indiferente, já que quando o Senhor quiser falar, ele o fará a quem quer que seja.  Toda a discussão perde o sentido e chegamos a lugar algum, porque estamos correndo atrás de respostas a nossas próprias inclinações políticas, tentando elevar nossa aspirante “análise sociológica do ideal de futuro humano” à categoria de “propósito divino”. Realmente, desde ponto de vista, Jesus e política são inconciliáveis. Assim como a religião e a política.

Quer conciliar religião e política? Longo caminho: humanizar essas duas feras sociais, promover o diálogo entre dois leviatãs furiosos em poder e inesgotáveis em argumentos sobre “quem é o melhor caminho para o sucesso da humanidade”. Nota: Talvez um pouco mais do conhecimento de Deus, verdadeiramente Deus, possa ser de grande ajuda na tarefa, logo, é possível o diálogo, conquanto Deus seja posto como mediador entre nós e qualquer coisa.

Quer conciliar Deus e Política? Tente partindo daqui: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Vejo pouco disso no movimento político-religioso de qualquer lugar do mundo (e se formos falar do passado e do presente, vamos ter que nos humilhar ainda mais pelos equívocos bizarros que cometemos e atribuímos a Deus). Talvez seja melhor, de fato, aprender a pilotar a motocicleta antes de empreender grandes viagens, ou seja, talvez seja melhor refrear o discurso e as tentativas, agir com prudência, como ensina a Palavra, para não ferirmos a “Vida em nome de Deus” que queremos preservar no processo de descobrimento do “modo correto”. Porque ainda somos crianças. E só tendo consciência, assumindo esta nossa infantilidade diante de Deus, entendendo que ainda o estamos conhecendo (e estamos longe do completo entendimento), poderemos atingir o “Reino dos Céus”. Concluo, crendo que a causa dos nossos sucessivos insucessos está NÃO no antagonismo radical entre Deus e qualquer coisa (e consequentemente entre Deus e política, Deus e diversas religiões), MAS SIM na dificuldade que ainda temos em conciliar a mente de Deus, a verdade oculta de quem Ele realmente representa para nós, quais são seus propósitos, quem Ele realmente É, à  nossa vida, integralmente, na condição de Homens. Seja na figura de Políticos, Religiosos, ou o que quer que seja.

 

Porque Dançamos

fevereiro 11, 2011

Toda vez que há Comunhão, Há Dança. Davi dançou ao trazer de volta a Arca (simbolicamente a “Presença de Deus”) a Israel. Também o povo de Israel tantas outras vezes festejou com palmas e música. O corpo, na acepção mais pura que houver, diante de Deus, dança. Assim, na ocasião do vaso de alabastro sendo quebrado, aquela mulher que se curvava para lavar os pés de Jesus, dançou. Davi, perante Golias, cheio do Espírito e consciente da força que o Senhor É, dançou com a funda nas mãos, triunfante. Quem pode dizer, então, que andar sobre o fogo não é dançar? Ou passear entre os leões não é uma valsa? Ou que marchar sete vezes ao redor de Jericó e ver os muros ruirem não é coreografia? Anjos subindo e descendo: dança. Homens arrebatados pelo vento, pelo fogo: dança. Mulheres prostradas, humildes, aos pés da cruz, braços erguidos ao Mestre crucificado: dança.

E é o Amor, primeiro e puro Amor, que nos inspira.

“Então as moças se alegrarão na dança, como também os jovens e os velhos se alegrarão na dança… e lhes darei alegria” (Jeremias 31:13)

Oração dos Fortes

fevereiro 1, 2011

Pai, se for possível, ao invés do Poder para destruir inimigos, me dê Misericórdia, apenas. Que o Poder e a operação da Justiça sejam apenas tuas. E se for possível, no lugar do Controle sobre os outros, me dê amigos. Para que minhas mãos nunca estejam desamparadas quando não puderem mais segurar as pontas.  Se for possível, Pai, livra-me do peso da Força. Para que eu seja sempre leve e nunca um fardo que oprima a alguém. Se for possível, Pai, não permita que me alcancem os embates. Mas se houver embate, que seja eu o vencido. Não cultivarei minhas guerras. Ajuda-me a “Descansar Em Paz”.

Jesus de Poucos.

janeiro 26, 2011

“Sabendo Jesus que haviam de vir arrebatá-lo, para o fazerem rei, 

retirou-se”.

Não é uma flagrante contradição? Não só de todo um propósito que pretendia o cristianismo em seus primeiros dias, de captar adeptos, mas também a toda uma sistemática religiosa, midiática, iconoclasta, dos grandes ajuntamentos de hoje? A fé por atacado não se harmoniza com este pequeno fragmento narrativo esquecido por muitos na história de Jesus. Assim como tantas outras ocasiões em que Ele mesmo realizava milagres e dizia, para a surpresa de quem lê, “não revele isto a ninguém, ainda não é a hora”. Nos parece contraditório porque pra nós todo milagre deve ser divulgado, não é verdade? Assim como todo bom conselheiro deve almejar, como realização máxima do seu propósito de existência, atingir as multidões, as grandes massas.

Partindo desse pressuposto que eu comecei a minha pesquisa pela vida de Jesus, esperando encontrar relatos sobre um líder religioso que reunisse consigo todo um sindicato de seguidores fiéis e determinados, bem treinados, influentes. Uns 100. Mas sua história me surpreende: ele escolhe doze. Anônimos doze. A resposta razoável para este comportamento pouco estratégico para um “militante político-religioso” é que Jesus não iria simplesmente captar pessoas, seduzí-las com Ideologia. Ele estava interessado em alterar profundamente seu modo de vida. E ele iria atingir a humanidade através de poucos.

Também imaginei que, diante da máxima “Deus é para todos”, ele jamais iria se negar a atender pedidos, o que poderia certamente prejudicar sua “campanha filosófica particular”. Que jamais iria impor condições a seus seguidores, que em hipótese alguma deixaria de expor suas convicções quando houvesse boa ocasião, e dizendo da forma mais clara possível: que nunca dispensaria ninguém.  Mas o que é aquilo que encontramos nos livros? Jesus dizendo “Quer me seguir? Negue-se!”, deixando de curar a muitos (por falta de fé?), ou sendo enfático com seus poucos discípulos remanescentes ao perguntar “E vocês? Também não vão partir?” numa clara confissão de que Ele não era quem a grande maioria esperava que fosse (um reformador, um conquistador), e a mais surpreende e exasperadora falha estratégica do “mestre dos mestres” diante da possibilidade de ser inocentado por Pilatos das acusações que o levaram à morte: seu silêncio.  

A contradição era tão grande, tão profundamente evidente com este Cristianismo que está aí, que percebi formarem-se dois polos opostos: O de Jesus. E o estranho a ele. Porque Jesus, aquele homem intensamente tomado pela presença de Deus, ele era de poucos. Apesar de ensinar a multidões (que o buscavam, não o contrário), Ele se detinha e atendia realidades individuais que passariam despercebidos pelos outros. Veja a mulher do fluxo de sangue, o cego bartimeu, Zaqueu, a mulher flagrada em adultério, a mulher samaritana, e tantos outros.

Jesus não fazia distinções nem tinha preconceitos. O que o tornava A TODOS ACESSÍVEL. Mas ele não via a humanidade como um todo, nem pretendia desenvolver um relacionamento midiático, impessoal, com seus seguidores. Ele deixou uma marca: o amor ao próximo. Literalmente. E assim ele amou tão intensamente aqueles homens a quem escolheu que deu a sua vida por eles, e em consequência por todo o gênero. Mas não amou o gênero, amou a pessoas reais, com nome, personalidade e histórias próprias. Assim, não foi preciso que ele ressucitasse diante dos olhos de todos, que fosse proclamado rei sobre os Judeus ou mesmo sobre o Império Romano, nem que seus milagres fossem divulgados “ao vivo”. Aquelas experiências pessoais foram provas de amor pessoal. E só nos ensinam que amar a Deus não é buscar uma experiência coletiva com Ele, mas buscá-lo com intimidade.

Ficamos com o toque, a atenção e a presença de Jesus, que importava-se em “cear” com aqueles que amava. Não multidões para seguí-lo, apertá-lo, assediá-lo, mas companheiros de Barco, com quem se poderia rir, chorar, crescer, viver.

E como um pouco de fermento atinge toda a massa,

pouco a pouco,

Ele conquistou com amor o mundo inteiro.

Lei da Esperança.

janeiro 26, 2011

O sentimento geral é de descrédito. Não que a maldade esteja generalizada na sociedade, mas porque no fundo as pessoas carecem de um ânimo firme, que se mantenha inabalado em seus referenciais quando sob pressão. Em um mundo esvaziado da verdade da Fé, elas são voláteis, frágeis e pessimistas. Mas quando, finalmente, você é bem sucedido, elas te parabenizam. E sinceramente. Por mais que pareça um comportamento ambíguo, não é assim.

Quando você é bem sucedido em algo que as pessoas não acreditavam que fosse possível, você se torna para elas esperança. Ressurge a chama do “ainda é possível”, do “Deus existe”. Elas passam a crer.

Para com as pessoas que amamos, contudo, acontece de modo diferente. Porque elas crêem desde o início? Porque incentivam sempre e, mesmo que você falhe mil vezes, ainda será digno de seu apoio e  conforto? Este é um dos atributos do amor: a esperança. Quem ama, crê. E por isso que amar a Deus é também uma forma de esperança que nos salva das perspectivas limitadas deste mundo e nos faz ver a existência com otimismo. Esperança do que está por vir e do que pode ser feito. E da mesma forma Deus nos sustenta. Não por erros ou acertos, mas pela sua misericórdia, que nada mais é do que uma PERMANENTE NOVA CHANCE, baseada na esperança que Deus sempre depositará no que há de melhor em nós . Para Deus não há casos perdidos.  Sua palavra diz que “o mundo aguarda a tão esperada manifestação da virtude dos filhos de Deus”. Ele nos ama. E o amor tem dessas coisas.

Existem metas realmente difíceis de alcançar: “Sejam perfeitos”, “não devolvam o mal com o mal, antes dêem a outra face”, “amem seus inimigos”, “dêem sua vida pelos seus amigos”. Vencendo naquilo que outros dizem impossível, provamos nossas convicções e nos tornamos veículos de esperança (uma espécie de Fé ambulante) para os que ainda estão em dúvida sobre a existência de Deus e suas reais intenções para conosco.

Esta é a verdade sobre Deus e sua lei da vida: Ele tudo crê, tudo suporta e a todos nós espera.

Solte a Maldita Corda !

outubro 20, 2010

Foi por Fé que você decidiu saltar de Pára-Quedas. Não por suposição! A aeronave em pane já seria um incentivo suficiente, não é? Afinal, quem desejaria cumprir esse percurso mortal até o fim? O Problema foi quando você resolveu ouvir as vozes em sua mente, minutos antes de pular. Raciocínios de puro ceticismo inútil como “será que é 100% seguro?”, “Onde está o chão, eu não o vejo. Será que dá?”, e as terríveis estatísticas desencorajadoras iguais a “mais de 1,6 % dos pára-quedas de emergência falham”, “0,5% das pessoas saudáveis não tem um coração forte o suficiente para  emoções intensas” e por aí vai. Resultado: Você salta, mas por incredulidade instintiva traz consigo uma estúpida corda de “escape”. Maldita corda! Obviamente não há como voltar atrás, você já está no caminho da segurança. Se você continuar a segurá-la, uma hora ela vai chegar ao limite e o ricochete vai ser miserável, vai te partir em dois. A corda de escape ao invés de livrar, trai. Mas aquelas vozes na sua mente não se calam, te levam ao pânico total e você, cego, agarra-se à corda com todas as suas forças.

 

Quando você salta por Fé descobre logo depois dos primeiros minutos que, apesar da velocidade, da altura, da tensão, a queda é maravilhosa. E se vê nos ares, contrariando as possibilidades, tendo possibilidade de aproveitar da imensidão do céu, tendo a certeza da terra firme lá embaixo, mas sequer apreensivo por ela. Por Fé, você se descobre um Sky-diving. E descobre que desde a decisão de saltar daquela aeronave falida, você, enfim, encontrou o que é viver intensamente.

Jesus disse: “Quem quer achar Vida de Verdade,

tem que Estar disposto a Perdê-la”.  Radical !

Água da Alma

outubro 14, 2010

Um dos textos de Davi começa assim: “Minha alma tem sede… quando irei e me verei diante de Deus, do Deus verdadeiro?”. Exclamação de Alma. Sei, embora busque negar, que é o que nos falta: Deus. Sei que todas as nossas tristezas são fruto de uma existência incompetente sem Deus. Porque nós e Ele somos realidade indivisível. “Quando irei e me verei” finalmente perante o irrenunciável Pai? Porque somos, independente da nossa vontade, Pai e Filho. Os amores da vida não são suficientes, assim como as aventuras, as tragédias, nada basta. Existo, estou Exausto. Nesta vida, sedento no amor, no labor, na guerra… há muito em mim a ser saciado.

 

“Minha alma tem sede”… minha Alma quer Algo. Água? Abba! *

 

“Abba” em aramaico significa “Pai”.

Porta Estreita

setembro 13, 2010

No fim daquele Caminho apertado, alto, lá está: a porta. Mas quem disse que ela jamais esteve fechada? O Mestre nos disse para seguí-lo por este caminho (“Eu sou o caminho”). Não haveria erros. Desvios? Sim, existem muitos. Mas todo desvio é precedido de Escolha. E depois de desviar-se, você sempre pode voltar atrás. Este caminho é inconfundível.

Aquela Porta é especial. Esteve durante todo o tempo aberta. Não há porteiros nem guardas, ainda que além de seus umbrais esteja reservada toda a riqueza que há. É que há o bastante para todos. Esta porta também é especial. Às vezes, surge diante do homem no leito de morte, radiosa. E ele toma a adiada decisão. Então caminha pelo curto caminho, atravessa a porta delicada e encontra a Vida outra vez.

O Caminho é curto, mas não é penoso, calcário. É um caminho alto, de aspirações, elevações e muitos êxtases. Definitivamente não é a ladeira do Gólgota. Porque ela já foi usada pela última vez. Este caminho não está condicionado a penitências, portanto não tem degraus. É um leve e contínuo aclive, com a vista do maior nascer do sol que há de vir além dos montes eternos.

A Porta é especial. Apesar de estreita, é perfeita para todos os tamanhos de homens e mulheres. Porque foi feita na medida de um Deus (Jesus), que se esvaziou e veio nos mostrar como encontrá-la e seguir por ela. Esta porta não rejeita quem quer que esteja diante dela em busca de abrigo. Quem quer que esteja em busca de abrigo. Esta porta significa retorno ao lar que deixamos. Lá onde Deus habita.

O Caminho… isto quer dizer que já passamos por ele uma vez, decaímos, sim. Por sorte nos lembraremos, antes do fim, por onde retornar. É apertado para que você, por si só, decida seguí-lo. Sem multidões, sem pressões sociais, sem outros “guias”, porque só há um Pastor e Messias genuíno, e este, definitivamente, já está com o Pai, à sua espera, no fim da jornada.

Quer seguir este caminho, encontrar esta porta?

“Você me Buscará e me Encontrará quando me Buscar com todo o Coração”.

Jesus. Além da Religião.

agosto 4, 2010

Eu já pensei serem as religiões portas. Muitas portas que levariam ao mesmo Deus. Mas então me lembro de Jesus dizendo “Eu sou o caminho… ninguém vai ao pai senão por mim” (v.Bíblia, L. João, cap. 14).

A religião é a moldura do quadro ? Em que a moldura atrapalha ? A moldura não é uma obra prima, mas nós tendemos a considerá-la assim. Transformamos em Intocável o superficial, muitas vezes esquecendo o sentido da obra, resistindo quando ela precisa de uma nova moldura que a ampare, afinal, o mundo muda, as molduras mudam, só a verdadeira arte continua insubstituível.

Jesus está nas coisas simples, no amor entre pessoas iguais ou diferentes, nos gestos do espírito, na bondade não ensinada, como a bondade das crianças, não imposta (daí “necessário nascer de novo”, v. João 3;  e “Deixai vir a mim os pequeninos…porque deles é o reino de Deus”, v. Lucas 18).

Jesus está contido na religião ? Não. Se estiver, quando faltarem as velas, cessa a misericórdia que atende aos pedidos. E se não houverem escadas enormes, cessa a conquista do favor e da graça. E se não houver dinheiro para dízimo, cessa a prosperidade prometida.

A religião segue regras morais. A moral é o juízo de valor da conduta humana. E não preciso dizer que Jesus não está preso à ela, afinal, ele não era um homem comum, era um homem em contato direto com Deus. Isso é assustador. Jesus era assustador. Andava com a escória, era mais sábio que qualquer mestre e, como missão póstuma deixou-nos um desafiador “sejam santos porque eu sou santo” (v. Levítico 11).

Difícil?

“No mundo vocês terão dificuldades,

mas tenham ânimo, eu venci o mundo”.

(últimos conselhos de Jesus  antes de sua morte, v. João 16)

Humilhado. Exaltado!

agosto 3, 2010

Foi assim durante grande parte da minha infância. Volta e meia eu trazia da escola pra casa alguma “novidade”, resultado do que eu chamava de “grande negócio”: uma blusa de frio (que eu não tinha idéia do valor… não fui eu que paguei) por um brinquedo (na maioria das vezes, quebrado), um relógio por duas ou três revistas em quadrinhos, uma caixa de lápis de cor por praticamente qualquer coisa que me oferecessem. Eu me lembro muito bem da satisfação de trocar aquelas coisas (que eu não me interessava) por outras tão mais legais. Me lembro do sorriso de orelha a orelha e do aperto de mãos de “negócio fechado”. Mas não durava muito. Minha mãe sempre foi extremamente atenciosa com minhas coisas. Cuidadosa. E por mais que demorasse, por mais que eu tentasse adiar a ocasião, a pergunta sempre vinha: “Thiago, onde você conseguiu isto?” ou “De quem é esse brinquedo, onde está o seu?”. Era mortificante. Quase que imediatamente após eu tentar demonstrar, como um vendedor que tenta vender vantagens fáceis,  o sucesso da minha troca, do meu negócio, minha mãe secamente exigia: “Volte lá e desfaça o que você fez”. Ah, que sentença absurda, que inquietação. “Como assim, voltar atrás?”, “negócio é negócio”, “por favor, não…”, certamente eu teria preferido receber qualquer punição no lugar do humilhante “Vá lá e desfaça agora!”. Era como trair a palavra, era um tapa no meu pequeno orgulho. Mas minha mãe dizia que não era justo. Eu não entendia essa justiça, mas no fim ela sempre venceu e todas as coisas que eu troquei, negociei, vendi, foram recuperadas.

Justiça. Porque o caminho da justiça tinha que passar pelo vale da humilhação? “O que fulano iria pensar?”, era a minha crise. O pior era ter que ceder à autoridade que havia sobre mim, e que ainda podia até mesmo atingir minhas próprias coisas. Eu não era, então, tão dono de mim assim. “Isso não é justo”.

Justiça. Minha mãe estava me ensinando que, quando o assunto é palavra dada, precisamos ter cautela, sabedoria, prudência, respeito ao outro (porque as vezes, raras vezes, era eu quem levava vantagem ), bondade e simplicidade para voltar atrás. Ela estava me guiando, ainda que forçosamente, ao caminho do arrependimento no tempo devido (porque há coisas, sabemos, que simplesmente não voltam mais).

Justiça. Tantos episódios infantis de pequenas demonstrações de obediência e humildade, coragem para pedir desculpas e se retratar, me fizeram conhecer a justiça de Deus de uma maneira íntima e profunda,e a forma como ele cuida de mim, das “minhas coisas”. Arrependimento: humilhar-se, voltar atrás, deixar de fazer o que estava fazendo, retratar-se, ainda que pareça “negócio fechado”, ainda que pareça “O que fulano vai achar?”…

Justiça. “Felizes os humilhados, porque um dia…”, entendi. Exaltado!

Amazing Father

julho 26, 2010

Incrível! Sete bilhões de filhos. Sim, filhos mesmo. Ainda aqueles que estão distantes. O filho pródigo nunca deixou de ser filho aos olhos do Pai. Apenas estava perdido. O que nos leva de volta a, meu Deus, sete bilhões de filhos! Quando eu tiver meus filhos (por enquanto, sonhamos com dois), quero que eles tenham o melhor de mim. Que tenham certeza do meu abraço, que façam fila para ouvir meus conselhos, que sorriam, sorriam, que sejam amados e saibam amar, educados, generosos, fartos de espírito. E que vivam bem. Sorriam, sorriam. O seu sorriso será delicioso pra mim, já é, e olha que eu ainda nem os conheço pessoalmente. Mas no meu coração, eles já são um sonho bom.

Deus teve tantos sonhos quantos fomos, somos e seremos pela eternidade. “Antes de você nascer, Deus sonhou com a sua vida; ele mesmo lhe formou com um propósito e uma missão (v. Bíblia, Salmo 139.13-18)”. Ele teve um sonho pra mim, um sonho pra você (você já se perguntou como deve ter sido? “eu quero que meu filho seja…”, “minha filha será tão…”). Ele amou cada um desses sonhos, sem nunca ter um preferido, com um amor especial, de um jeito único e especial (como são os filhos), desejando que tivéssemos o melhor dele e desta vida, que ele mesmo nos deu. E o meu sorriso, o seu sorriso, para Deus, é delicioso e surpreendente. Assim Deus tem sete bilhões de motivos, hoje, para renovar sua misericórdia para com esta Terra e para conosco. Não. Nem tudo está perdido, afinal, somos todos seus filhos, sete bilhões de filhos. E um sonho de cada vez pra realizar. Ainda há tempo.

Realize o sonho de Deus pra você. Viva feliz, não ande perdido. Você tem um Pai incrível.

Novo Mandamento vos Dou

julho 6, 2010

Jesus era um homem extremamente sensível. Ele podia, por suas palavras, transmitir a essência das escrituras, as mesmas letras que os fariseus usavam para privilegiar o legalismo e oprimir o pobre e a viúva com normas religiosas nocivas, desumanas, centradas na obrigação pela obrigação. Jesus tinha a mente do próprio Deus. A sua lógica era guiada pelo amor e pela bondade. Seus mandamentos não são fórmulas religiosas sem sentido. São conselhos de bem e paz. Percebendo que muitos haviam transformado os “mandamentos” contidos nas escrituras em pesadas engrenagens de uma máquina opressora e alienante, ele resolveu revê-los, um por um (v. livro de Mateus cap. 5:21, na Bíblia). E o mais intrigante da história, a lição mais profunda, o que haveria de restar sobre tudo o que fosse “mandamento”. Jesus disse: Novo mandamento vos dou (João 13:34), que ameis uns aos outros. Mas espera, esse mandamento não era novo, aliás, já existia desde o velho testamento, no texto das escrituras antigas (v. Deuteronômio 6:4 e Levítico 19:17, ex.). Não. Não era um mandamento inédito. Mas era uma ordem imediata, nova, “pra hoje”. Jesus dizia com essas palavras “tem uma coisa que eu quero que vocês façam agora, porque quero que deixem o que estão fazendo e façam uma coisa nova, diferente”. Jesus estava re-ensinando as bases da fé em Deus, rejeitando assim qualquer outra regra marginal, para concentrar as atenções no centro da sua vontade, o amor (v. novamente Deuteronômio 6:4 e Levítico 19:17). Amar a Deus, Amar ao Outro.
Ainda hoje nós nos vemos correr por aí, como os fariseus, preocupados em cumprir a porcentagem do dízimo, o vestuário das solenidades religiosas, a freqüência assídua nos cultos, o trabalho voluntário e obras de assistência… “novo mandamento vos dou”, posso ouví-lo falar. “Amem uns aos outros”. De novo.

À Beira do Poço

junho 1, 2010

Mais uma vez aquela mulher retornava ao poço da sua alma. Mais uma vez ela iria inclinar-se com dificuldade sobre seu vazio existencial buscando erguer de lá de dentro algum significado, algum conteúdo. Sua alma: poço de águas tão profundas. Mas ela habituou-se a isto: ao sacrifício de Ser, à sede diária.

 Quem é este que espera à Beira do Poço? O que ele procura?  “Minha alma é profunda demais e você não tem como chegar até ela”, murmura pálida de esperança a mulher. Ela comete o principal engano da humanidade: orgulhosamente diz que sabe mais de si do que Deus o sabe. Ele responde a ela com um enigma profundo, sua voz ecoa no interior do poço escuro, praticamente seco:

 Se você verdadeiramente soubesse quem te pede “alma”, se você verdadeiramente entendesse, é você quem estaria clamando agora. Então não seria mais um poço vazio, sedento, mas uma fonte de águas vivas que jorram para a eternidade. Ao ouví-lo, instantaneamente, ela sentiu o interior agitar-se: Havia vida naquelas palavras. O poço voltava a minar água, lentamente, duma água viva. Transformada, ela ergue-se e passa à diante, para anunciar a todos o que havia visto e ouvido: sua Alma transbordava.

“Quem é este que espera à Beira do Poço ?”

Volta ao pai, Volta à Vida

maio 11, 2010

Meus olhos estavam constantemente na estrada. Meus pensamentos e meu espírito pessoalmente com Ele, durante todo esse tempo. Ele não percebia, mas eu estava lá. Quando Ele decidiu se afastar, eu decidi que guiaria minha Graça diante dele, para o livrar. Foram longas noites e perigos além da sua consciência. Por pouco ele não se perdeu completamente, mas no fim, ele teve fome. Quem um dia comeu da mesa do pai, nunca esquece (“na casa de meu Pai até os servos tem abundância de pão”). Então ele decidiu voltar. Pensou não ser esperado, mas eu o aguardava naquele caminho a muito tempo (o caminho do arrependimento). Quando o avistei, meus olhos se encheram de lágrimas e eu não pude falar-lhe primeiro, porque minha voz estava embargada: o vi, meu filho, magro, sujo, pobre e esgotado pela vida longe do pai. Nem na minha mais severa disciplina eu iria diminuí-lo daquele modo (porque meu amor supera em muito minha ira). Não dei muita atenção àquelas palavras que disse quando me viu. Eu só procurava uma brecha, uma abertura, um convite para abraçá-lo. Quando ele finalmente se calou e baixou os olhos diante de mim eu entendi: Ele estava de volta! Avancei até Ele e restituí a primeira coisa que lhe foi negada por todo este tempo: Amor. Com um abraço vigoroso devolvi-lhe a chama do carinho, do cuidado e da segurança do Pai. Durante todo este tempo de distância, ele recebeu muitos abraços: abraços sensuais de mulheres de coração mentiroso, abraços traiçoeiros de falsos amigos. Só o meu abraço é Amor. Ele chorou acolhido em meu peito e então, diante daquelas lágrimas sinceras, eu decidi que era hora de restituir-lhe uma segunda coisa perdida: a Honra. Mandei que cuidassem dele, que lhe dessem vestes novas e , como sinal de nova honra, um anel no dedo. Assim, ele nunca mais será confundido. Quando ele decidiu partir sozinho, não levava identificação ou qualquer menção de meu nome. Era um jovem que decidiu viver sozinho no mundo. Agora, ele se vestirá como o Pai e será honrado e conhecido diante dos homens: dêem uma festa! Eu restituo sua Alegria. Todos saibam que meu filho que estava longe retornou. Que todos saibam que eu o recebo sem castigo, de modo que se assim decidi (o único que, justamente, poderia demandar com ele por algo), não há contra ele mais acusação. Restituo sua Liberdade pela minha Justiça. Ah, filho, você pediu a parte dos seus bens. Foi-lhe dada. Você se afastou e perdeu tudo. Não importa. Agora que voltou, você viverá na casa do seu pai, eternamente, sustentado pela minha parte, que nunca lhe será negada e nunca se esgotará. Coma. Beba. Você estava morto. Mas isso não importa mais.

” Aquele que crê em mim, ainda que morra, viverá”.

Eu te recebo de volta, Filho. Volta à Vida.

Ah, Pai, tantos disfarces !

maio 4, 2010

Os dois no jardim sentindo-se culpados, sujos, envergonhados. Não querem que Deus os veja, não dessa forma. Então cobrem a alma com roupas improvisadas, folhas largas para tapar o medo, o orgulho e a vergonha.

Antes de dormir, a menina se ajoelha pra orar. Ela tem um olho roxo na alma, resultado da violência e do desrespeito do seu namorado e de seus amigos, que a forçam a fazer coisas que ela não quer fazer, invadindo sem remorço sua liberdade e arruinando muitos sonhos. Mas ela não quer mostrar o olho roxo ao Senhor. Tem medo do que Ele pode dizer. Ela teme a sua severidade, então, antes de orar, põe um óculos escuro no rosto da sua alma, e vai até Ele assim, disfarçada.

2o anos, ele faz de tudo pra ser aceito. Sinceramente, ele ainda é uma criança, sua alma ainda tem a forma de um menino crescido, magrelo, cabeludo e despreocupado com a aparência. Mas os outros exigem que ele seja outra pessoa, que se comporte de modo diferente, e então ele se veste com músculos e despe o peito, para exibir aos seus “amigos-juízes” seu eu-aceitação. No rosto, ele põe uma máscara sedutora e um sorriso falso de borracha.

Ela caminha com dificuldade, está grávida, mas não quer que Deus ou a igreja saibam. “O que eles iriam dizer?”, pensa. Agora que está mais sensível e deveria vestir roupas leves, ela se esconde e sufoca com casacos longos, para esconder o corpo, e um miserável vestido apertado, que disfarça a evolução da gravidez.

Ele, no fundo, não se sente homem. Não se entende como homem, não tem nenhum referencial positivo que o indique nessa direção, nem tem vontade de seguir a orientação do Senhor. Mas ele sabe que terá que sair de casa, e que lá fora tudo é vigiado e condenado, então ele se veste de homem, um homem indiferente, mas homem. Ensaia até comentários típicos, e cobre com adereços de homem (chapéus, gravatas, cachecóis) os outros adereços que sua alma , profundamente, usa. Vestido assim, ninguém diria o que se passa lá dentro.

Eles correm. A música não pode parar, porque o silêncio significa solidão e a solidão é insuportável, reveladora. A alma inquieta pede preenchimento. Mas eles não dão ouvidos a ela. Vestem suas fantasias coloridas e sensuais e festejam, festejam, festejam. E por dentro a alma clama: “Tomara que o Carnaval dure pra sempre, porque se não…”.

Inseguro, frustrado, todos os dias ele sobe ao púlpito, ou à plataforma e prega, canta, dirige, ensina, e quem o vê nota o terno alinhado, a bata branca, o sorriso carismático, as mãos limpas. Momentos antes, contudo, foram horas e horas de auto-mutilação, porque sua alma está se auto-rejeitando, lutando pra expelir o produto daquele coração amargo, daquela natureza irascível, animal, frustrada. O jeito é abotoar mais apertado. Tomara que ninguém perceba. Tomara que o Senhor não perceba.

Ah, se eles soubessem. Pra que tanto esforço, tanta dor, tantos disfarces? Aos olhos de Deus, todos nós, como no Éden, ainda estamos nus.

“porque o Senhor não vê como o homem vê, porque o homem olha para o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração” (na bíblia, em 1 samuel, 16:7)

Deus, Médico ou Juiz ?

maio 4, 2010

Muitos vêem Deus como Juiz: imparcial, legalista frio, uma autoridade distante e formalizada. Esse “Deus Juiz” não considera emoções. Ele não permite que você se justifique. Que você se explique. Ele apenas aponta erros. Traz à tona todos os erros para que testemunhem contra nós e nos sentencia a pagar, sofrer, penar. Ele te exclui por conta dos seus pecados, sempre com aquele ar de superioridade e de decepção arrogante. Ele nos condena por aquilo que fizemos ou carregamos de mal, independentemente das circunstâncias ou do nosso grau de culpa. Diante desse Deus juiz não haveria outra possibilidade pra nós: condenação, condenação perpétua.

Ah, se eles conhecessem a Deus como Ele realmente é: um médico. Então saberiam, primeiramente, que ele é bom. Muito bom. Paciente, atencioso, habilidoso com pessoas e extremamente bem intencionado. Ele só quer o nosso bem. Está 24h de plantão para nos atender em qualquer necessidade, dor, dúvida. Descobririam que Deus, a essa altura das coisas, nunca esperou ou esperará que alguém chegue até Ele sem erros, sem pecado, porque todos nós temos essa natureza que adoece. Ele é um médico, oras. Está acostumado a todo tipo de doenças (umas na alma: depressão, inveja, orgulho, maldade, mentira etc; outras na vida: carnalidade, materialismo, egocentrismo etc). Aliás, ele não rejeita ou exclui os doentes, pelo contrário, a sua vontade é que todos venham até Ele o quanto antes e contem qual é o problema. Eu posso até ouvir Ele perguntando: “O que você está sentindo, meu filho (a)?”. Então, depois de ouvir tudo, ao invés de uma sentença, Ele te dá o diagnóstico. E com o diagnóstico, ao invés de um castigo, Ele prescreve o tratamento. A cura. Deus, como médico, só deseja uma coisa para os seus filhos (pacientes): que você viva. E viva bem. “Abundantemente”.

 

Um Recado do Médico: Deus, médico dos médicos, sabe que algumas pessoas sofrem de um mal terrível, um mal genético que os deixa cada dia que passa mais debilitados, definhando de dentro pra fora, e que mais cedo ou mais tarde os levará a uma dura morte, se nada for feito. E pra esse mal congênito, só há uma solução: uma transfusão de sangue. Isso mesmo. E de um tipo de sangue especial: J+ (o sangue de Jesus, “Jesus na veia”). Deus, como seu médico, irá insistir para que você o aceite, porque essa é sua única chance. Se aceitá-lo, você terá uma vida muito mais longa do que imagina. Deus, como médico, garante que o tratamento é 100% seguro, gratuito e sem efeitos colaterais. Você terá uma vida normal, sem perder de aproveitar nada do que é bom. Se você sente algum desses sintomas como vazio, solidão, tristeza sem motivo, ansiedade e falta de perspectiva do futuro, desorientação sobre o sentido da vida, dor intensa na alma, medo do amanhã, etc., não deixe de procurá-lo o quanto antes. Ainda há esperança. Ele tem a cura pra você.

Que você deixe de vê-lo como juiz e o veja como Ele realmente É. 

Suas Palavras garantem:

“Porque eu não vim para julgar o mundo, mas para salvá-lo”  (ver. João 3:17)

Marcando Encontros com Deus

maio 2, 2010

Deus deseja se relacionar conosco com intimidade, intensidade e toda a comunhão. Através de Jesus, Deus criou a melhor forma pra nós de Encontros, uma forma maravilhosa de estarmos durante toda a vida com Ele. Funciona assim: nós marcamos a hora e o lugar, Deus decide a programação. E é maravilhoso estar com Ele, a ponto de “todas as coisas cooperarem para o nosso bem”, porque o escolhemos. O que poderia dar errado? Seriamos sempre chegados a Deus, conhecendo sempre o que Ele pensa, estando sempre próximos Dele, nos tornando cada vez mais parecidos com Ele. Mas nosso coração inverteu as tarefas do Encontro: nós queremos decidir a programação, e aí, oramos quando estamos em dificuldade: “Senhor, eu preciso ser promovido no emprego”. Naquele dia, Ele tinha planejado uma surpresa, um emprego novo, que te daria mais tempo pra Ele, pra nós, mas pedimos a promoção, e com a promoção vem mais trabalho, menos tempo, menos Encontros. Nós também nos esquivamos da nossa parte de dizer o horário, porque “não tenho tempo hoje” e escolhemos o mesmo lugar sempre, a igreja. Os Encontros se tornam monótonos e pouco íntimos, e perdemos de visitar com Ele nossa casa, lugares na cidade, um por do sol, enfim, nossos encontros caem na rotina e perdem o amor. Quando saimos do propósito de Deus pra nossos Encontros, Ele não se afasta, Ele não vai embora, Ele simplesmente espera. Então porque a sensação de “Deus não está aqui?”, ou “Deus não fala mais comigo”? É triste, mas também é uma grande alegria perceber que esse tempo todo Deus esteve à nossa espera e que o motivo do silêncio é que nós estamos no lugar errado, na hora errada, com o propósito errado, querendo encontrar a Deus nas nossas conveniências. Dê um pouco mais de si pra Deus, vá até Ele sem pedir nem esperar, apenas pra encontrá-lo, deixe que Ele conduza o Encontro, que Ele comece, apenas espere. Ele tem esperado tanto por você, fielmente, pacientemente. Espere por Ele. Apenas marque o lugar e a hora, e que seja bastante tempo, e que seja num lugar diferente. Certamente Ele te dará um Encontro inesquecível. E você vai viver toda a vida, feliz e plenamente realizado com seus Encontros com Deus.

 

Atenção a alguns erros comuns: Marcar a hora errada (pouco tempo, ou a pior hora do seu dia), o lugar errado (os lugares solitários são os melhores, mesmo que seja o seu quarto), querer dizer a programação e só desejar encontros pra pedir (não são nem encontros, são “reuniões de negócio” com Deus), desanimar-se porque Deus não veio (na verdade, você quem faltou, por isso o silêncio; reavalie, Deus está sempre lá) e desejar uma relação superficial (querendo se encontrar com Deus por correspondência, ou por intermediários; Deus não usa e-mail nem manda recado, ele vai até você).

Lenha e Fogo

maio 2, 2010

O primeiro cristão é o Lenhador. Ele afia o seu machado, prepara os seus braços fortes e entra pela floresta densa em busca de lenha. Sempre procura a fonte mais antiga, de maior profundidade e extensão. Ao golpear a árvore, o cristão percebe que não será fácil. Mas ele insiste, seu trabalho árduo dura o dia inteiro. Aos poucos obtem o que veio buscar: conhecimento. Então ele volta satisfeito, sabendo que fez um belo trabalho diante de uma tarefa difícil. No fim, ele empilha todo aquele conhecimento em grandes toras, senta-se em cima da pilha, e lá do alto diz: Pronto. Fiz o que tinha que fazer. Mas a noite fria vem e ele sente frio. Muita Lenha, mas não há Fogo.

O segundo cristão é o Atiçador. Ele é habilíssimo em fazer surgir a Chama e cultivá-la, mesmo com pouco ou nenhum combustível. Nas noites frias, ele está sempre à beira da fogueira, que nunca se apaga. Ele também enxerga melhor à noite que os demais, porque o Fogo revela muitas coisas ocultas. No fim, ele se senta à beira da pequena fogueira e se acomoda. Sua luz não atrai outros, porque a fogueira é pequena. Há Fogo, mas a Lenha é Pouca.

O primeiro cristão se torna rude. Ele mostra as marcas nas mãos, os braços fortalecidos pelo trabalho árduo, as obras de madeira construídas, que são tantas, e brada aos outros que sigam seu exemplo, que aprendam a trabalhar. Ele despreza o Atiçador. O Lenhador perde a ternura e não conhece a comunhão. O segundo cristão é arrogante e preguiçoso: da beira da fogueira, ele julga o Lenhador  como “distante da luz”, pois o outro não vê o que ele vê. O Atiçador não percebe que nada foi construído, que contentou-se com pouco durante toda a vida e que sua luz não é capaz de brilhar muito longe, pois não tem intensidade.

Lenha e Fogo. Quando o Lenhador aprende Sobre o Fogo, Quando o Atiçador aprende a buscar Lenha abundante, então se erguem as fornalhas que iluminam o mundo, incendeiam corações de milhares e cujas brasas vivas ascendem aos céus, onde Deus está.

Que o Seu Altar seja uma Fornalha de Lenha e Fogo. Palavra e Espírito.

Toca-me. Guia-me. *

abril 25, 2010

Eu era cego. Acostumado a ser guiado por alguém a todos os lugares. Dependia de outros, os meus guias. Ouvi de Jesus, ouvi que ele podia com um simples toque fazer ver. Meu maior sonho era ver. Eu ouvia as vozes das pessoas ao redor e estava acostumado ao toque: pessoas me levando de lá pra cá, de cá pra lá, eu as seguia, mesmo as vezes por caminhos que eu não queria seguir. Mas o que fazer, eu era cego. Sim, meu sonho era ver. Então fui (guiado por outros) até Jesus. Rogamos para que ele me tocasse, e ele veio até mim. Senti seu olhar pousando sobre mim, um pobre cego, dependente dos outros, e senti quando ele me tocou. Porém, Ele não me tocava os olhos, mas sim me conduzia, como tantos outros já fizeram, e eu ainda estava cego, mesmo depois disso. Minha fé vascilou, mal sabia que aquela seria a última vez que alguém me guiaria à algum lugar daquele jeito. Ele me levou pra longe dali, longe dos meus antigos guias. Então ele me tocou, tocou de verdade, e a luz invadiu meus olhos pela primeira vez. Ele me perguntou: O que você vê? Eu respondi: Vejo pessoas (eu estava radiante), elas se movem na minha frente. Minha vontade era ir até elas, era agora seguir junto com elas. Eu pensei que já estava curado. Então Jesus novamente tocou-me, à princípio eu não entendi, mas quando a luz invadiu meus olhos pela segunda vez, eu vi: as pessoas que se moviam à minha frente, ao contrário do que pensei, não sabiam pra onde ir, também estavam cegas (“cegos guias de cegos”). Por toda a vida, eu fui um cego guiado por cegos, até Jesus tocar meus olhos. E aprendi com Jesus, o meu único guia verdadeiro, esta lição: Um verdadeiro guia sempre te leva até a luz. Um verdadeiro guia toca e traz luz. Luz  à vida. Hoje eu vejo.  “Tua Palavra ilumina meu caminho; Luz que me guia”.

  

* Paráfrase de Marcos 8:22 “Trouxeram-lhe um cego, e rogaram-lhe que o tocasse. Jesus, pois, tomou o cego pela mão, e o levou para fora da aldeia; e cuspindo-lhe nos olhos, e impondo-lhe as mãos, perguntou-lhe: Vês alguma coisa? E, levantando ele os olhos, disse: Estou vendo os homens, porque como árvores os vejo andando. Então tornou a pôr-lhe as mãos sobre os olhos; e ele, olhando atentamente, ficou restabelecido, pois já via nitidamente todas as coisas”

Jesus de 20 e Poucos Anos

abril 22, 2010

Olá, queridões e queridonas leitores deste Blog. Passo a dividir com vocês algumas coisas que se esclareceram em minha mente durante meu momento a sós com Deus desta semana. Isso tem me afetado muito: o modo como eu dirijo a minha vida, minhas escolhas e minha perspectiva do futuro. Estive pensando a respeito da juventude de Jesus. Isso mesmo, o adolescente que Jesus era, o jovem de 23, 24 anos Jesus, um “Jesus” pouco mencionado, mas muito importante.

A Bíblia nos dá algumas referências a respeito do jovem Jesus, veja: Lucas 1:80 diz que “o menino crescia e se robustecia em espírito”, Lucas 2:40 diz que ele “crescia e se fortalecia, tornando-se cheio de sabedoria; e Deus, com sua graça, estava com ele”, Lucas 2 ainda relata o “sumiço” do Jesus adolescente (na ocasião com 12 anos de idade), que três dias depois foi encontrado “no templo, sentando no meio dos doutores, ouvindo-os, e perguntando muito. E todos os que o ouviam se admiravam da sua inteligência e das suas respostas” (Lucas 2:46). O capítulo finaliza assim: E crescia Jesus em sabedoria, em estatura e em graça diante de Deus e diante dos homens (Lucas 2). Daí em diante, a história salta de 12 anos para 30 anos. Pouco mais é mencionado sobre a juventude de Jesus, mas uma coisa fica ecoando na minha mente: “e ele crescia em sabedoria”; imagino que Jesus, que era extremamente inteligente aos doze,deve ter empenhado os anos seguintes em apurar sua mente, encher-se da Palavra, “refletindo dia e noite” (salmo 1), no seu sentido real, na sua aplicação ao seu cotidiano. Ele também “crescia em estatura e graça diante de Deus”. Ah, a vida devocional de Jesus. Eu imagino o quanto Jesus orava quando ele tinha 20 anos de idade. E eu fico assustado imaginando que enquanto meus desafios pessoais são sucesso profissional, vida familiar e ministérios, ele tinha um mundo pra salvar. Enquanto eu oro para que se abram portas de emprego, ele orava para que as portas do inferno fossem escancaradas, e que Deus preparasse o caminho até a morte, ainda jovem. Ele sabia que não iria chegar aos 40. Ele devia ter emoções completamente equilibradas, fruto do seu tempo com Deus, e do conteúdo que possuia. Ele devia ser também muito alegre, confiante de si mesmo e otimista, ou essas tensões em sua juventude iriam sufocá-lo como pessoa, torná-lo amargo e desagradável, o que não aconteceu, já que a Bíblia ainda menciona que ele “crescia em estatura e graça diante dos homens”. Ele era carismático, interessante, atraía pessoas ao seus redor e, certamente, era a melhor companhia que alguém poderia ter. Jesus jovem, dá pra imaginar? Jesus e seus 20 e poucos anos. Fantástico. E ainda mais se pensarmos que ele, aquele garoto de 20 e poucos anos, era o Um, aquele que estava no começo com Deus, quem mais conhecia e entendia os planos de Deus para a humanidade. Eu olho para a minha juventude e vejo a distância entre nós dois. “Crescer em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens”. Ele era completo. Eu quero ser completo como ele foi. Bom pra mim saber que este mesmo Jesus, jovem, oraria um dia para que nós fossemos Um, assim como ele foi (e é) Um com o Pai, abençoando assim os 20 e poucos anos de tantos outros, abençoando os meus 20 e poucos anos.

Obrigado pela dica, Jesus. “E crescia o jovem Thiago em sabedoria, em estatura e em graça diante de Deus e diante dos homens”. Valeu mesmo.

aos 23, Thiago

Pode Deixar. Eu te Ligo.

abril 12, 2010

É. Faz um tempo que Ele não me liga. Na verdade, eu não me lembro da última vez. O recado que Ele deixou na secretária eletrônica diz que Ele me ligaria todo dia, que estaria sempre por perto. Parece que Ele quer muito falar comigo. Não entendi. O que eu sei é que eu tenho feito a minha parte. Todos os dias, as vezes até mais de uma vez por dia, eu ligo pra Ele. Digo “Pai, obrigado por isso e aquilo, me ajuda nisso e naquilo…” e pronto. As vezes, antes de ligar, eu revejo as mensagens que Ele deixou. Isso me anima a ligar novamente. Parece que Ele me ama muito mesmo. Eu sempre deixo mensagens na sua secretária, geralmente pedidos. E de vez em quando, sem saber se Ele recebeu mesmo, por via das dúvidas, deixo de novo (pensando assim é até engraçado: eu devo ter dito umas 50 vezes “me ajuda a arranjar um emprego” _risos_imagine ele ouvindo uma atrás da outra, que vergonha). Mas também, nunca mais nos falamos. Na verdade, eu já nem me lembro direito como é a sua voz. Parando pra pensar mesmo, eu só conheço a sua voz, mesmo, pelas mensagens que Ele deixou. Mas tudo bem. Tudo bem. Eu vou continuar ligando. Quem sabe um dia Ele me atenda.

“Eis que estou convosco todos os dias até a consumação do século”. Pare de deixar mensagens pra Deus (orações vazias). Não se satisfaça com o que foi gravado na secretária eletrônica (Bíblia). Esteja disposto a esperar na linha até que Ele atenda e você possa ouví-lo (espere em oração… se cale para ouvir a Deus… dê tempo a isso…) e dialogar (os dois falando) com Ele diretamente. Ele está lá 24h por dia. E cuidado para não ligar para o endereço errado. Consulte a lista telefônica ou pergunte ao telefonista (Jesus), do contrário, cedo ou tarde você pode ser surpreendido pela elegante mensagem dizendo: “este telefone não existe”. Nunca existiu. Daí o silêncio do outro lado da linha.

“Felizes são…”

abril 10, 2010

As pessoas mais felizes de todas… Elas andam na rua falando com ele, distraídas e satisfeitas. Não passam um dia sem se ver. Quando elas dão uma festa, há sempre o nome Daquele primeiro convidado: Ele não pode faltar (sem Ele a festa não teria graça). As pessoas mais felizes de todas… quando amam, quando correm, quando compram, quando falam,  nunca se esquecem Dele, do que poderia agradá-lo . As pessoas mais felizes de todas são aquelas que cantam pensando Nele no chuveiro, que comemoram com Ele pelo seu time ir à final do campeonato, que mencionam o Seu nome com carinho em praticamente tudo que lhe perguntam. As pessoas mais felizes de todas são simples demais e acreditam de todo o coração que “todas as coisas conspiram” para que estejam sempre com Ele, e como é bom estar com Ele. Além de sempre trazer presentes, ele fala de coisas tão agradáveis, tão profundas e inteligentes. Daí o porque delas darem sempre muito valor a qualquer coisa que Ele tenha a dizer. As pessoas mais felizes de todas podem ter muita coisa pra fazer, mas nunca fazem nada antes de perguntar a Ele sua opinião. Quando estão tensas, preocupadas, tristes, elas fecham os olhos, conversam com Ele francamente, desabafam, pedem ajuda (até choram em seu ombro), e quando abrem os olhos, há um brilho novo de força e esperança ali. As pessoas mais felizes de todas nunca fazem nada sozinhas, não porque não possam, mas porque preferem depender Dele, esperar por Ele, “ir junto”. As pessoas mais felizes de todas são essas… que amam a Deus com amor de amigo. Sinceramente.