A Angústia do Ser Lúcido

junho 7, 2015

 [ Colaboração: Hugo Júnior ]

Pode ser que o título deste texto lhe cause estranheza e possa trazer perguntas a mente como as seguintes: – Não é bom ser lúcido? – Porque traria angústia algo que existe em nós e que nos faz melhores que os animais?. Se eu estivesse lendo um texto assim, também não entenderia. Na verdade não tenho a pretensão de ser elucidador de conflitos teológicos, psicológicos ou colocar neste papel idéias revolucionárias acerca deste assunto. O que eu me proponho aqui, é analisar esta sensação tão dúbia e intrigante que nos acomete.

Acontece que rotineiramente estamos enfrentando a angústia da lucidez. A todo tempo somos surpreendidos com pensamentos, atos ou palavras que não nos convém ou que deveriam já fazer parte do nosso passado. O certo é que recorrentemente a sensação de estar fazendo algo errado nos invade como um tufão. É quando nos pegamos desejando o mal a alguém, quando somos quase que “compelidos” a não sermos honestos, ou simplesmente quando sofremos de uma preguicite aguda para não termos que ser apenas gentis. Os exemplos aqui são apenas para nos dar a dimensão de como estas coisas estão em nossa realidade mais palpável, mais visível. Não enxergá-las é “viver bem” dentro de padrões obscuros e desprovidos de limites.

A lucidez nos angustia e nos remete para o caos porque ela nos instiga a mente, nos denuncia, nos coloca nus diante de nossas fraquezas e ri de nós. É como se dissesse para cada um de nós:  – Eu não disse? – Esta frase nos deprime e oprime, nos arrefece as forças a ponto de querermos desprezar qualquer limite e dar um grande adeus para o que chamamos de pudor.

Seria muito melhor que as coisas não possuíssem regras e normas. A vida seria mais liberada e a nossa psiquê não sofreria tanto. Existir sem o menor senso de limite nos transformaria em super homens, verdadeiros donos do mundo. Ah, enfim liberdade ! Concordar ou não com esta vida ou não-vida é opção de cada um. A construção de nosso universo é pessoal e cercada de percalços inerentes a condição de humanos. É possível que algum dia possamos ter pensado assim. Quando nos vimos à mercê de cometer algo censurável, e tomados pela raiva da lucidez, pedimos a morte ou pelo menos que nos fosse retirado este senso de certo e errado que carregamos dentro de nós.

Diante de tantos motivos para poder aqui fazer uma ode à libertinagem, prefiro me apoiar em princípios mais elevados. Estes, por mais duros de serem alcançados, ainda são a única saída. Podemos ser donos do mundo, mas nunca seremos donos de nós mesmos. Podemos ter “toda a liberdade”, mas estaremos presos à condição de animais guiados por instintos dos mais primitivos.

O que posso dizer é que a angústia, a dor e o desespero de ser lúcido devem ser canalizados para Aquele que pode nos conter e nos direcionar diante do absurdo. Não há como desprezar a nossa humanidade cheia de falhas e contaminada com o pecado. Ela é nossa. O que podemos fazer é nos cercar e vigiar para que a nossa carne não vença o Espírito e tornemos a sofrer com a nossa lucidez, descrita na Bíblia como Espírito Santo.

A lucidez angustia e por vezes enlouquece. Evitar viver na linha tênue entre o sacro e o profano nos fará melhores seres humanos.

Em Cristo,

Hugo Júnior

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emtodasuaverdade

agosto 14, 2014

. reconhecer a verdade total é enxergar a paternidade consciente e amorosa que nos dota de liberdade para errar (experiência do pecado), nos instrui ao arrependimento (autocrítica decisiva) e graciosamente nos livra e resgata de nós mesmos de volta ao estado primordial de dependência (salvação);

. não há caminho possível de dignidade cristã sem pleno conhecimento; a verdade é que o tempo deveria nos tornar íntimos, mas a superficialidade nos rouba isto;

. tudo que existe fora da dignidade é enganação\encenação, histeria coletiva, esquizofrenia, charlatanismo, crise de fé, experimentalismo, sincretismo de incompatibilidades e hipocrisia; tudo isto é frustrante e não sustentável a longo prazo;

. nos fundamentos da dignidade cristã, que a legitimou\divulgou, está o conhecimento\reconhecimento, a identidade firme, a referência clara, a confusão entre criatura-criador e seus atributos, em outras palavras, a tão enunciada “imagem e semelhança de Deus”, que impõe a pergunta “quem é Deus” e imediatamente, na vida, responde com bem, com amor, com esperança;

. existe resultado\fruto mais expressivo, poderoso, do que dar significado à vida? existe dúvida mais incômoda que “pra quê vivo?”, “por quê vivo?”? Existe ser mais abandonado de respostas que o ser humano? Ter segurança num projeto de tamanha magnitude, responder à vida, e viver de acordo com esta Fé, certamente, é uma experiência arrebatadora;

. a autossuficiência angustiada, a ganância de Tântalo, o moralismo intolerante, o insustentável modo de vida e a extinção gradativa do amor incondicionado são exemplos de “tão densas trevas” de onde precisamos ser resgatados. A natureza humana está aí;

. não vivenciar uma consciência\vivência remediada de tais aflições é não ter gerado ainda, interiormente, a convicção, a aposta racional\positiva da aceitação das verdades cristãs; é ter ouvido sem crer; crer altera o curso da existência, crer transporta, ou seja, te leva a superar a vida;

. a transformação, finalmente, se dá na razão prática, quando a vida serve à vida e a vida eterna (e seus valores), ela sim, é o paradigma;

. a transformação se dá na criatividade, quando a ambivalência dos nossos projetos cede ao bem; quando o meu está a serviço do outro, não para consumo, mas para dávida;

. a transformação torna possível existir, permite que a vida seja uma experiência desimpedida, sem falsas expectativas ou frustrações, transitória, sem deixar de ser digna, ensaio da plenitude almejada;

II Coríntios

agosto 13, 2014

Acabei de ler o capítulo 4 da segunda carta aos Coríntios. Que leitura. Apreciei sobremodo os versículos 8 a 11, uma vez que identifiquei alguns aspectos importantes que me fizeram olhar de certa forma diferentemente para esse texto inúmeras vezes lido por mim.

É engraçado ver passagens bíblicas intrigantes e reais como essa. Paulo vai falar exatamente daquilo que é contrário ao nosso (meu) crer evangélico. Ele vai pulverizar a nossa fé religiosamente certinha, imaculada e indefectível. Os versículos citados me provocam reflexão mais aguda porque trazem palavras fortes e situações limite. Sendo bem honesto aqui: Quem gosta de situações limite? Sendo mais franco ainda: Nesse nosso caldeirão evangélico de doutrinas e idéias para todos os gostos, falar sobre limites não dá ibope nem faz pregador/escritor famoso. Pois bem, voltemos ao assunto em tela.

Para adentrar ao texto vou pedir licença a você, caro leitor(a), para poder buscar ajuda profissional (no caso , o dicionário) para, com a ajuda dele, aprofundar as compreensões das palavras paulinas. Vou aqui abaixo elencar todos os significados a fim de tornar a leitura mais clara e compreensível.

Atribular: causar tribulação;
abatidos: derrubados, prostrados;
perplexos: espantados, atônitos;
perseguidos: importunados.

Esses quatro estados do ser são perfeitamente bíblicos e senti-los não descaracteriza o nosso crer, tampouco o nosso Deus. Aliás, quem escreve estas palavras conhecia muito bem os estados que tais sentimentos/situações nos colocam, bem como conhecia o Deus com quem andava.
​O que mais me chama a atenção no texto é que tais circunstâncias “limites” têm um LIMITE no nosso caminhar com o Pai.Todo sentimento de dor, de desgraça, deve obedecer um LIMITE. Tal LIMITE (desculpe a redundância, mas esta é necessária) ocorre nesse nosso contexto de desventura na estrada dos corações pavimentados daqueles que já descansaram Nele graciosa e confiadamente a ponto de não fazer da tribulação, angústia (ânsia , agonia); da perplexidade , desânimo (falta de ânimo, de alma); da perseguição, sentimento de desamparo (abandono); do abatimento, momentos de destruição ( assolação , arrasamento).

Amar e viver com o Pai é mais do que discurso e mãos levantadas. Se trata , na verdade, de experimentá-Lo nos universos mais inóspitos do ser, sabendo que todas as dores do meu e do teu viver devem habitar nos LIMITES transgressores da Graça de Deus. Esse é o paradoxo da Graça libertadora: limites que obedecem LIMITES quando se anda com aquele que é ILIMITADO. Só pode estabelecer LIMITES, para os “limites”, aquele que é ILIMITADO. Aleluia !

Despeço-me na certeza de que os alívios da Graça são maiores que as marcas mais indeléveis da tribulação, perplexidades, perseguições e abatimentos.

​Nele, o Ilimitável,

Hugo Jr
(Texto escrito em 14/01/2009)

Economia do Ego

julho 20, 2014

Um dos piores efeitos da Inflação se chama indexação. Funciona assim: o que era considerado aumento, encarecimento, ontem, se torna o marco inicial hoje. Assim, os preços continuamente são reajustados e o sujeito vai se adaptando às novas exacerbações, sempre tendo como novo “normal” um limite cada vez maior e perdendo-se do preço “real”.

Isto porque somos da moda e nos adaptamos bem à efemeridade, dada a enorme importância que damos à vaidade e seus subprodutos no comportamento, na estética e na ética. No campo da Moral, temos dificuldade em ser consistentes e a indexação também existe. O que ontem era absurdo, hoje é padrão, mas com uma disfaçatês que assusta aos economistas. Os excessos se multiplicam, sem que ninguém registre que este “todo mundo faz” de hoje, um dia, já foi o fundo do poço.

O antídoto econômico para a inflação do ego é complexo. O individualismo hedônico tem muitas causas, mas suspeito que a principal seja nosso profundo sentimento de solidão. E ela é materialista e de um relativismo alucinador. Homens e mulheres que já não sabem como construir solidez e constância no amor. Filhos abandonados por pais individualistas e despreocupados. Seres humanos que, ao se distanciarem de Deus (“não é mais um ‘conceito’ necessário em pleno século XXI”, dizem), estão órfãos de significado e caminho. Veja, por mais peso que determinadas aquisições tenham, elas não são dotadas de calor humano. E quando não há verdades absolutas, até mesmo a própria vida pode acabar à disponibilidade da efêmera “felicidade”.

Por mais que o Egoísmo cresça, ele jamais poderá prover auto-suficiência e segurança. Pelo contrário, a tendência é a experimentação de um esvaziamento íntimo enorme, um “cair em si” de proporções cada vez mais dramáticas.

Somos o que somos. Relacionais, espirituais e dotados de tamanho potencial ético, ainda que latente, que podemos até inflacionar nossas verdades, mas nunca ignorar: quando se trata da economia da existência humana, todo excesso tem um preço.

O antídoto? Ah, sim. O antídoto é ter memória.

“Guarda estas minhas palavras”.

Na Babilônia, Negar a Deus

julho 20, 2014

Ergueram um monumento à babilônica divindade. Seu nome é Patrimônio. A voz de autoridade decreta a escolha: ajoelhar-se ou perecer.

Mas veja só. Foi pensando na morte que os cristãos encontraram o sentido da vida. Não só porque há redenção eterna. Mas também porque não existe Humanidade distante de Significado. E não há nada no materialismo que nos traga significado mais profundo que Amar. Não há lucro em estar só, não há vantagem em cercar-se de bens e perder momentos, não há alegria em enriquecer para uma velhice tola, sem afetos, sem saudades, sem filhos e netos.

Não. Negar a Deus seria o mesmo que Negar-se, humanamente, intimamente. Ajoelhar perante o Patrimônio, para adorá-lo, seria mutilar uma existência essencialmente relacional, contemplativa, graciosa, desapegada, planejada para fruir, não possuir, e viver como os passarinhos que não semeiam nem ceifam, mas não padecem pelo cuidado de quem os sustenta. Seria baixar os olhos. Nunca mais ver um pôr-do-sol sem pressa ou culpa.

Por isso os cristãos optaram pelo perecimento, como santos. E confiaram a Deus suas preocupações com o futuro. Todos sabem como termina o conto: nem a lei, nem as chamas foram capazes de destruir este ideal. Intocados pela nova ordem e pelo fogo, os cristãos alcançaram a eternidade e, ainda hoje, escolhem não se curvar, porque crêem nas Palavras eternas:

Tudo mais passará. O amor é eterno.

A Novidade

julho 18, 2014

Nós, nós mesmos , os homens , amamos a novidade . Aliás, veneramos tanto o novo ,que às vezes fazemos de tudo para sê-lo. É um tal de muda isso , troca aquilo, põe aquilo outro. O barato é que o novo , em regra , é bem vindo.
​Desconfio que esta volúpia pelo novo é dada para nós desde o primeiro dia em que nos descobrimos como seres existentes. Naquele momento, onde nossas mães nos expelem para fora dos seus ventres, a novidade aparece. Até ali , tudo era normal. A placenta estava sempre no mesmo lugar, o útero sempre foi daquele jeito, enfim , tudo não era novo.
​Até que vem esse “boom”, e nós descobrimos que tudo era deliciosamente efêmero naquela vida. Agora existe outra realidade. Os outros nos olham , nos medem , riem, fazem graça , e , diante da primeira grande novidade da nossa existência nós choramos copiosamente. Choramos porque a novidade do ar entrando em nossos pulmões nos agride (literalmente) por dentro.
​Mas as novidades não param por aí. Descobrimos que, passados alguns meses , podemos nos locomover sem precisar dos outros. Inicialmente de quatro, como que vistoriando tudo ao nosso redor, posteriormente nos colocamos de pé , e aí sim, tudo é mais novo do que nunca. Podemos alcançar o outrora inalcançável, corremos e desfrutamos das primeiras quedas , e conseqüentemente , das primeiras lições práticas acerca dos nossos limites. O fato de se tornar bípede divide barreiras em nossas vidas , fulmina distâncias e aguça em nós a busca pelo novo.
​Como se não bastasse andar com apenas dois membros , descobrimos que somos capazes de falar, articular palavras e estabelecer comunicação com outros iguais a nós . Ao tomar posse desta mais “nova novidade” nos tornamos insuportavelmente tagarelas. Nunca mais deixaremos de falar. Esta novidade nos incendeia a alma, e falar passa a ser quase que compulsivo. Queremos nos comunicar, gostamos de falar , de sermos ouvidos , e de preferência por muitos. Comunicar passa a ser a maior novidade em nossa pequena existência.
​Caminhando nesta série de descobertas , deparamo-nos com outras novidades que perto daquelas podem ser consideradas menores, mas não de menor importância. Coisas do tipo ir a escola, a chegada de um irmão, as primeiras traquinagens, as brincadeiras e outras tantas que preenchem a nossa vida. Poderíamos aqui falar de tantas outras novidades que não mais sairíamos deste ponto da nossa discussão.
​Olhando a questão apenas sob o prisma das novidades andar e comunicar –se ,vemos quão grandes são os seus desdobramentos. Aquelas perninhas , antes tão curtinhas e inseguras, vão se firmando e tornando-se maiores ,nos levando paulatinamente a outros mundos até que nos tornemos crianças, adolescentes, jovens e velhos ….. . As palavras pronunciadas de maneira balbuciadas e confusas, são agora alvos da gramática, sintaxe, formalismos, retórica ….. . O certo é que as novidades que estão no porvir decorrem destas duas primeiras novidades. Ou seja, o nada ou o tudo que somos , é reflexo do que falamos e de onde estamos.
​Diante disto, para onde nos têm levado as nossos pernas? A nossa caminhada é sem sentido e as novidades cada vez mais enfadonhas. Aquelas primeiras sensações maravilhosas obtidas tantas vezes, agora se tornaram insossas? Queremos caminhar muitas vezes , mas a estrada é esburacada, feia , torta , e por isso nos é melhor ficar parados. Afinal, a inércia nunca prejudicou a ninguém e o máximo que pode acontecer é não acontecer nada, inclusive a magia da novidade. Ah!!! perninhas inquietas!!!!!
​E a nossa voz tem ecoado da mesma forma ? A nossa tagarelice moleca ainda nos trás novidades ? Ou falar se tornou perigoso? Somos reféns daquilo que falamos , e por isso, melhor é ficar calado – alguns diriam. A nossa falação se torna cada vez mais temerária já que o outro que nos ouve , é o outro. E o outro é sempre o outro e não eu. E tudo o que não sou eu não merece confiança,portanto eu não falo com o outro. A vivacidade da comunicação ,fruto de nossa volúpia por falar , se transformou em adversária, inimiga, e por isso deve ser evitada. Em caso de se falar, que se fale do outro. A novidade conseguida por este poderoso elo é debelada, arrefecida de maneira contumaz. Eu não falo , e com isso , o novo é algo tão próximo como as estrelas ou o sol. Sou apenas eu e as minhas convicções , que já não são novidades pra mim.
​Quero dizer que a novidade deve ser algo presente em nossa existência. Viver do que é velho , obsoleto e ultrapassado não é vida – é sobrevida. As marcas da novidade devem estar estampadas em nossa vivencia de maneira patente. Não consigo enxergar alguém que se escondeu em si mesmo e já não mais permite que seus pés sejam velozes e constantes , que da sua vida flua comunicação, contatos , elos.
Viver é novidade. Afinal, nenhum momento da vida é igual ao outro. Mas, tornar estes momentos novos, dentro da uma novidade diária é para aqueles cujos pés e bocas não se curvam diante do enfadonho e embrutecedor cotidiano .

Ande! Fale! Seja Novo!

Em Cristo,

Hugo Júnior

O Maior Dilema Humano: A Maçã ou a Eternidade

julho 6, 2014

Por esses dias me peguei desejando e querendo o Agora, intimamente, irresponsavelmente. Até orei a Deus para que ele interviesse sobre as circunstâncias e me desse, de bandeja, o bem imediato que desejava.

Engraçado como somos realmente, nós, pessoinhas pequenas desse mundinho finito, previsíveis. Isso facilita, de certa forma, a autocrítica. Pelo menos para as religiões, filosofias e pessoas que ainda estão dispostos a se propor críticas sérias e a aprender alguma coisa com elas, tentando acertar mais tarde.

Pois não é esse o maior dilema da Humanidade? Desde que caímos, sempre tendemos a escolher a Maçã, o bem imediato, a vantagem palpável, o objeto de consumo, o enriquecimento terreno, em detrimento daquilo que a Bíblia chama de “tesouros no céu”, que são incorruptíveis e durarão para sempre.

Vamos ser bem realistas, pra não pecar contra a consciência: amar não está na agenda contemporânea. Não no sentido cristão da Palavra, que seria sacrificar-se pela salvação, em todos os sentidos, do outro. E não é que o Amor é justamente uma dessas coisas de que falamos, eternas, segundo a mesma Bíblia?

Da próxima vez que eu me flagrar desejando vou, incontinenti, recolher a mão estendida e pensar:

E Se fossem as mãos de Jesus, para onde estariam estendidas?
Mais uma Coisa ou o Próximo?
A partir daí farei minha escolha.

Não precisamos de números, Precisamos de Exemplos

junho 24, 2014

Agora que o BOOOMM já é um dado conhecido e, agora que já descobrimos que ter um, dez, cem ou mil crentes na vizinhança, por si, não faz a mínima diferença na prática, chegou o momento de refletir: o que, de fato, poderia transformar a nossa realidade em algo melhor do que o que está aí? E a resposta é tão poderosa que foi o fundamento do ministério de Jesus: dar exemplo.

Veja que é muito fácil (apesar de improdutivo) viver um cristianismo coletivo, pop e musicalizado, auto-afirmativo e abstraído do mundo real, que piora. Difícil (mas recompensador, salvífico) é viver para demonstrar na vida o que é que Deus pode fazer, encarnar este bem inequivocamente, na construção e consolidação de relacionamentos, no conhecimento e zelo pelos valores e pela honestidade, na serenidade necessária para recusar a oferta de comprar riqueza e estabilidade pela bagatela de “todo o seu esforço e tempo”.

Finalmente, é preciso coragem pra não só fazer, mas deixar claro a quem vê: FAÇO PORQUE CREIO. Parte de nosso comodismo se justifica no medo (bem fundamentado, porque estamos mal alimentados) de faltar forças aos compromissos e dar um mal exemplo. Tanto pior que mal exemplo é exemplo nenhum. E, além disso, esquecemos que se estivermos dispostos a tentar com humildade, Deus está conosco. Portanto, avante. Não acredite na força dos números, acredite na força do exemplo. E lembre-se: No resultado final, crentes nominais não contam.

Ilustres Estrangeiros

junho 24, 2014

Às vezes, muitas vezes na verdade, me senti deslocado no mundo. Essa deveria ser uma sensação comum a um Cristão minimamente preocupado com seus valores. Num mundo como este, em que monogamia, fé e auto-sacrifício são temas tratados com total descrédito, seria comum imaginar que a diferença seria óbvia. Mas não é. Perdemos a condição de ilustres estrangeiros no reino da Babilônia. Nos alimentamos do mesmo do resto, sabemos o que a média sabe, não nos destacamos em nada, nem em matéria de fé, porque a nossa morreu no dia em que morreram nossas práticas: estudar a bíblia para conhecer a Deus e a sua vontade seriamente, orar e estar em contato com Deus e em reflexão intensamente, abster-se das ofertas que nos seduzem e contaminam, radicalmente.

Se na Babilônia somos iguais, dificilmente no dia do juízo seremos reconhecidos como algo diferente.

Você tem uma vida cristã autêntica? Um teste de uma pergunta só

junho 24, 2014

O Cristianismo está centrado na radicalidade de DAR A SUA VIDA EM FAVOR DO PRÓXIMO, PARA TESTEMUNHAR SOBRE O AMOR DE DEUS. Então, a única questão a responder é: na prática das 24h, a quem sua vida serve? Todas as respostas exceto AO PRÓXIMO se situam fora do Cristianismo. A parábola do Bom Samaritano adverte: nem os empresários de si mesmo, nem os pastores do egocentrismo, nem os covardes do amor-próprio fazem o que Jesus disse ser necessário fazer para alcançar autenticamente a vida eterna. Ele finaliza: “faça o mesmo e você viverá”. Não há como por de outro modo. Finalizo: aquele que não ama na prática das 24h pode até ter ouvido falar e admirar e dizer-se isto ou aquilo mas, diz a Bíblia: (infelizmente) Não conhece a Deus. Nem ama ao Jesus que subiu ao Calvário. “Aquele que me ama, cumpre os meus mandamentos”.

Um Corpo

junho 24, 2014

Hoje, nosso corpo tem muitas cabeças, que pensam e falam indepententemente, além de terem uma visão de objetivos e obstáculos contraditória. Precisamos que a mente de Cristo nos una em ideais e metas. Isto só seria possível pela submissão aos princípios daqueles mandamentos, esquecidos. Se o cabeça fosse Cristo, nossa boca ensinaria e edificaria, ao invés de julgar e machucar; nossos olhos veriam com amor e atenção, ao invés de omitirem-se a encarar a realidade de nossos próprios erros e da dor que nos cerca.
Hoje, nossas mãos estão a serviço, muitas vezes, de projetos, não de uma missão. Precisamos de mãos como as de Cristo, que se estendem ao cego e acalmam a tempestade (da violência dos nossos, inclusive). Esquecemos que o afeto de nossas ações constrói mais que a simples engenharia de congregações. Perdemos o tato e o dom de curar. Perdemos a capacidade de abraçar primeiro, disciplinar quando necessário, nunca rejeitar quem pede socorro.
Hoje, nosso corpo está doente, sedentário e indisposto. Precisamos de domínio próprio, sobretudo, porque andamos contra a corrente, corremos em direção contrária ao mundo, lutamos contra nossas inclinações e há muita oposição ao nosso avanço. Não é fácil trilhar o caminho do auto-sacrifício, esta via crucis radical, só por onde é possível encontrar salvação num mundo que se perde e se destrói ao viver, que desconhece o significado desta humanidade.

E tudo isto sabendo que está escrito: até o fim, este corpo há de padecer, para que finalmente seja glorificado.

Provem e Vejam

junho 22, 2014

Segundo a Bíblia, Foi o próprio Deus dos cristãos – nenhum outro – quem disse: provem, vejam. E indicou o caminho para que cada pessoa na terra tivesse a possibilidade de pessoalmente ter um encontro com Ele. O caminho, diferente do que se pensa, não envolvia ir a algum lugar específico de culto, muito menos “dar para receber”. Era simples: Deus estaria “à porta”, esperando para intimamente, individualmente, “habitar” em quem aceitasse caminhar por onde ele caminha e fazer o que ele faria, pensar como ele pensa, viver como ele viveria. Assim, misturados, Deus e o homem passariam a se conhecer cada vez mais profundamente, até o dia em que, ao andar na rua, este homem fosse confundido com o próprio Deus, dando assim testemunho de sua EXPERIÊNCIA PESSOAL com Deus.

Por isso sou cristão. Pela possibilidade de encontrar a Deus desta forma. E ao encontrar dificuldades de reaprender a viver, deixar velhos hábitos, transformar minhas inclinações negativas, não desanimo, estes são os únicos obstáculos que me separam do maior tesouro que existe: Provar e Ver pessoalmente a Deus, me tornar como Ele é: Bom e Eterno.

Esperança

junho 22, 2014

Crentes narcisistas, carentes de atenção, crentes violentos, crentes maledicentes, crentes desonestos, crentes frios, legalistas, crentes místicos e supersticiosos, fanáticos barulhentos, crentes acomodados e infrutíferos, crentes mentirosos, crentes problemáticos e imaturos, crentes falastrões e falsos, crentes vaidosos e impacientes, crentes de rótulo, crentes consumistas, insatisfeitos, crentes sem paz, intolerantes, crentes estagnados, vencidos, crentes preguiçosos, sem memória, sem prazos, crentes velhacos, perigosos, crentes apegados ao dinheiro, injustos, crentes que fazem em 24 horas mais mal que bem.

Acusação? Não. Esperança. De que os crentes busquem a Deus. E que ao o encontrarem, sua Transformação seja seu Testemunho.

“Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens”.

Palavra Viva

outubro 7, 2013

Sem dúvida, a verdade é o que é. A palavra dita, freqüentemente, se distancia da verdade, ainda que não tenha originalmente esta intenção, porque somos muitos limitados, simplistas e bons teorizadores. Algumas dificuldades, simplesmente, não podem ser antecipadas ou enunciadas.
Assim, o evangelho não pode se basear na palavra dita ou facilmente se perderá num mar de moralismo, teorização estéril, discurso sem consequente resposta existencial.
O evangelho, então, deve, literalmente, viver a verdade, e este compromisso nos impõe, necessariamente, algumas lições automáticas. A primeira diz sobre nossas limitações. Uma coisa é dizer que o evangelho cura a alma do homem. Outra é vivenciar esse tipo de experiência. A superação de traumas, a reabilitação de identidades corroídas pelo mal do mundo… Há poder em Cristo para isto… Em Cristo. E só quem puder vivenciar Cristo, de fato, Poderá experimentá-lo. Daí o distanciamento que vemos entre o que é dito e o que de fato temos vivido.
Outra lição, tão profunda quanto a primeira, diz respeito a Pessoa de Jesus e a verdadeira identidade cristã. Porque ser identificado como cristão deveria ser o resultado de uma profunda personificação moral, social e ideológica da figura dele e, consequentemente, do pai. O discurso, quando fora desta relação, revela uma das piores faces da hipocrisia ou da cegueira. Por isso o discurso, no cristianismo, deve ser último, como a assinatura de um documento, aposta após a certeza da veracidade de seu conteúdo.

A Favor e Contra

julho 7, 2013

Como cristão, eu me preocupo com o futuro da nossa humanidade. Minha vida e a vida de muita gente me preocupa. Principalmente porque sinto que as verdades que escolhi eleger como nortes da minha vida, as vezes, tem um imenso efeito constrangedor, até irritante, nos outros. Imagine o caso hipotético de uma discussão filosófica sobre a Mentira. Todo mundo sabe que não se pode mentir em juízo. Imagine, então, se num dado momento histórico a mentira vier a ser vista de maneira diferente. Como uma legítima forma de defesa. Como uma prática saudável. Um recurso imaginativo, criativo, viável no discurso e na prática. Traição, na relação a dois, já o é (em muitos casos, dizem os colunistas de revistas, pretensamente, científicas). Podemos não estar, então, divagando tanto. Veja que me ponho, por conta de minhas convicções, numa enrascada programada. Porque como um idealista eu sinto que não devo calar minha opinião com relação aos meus valores. Como um progressista acredito que devo tentar influenciar na tomada de decisões de minha comunidade. Mas eu me veria em grande apuro quando, ao me manifestar, fosse mal interpretado, taxado de moralista, intolerante, fundamentalista e tudo o mais, mesmo sabendo que eu sempre estive, ideologicamente, no mesmo lugar. Foi o mundo que “progrediu” e não me deu alternativas, senão a de me negar em acompanhá-lo. Sou A FAVOR das pessoas, e tranquilamente CONTRA determinados “avanços”. Acredito na consistência de determinados valores, ainda que muitos não consigam experimentá-los, circunstancialmente, por diversos motivos, e pelo maior deles, pela liberdade de autodeterminar-se.

Enquanto for livre para pensar e agir, espero ter forças para, mesmo mal interpretado e assumindo a priori a falibilidade humana inerente, manifestar meu completo respeito e amor ao próximo, que me levará, vez ou outra e mesmo que temendo represálias, a dizer humildemente:

Meu caro, não posso apoiá-lo desta vez, pois acredito que você está errado.

Sociedade

julho 7, 2013

Engraçado como as palavras nos pregam peças, inadvertidamente. Se alguém diz que abriu uma empresa em “sociedade” com outra, logo se vê que esta pessoa firmou um compromisso, baseado em responsabilidades recíprocas, em colaborações ativas, constantes, inadiáveis, insubstituíveis, diante do objeto do negócio. O que assusta é ver como nós conseguimos ignorar que DEVEMOS à sociedade, justamente o pressuposto de sua existência: nossa participação. Como cristãos, então, o termo sociedade assume um viés ainda mais complexo, revelador. Somos parte de um grupo de pessoas que assumiu o compromisso de, vivendo juntas, usar os recursos que dispõem (tempo, dinheiro, habilidades pessoais, inteligência, valores) para construir um ambiente confortável, positivo, para viver. Se cremos que somos dotados pela graça de Deus de ferramentas de cura, edificação e inspiração de nossa realidade, de salvação de pessoas, não podemos nos omitir. Nos omitir diante desta sociedade seria o maior dos desfalques, o mais flagrante dos calotes, o furo mais vergonhoso que se viu. Pra finalizar, faço referência às palavras de Jesus, que disse: Pai, não peço que eles sejam tirados do mundo. Livra-os do mal. E nos dias de hoje, o mal se faz presente, sobretudo, quando conscientemente nos ausentamos.

Anda com Ele

julho 7, 2013

Violência. Impressiona pensar no que o homem é capaz. Além de ser capaz de ferir, tirar a vida, o ser humano ainda tem uma enorme capacidade para ferir a alma. Nós, que prezamos pela nossa segurança, aprendemos então, através do medo, a eleger os nossos inimigos. E a regra de ouro do medo é: fique longe deles. É a partir deste raciocínio que vamos refletir sobre como Jesus revolucionou a humanidade, tanto diante do medo, como através da esperança. Veja, se nós seguimos a lógica deste mundo individualista, nosso bem estar estará de tal modo acima da importância do outro que nos tornaremos, aos poucos, ilhas. Isto porque, nos últimos tempos, ninguém quer ferir-se, expor fraquezas, chorar abertamente. Nos escondemos sob máscaras insensíveis e nos afastamos daqueles que, do menor ao maior grau, nos ferem. E aí nos tornamos ilhas. Uma humanidade solitária, existencialmente esvaziada do outro.

O Cristianismo, contudo, tem como fundamento o amor. Amar ao próximo como a si mesmo. Amar amigos. Interceder pelos inimigos. Recorro aos dois textos mais chocantes a respeito do tema:

“Vocês ouviram o que foi dito: ‘Olho por olho e dente por dente’. Mas eu lhes digo: Não resistam ao perverso. Se alguém o ferir na face direita, ofereça-lhe também a outra. E se alguém quiser processá-lo e tirar-lhe a túnica, deixe que leve também a capa. Se alguém o forçar a caminhar com ele uma milha, vá com ele duas. Dê a quem lhe pede, e não volte as costas àquele que deseja pedir-lhe algo emprestado”. “Vocês ouviram o que foi dito: ‘Ame o seu próximo e odeie o seu inimigo’. Mas eu lhes digo: Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem, para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos céus. Porque ele faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos (ver Bíblia, livro de Mateus, cap. 5)”.

“Abençoem aqueles que os perseguem; abençoem, e não os amaldiçoem. Alegrem-se com os que se alegram; chorem com os que choram (…) Não retribuam a ninguém mal por mal. Procurem fazer o que é correto aos olhos de todos. Façam todo o possível para viver em paz com todos. Amados, nunca procurem vingar-se (…) mas pelo contrário, Se o seu inimigo tiver fome, dê-lhe de comer; se tiver sede, dê-lhe de beber. Fazendo isso, você amontoará brasas vivas sobre a cabeça dele. Não se deixem vencer pelo mal, mas vençam o mal com o bem (v. Bíblia, livro de Romanos, cap. 12)”.

Nas palavras de Jesus e de Paulo, qualquer deliberada devolução de violência é insustentável do ponto de vista cristão. E isto para nós, cidadãos deste mundo, onde se clama por “justiça” e se luta tão ativamente contra a violência urbana, pode parecer loucura, mas pense. Você consegue ver o potencial revolucionário que um princípio como este tem se for diligentemente praticado? O poder de encerrar guerras históricas, de pacificar povos, de por ordem no caos do ódio humano. Nós só precisamos entender que um cabo-de-guerra só é possível quando os dois lados tencionam vencer através da força, através da dominação do outro, em revelia a suas necessidades. E as vezes, mesmo o lado “vencedor” experimenta perdas tão profundas que o valor em si da disputa se perde.

A intensa verdade reside, pra mim, na sentença: “anda com ele”.

Quando isolamos nossos inimigos, quando nos entrincheiramos, polarizamos a disputa e confundimos a violência em si com o ser humano em si. Aí, aos poucos, o valor da vida humana cede lugar ao desprezo e, uma vez tendo o nosso pensamento traumatizado pelo medo, iremos sem demora recorrer à pena de morte, às prisões perpétuas, na tentativa de afastar inimigos, como se fosse humanamente possível afastar todo o mal que existe, acorrentá-lo, mantê-lo longe, quando ele muitas vezes reside em nós e dentro daqueles que estão ao nosso lado. Ingenuidade.

Se, contudo, fazemos como Jesus nos disse, nos expomos, humanizamos a disputa e insistimos no bem, ainda que feridos, veremos que o homem em si não é o maior problema e que muitas vezes somos os maiores responsáveis pelos nossos próprios conflitos. Diálogo, atenção, investimento no outro, repartição de cargas, ações afirmativas que de alguma forma busquem as reais causas das nossas lutas, da violência, podem revelar verdades mais profundas e caminhos mais eficazes que os que o medo indica. O fim da violência, segundo Jesus, reside aí.

O medo de ferir-se, a recusa em sacrificar-se, em algum ponto, destrói a vida em comum. Leva a falência casamentos. Destrói amizades. Encerra oportunidades. Mas o amor, ah, só o amor, aprendido nesta perspectiva da encarnação de uma nova mente e uma nova postura diante da vida, através desta Palavra, nos leva à “superação de uma multidão de erros”. Suportar um tapa na cara, como a Bíblia sugere, pode evitar uma contenda maior futuramente e, quem sabe, nos fazer credores de uma dívida impagável, porque não há nada mais nobre que o perdão que nasce em meio a dor. Foi assim que Ele, Jesus, clamou:

“Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”.

Ser Cristão devia Incomodar

julho 4, 2013

Não sei qual foi a última vez que ouvi alguém dizer que perdeu o sono preocupado com os problemas de um estranho. Não sei qual foi a última vez que vi alguém perder o apetite ao ver mendigos catando no lixo o que comer. Não sei se já vi alguém dividir mais do que o extremamente supérfluo com um pobre. Poucas vezes vejo o mal ser devolvido com o bem. Ser cristão devia incomodar.

Ser cristão devia ser uma necessidade mais urgente que ajuntar dinheiro, consumir. Mas o apelo do TER é maior que a vontade de SER. Ser cristão devia incomodar.

O fato de não termos certas respostas, não sabermos abraçar o diferente (mesmo que reprovando algo em si), nem curar o mundo de suas enfermidades, o fato de vivermos uma comunidade de relações superficiais, devia nos deixar perplexos, indignados com nós mesmos. Ser cristão não é ser mais um. Era pra estarmos dando o exemplo. Mostrando como se deve amar, ensinar, viver. E se estamos deixando a desejar, isso devia nos incomodar.

Ser cristão não se aproxima em nada da maior parte das associações que se faz a isso. Prosperidade, disputa de poder, enriquecimento e manipulação. Isto são inverdades. Distorções da verdade. E não há ninguém que seja capaz de desmentir essa história mal contada, representada por tantos falsos mestres, divulgadores de uma “fé” suicida, controversa e incoerente.  Isso devia nos incomodar. Profundamente.

Ser cristão, claro, devia ser uma grande alegria para quem já teve experiências reais de transformação. Mas, sobretudo, diante do mundo, devia desencadear uma dor especial, como a preocupação das mães para com seus filhos. Uma dor vigilante. Uma dor intercessora. Dor pelo zelo. E esta dor, como dores de parto, devia nos tornar pessoas melhores.

Cegueira

julho 4, 2013

Perder a visão pode ser um grande inconveniente. Um claro e grave empecilho no cotidiano. Mas existe coisa pior. Pior que a cegueira, é a incapacidade de julgar o que se vê. A incapacidade de tomar pé da miséria do mundo. Pior que a cegueira, é a megalomania de sempre enxergar qualidades em si, nunca defeitos. É ver no espelho sempre uma pessoa idônea. Desmentir a decadência patente, alegar ilusão de ótica, erro de interpretação. E o orgulho, a incoerência, a intencional rotina desencaminhada, desnorteada, é pior que chorar lágrimas de sangue, pior que areia, cal,  nas vistas. Quando o problema está nos olhos, ainda se pode contar com os outros sentidos. O problema mesmo é quando o centro dos sentidos se corrompe. Quando o problema é a cegueira, alguém ainda poderá ajudá-lo a aprender, a ler, a conhecer o mundo. Se o defeito, contudo, está na razão, aí então, a verdade perde sua claridade, aquela claridade que se nota ainda que de olhos fechados.

Está escrito: Se teu olho te contamina, renuncia a ele. Mas é bom dizer: O mesmo vale para o Caráter.

Tesouros

julho 4, 2013

Me parece que estamos sendo pouco produtivos. Aliás, estamos tendo prejuízo nos nossos negócios. Nosso lucro é minguado, volátil. Nosso crédito é escasso. Ninguém está disposto a financiar nossas causas. Somos trabalhadores de um trabalho roubado antes mesmo de estar completo. Os abusos corroem nossos salários. E sobre o que poupamos pesam impostos, taxas e outros penduricalhos. Ficamos pobres. Vivemos à míngua da vida que almejamos.

E tudo isto porque nos esquecemos. Isto mesmo, o sol nasce e se põe, inúmeras vezes por sobre nossas cabeças, e nos esquecemos, ignoramos, os conselhos antigos:

“Porque os filhos são a herança do Senhor”, “melhor adquirir sabedoria que o ouro”. “Com a sabedoria se constrói a casa” e “ser estimado é melhor que riqueza e ouro”. “Mais vale ter um bom nome do que muitas riquezas”. Por isso “emprega tudo o que possuis na aquisição de entendimento”, “pedi, e dar-se-vos-á”. “Deus dá a sabedoria”. “Não acumulem tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem corroem e os ladrões roubam”. “Acumulem tesouros no céu”, porque “onde estiver o seu tesouro, aí estará o seu coração”.

É isto. Tesouros, então, são conhecimento, relacionamentos e uma vida íntegra e respeitável. Estamos no negócio errado.  Encerro com uma última recordação, uma história cuja lição não poderia ser mais clara:

“Um homem rico tinha produzido com abundância; E ele pensava consigo mesmo, dizendo: Que farei? Não tenho onde recolher os meus frutos. E disse: Farei isto: Derrubarei os meus celeiros, e edificarei outros maiores, e ali recolherei todas as minhas novidades e os meus bens; E direi a minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e folga. Mas Deus lhe disse: Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus (v. Bíblia, em Lucas 12)”.

 

“Jesus como seu Salvador”

novembro 20, 2011

Ter Jesus como Salvador parece simples. Parece uma questão de Afirmação. Vou tentar dar aqui minha perspectiva do que isso significa, em poucas palavras.

Nós diariamente precisamos de Salvação. A cada instante. Nossas escolhas podem representar Salvação ou Perdição. Aceitar aquela determinada proposta de emprego pode significar a ruína dos meus relacionamentos ou uma grande alavancada no meu desenvolvimento pessoal. Quem determina qual será o resultado das minhas escolhas ? O meu espírito, o que carrego de virtudes e valores comigo, a minha bagagem. É aí que Jesus é determinante. Acredito que Ele representa o exemplo máximo de alguém que viveu, como dizemos, “em espírito”, ou seja, viveu em virtudes, viveu bem (no sentido de saber amar, permitir ser amado, valorizar a vida e as pessoas, não se perder pelas ilusões do mundo) e para o bem. Acredito também que não há outro caminho que leve alguém a este nível de entendimento, senão aquele que Jesus aponta. Ele é o exemplo mais intenso, constrangedor e poderoso de amor e de elevação que jamais existiu. Quando eu digo que “aceito Jesus como meu Salvador”, estou dizendo que aceito este modelo de existência, essa postura diante da vida, esses “mandamentos” de alguém que é mais que um mestre de boas maneiras, mais que honorariamente o “filho de Deus”. Ele é o único que pode me levar a, vivendo a vida de maneira diferente, descobrir a resposta para meu maior questionamento: qual é o significado de tudo isto.

“Eu sou o caminho, a verdade e a vida”.

Meu Caminho, Minha Verdade, Minha Vida.

18 de Novembro

novembro 18, 2011

É muito comum ouvirmos que “Deus tem um propósito na sua vida”. Aí, volta e meia explicamos nossos sucessos ou insucessos por meio deste conceito. Se venci, se consegui o emprego, se realizei o sonho pessoal, se galguei uma posição, digo: É o propósito de Deus! Se, por outro lado, perdi, não consegui o emprego, tive um trauma, sofri um acidente, decaí em algum aspecto, começo a explicar que “Deus tem um propósito nisso tudo”.

Ficam, então, algumas perguntas no ar: Tudo que me acontece está dentro dos propósitos de Deus? Todo sucesso é propósito de Deus? Todo insucesso é sinal de que Deus quer de mim outra coisa? Vamos pensar biblicamente:

O povo de Israel queria muito um rei. O povo pediu a Deus um rei. Deus deu ao povo um rei. Sucesso, certo? Mas era esse o propósito de Deus? Não. O povo considerou aquela uma grande conquista, já que todos os outros povos tinham reis, mas não era este, nem de perto, o propósito de Deus. Esse caso ilustra aquelas nossas conquistas que, ao invés de nos aproximar de Deus, nos afastam (essa é pra os amigos que trocam seus momentos de meditação e estudo da palavra por uma promoção de emprego rs) .

Nas guerras do velho testamento, não são poucos os casos em que, mesmo vencendo uma guerra e se apropriando de todos os bens do povo vencido (ou seja, aparente sucesso, ascensão material etc.), Deus se mostrava insatisfeito com o povo, porque sua intenção é que eles não se apropriassem daquelas riquezas ou fizessem escravos. Logo, vê-se aí mais um caso em que a vitória não representa propósito de Deus. A bíblia está cheia deles e a lição é auto-explicativa: existem coisas que não deveriamos desejar ou ter.

Agora vejamos sobre derrotas. José era um rapaz muito justo. Amava seu pai, amava seus irmãos. Num determinado momento, os irmãos voltam-se contra ele e o aprisionam, em seguida vendendo-o como escravo para o Egito. José fica preso durante muitos anos. Está aí uma grande derrota pessoal. E ninguém diga que foi um período prazeroso e tranquilo na vida de José. Foi um período de privação e dificuldade. Mas nesse caso, a derrota de José significou um alinhamento aos propósitos de Deus não só para ele, mas para com o povo.As vezes, derrotas a curto prazo reservam vitória a longo prazo.

Existem também derrotas irreversíveis na Bíblia que foram designadas por Deus. Veja a história de Jó. Independentemente de ter tido mais filhos e filhas, a verdade é que a morte dos primeiros não se reverteu. Eles se perderam deste mundo. Uma grande tristeza, sem dúvida, mas que não escapava da história de Deus para a vida de Jó. Assim, insucessos nem sempre são sinais de que Deus não está lá. É preciso humildade e maturidade para reconhecer isso. E a história de Jó nos ensina que independentemente das circunstâncias, seus princípios e valores devem permanecer inabalados.

Tem também aqueles casos em que, derrotados nas primeiras tentativas, começamos a desconfiar que Deus está nos levando para outro “propósito”. Será que uma ocasional derrota já demonstra que Deus nos quer num lugar diferente? Na história de Jacó com seu sogro a coisa parecia indicar que não era dos “propósitos de Deus” que ele tivesse a mulher que desejava, Raquel. Isto porque diversas vezes ele foi enganado, ludibriado, coagido e explorado pelo sogro, a ponto de ter que fugir para se ver livre dessa situação. Um caso de insucessos e frustrações sucessivas, mas que guardavam um propósito ali. Muitas vezes nos veremos limitados por um agente externo. É preciso sabedoria, estratégias e paciência para superar determinados obstáculos.

Na verdade, o que vejo é que os propósitos de Deus são, a princípio, ocultos, e não evidentes. Assim, não é fácil enxergá-los e simplesmente contemplar as evidências circunstanciais não responde a pergunta. Nem tudo que acontece conosco é propósito de Deus. Apressar-se em dizer que esta ou aquela é a vontade de Deus é um erro muito comum (veja a história do erro fundamental de Saul, no livro de Samuel). Algumas coisas são simplesmente resultado da nossa liberdade. Nem todos os acidentes e tragédias guardam propósitos (apesar de que podem, evidentemente, ensinar). Nem todas as crises, as conquistas, os eventos do dia-a-dia, são da “vontade de Deus”. Se assim fosse, nossa vida seria plena e correria invariavelmente em ascenção constante, o que, claro, não é verdade. Nossa inconstância é evidente. E a tentativa de explicar sucessos e fracassos pela luz dos propósitos é apenas mais uma manifestação da nossa inconstância, de entendimento e de caráter. É mais fácil “explicar” um insucesso que enfrentá-lo. É mais fácil “justificar” um desastre do que conviver com a realidade de que nós, homens e mulheres, optamos por este caminho, um caminho de “conhecimento do bem e do mal”, de livre-arbítrio, em detrimento da completa dependência de Deus.

Por fim, a Bíblia diz que “há propósito para todas as coisas debaixo do céus”. Parece controverso? Não é. A Palavra está dizendo que para tudo que existe, existe uma “finalidade para a qual isto foi criado”, um plano inicial. Por exemplo, o propósito de existência dos rios, muito provavelmente, era prover água para os campos. O propósito dos pássaros, dentre outras coisas, era semear a terra. E assim por diante. Mas um rio poluído, certamente, não está nos propósitos de Deus, nem o tráfico de aves. Eles existem? Inúmeros casos. Longe do propósito inicial, mas estão lá, resultado da sua e da minha vontade.

Da próxima vez que você experimentar vitórias ou derrotas, reflita antes de concluir o “propósito de Deus”. O salmista Davi, humildemente, disse: quem pode entender a mente do Senhor? Entender os propósitos de Deus é um desafio contínuo e inesgotável de entendimento, reavaliação, interpretação e meditação acerca daquilo que vemos, ouvimos, conhecemos e enfrentamos. E só há um modo de saber se você está plenamente diante de um propósito genuinamente divino: diante de Deus, de si mesmo e de todos os que o cercam, isto será Bom, Perfeito e Agradável. É alcançar o “Sentido” das coisas. E isto, cá pra nós, nos dias de hoje, não é uma coisa fácil de se encontrar.

O Pecado da Ignorância

novembro 17, 2011

Não é novidade que o cristianismo, a “igreja institucional”, tem uma história controversa e paradoxal. Maior parte do estrago foi resultado desse sentimento de “nós temos a Lei de Deus” para os homens. Em nome desta linha de pensamento, muita gente viu o fogo e a fúria, o sangue e o açoite, até mesmo o próprio Cristo (quando se pensa no Judaísmo como antecessor imediato do Cristianismo). O que se vê hoje não está muito distante do que já houve à epoca da igreja medieval. O pretenso cristianismo, de pretensos “pais da fé”, já produziu resultados igualmente nefastos. Da fogueira ao linxamento social, só muda o método. E não negaremos, em momento algum, que somos herdeiros deste passado histórico, ou estariamos cinicamente, tolamente, nos desviando da questão central que determina o poder para o bem ou para a desgraça da religião: o poder do conhecimento. Podemos pecar. Só não podemos ignorar nossa condição de pecadores. Não podemos ignorar a existência e a prevalência dos valores sobre as intenções. “Ainda que desse o meu corpo para ser queimado e não tivesse amor, nada seria”. Citações como estas, se esquecidas, determinam o obscurecimento do potencial salvador que há no Evangelho. Sobretudo, não podemos ignorar a obra orquestral que se deu através da vida de Jesus, de seu exemplo e direcionamento, que nos tira da ignorância humana. Longe da igreja institucional, que por si só não apresenta qualquer novidade, o Cristianismo em Jesus assume o “conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. A novidade que transcende a vida, que propõe a eternidade, uma mensagem baseada em valores cultivados com consciência e amor sacrificial, a ponto de anular totalmente a vingança, a brutalidade, o ressentimento. O que se vê no cristianismo de hoje é a crise de identidade, a pane estrutural, o câncer principiológico desta religião que perdeu o “sentido”, tornou-se ignorante de sua missão, de seus resultados, de seus porquês e pra quês. E pior, ignora sua ignorância, veementemente divulgando a “vontade de Deus”, os “planos de Deus”, as “promessas de Deus”. Os fiéis, desse modo, aplicam sua fidelidade sem questionar. Os pastores, pastoreiam um rebanho de um Deus anônimo, ou generalizado, ou no pior dos casos, egocêntrico.

Como se não bastasse isso, a ignorância ainda impõe um castigo maior: a simploriedade. Omne ignotum pro magnifico est. Qualquer latim nos ilude, qualquer evento místico, qualquer evento “além de explicação”, e acreditamos que Deus deve prezar pela ignorância, pela credulidade cega, sem saber que Jesus instruiu e promoveu a sabedoria, em atos e palavras, além de ter alertado contra os profetas, adivinhadores, operadores de milagres, etc. A ignorância nos prega peças, nos faz acreditar que o que não entendo DEVE ser verdade. Se não sabemos que Deus é este, então qualquer um há de servir. Se não sabemos o que esperar, então o que vier será inesperado e maravilhoso aos nossos olhos. A ignorância nos tira da condição de “ovelhas em verdes pastos” e nos faz ovelhas caminhando distraidamente para o matadouro. Engraçado fazer este tipo de referência a ovelhas, quando o próprio Jesus disse (veja Evangelhos) que “minhas ovelhas conhecem a minha voz, e eu as conheço, e elas me seguem”. Não somos ovelhas estúpidas. Não somos uma manada desorientada.

Claro que ainda estamos resolvendo nossas crises, buscando praticar nosso discurso, aprimorar nossa parcela de contribuição no mundo, esta busca para nós é “louvor a Deus”. Podemos até não saber todas as respostas. O que não podemos é ignorar o tamanho da nossa ignorância. Numa atitude de humildade, devemos prequestionar nossas certezas diante deste mundo caótico e despreocupado com qualquer verdade que exceda o agora.

“Por causa disto me ponho de joelhos perante nosso Deus, do qual toda a família nos céus e na terra toma o nome, para que, segundo as riquezas da sua glória, conceda a vocês que sejam confirmados com poder pelo seu Espírito no homem interior, para que Cristo habite pela fé em suas mentes, a fim de, estando arraigados e fundamentados em amor, possam perfeitamente compreender, todos juntos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade, e conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento, para que sejam cheios de toda a plenitude de Deus”.
(ver Bíblia, Efésios 3)

A verdadeira resposta ao mundo será dada pela boca do cristão que sabe que precisa da mente de Deus para responder ao significado da vida. E esta mente para nós não é patente, mas sim mistério, a ser revelado diariamente, numa vivência intensa e significativa de descobrimento.

De si, de Deus, do outro  e do mais.

Sobre o Perdão e a Culpa

novembro 15, 2011

Todos os dias eu me sentia arrastado pelos cabelos até o centro do pátio de terra. Rosto espremido sobre o chão quente, meus acusadores furiosamente brabando “morte”, “pedras”. Assim os erros da juventude, os excessos, a vida oscilante, me faziam curvar, feriam-me, envergonhavam-me, usando tantas vezes a própria Palavra como sentença: “seus pecados fazem separação entre você e Deus”.

Então aprendi sobre a Graça, sobre o Dom Imerecido, sobre o que é sinceramente desejar não errar mais. Em Paulo, conheci o conceito do “mal que não quero fazer”. Em Jesus, aprendi o conceito do “venham a mim os que estão cansados e sobrecarregados”. Todos os dias, daí em diante, quando erro, ouço Sua voz dizendo…

“Eu também não te condeno. Vá”.

Lições #Confessar

novembro 15, 2011

“Aquele que diz não ter pecado é mentiroso… Porque o amor encobre uma multidão de erros… confessem seus sentimentos e vivências uns aos outros… aconselhem-se mutuamente…”

Me lembro daquela conhecida figura da história do cristianismo do século XVI no Brasil, os Santos de Pau Oco. As imagens de santos eram usadas para transportar ouro contrabandeado. Engraçado como apesar de os fatos serem outros, o mundo é o mesmo. O homem tem a tendência de usar a imagem exterior de bondade, virtude, para encobrir erros. É o mito do Éden, quando homem e mulher usam vestes para encobrir a vergonha.

O silêncio dos nossos defeitos oprime e constrange nossos “irmãos”, impondo um intransponível obstáculo ao “dividir”, ao ouvir o outro. Ninguém quer expor suas falhas, compará-las, consolá-las mutuamente. Queremos, isso sim, manter o “perfil” (muito usado na internet) onde só constam qualidades e atributos. Assim nasce a hipocrisia no seio da religião, quando as normas do “certo-errado” sobrepõem-se à sinceridade.

Encerro com Sun Tzu, em A Arte da Guerra:

“Aquele que conhece o inimigo e a si mesmo lutará cem batalhas sem perigo de derrota;para aquele que não conhece o inimigo, mas conhece a si mesmo, as chances para a vitória ou para a derrota serão iguais;aquele que não conhece nem o inimigo e nem a si próprio, será derrotado em todas as batalhas”

Amando a Deus sobre Todas as Coisas

novembro 14, 2011

Amando a Deus mesmo diante da morte

Amando a Deus quando se evita ofender

Amando a Deus e vendo a beleza de ser responsável

Amando a Deus por ver Luz em Dizer a Verdade

Amando a Deus e trabalhando para o Bem de Todos

Amando a Deus e dizendo Não aos “jeitinhos”

Amando a Deus e Tendo humildade para reconhecer o Erro

Amando a Deus por Entender que a Paz é Inegociável

Amando a Deus por ver Valor e Vida no exercício de Princípios

Amando a Deus a ponto de Sacrificar-se

Amando Mais a Deus, Amando a Vida.

“Aquele que diz que ama a Deus, mas odeia a seu irmão, mente”.

Despersonalização do Milagre

novembro 14, 2011

Acompanhe comigo: Jesus encontra alguém e diz: levanta-te e anda. A outro, num outro momento, diz: Vai, tua fé te salvou. A outros diz: Homens de pouca fé (logo após ter salvo a todos de uma tempestade). A outro diz: Sai para fora. A outros diz: Porque choram, não vêem que a menina apenas dorme? Menina, levanta. A outro diz: Toma teu leito e anda…

Em todos esses casos eu vejo Jesus, cercado talvez por uma multidão, mas repousando os olhos sobre Alguém. Alguém com nome, com uma história, alguém específico. A pergunta que fica é: Jesus curou a todos os enfermos? (biblicamente, não). Jesus operou milagres diante de todos que ansiavam por milagres? (novamente, resposta negativa). Diante disto, eu me pergunto:

Quem transformou o milagre em uma oferta coletiva, determinável e voluntária?

Quem ensinou que o milagre é exigível?

Quem ensinou que há um milagre para tudo?

Onde estão tais promessas de milagres?

Eu gostaria muito de ouvir, um dia, a canção sendo cantada em forma de pergunta, da maneira mais sublime, humilde e singela, sem triunfalismo, mas com consciência da condição humana: Deus…

“hoje o meu milagre vai chegar?”

Nenhum motivo para Ser Cristão

novembro 14, 2011

Eu sempre desconfiei, agora tenho certeza: Na verdade, não existe uma boa razão para ser cristão. Engraçado pensar assim. Engraçado e alarmante. E revelador também. Pense comigo: quem poderia explicar a alguém o cristianismo? Quem poderia demonstrar, com qualquer argumento, que é esta a melhor escolha? São tantas dissensões, tantas linhas de interpretação, tanto esforço para definir o que é e o que não é “cristão”, tantas recordações dolorosas de um passado doutrinariamente caótico, tantas experiências cotidianas de uma realidade vergonhosa e paradoxal, tantas justificativas de “certo e errado”, modos, usos, abreviações, estereótipos, que se torna cansativo e insustentável manter uma tese que seja a favor do cristianismo. A prova disso é que depois de tantas boas pregações, o mundo é o mesmo. E todas aquelas conversões simbólicas? E todos os cristãos nominais? E toda essa Fé midiática que soluciona todos os problemas, e nenhum? Quem explica isso? De fato, não existe uma boa razão que tenha o poder de te fazer parte de algo que transcenda isso, que se supere.

Ficam as lições de que o Cristianismo Autêntico é vivenciado individualmente e que só nos sobra Ser o exemplo. A opção por profundidade e seriedade para com esta filosofia de Ser é absolutamente pessoal. No silêncio dos bons motivos e da comprovada inabilidade das definições de “certo-errado” permanece como regra universal: viver. Viver como a bíblia orienta no que diz respeito ao “temor do Senhor”: Afastar-se do mal, apegar-se ao bem. Assim, não há necessidade de longas explicações, que convencem momentaneamente, até que outra explicação convença melhor. Assim, sem tocar a liberdade de alguém, eu representarei simplesmente, justamente, a opção. E optar pelo cristianismo não será determinado por motivos, mas por uma pessoal, íntima, lúcida, espontânea e duradoura… Escolha.

Encerro com uma enigmática máxima cristã:

“Alguém me buscará e me encontrará quando me buscar de todo o coração”.

De onde Vem a Salvação.

julho 3, 2011

Elevo os meus olhos para o montes, de onde virá o socorro. Elevo os olhos às cidades, às favelas, aos presídios, aos hospitais, às creches, às casas de recuperação, às instituições políticas, às famílias em crise, às igrejas, às religiões, aos movimentos sociais, às lideranças políticas… e não consigo dizer de onde virá, de onde virá o socorro. Apesar da consciência de que “O socorro vem do Senhor, que fez os céus e a Terra”, não consigo ver de onde ele virá. Porque não vejo mais a fé inabalável, vivenciada, existencial, que um dia tivemos em Deus. O que restou foi o enunciado deste como de tantos outros salmos – que são resultado deste tipo de experiência pessoal do homem salmista com Deus – usados para dizer o oposto do que se vê. Vejo pessoas crendo em si mesmas: crendo em suas “palavras proféticas”, nos seus amuletos, no seu “chamado”, mas se apoiando pouco ou quase nada na verdade inabalável que é a existência de um Deus à prova de fragilidades, desvios, des-entendimentos, que denuncia em nós o oposto do que ele é, ou seja, nossa propensão a fragilidades, desvios, des-entendimentos. Uma experiência religiosa (individual e coletivamente) frágil, exposta, porque se deu por suficiente e renunciou à realidade da dependência que tem de proteção. Deixamos de ser o pequeno povo (interiormente). Deixamos de ser a nação santa (interiormente). Nossas cidades estão abaladas. Somos o produto da nossa independência. Eu, contudo, voltarei os meus olhos para os montes. E farei a pergunta de novo, procurando redescobrir em mim o significado desta resposta.

A Fé de um Homem.

junho 20, 2011

A Crença de um homem pode levá-lo a muitos lugares. Sim, Crer por si só não é suficiente, nem garantia de que alguém atinja a Deus. É preciso crer, sim, mas não crer em um objeto obscuro ou indeterminado, que não se dê a conhecer, que não responda (ou precise de interlocutores), que não apresente um “sentido de significado”. Isto é credulidade. A credulidade é a Fé esvaziada de Sentido. A Fé pressupõe uma intensidade positiva inerente, como uma virtude que se comunica com um “transcendente bem”. Engraçado o que dizem a respeito da Fé, injustamente. A Fé nunca promoveu um desvalor. Já a credulidade: motivou inúmeros morticínios, incentivou mutilações, deliberou tragédias. A Fé, ao contrário do que se diz (de que é um terreno infértil de idéias, “quem muito crê pouco pensa”), é o único ponto de encontro possível entre a razão e Deus. Por isso que quem crê, por mais que o diga, não irá conseguir explicá-lo. Testemunhá-lo sim, ou seja, narrar suas impressões, tentando promover interesse experimental, mas explicá-lo, definí-lo, nomeá-lo jamais. A Fé, então, se torna uma virtude exclusiva daqueles que, depois de muito refletir, passem a crer que algo assim é possível, que tamanho bem, gratuita e naturalmente, possa fazer parte do real, a tal ponto que represente o significado da vida aqui, desta pequena vida que temos.  O que pode ser mais forte que o ódio senão a compaixão? O que pode ser mais forte que o determinismo caótico senão a Salvação? O que pode ser mais forte que a morte senão a vida? A Fé se revela na certeza do que chamados de amor, do que chamamos de Deus, do que chamamos de eternidade. E as consequências desta Fé em forma de convicção, sim, podem de fato transformar a existência a partir da “simples certeza”. Por isso mesmo a Fé sempre parecerá, aos olhos do racionalismo, a alternativa mais improvável. Mas aos olhos da razão que crê, a Fé será, como sempre foi, a única alternativa possível. A Crença de um homem pode levá-lo a muitos lugares. A Fé de um Homem dará a ele a visão de que, esteja onde estiver, ele jamais estará perdido.

“E nós conhecemos, e cremos no amor que Deus nos tem. Deus é amor; e quem está em amor está em Deus, e Deus nele”.

Quem somos. Quem não somos.

junho 7, 2011

Não somos cristãos. Somos o relógio moderno. Somos a soma das horas de trabalho cumpridas diligentemente, mais o tempo que levamos nos percursos que fazemos (sempre com pressa), mais o tempo que gastamos em entretenimento, mais o tempo que investimos em nós mesmos, ou seja, somos um cronograma, em que a espiritualidade e as questões transcendentais, por sinal, contam com uma parcela medíocre do todo. Não somos cristãos. Não buscamos com primazia a realização prática de uma consciência profunda de significado, que nos daria uma única noção de tempo, um alfa e um omega. Alfa: Jesus morreu e ressuscitou e ali começa a correr o tempo para nós, tempo de arrependimento e de busca, interior e sobrenatural, de retorno a Deus. Omega: o mesmo Jesus disse que viria novamente, num advento de propósitos sem conta, para selar nossa aliança. Se fôssemos cristãos, nossos relógios só marcariam estes dois momentos. Nossas preocupações, logo, seriam programadas cronologicamente por eles.

Não somos cristãos. Somos cidadãos do mundo. E como cidadãos, vivemos imersos, aconchegados e em uma relação diretamente proporcional de decadência, não só de valores, mas também de consciência. Explicamos, através da afirmação bélica de democracias, através de barganhas humanísticas a que chamamos “direitos humanos”, de esquemas infantis de “desenvolvimento sustentável”, que podemos nos governar sozinhos. Que somos donos do pedaço. E o pedaço é este mundo azul, girando em seu próprio eixo, previsível e aparentemente governável, mas que estaria bem melhor sem nossa presença aí. Se fôssemos cristãos, aprenderíamos como nossos bichinhos de estimação uma lição simples de humildade: a criatura não tem condições de se auto-governar. Se fôssemos cristãos, saberíamos que “governo de Deus” em nenhum sentido significa “política”. Que somos cidadãos de uma outra pátria, e assim, devemos ser identificados. Se fôssemos cristãos, seríamos atípicos, causariamos estranhamento nas ruas, despertariamos curiosidade sobre “vida além da terra”, “vida além da morte”, mas somos mundanos demais pra isso. Passamos desapercebidos.

 Não somos cristãos. Somos o patrimônio. Somos um fundo de investimentos em ferro e carne. Distante dos discursos, cada um ajunta o que pode desses materiais preciosos no porão. “Tempos difíceis estão vindo”, pressagiamos, sem perceber o quanto estamos certos e enganados ao mesmo tempo. Somos o que podemos realizar, a profissão que desempenhamos, a família que construímos, a herança que deixamos. Nossa matéria emocional e psicológica  tem a mesma consistência da nossa “estabilidade financeira”. Somos o que podemos ter. E aos poucos vamos dando preferência às coisas, às instituições de utilidades, à tradição dos prédios e negócios, esquecendo que éramos pessoas. Se fôssemos cristãos, saberíamos perguntar primeiro “o que posso fazer por você?”, antes de perguntar “o que você pode fazer por…?”. Saberíamos enxergar no mendigo, gente, e não um fracasso social, veja. Teríamos uma escala de valores invertida e não estereotipada. Teríamos outros objetivos para realizar nesses curtos 70 anos médios de vida que dispomos (com sorte) que não casa-trabalho-filantropia. Não nos mobilizariamos para acabar com a pobreza material no mundo. Isso faríamos dividindo tudo o que temos com os pobres. Nos mobilizariamos radicalmente para debelar toda “fome existencial” que há, e que não faz distinção entre classe social. Se fôssemos cristãos, a palavra “prosperidade” para nós significaria tudo, menos bens materiais.

Não somos cristãos. Somos profetas de uma nova religião: o Egocentrismo. E como tais, apregoamos que a única e determinante pessoa que realmente importa na relação com qualquer outra coisa é: o eu. Pronunciamos assim, o maior dos absurdos. Porque a palavra relação traz como radical de significado a figura do outro. Pressupõe e impõe o outro. Este outro que não toleramos, logo, ignoramos. Ignoramos sem muita cerimônia. Existem certos meninos de rua praticamente invisíveis. Existem certos idosos, certos depressivos, certos homossexuais que preferiamos que não existissem. Perdemos o “trato”, o tato, com quem é diferente ou nunca o tivemos? Quando foi que começamos a perder os sentidos? Fomos sempre assim, inábeis para ajudar? Os profetas do Egocentrismo tem os braços curtos demais, suas mãos jamais serão plenamente estendidas. Ouvidos defeituosos, olhos prejudicados pelas traves e obstáculos do “meu primeiro”. Cultivar amizades é um sacrifício pra nós. Só mesmo as convenientes. E nos filiamos apenas àquilo que possa nos promover algum “rendimento pessoal positivo”. Doar é coisa de instituição de caridade. Doar-se, então, nem se fale. Se fôssemos cristãos teríamos no outro a medida de Deus, sabendo que “toda vez que você der de comer a um desses pequeninos, está fazendo isto a mim”. Se fôssemos cristãos, teríamos um quarto de hóspedes na nossa alma, não simplesmente nas construções. Saberíamos aconselhar sabiamente, entenderíamos o outro profundamente e seríamos precisos como Jesus em palavras e cura. Poderíamos encher a boca e dizer: “venham todos que estão cansados e sobrecarregados… nós ajudaremos”.

Não somos cristão. Somos uma sombra do que deveríamos ser e o nome não mais nos cabe. No início, estávamos nele, mas “todos pecaram” e aí estão nossos pecados.  Auto-conhecimento e arrependimento é a alternativa salvadora para uma vida verdadeiramente cristã. Espero que não sejamos, sobretudo, orgulhosos demais pra isto.

 

Radicalidade

maio 15, 2011

A radicalidade religiosa dá ordens de execução. A radicalidade do amor sacrifica-se. A radicalidade religiosa nos torna fanáticos, seguidores de uma ideologia que, como todas as outras, é frágil, falível, contextual; preterindo princípios em nome de normas periféricas. A radicalidade do amor nos faz criativos, críticos e bem intencionados; dinâmicos na apresentação e representação de nossas verdades centrais. A radicalidade religiosa nos esvazia de conteúdo, quando sedimenta nossa mente, e nos induz à vergonha, impedindo a humildade em reconhecer que, apesar de  nos chamarmos filhos de Deus, somos passíveis de erros, inclusive sobre como entendê-lo, seguí-lo, obedecê-lo; sem conhecer o poder da dúvida, nos negamos a reavaliar conceitos milenarmente falidos. A radicalidade do amor é sensível à dor alheia, aos conflitos existenciais de outrem e, longe de atribuir culpa e condenação existencial, procura dar sentido onde há carência de significado, onde há sofrimento interior, crise espitirual. A radicalidade religiosa invade, ganha terreno, disputa influência e poder. A radicalidade do amor é capaz de esperar, pacientemente, à porta. 

“Se alguém abrir a porta… entrarei… e será Alegria… Juntos”.

Profundidade. Eternidade.

maio 15, 2011

Não houve sequer uma noite que Ele não reviu dolorosamente o passado. Ter fugido do egito depois de assassinar um homem, ainda que por uma causa justa, o marcou profundamente. Fugir significou abandonar seu povo. Abandonar as músicas que amava, os amigos e parentes, os pequeninos e pequeninas de Isaque, os velhinhos sofridos de Israel, gente que habitava sua alma permanentemente. Fugir, para Moisés, certamente foi uma dor profunda. Mas do mesmo modo como a dor penetrou profundamente, assim também a Palavra e suas verdades sutis invadiram seu coração. Nos anos no deserto, Moisés tornou-se sensível. Aprendeu a amar uma mulher e edificou sua casa. Aprendeu a submeter-se a uma autoridade, na figura do sábio sogro. Aprendeu a cuidar sem oprimir. Aprendeu o valor do silêncio, da calma, da reflexão a sós. E foi ali, no deserto, que Moisés aprendeu uma das lições mais profundas e poéticas de sua vida, diante da Sarça, que ardia em chamas, mas não se consumia. Ver a Sarça arder foi como relembrar a dor de um povo oprimido, sem sorte, massacrado pelo mundo cruel e primitivo. Mas perceber que ela não se consumia, que permanecia, ainda que engolida pelas chamas, o fez entender a grandiosidade do Deus que estava prestes a conhecer, um Deus que se lembra de todos os oprimidos, ainda quando estes acreditam estar inevitavelmente entregues ao esquecimento. Nas noites seguintes, quando os sonhos e visões de opressão retornaram, eles foram afastados pela lembrança da Promessa: Uma promessa de Eternidade. Sem mais dores.

23 de Março

março 24, 2011

A bíblia diz que “a alegria do Senhor é nossa Força”. Soa como se fosse uma Força automática, permanente. Então existe algo nos tirando a alegria. Tirando Deus de nós. Uma das coisas que nos tira a alegria em Deus é perder de vista o REINO DE DEUS. “Porque o Reino de Deus é justiça, paz e alegria no Espírito”. Se perdemos essa consciência de que, não importam as lutas “cá de baixo”, algo maior está sendo feito, interiormente e, por consequência, ao nosso redor, não há como não ficarmos muito tristes, ansiosos, preocupados. Fomos feitos pra viver ao lado de Deus (veja Gênesis), logo, não é de estranhar que, quando estamos longe dele, sintamos tanto a sua falta ! Deus é uma condição SEM A QUAL: Sem a qual minha alegria nunca será completa. Quantas vezes sorrimos de alma vazia?

“Alegrei-me quando me disseram: Vamos à morada do Senhor”. Só de pensar em encontrá-lo !

Eu creio em Conto de Fadas

março 11, 2011

Ela era Bela, encantadora. Sua gentileza, seus gestos sutis, dançantes, alegres, ela era jovem e feliz. Amada por todos que a conheciam. Mas por ser jovem, era ingênua. E por ser ingênua, recebeu das mãos de alguém algo que prometia “alimentar”. Por ser ingênua, ela creu que poderia receber, deste mundo mau, algo de bom. Por ser ingênua, procurou nutrir-se do aparente, e aceitou o que era estranho. Veneno travestido de Alimento.  

Hoje, contaminada, ela experimenta um estado de “quase morte”, e em agonia toda a criação aguarda que a mesma se erga. A Lenda diz que só há uma salvação: O amor de um príncipe, que há de encontrá-la e devolver-lhe a cor, a canção, a alegria, a vida outra vez.

De quem é esta história? De quem estou falando? Não é óbvio?

Estou falando dela… da Igreja.

Nomes Antigos

março 11, 2011

Havia um mestre, um verbo e um nome. E nunca mais houve.

O que eu sentia no íntimo como uma certeza crescente em “perceber que Nele há uma eternidade que me abraça e não me deixará depois do fim”, conheci por Fé, nome antigo. Ela ainda vive, mas roubaram-lhe o nome. Agora chamam Fé suas expectativas daqui e de agora.

Então apresentaram-me o Amor, nome antigo, que expressava o “desejo ardente de dedicar, de si, um bem a outro”. Ele ainda existe, mas roubaram-lhe o nome.  Agora chamam por Amor simplesmente “sorrir e dizer”, ingenuamente, insubsistentemente, indiferentes à vida, à dor, à doação de si.

Conheci um nome antigo chamado Louvor, que nascia de cada um como “uma canção livre e incontível de gratidão a Deus, trilha sonora da vida”. Ele ainda existe, mas roubaram-lhe o nome. Agora chamam Louvor à música. Mas não toda música. Aquela música. Interpretada. Tanto por quem toca quanto por quem ouve.

Conheci o nome antigo para as “pessoas que creram no Filho, como meio não só de ida, mas de vida, ao Pai”, os Crentes, às quais um dia me uni. Ainda existimos, mas roubaram-nos o nome. Agora Crentes são os que crêem, independemente do “em quê”, que não se pergunta, logo não se responde.

Por muito tempo estive confuso, nostálgico. Ouvia os nomes antigos, nossos nomes, sendo usados e tinha esperanças de rever seu valor, encontrá-los nalguma rua, em alguém.  Não houve um nome sequer intocado. Nem mesmo o Seu: Jesus. Muitos levam seu nome sem sequer terem-no conhecido. E “em seu nome”, fazem tanto, fazem tão pouco. Isto me força ao silêncio, um silêncio de alma, profundo. E a esperar ansiosamente pela Verdade que está em conhecê-lo. Não pelo ouvido.

Ao que vencer darei uma pedra branca, e na pedra um novo nome escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe.  O que vencer, de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida; e confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos. A quem vencer, escreverei sobre ele o nome do meu Deus, e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, do meu Deus, e também o meu novo nome.
(v. Bíblia, s. Apocalipse, cap. 2).

A Dificuldade está na Prática

março 9, 2011

Caí em mim após ouvir alguém fazer uma alusão à relação médico-paciente. É de assustar e é mesmo verdade que nós, cristãos, temos uma enorme dificuldade de estabelecer uma relação efetiva de cumprimento daquilo que a Palavra nos prescreve. Mas este não é um problema apenas do “crente”. O comodismo (que nem é tão cômodo assim, porque dói viver de qualquer jeito), a apatia, faz parte da natureza humana. Observe bem. Na relação médico-paciente nós atendemos prontamente à indicação do remédio tópico, “tomou-passou”, do remédio paliativo, “doeu, toma que alivia”, do remédio em pípula, “é só engolir e pronto”, mas perdemos completamente a fé quando a indicação médica é “mude a sua qualidade de vida” ou “você vai ter que deixar este ou aquele hábito” e a pior de todas “está na hora de começar a fazer exercício físico”. É como se aquilo nos aleijasse mentalmente. E permanecemos doentes. Conscientemente optamos por não fazer, ainda que em sacrifício da nossa saúde. Longe de moralismos, é engraçado admitir que essa “paralizia incapacitante” tira de nossas mãos a solução do problema. Mas é bom saber que nosso problema não é necessariamente de caráter. Não somos tão cínicos como pensávamos. Não somos “crentes mau caráter que pregam uma coisa e vivem outra”. Só somos frouxos. Só não nos dominamos. “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. Humanizar nossas crises, refletir sobre elas, enquanto “gente que quer viver como Cristo”, pode nos mostrar o caminho da mudança, do arrependimento.  E a mudança reside unicamente em mover-se, sair do lugar, porque quem fica parado, no nosso caso, não está doente. Já está morto.

“Desperta, ó tu que dormes. Ressucita dentre os mortos e Cristo te iluminará”

ComoAmar?

março 6, 2011

O que é preciso para perdoar e não RE-SENTIR o mal? Não amargar? Não tornar o novo encontro um obstáculo? O que é preciso, Senhor? Para dar um passo adiante? Para escancarar e amar de vez, recebendo com dor, mas dignidade, cada golpe moral, cada ofensa pessoal, em nome de Jesus? O que é preciso, Pai, para aprender a sorrir sinceramente a todos, e principalmente àqueles que nos ferem? Sorrir por já ter um perdão de antecedência preparado para aplacar um eventual golpe, sorrir por entender que é preciso carregar o outro, condecender com sua imperfeição e jamais rejeitá-lo, ao contrário, de alguma forma investir em sua vida, Sorrir por ter essa consciência e por tê-la com prazer. Como amar aquele que é a personificação de “tudoqueeunãogosto”? Como perdoar aquele que é 365 dias no ano o meu motivo de desentendimento? Senhor, o que fazer, o que buscar? Orar? Mas já temos orado, não tem funcionado, a que recorrer? Refletir na Palavra? Que palavras? Onde está a receita certa, quais textos decorar, como dar vida a eles, como lembrar deles, como torná-los menos “textos” e mais “contextos” de vida? Como alcançar frieza diante das provocações e calor para com o outro? Como cultivar essa chama eterna no “amor que encobre uma multidão de erros”? Essa paciência bendita? Essa paz interior que simplesmente faz cessar a tempestade e as ondas furiosas ao redor? Essa serenidade, onde está? Senhor, você nos ensinou a Orar, ensina-nos a Amar: 

“Vocês, orem assim: ‘Pai nosso, que estás nos céus! Santificado seja o teu nome.Venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu.Dá-nos hoje o nosso pão de cada dia. Perdoa os nossos erros, assim como perdoamos aos nossos devedores. E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal, porque teu é o Reino, o poder e a glória para sempre. Amém”

“E quando Amarem, amem assim”…



O Que é Iniquidade.

março 6, 2011

Oi, pessoal do Blog. Me perdoem, mas contrariando o método que prefiro, nesta postagem vou fazer uma citação bíblica um pouco mais longa, isto porque julgo extremamente necessário. Leia com paciência o texto e, só então, você vai poder entender o ponto de vista por inteiro.

Um grande abraço, Thiago

Mas os israelitas foram infiéis com relação às coisas consagradas. Acã, da tribo de Judá, apossou-se de algumas delas. E a ira do Senhor acendeu-se contra Israel. Sucedeu que Josué enviou homens de Jericó a Ai, cidade a leste de Betel, e ordenou-lhes: “Subam e espionem a região”. Os homens subiram e espionaram Ai. Quando voltaram a Josué, disseram: “Não é preciso que todos avancem contra Ai. Envie uns dois ou três mil homens para atacá-la. Não canse todo o exército, pois eles são poucos”. Por isso cerca de três mil homens atacaram a cidade; mas os homens de Ai os puseram em fuga, chegando a matar trinta e seis deles. Eles perseguiram os israelitas desde a porta da cidade até Sebarim, e os feriram na descida. Diante disso o povo desanimou-se completamente. Então Josué, com as autoridades de Israel, rasgou as vestes, prostrou-se, rosto em terra, diante da arca do Senhor, cobrindo de terra a cabeça, e ali permaneceu até à tarde. Disse então Josué: “Ah, Soberano Senhor, por que fizeste este povo atravessar o Jordão? Foi para nos entregar nas mãos dos amorreus e nos destruir? Antes nos contentássemos em continuar no outro lado do Jordão. Que poderei dizer, Senhor, agora que Israel foi derrotado por seus inimigos? Os cananeus e os demais habitantes desta terra saberão disso, nos cercarão e eliminarão o nosso nome da terra. Que farás, então, pelo teu grande nome? ” O Senhor disse a Josué: “Levante-se! Por que você está aí prostrado? Israel pecou. Violaram a aliança que eu lhes ordenei. Eles se apossaram de coisas consagradas, roubaram-nas, esconderam-nas, e as colocaram junto de seus bens. Por isso os israelitas não conseguem resistir aos inimigos; fogem deles porque se tornaram merecedores da sua destruição. Não estarei mais com vocês, se não destruírem do meio de vocês o que foi consagrado à destruição. Vá, santifique o povo! Diga-lhes: Santifiquem-se para amanhã, pois assim diz o Senhor, o Deus de Israel”.

 O que é a Iniquidade ? Parece que, além da maldade comum e generalizada, além da perversão, do crime, da prostituição diante de ídolos e todo o tipo de atrofiamento moral, a iniquidade é mais grave. A Palavra trata a iniquidade com um tom furioso, usado tão ocasionalmente que é de assustar. Mas está lá, veja em Isaías, que é, no meu ponto de vista, a maior fonte de consulta sobre esse tema, expressando claramente o que Deus pensa a esse respeito:

Ai, nação pecadora, povo carregado de iniqüidade, descendência de malfeitores, filhos corruptores; deixaram ao SENHOR, blasfemaram o Santo de Israel, voltaram para trás.  Isaías 1:4

E visitarei sobre o mundo a maldade, e sobre os ímpios a sua iniqüidade; e farei cessar a arrogância dos atrevidos, e abaterei a soberba dos tiranos.  Isaías 13:11

Porque as vossas mãos estão contaminadas de sangue, e os vossos dedos de iniqüidade; os vossos lábios falam falsidade, a vossa língua pronuncia perversidade. Isaías 59:3

Ninguém há que clame pela justiça, nem ninguém que compareça em juízo pela verdade; confiam na vaidade, e falam mentiras; concebem o mal, e dão à luz a iniqüidade. Isaías 59:4

Não é incomum ver a Bíblia relacionar Iniquidade a Vaidade, Arrogância, Orgulho, Falsidade. E a advertência no texto de Isaías serve pra mostrar que as vezes, só de vez em quando, podemos estar enganados com relação a o que “oferecemos a Deus”. E isso faz sentido. Nem tudo que eu ofereço a Deus, ele é obrigado a aceitar. É exatamente sobre isso que eu quero falar. Discordando logo de cara do trecho da música “Deus não rejeita oração” (e fazendo força pra entender essa afirmação como força de expressão), uma coisa é certa sobre a natureza da iniquidade: É algo que Deus rejeita. Mas espera, olha novamente o ponto em comum, porque eu me recordo rapidamente que há também ALGUÉM a quem Deus resiste: o soberbo. Veja a relação sempre direta, iniquidade e vaidade, iniquidade e soberba. Arrogância.

Segui esta linha de raciocínio até aqui porque estou sinceramente preocupado. A história que transcrevi no início fala de DERROTA. E me deparei com uma pergunta interior esses dias que me tirou o fôlego: Onde estão nossas derrotas? Qual foi a última vez que ouvi alguém pregar sobre “Vocês se lembram de como erramos?” ou “Viram como estamos errados agora?”, ou simplesmente “Fomos derrotados”. Parece, e só parece, que nós estamos numa maré de vitórias, marcando recordes de uma invencibilidade “nunca vista antes na história” (risos) da igreja. Será que essa “onda” é real ou só imaginada? Estamos mesmo vencendo o pecado no mundo? Estamos mesmo vencendo as drogas? Estamos mesmo vencendo a desestruturação familiar, os problemas de caráter, o stress moderno? Quer dizer que o movimento religioso, a igreja, os cristãos, estão invictos? Desde quando? Até quando? 

Foi assim que eu cheguei à conclusão sobre a verdadeira natureza da iniquidade. Quando Josué e o povo de Israel erraram, eles entraram em choque com a realidade, vendo frustradas suas expectativas. Eles perceberam que havia “algo errado” e foram logo perguntar porquê. Hoje, eu assisto assustado a um movimento que NÃO DÁ CERTO e ainda assim agradece e reputa, mesmo seus insucessos mais grotescos, a Deus. E ninguém se levanta pra contrariar e dizer “Você está equivocado sobre isso, Deus não está nesse negócio”. E não estou dizendo que agora temos que ficar apontando os insucessos uns dos outros, mas se eu faço parte da situação, do grupo, do momento, da igreja,  aí sim, eu preciso fazer isso. Josué exerceu ali uma virtude básica: humildade. Em outras palavras, ele disse “me explica, Deus, porque não entendi nada”. E Deus disse “Simples, vocês estão errados. Começaram errado e terminaram errados, e vão continuar sem sucesso até consertarem isso e aquilo”. Nós perdemos essa sensibilidade? De ver nossos erros frente a frente? De levá-los até Deus, expô-los à seu julgamento?

Iniquidade é pecar e não sentir. É a aniquilação do Arrependimento. Iniquidade é perder a capacidade de discernir entre o “dedo são” e o “dedo espetado na agulha”. Iniquidade é a cegueira moral, é o cinza-absoluto. É ver todas as coisas como razoáveis, agradáveis, inevítáveis. É confundir o sentido do texto “em tudo dai graças”. É inverter o “melhor do que obedecer é sacrificar” e, ingenuamente, esperar que Deus concorde. Enfim, na exaustão, em último caso, iniquidade na igreja, na religião, na família, na alma, é o FIM: da AUTO-CRÍTICA. 

Fé, na Certa uma Boa Escolha!

março 6, 2011

Não quero uma Fé baseada na crença da Sorte. Porque Sorte é a generalização do “caos”. Sorte é pra qualquer um, não faz ninguém Diferença. Eu quero uma fé minimamente progressiva, que me faça um bem inexplicado por motivo certo. Algo que eu possa me apoiar, recorrer na necessidade. Uma fé crescente e evidente, não um terreno movediço.

Também não quero uma fé mística e generalizada, que creia em tudo e não ateste suas convicções. Em resumo, eu não quero nem a incredulidade que me afasta de Deus e do sobrenatural, nem a credulidade cega que me ilude com um Deus de rosto desconhecido e rituais simbólicos, alienantes.

Eu quero apoiar minha fé em algo tão palpável e certo quanto um Abraço. Um Abraço Eterno.

Esvaziado.

março 6, 2011

A Palavra sempre nos diz que Cristo “esvaziou-se” da sua condição divina para assumir a Humanidade. Com ela, assumiu fraquezas, limitações, dúvidas (sim, Jesus teve dúvidas, como em “Pai, se for possível, passa de mim…”, um ensaio de “Não há outro modo de fazer?”), que vinham no pacote de Ser Humano que ele comprou. E comprou caro, a custo de sua própria Existência aqui. É certo dizer que ele, Jesus, foi humanamente impecável. Amou como ninguém, doou-se como ninguém e viveu para nós, ao contrário de nós, que vivemos cada um por si e para si. 

O que me entristece e intriga é ver que estamos assimilando o Cristianismo de uma igreja “cheia” e não “esvaziada”. Nós estamos avidamente apelando para que Deus nos “encha de poder”, para que ele nos “faça voar como águias”, que nos “leve por sobre o mar”. Estamos centrados no “Divino”. Esquecemos, negligenciamos o Humano. E assim, cultivamos a “divinização da Igreja”, pregando uma igreja super-poderosa, cheia de semi-deuses, ainda que estes hajam irresponsavelmente com as responsabilidades que tem diante de tamanho poder. Nesse ponto, até a história em quadrinhos do “Homem-Aranha” ensina mais: Um grande poder exige uma grande responsabilidade. Mas da responsabilidade não nos damos conta. Queremos apenas mais poder, mais poder, mais poder. Eu, sinceramente, estou esvaziado. No chão, como um saco vazio que não se suporta de pé. E, assim, sem mais suportar ouvir os entusiásticos gritos dos heróis e jingle´s de vitória de suas “batalhas espirituais”, eu me calo, me condôo, me ressinto comigo mesmo, por ter tão pouco a oferecer a esta “nossa igreja”, por poder fazer tão pouco por “nós”.  

Aprendi a amar a Jesus porque ele me amou, e amou a idéia da Humanidade com uma intensidade tão grande que ainda me atinge, através de suas palavras. A Cruz é a maior prova da Humanidade Domana, Equilibrada, Iluminada. Nela, vejo Jesus pregando amor, ainda que na dor dos pregos. E quando Ele disse “Eu venci o mundo”, eu entendo perfeitamente o que quis dizer: Eu venci, neste mundo, a mim mesmo. Esvaziado. Perfeito. Santo.

Seja seu Nome e sua Palavra Eternos em Nós. 

Deus. Política e Religião.

fevereiro 20, 2011

Difícil proposta, hã? Incluir na mesma conversa, como participantes, de um lado Deus, o que ele representa para nós, intimamente, e política e religião, propostas tão “cheias de verdades absolutas”. Mas vamos a ela, à esta tentativa de propor diálogo. Como ocorreu a iniciativa? Um amigo fez, a algum tempo atrás, uma afirmação um tanto desconcertante pra mim. Dizia ele que religião e política nunca deviam se misturar. Eu discordei ferrenhamente. Não porque não havia entendido o significado daquela afirmação (que só exprime o temor, o horror evocado na nossa memória quando lembramos de todas as vezes que alguém misturou esses dois “combustíveis sociais altamente inflamáveis” e pôs fogo na mistura), ou seja, ele estava incomodado com uma questão próxima, real e bastante coerente, mas não tinha em foco o problema em si. E desse modo me propus a ajudá-lo a enxergar este ponto de vista, na medida do possível.

Religião e política não podem ser dissociadas. Assim como política e psicologia, música  e religião, o fenômeno pop e a configuração da família, ou seja, tudo que é humano versus qualquer outra coisa ainda humana.

Mas para responder a esta questão básica preciso traçar uma fronteira. A fronteira entre Deus, na figura de Jesus (que nos é a mais íntima e chegada), e religião. E só recorro a um único argumento simples para estabelecê-la: A religião, toda forma de religião, é anterior ou posterior a Jesus? Sim, porque uma coisa é dizer que Jesus veio instituir a religião, ou que é seu patrono ou ícone. Isto é totalmente falso. A religião é anterior a Jesus. E inclusive, grande parte do seu empenho foi nos tornar mais lúcidos com relação a ela.

Sim, porque é nele, no seu “Life Stile” (ou estilo de vida, como diz um amigo) que eu deposito toda a minha confiança. Minha fé está firmada em sua afirmação quando disse “eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vem ao Pai senão por mim”. Logo em seguida ele se levanta, cansado da teoria, e põe em prática aquele modo de viver de arrepiar, contrário a tudo que somos, ferrenhamente oposto ao “modo corriqueiro de viver” ou, como chamamos, “o modo mundano de viver”.

Minha fé não está, nunca esteve, fundamentada na religião, pelo contrário, uso minha fé como bem entendo para criticá-la, assim como faço com a política, a economia, a arte, a moda, enfim, tudo que minha consciência puder tocar, numa tentativa de humanizar estas experiências, torná-las saudáveis. E não vou dizer que quero divinizar nada, porque já quanto a isto não tenho condições. Humanizar sim, porque sou humano. Divinizar pertence a Deus, e somente isto peço diariamente: Senhor, não necessito que a religião seja divina, nem a política, nem a história, nem a economia. Quando chegar a hora, Diviniza a minha alma. E por enquanto, humaniza-me ao máximo.

Logo, quando digo que não posso comprometer meus princípios cristãos diante de qualquer coisa (política, inclusive), estou certo. Mas quando digo que não posso relacionar Jesus a qualquer coisa, estou enganado. Na verdade, o desconforto está em perceber que o que chamamos de “princípios cristãos” não são, ao contrário do que é dito, uma unanimidade pacífica. Há quem diga que levar as pessoas a votar em determinado candidato por esse ou aquele motivo, ditas “em nome de Jesus”, é um ato cristão. Sinceramente, estas discussões pra mim são completamente periféricas, superficiais e frágeis. Quando penso na Palavra “enganoso é o coração do homem, quem o pode sondar?” perco a coragem de defender ferrenhamente quem quer que seja. Quando medito sobre “Como rio de águas assim é o coração do rei na mão do SENHOR, que o inclina a todo o seu querer” percebo que a escolha deste ou daquele nome é indiferente, já que quando o Senhor quiser falar, ele o fará a quem quer que seja.  Toda a discussão perde o sentido e chegamos a lugar algum, porque estamos correndo atrás de respostas a nossas próprias inclinações políticas, tentando elevar nossa aspirante “análise sociológica do ideal de futuro humano” à categoria de “propósito divino”. Realmente, desde ponto de vista, Jesus e política são inconciliáveis. Assim como a religião e a política.

Quer conciliar religião e política? Longo caminho: humanizar essas duas feras sociais, promover o diálogo entre dois leviatãs furiosos em poder e inesgotáveis em argumentos sobre “quem é o melhor caminho para o sucesso da humanidade”. Nota: Talvez um pouco mais do conhecimento de Deus, verdadeiramente Deus, possa ser de grande ajuda na tarefa, logo, é possível o diálogo, conquanto Deus seja posto como mediador entre nós e qualquer coisa.

Quer conciliar Deus e Política? Tente partindo daqui: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Vejo pouco disso no movimento político-religioso de qualquer lugar do mundo (e se formos falar do passado e do presente, vamos ter que nos humilhar ainda mais pelos equívocos bizarros que cometemos e atribuímos a Deus). Talvez seja melhor, de fato, aprender a pilotar a motocicleta antes de empreender grandes viagens, ou seja, talvez seja melhor refrear o discurso e as tentativas, agir com prudência, como ensina a Palavra, para não ferirmos a “Vida em nome de Deus” que queremos preservar no processo de descobrimento do “modo correto”. Porque ainda somos crianças. E só tendo consciência, assumindo esta nossa infantilidade diante de Deus, entendendo que ainda o estamos conhecendo (e estamos longe do completo entendimento), poderemos atingir o “Reino dos Céus”. Concluo, crendo que a causa dos nossos sucessivos insucessos está NÃO no antagonismo radical entre Deus e qualquer coisa (e consequentemente entre Deus e política, Deus e diversas religiões), MAS SIM na dificuldade que ainda temos em conciliar a mente de Deus, a verdade oculta de quem Ele realmente representa para nós, quais são seus propósitos, quem Ele realmente É, à  nossa vida, integralmente, na condição de Homens. Seja na figura de Políticos, Religiosos, ou o que quer que seja.

 

Porque Dançamos

fevereiro 11, 2011

Toda vez que há Comunhão, Há Dança. Davi dançou ao trazer de volta a Arca (simbolicamente a “Presença de Deus”) a Israel. Também o povo de Israel tantas outras vezes festejou com palmas e música. O corpo, na acepção mais pura que houver, diante de Deus, dança. Assim, na ocasião do vaso de alabastro sendo quebrado, aquela mulher que se curvava para lavar os pés de Jesus, dançou. Davi, perante Golias, cheio do Espírito e consciente da força que o Senhor É, dançou com a funda nas mãos, triunfante. Quem pode dizer, então, que andar sobre o fogo não é dançar? Ou passear entre os leões não é uma valsa? Ou que marchar sete vezes ao redor de Jericó e ver os muros ruirem não é coreografia? Anjos subindo e descendo: dança. Homens arrebatados pelo vento, pelo fogo: dança. Mulheres prostradas, humildes, aos pés da cruz, braços erguidos ao Mestre crucificado: dança.

E é o Amor, primeiro e puro Amor, que nos inspira.

“Então as moças se alegrarão na dança, como também os jovens e os velhos se alegrarão na dança… e lhes darei alegria” (Jeremias 31:13)

Oração dos Fortes

fevereiro 1, 2011

Pai, se for possível, ao invés do Poder para destruir inimigos, me dê Misericórdia, apenas. Que o Poder e a operação da Justiça sejam apenas tuas. E se for possível, no lugar do Controle sobre os outros, me dê amigos. Para que minhas mãos nunca estejam desamparadas quando não puderem mais segurar as pontas.  Se for possível, Pai, livra-me do peso da Força. Para que eu seja sempre leve e nunca um fardo que oprima a alguém. Se for possível, Pai, não permita que me alcancem os embates. Mas se houver embate, que seja eu o vencido. Não cultivarei minhas guerras. Ajuda-me a “Descansar Em Paz”.

01 de Fevereiro

fevereiro 1, 2011

“Ora, Tomé, um dos discípulos, não estava com eles quando veio Jesus. Disseram, pois, os outros discípulos: Vimos o Senhor. Mas ele disse-lhes: Se eu não vir o sinal dos cravos em suas mãos, e não puser o dedo no lugar dos cravos, e não puser a minha mão no seu lado, de maneira nenhuma o crerei. Oito dias depois, estavam outra vez os seus discípulos reunidos e com eles Tomé. Chegou Jesus, e apresentou-se no meio, e disse: Paz seja convosco. Depois disse a Tomé: Põe aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos; e chega a tua mão, e põe-na no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente. E Tomé respondeu, e disse-lhe: Senhor meu, e Deus meu!

Disse, então, Jesus: Porque você me viu, Tomé, você crê; Felizes os que não viram e creram”. (João 20:24 a 29)

 

Olá pessoal do Blog, segue aqui alguns questionamentos de ultimamente. Espero que vocês encontrem no seu relacionamento com o Pai e nos frutos desse nosso estilo de vida respostas seguras para eles. Preocupado com nossas “certezas” sobre a Fé e sobre esta Vida que proponho esta reflexão, na esperança de que, ainda cedo, a gente alcance conclusões realmente bem-sucedidas (ou “Bem-Aventuradas”, “Felizes”, como passarei a chamar) a respeito de Deus e do que buscamos.

Grande abraço, Thiago

Felizes o quê? A Bíblia nem sempre propõe sugestões muito comuns a nós e à nosso modo de viver o Cristianismo. Aliás, me preocupo, porque algumas coisas simplesmente passam desapercebido aos nossos olhos. Ou não vimos o texto, ou por conveniência, somos coniventes com certas omissões. Digo isso porque passei boa parte do dia hoje refletindo sobre essas palavras: “Felizes os que não viram e creram”.

Qual era a situação? Tomé, um dos discípulos, precisava de evidências fáticas, algo para tocar, algo material, sólido, para afastar suas dúvidas sobre a Ressurreição de Jesus. E a ressurreição de Jesus era, no fim das contas, a prova inegável de que ele realmente era o Filho de Deus. Se aquela evidência não pudesse ser oferecida, todas as demais palavras de Jesus, tudo o mais cairia diante dos olhos de Tomé e de sua consciência. Jesuspoderia negar-se a dar evidências (como o fez muitas vezes), mas não nega. Ele simplesmente permite que Tomé satisfaça sua necessidade por sinais, mas depois o exorta frontalmente: Não seja incrédulo.

Provar o milagre. Não é essa a nossa maior necessidade? Não é por esse tipo de experiência que temos consumido todo o tempo dos nossos cultos, investido toda a intensidade da nossa Fé? Se não é o sobrenatural que perseguimos, o que é? O que Deus pensa a respeito da nossa necessidade de afirmações? O que Deus está disposto a fazer para que a gente deixe de duvidar da sua existência e de suas boas intenções, e da validade dos seus conselhos? Volta e meia me sinto correndo atrás do vento, como disse Salomão. E parece que a razão disso tudo é porque me esqueci ou ignoro o que Jesus disse a Tomé: Você só crê porque viu? Felizes os que não viram e creram. Eu, sinceramente, estou chocado com estas palavras. E quanto mais raciocino sobre elas, menos respostas me vem. Porque, aparentemente, Jesus indica que a Fé que não precisa de Milagres para sobreviver é mais Feliz. Produz mais segurança. Será que estamos vivendo infelizes, insatisfeitos, sub-nutridos sobrenaturalmente, por conta disso? Frustrados com Deus, buscando sinais, quando Jesus nos pede Confiança? Qual será o ponto de Equilíbrio entre “meu Deus é um Deus de milagres” (ou seja, ele pode curar o paciente terminal, pode parar balas e dar todo tipo de livramentos, pode dar visão a cegos, pode fazer a estéril engravidar…) e “Felizes os que não viram e ainda assim creram”? 

No meio de tantas perguntas, uma conclusão importante. Intrigado com esta situação narrada pelo Evangelho de João, resolvi buscar novos relatos sobre Tomé, já que foi da consciência dele que surgiu a dúvida que suscitou o problema. Encontrei uma lição profunda, veja: Em João 20 (v. Bíblia, em “João” Cap. 20) esta flagrada a incredulidade de Tomé. Mas a resposta de Jesus me parece prática demais para o caso, como um simples “você não precisa ver o caminho para andar, apenas dê um passo após o outro”, como se fosse fácil assim caminhar “no escuro”. Mas em João 11 encontramos uma coisa surpreendente. É mais um dos relatos de milagres que Jesus operou. E quem estava lá? O mesmo Tomé. E qual foi o milagre operado? Ressurreição. Pare e reflita aqui. Tomé já havia presenciado algo parecido, mas ainda assim sua Fé não havia sido alimentada. Nesta ocasião Jesus ressucita a Lázaro, depois de 4 dias de sepultura (tantas semelhanças, tantas evidências comuns), e, pasme, Tomé estava com eles, provavelmente presenciou aquele “espetáculo sobrenatural”, mas o tempo passa. A memória e a certeza enfraquecem. A conclusão é: Milagres não são indispensáveis à Fé. Nem provam a Fé. Milagres são Milagres. E Deus quem dirá quando e onde eles serão necessários e porquê.

E finalizo perguntando:

O que nos resta? O que devemos buscar? A Bíblia diz que agradar a Deus exige de nós “Fé”. Sem ela, isto não será possível. O que me leva à tantas outras perguntas.

Para quem é o milagre? Para nós, para Deus ou para os outros? (porque as vezes sinto que buscamos milagres na tentativa de mostrar aos outros, ou a nós mesmos, “veja, eu estou certo, Deus existe, você não vê? Tenha Fé”) Mas e a felicidade prometida aos que creriam sem ver, onde fica?

Será que realmente temos consciência do que é o milagre? Será que devemos realmente tratá-lo como um “espetáculo público”, como uma “moeda de compra” da Fé dos outros, filmá-lo, registrá-lo oficialmente (mesmo correndo o risco de, eventualmente, ou fatalmente, ser surpreendidos pela falta de consistência de muito daquilo que chamamos “milagre”?)?

Se constantemente eu estiver tentando re-tocar as marcas dos pregos, testar com prova e contra-prova a veracidade do sangue derramado, o que fazer, se Jesus se negar a oferecer provas de si mesmo (como o fez diante do pedido dos fariseus por “sinais”)?

Crer sem Ver é possível? Sim, porque tem dias que sinto que se Deus não agir em minha vida de alguma maneira sobrenatural, mesmo que da maneira mais absurda (uma nuvem diferente, uma carta anônima, uma brisa inesperada) minha fé não vai suportar. E serei tomado e consumido pelas dúvidas. Seria possível viver toda esta vida crendo apenas no que se leu a respeito de Jesus? No passado documentado?

Alguns dizem que não é possível. Alguns dizem que os mesmos milagres e sinais tem que ocorrer, porque o Deus é o mesmo. Alguns dizem que Jesus ainda cura como nos dias passados, mesmo que ninguém tenha se atrevido até agora a ir aos hospitais curar(como Jesus o fez, veja em João 5, O Tanque de Betesda, onde os doentes se reuniam). Alguns dizem sobre  a necessidade da experiência com anjos, e demônios, e visões e batalhas espirituais e tanto o mais do “sobrenatural necessário”. Eu, porém, crendo em todas estas coisas, tenho ainda muitas questões a respeito do “como”, “porquê” e “pra quê” destas coisas. E encerro com o fim do capítulo que despertou esta reflexão sobre Tomé, incredulidade, Fé,  milagres e Jesus (Sempre Enigmático, mas tão sábio e profundo):

“Jesus, pois, operou também em presença de seus discípulos MUITOS OUTROS SINAIS, QUE NÃO ESTÃO ESCRITOS neste livro. Estes, porém, foram ESCRITOS para que vocês CREIAM que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenham vida em seu nome”. (João 20:30 e 31)

Parece que Jesus esperava que nossa Fé fosse Suficiente para que, mesmo apenas lendo e conhecendo essas histórias, pudessemos chegar a algum lugar seguro na vida com Deus. Para que mesmo se não fosse possível Ver, Tocar, Provar, Testar, estivessemos felizes. Nossa Fé não depende disto. 

Céu.

janeiro 31, 2011

Em meus sonhos, era assim:

“Eu deixava de respirar. A escuridão consumia a vista e o silêncio me cercava. Depois deste Vale da Sombra, começava a ascensão. Primeiro vinha a Grande Luz, no alto de uma escada rolante interminável, onde Milhares de outros crentes enfileirados seguiam lentamente rumo ao Céu. Os Portões Dourados, Anjos subindo e descendo, estava tudo lá. O som agudo de Trombetas produzia uma música harmoniosa com aquele ambiente de contemplação. No fim da subida, milhares se reuniam às portas da Morada Eterna para ouvir, como num grande show, uma Grave Voz dizer “Venham, benditos de meu pai. Entrem”. Entrávamos pelos portões cantando e lá estava o Paraíso: Algo Indisível, Inimaginável, Indescritível, de modo que a narração se encerra aqui”.

Amadureci. Meus sonhos amadureceram também. Percebi que aquela minha projeção da “Glória Final” possuia algumas falhas as quais não vou me ater, porque talvez eu atinja o sonho de mais alguém. Só me resta então, em poucas palavras, contar como é o sonho agora, que até mudou de nome, passando a se chamar “Finalmente, o Encontro”. Vejamos:

“Abro os olhos. Nem percebi que havia Adormecido. Apesar de o lugar parecer diferente, não me é estranho. Apesar de saber que faz muito tempo que estive ali, sei que Conheço bem aquele lugar. Aquela cama costumava ser minha, assim como o quarto iluminado pela Estrela da Manhã e o aroma de Pão Nosso de cada Dia do café. Enquanto suspiro profundamente e sinto-me mais Vivo do que nunca, ouço alguém à porta do meu quarto, esperando o convite para entrar. Meu coração, surpreendentemente emocionado, está à beira de matar uma Saudade enorme de alguém. Convido-o. Então ele surge pela entrada. Meus olhos confirmam uma Certeza antiga de que ele estaria me esperando: Jesus. Ele diz:

– Bem-vindo de volta! E sorri. – Mesmo sabendo a resposta, pergunto:

– Onde estou? – Ainda digerindo a informação e sem conter a Satisfação plena. Ele olha em volta como quem demonstra algo óbvio e triunfante e responde, com alegria:

– Onde mais? Você está em Casa!

Profundamente, então, eu sei que é Verdade. Estou em Casa. E este é o meu “Céu”.

Jesus de Poucos.

janeiro 26, 2011

“Sabendo Jesus que haviam de vir arrebatá-lo, para o fazerem rei, 

retirou-se”.

Não é uma flagrante contradição? Não só de todo um propósito que pretendia o cristianismo em seus primeiros dias, de captar adeptos, mas também a toda uma sistemática religiosa, midiática, iconoclasta, dos grandes ajuntamentos de hoje? A fé por atacado não se harmoniza com este pequeno fragmento narrativo esquecido por muitos na história de Jesus. Assim como tantas outras ocasiões em que Ele mesmo realizava milagres e dizia, para a surpresa de quem lê, “não revele isto a ninguém, ainda não é a hora”. Nos parece contraditório porque pra nós todo milagre deve ser divulgado, não é verdade? Assim como todo bom conselheiro deve almejar, como realização máxima do seu propósito de existência, atingir as multidões, as grandes massas.

Partindo desse pressuposto que eu comecei a minha pesquisa pela vida de Jesus, esperando encontrar relatos sobre um líder religioso que reunisse consigo todo um sindicato de seguidores fiéis e determinados, bem treinados, influentes. Uns 100. Mas sua história me surpreende: ele escolhe doze. Anônimos doze. A resposta razoável para este comportamento pouco estratégico para um “militante político-religioso” é que Jesus não iria simplesmente captar pessoas, seduzí-las com Ideologia. Ele estava interessado em alterar profundamente seu modo de vida. E ele iria atingir a humanidade através de poucos.

Também imaginei que, diante da máxima “Deus é para todos”, ele jamais iria se negar a atender pedidos, o que poderia certamente prejudicar sua “campanha filosófica particular”. Que jamais iria impor condições a seus seguidores, que em hipótese alguma deixaria de expor suas convicções quando houvesse boa ocasião, e dizendo da forma mais clara possível: que nunca dispensaria ninguém.  Mas o que é aquilo que encontramos nos livros? Jesus dizendo “Quer me seguir? Negue-se!”, deixando de curar a muitos (por falta de fé?), ou sendo enfático com seus poucos discípulos remanescentes ao perguntar “E vocês? Também não vão partir?” numa clara confissão de que Ele não era quem a grande maioria esperava que fosse (um reformador, um conquistador), e a mais surpreende e exasperadora falha estratégica do “mestre dos mestres” diante da possibilidade de ser inocentado por Pilatos das acusações que o levaram à morte: seu silêncio.  

A contradição era tão grande, tão profundamente evidente com este Cristianismo que está aí, que percebi formarem-se dois polos opostos: O de Jesus. E o estranho a ele. Porque Jesus, aquele homem intensamente tomado pela presença de Deus, ele era de poucos. Apesar de ensinar a multidões (que o buscavam, não o contrário), Ele se detinha e atendia realidades individuais que passariam despercebidos pelos outros. Veja a mulher do fluxo de sangue, o cego bartimeu, Zaqueu, a mulher flagrada em adultério, a mulher samaritana, e tantos outros.

Jesus não fazia distinções nem tinha preconceitos. O que o tornava A TODOS ACESSÍVEL. Mas ele não via a humanidade como um todo, nem pretendia desenvolver um relacionamento midiático, impessoal, com seus seguidores. Ele deixou uma marca: o amor ao próximo. Literalmente. E assim ele amou tão intensamente aqueles homens a quem escolheu que deu a sua vida por eles, e em consequência por todo o gênero. Mas não amou o gênero, amou a pessoas reais, com nome, personalidade e histórias próprias. Assim, não foi preciso que ele ressucitasse diante dos olhos de todos, que fosse proclamado rei sobre os Judeus ou mesmo sobre o Império Romano, nem que seus milagres fossem divulgados “ao vivo”. Aquelas experiências pessoais foram provas de amor pessoal. E só nos ensinam que amar a Deus não é buscar uma experiência coletiva com Ele, mas buscá-lo com intimidade.

Ficamos com o toque, a atenção e a presença de Jesus, que importava-se em “cear” com aqueles que amava. Não multidões para seguí-lo, apertá-lo, assediá-lo, mas companheiros de Barco, com quem se poderia rir, chorar, crescer, viver.

E como um pouco de fermento atinge toda a massa,

pouco a pouco,

Ele conquistou com amor o mundo inteiro.

Lei da Esperança.

janeiro 26, 2011

O sentimento geral é de descrédito. Não que a maldade esteja generalizada na sociedade, mas porque no fundo as pessoas carecem de um ânimo firme, que se mantenha inabalado em seus referenciais quando sob pressão. Em um mundo esvaziado da verdade da Fé, elas são voláteis, frágeis e pessimistas. Mas quando, finalmente, você é bem sucedido, elas te parabenizam. E sinceramente. Por mais que pareça um comportamento ambíguo, não é assim.

Quando você é bem sucedido em algo que as pessoas não acreditavam que fosse possível, você se torna para elas esperança. Ressurge a chama do “ainda é possível”, do “Deus existe”. Elas passam a crer.

Para com as pessoas que amamos, contudo, acontece de modo diferente. Porque elas crêem desde o início? Porque incentivam sempre e, mesmo que você falhe mil vezes, ainda será digno de seu apoio e  conforto? Este é um dos atributos do amor: a esperança. Quem ama, crê. E por isso que amar a Deus é também uma forma de esperança que nos salva das perspectivas limitadas deste mundo e nos faz ver a existência com otimismo. Esperança do que está por vir e do que pode ser feito. E da mesma forma Deus nos sustenta. Não por erros ou acertos, mas pela sua misericórdia, que nada mais é do que uma PERMANENTE NOVA CHANCE, baseada na esperança que Deus sempre depositará no que há de melhor em nós . Para Deus não há casos perdidos.  Sua palavra diz que “o mundo aguarda a tão esperada manifestação da virtude dos filhos de Deus”. Ele nos ama. E o amor tem dessas coisas.

Existem metas realmente difíceis de alcançar: “Sejam perfeitos”, “não devolvam o mal com o mal, antes dêem a outra face”, “amem seus inimigos”, “dêem sua vida pelos seus amigos”. Vencendo naquilo que outros dizem impossível, provamos nossas convicções e nos tornamos veículos de esperança (uma espécie de Fé ambulante) para os que ainda estão em dúvida sobre a existência de Deus e suas reais intenções para conosco.

Esta é a verdade sobre Deus e sua lei da vida: Ele tudo crê, tudo suporta e a todos nós espera.

01 de Novembro

novembro 2, 2010

Olá, pessoal do Blog,

resolvi postar hoje parte de um estudo que estou preparando aqui. Espero que a leitura seja chocante na medida certa e, sobretudo, que te leve a reflexões e a conclusões práticas relevantes sobre Jesus e esse negócio maravilhoso e complexo que é viver como Ele.

Abração,

Thiago

 

Eu desafio você

 

A pensar (comigo e consigo), reconhecer (verdades e mentiras a seu respeito) e reagir (violentamente).

A relevar as diferenças entre pessoas, ser maduro e passar 1 ano inteiro sem brigar, ainda que em momentos de tensão. A nunca devolver um palavrão, a sempre se calar quando a palavra não for boa para edificação. Ou seja, se for pra amaldiçoar, fique quieto. O diabo não tem boca própria neste mundo. Não permita que ele use a sua.

Eu te desafio a EXECUTAR PRIMEIRO as coisas que você acredita, com sucesso, por um bom tempo, para depois abrir a boca para ensinar, ministrar, cantar, cobrar dos outros…

Eu desafio você a ter uma família equilibrada e a manter a calma com quem te conhece e te provoca. Eu desafio você a superar a falta de pai e de mãe, as brigas de pai e mãe, os erros de pai e mãe, porque Pai maior é Deus e o único que pode te ensinar a amar de verdade, porque ele quem inventou o amor e, talvez, seus pais nem o conheçam. Talvez você seja o único que possa apresentá-lo a eles.

Eu desafio você a amar mais os mendigos, os meninos de rua, e a entender melhor sua insistência, sua inconveniência, quando pedem, porque a fome não espera, muito menos o vício, a dependência química, o desespero que é a pobreza (material e espiritual). Eu desafio você a fazer qualquer obra social que seja FORA DA IGREJA, porque igreja não é ONG, nem uma “associação divina do desencargo de consciência”: “Eu dou meus dízimos e missão cumprida”. “Eu participo do evangelismo e missão cumprida”. “Eu freqüento os cultos, missão cumprida”…

Eu desafio você a orar de olhos abertos, a profetizar e ver cumpridas suas profecias pelo menos 3 vezes consecutivas. A deixar o pensamento positivo, a se rebelar contra a ansiedade das coisas não resolvidas. A deixar de imaginar Deus no céu e Jesus pregado na cruz, porque eles já mudaram de endereço e agora querem uma CONSCIÊNCIA pra habitar, entendeu? Seu coração, seu Eu, suas emoções, suas idéias, suas palavras, sua vida é o novo endereço de Deus.

Eu desafio você a ser santo, a deixar de se fazer de vítima, dizendo que “Deus” te fez de carne e a carne é fraca, porque mais fragilizado e massacrado que você foi Jesus, que nesta mesma carne fraca e cheia de tentações deu um tapa na cara da morte e partiu no fim dizendo “Eu venci o mundo”.

Eu desafio você a mudar a vida de alguém. Mostrar Deus a alguém de uma forma tão evidente que não sejam necessárias discussões sobre religião. Simplesmente contagiar alguém com seu estilo de vida. Fazer UM discípulo SEQUER (lembre-se que a bíblia usa o termo “ide e fazei discípulos”, no plural), ou seja, alguém que decida viver como você vive, por reconhecer que é um jeito melhor de viver.

Eu desafio você a amar, amar, amar, cultivar amizades verdadeiras, pra ver se esta organização que chamamos de “corpo de Cristo” tem alguma esperança, no meio de tanta podridão, falso amor, sorrisos artificiais, moralismo barato, muito discurso e pouca prática, famílias esburacadas, casamentos na carne viva, jovens depressivos, solitários, viciados, escapistas, gente se fechando pra relacionamentos e se escondendo, outros pulando de galho e galho em busca de um amor duradouro, outros que simplesmente não se LEMBRAM, não conseguem LEMBRAR que a bíblia diz que NÃO HÁ MÉRITO EM AMAR QUEM SE GOSTA! AME OS SEUS INIMIGOS!

Eu desafio você a se enxergar! Se enxergue! Veja que você ainda tem a boca suja, a mente podre, ódio enraizado na alma, viciado por lixo, deficiente nos valores sobre namoro, família, dinheiro, honestidade, responsabilidade, trabalho… Eu desafio você a ser o primeiro político honesto, o primeiro estudante que não pesca, o primeiro homem que não olha pra a mulher sensual que passa, a primeira mulher que domou a TPM,o primeiro pobre completamente feliz, o primeiro rico que vendeu tudo e dividiu com os pobres, tudo isso por amor a Deus.

Eu desafio você a ser melhor um dia depois do outro. A terminar cada ano com sobra de resultados positivos. A demonstrar que sabe a bíblia não diante da platéia, com microfone na mão ou dançando pra lá e pra cá, cheio de caras e bocas, mas SENDO, DE VERDADE, BOM EM TUDO, porque isso é abençoar. Ser bom pros outros. Você é o aparelho, a bíblia é o manual. Entre saber o que o manual diz e saber USAR o aparelho bem há uma enorme distância.

Eu desafio você a confiar menos na sua oração e na oração dos outros por você e mais em Deus. Eu desafio você a pedir mais para os outros do que para si mesmo. A perder o sono com uma causa que não seja sua, que não envolva o que comer, o que vestir, onde morar, alguém pra amar, alguém que você odeia… A entender que a Fé é crer nas coisas que não se vêem mas se esperam na outra vida, e não materializar essas coisas em bens, trabalho, relacionamentos que você ainda não possui.

Eu desafio você a se tornar uma pessoa que sempre é recebida, em qualquer lugar aonde vá, com sorrisos e comemoração. Uma pessoa amada e amável, que é Luz onde passa, que é convidada sempre e nunca força entrada, que se é melhor em alguma coisa, é em saber que “todos erraram e estão distantes de Deus” e que tem que trabalhar dia e noite para corrigir isso.

Eu desafio você a ter um namoro pra valer, onde Deus seja não aquele que diz “não pode fazer isso”, “não faça aquilo”, mas sim um objeto de afeição em comum tão grande pros dois que aprendam juntos a agradá-lo, e jamais ignorá-lo.

Eu desafio você a se lembrar pra sempre de pelo menos 3 dessas coisas ditas, e a se tornar um exímio praticante de pelo menos uma; desafio você a começar a viver 10% das pregações que você ouve, 5% dos e-mails religiosos e vídeos que lê e vê, 1% da bíblia que você conhece (ou sua fé é tão morta que você nem ouve mais o espírito gemer?).

Eu desafio você a entender que o amor de Deus, na pessoa de Jesus, nunca quis que você seguisse uma religião especifica. Deus só queria que você fosse uma pessoa melhor. Que amasse. Olhe ao redor: O amor está morto. Eu te desafio a, como Jesus com poder imenso fez a Lázaro, mandar rolar a pedra do impossível e fazer o amor reviver.

O mal que há no mundo pode te desafiar dia e noite, questionar sua fé, abalar suas certezas, mas é DEUS QUEM TEM O MAIOR DESAFIO a ser aceito por mim e por você, um desafio que provavelmente vai tomar sua vida toda, suas energias, vai te deixar esgotado, muitas vezes cansado, perdido, em crise… mas que vai te dar a maior recompensa de todas: Vida Boa, Vida Eterna!

Solte a Maldita Corda !

outubro 20, 2010

Foi por Fé que você decidiu saltar de Pára-Quedas. Não por suposição! A aeronave em pane já seria um incentivo suficiente, não é? Afinal, quem desejaria cumprir esse percurso mortal até o fim? O Problema foi quando você resolveu ouvir as vozes em sua mente, minutos antes de pular. Raciocínios de puro ceticismo inútil como “será que é 100% seguro?”, “Onde está o chão, eu não o vejo. Será que dá?”, e as terríveis estatísticas desencorajadoras iguais a “mais de 1,6 % dos pára-quedas de emergência falham”, “0,5% das pessoas saudáveis não tem um coração forte o suficiente para  emoções intensas” e por aí vai. Resultado: Você salta, mas por incredulidade instintiva traz consigo uma estúpida corda de “escape”. Maldita corda! Obviamente não há como voltar atrás, você já está no caminho da segurança. Se você continuar a segurá-la, uma hora ela vai chegar ao limite e o ricochete vai ser miserável, vai te partir em dois. A corda de escape ao invés de livrar, trai. Mas aquelas vozes na sua mente não se calam, te levam ao pânico total e você, cego, agarra-se à corda com todas as suas forças.

 

Quando você salta por Fé descobre logo depois dos primeiros minutos que, apesar da velocidade, da altura, da tensão, a queda é maravilhosa. E se vê nos ares, contrariando as possibilidades, tendo possibilidade de aproveitar da imensidão do céu, tendo a certeza da terra firme lá embaixo, mas sequer apreensivo por ela. Por Fé, você se descobre um Sky-diving. E descobre que desde a decisão de saltar daquela aeronave falida, você, enfim, encontrou o que é viver intensamente.

Jesus disse: “Quem quer achar Vida de Verdade,

tem que Estar disposto a Perdê-la”.  Radical !

Água da Alma

outubro 14, 2010

Um dos textos de Davi começa assim: “Minha alma tem sede… quando irei e me verei diante de Deus, do Deus verdadeiro?”. Exclamação de Alma. Sei, embora busque negar, que é o que nos falta: Deus. Sei que todas as nossas tristezas são fruto de uma existência incompetente sem Deus. Porque nós e Ele somos realidade indivisível. “Quando irei e me verei” finalmente perante o irrenunciável Pai? Porque somos, independente da nossa vontade, Pai e Filho. Os amores da vida não são suficientes, assim como as aventuras, as tragédias, nada basta. Existo, estou Exausto. Nesta vida, sedento no amor, no labor, na guerra… há muito em mim a ser saciado.

 

“Minha alma tem sede”… minha Alma quer Algo. Água? Abba! *

 

“Abba” em aramaico significa “Pai”.

Porta Estreita

setembro 13, 2010

No fim daquele Caminho apertado, alto, lá está: a porta. Mas quem disse que ela jamais esteve fechada? O Mestre nos disse para seguí-lo por este caminho (“Eu sou o caminho”). Não haveria erros. Desvios? Sim, existem muitos. Mas todo desvio é precedido de Escolha. E depois de desviar-se, você sempre pode voltar atrás. Este caminho é inconfundível.

Aquela Porta é especial. Esteve durante todo o tempo aberta. Não há porteiros nem guardas, ainda que além de seus umbrais esteja reservada toda a riqueza que há. É que há o bastante para todos. Esta porta também é especial. Às vezes, surge diante do homem no leito de morte, radiosa. E ele toma a adiada decisão. Então caminha pelo curto caminho, atravessa a porta delicada e encontra a Vida outra vez.

O Caminho é curto, mas não é penoso, calcário. É um caminho alto, de aspirações, elevações e muitos êxtases. Definitivamente não é a ladeira do Gólgota. Porque ela já foi usada pela última vez. Este caminho não está condicionado a penitências, portanto não tem degraus. É um leve e contínuo aclive, com a vista do maior nascer do sol que há de vir além dos montes eternos.

A Porta é especial. Apesar de estreita, é perfeita para todos os tamanhos de homens e mulheres. Porque foi feita na medida de um Deus (Jesus), que se esvaziou e veio nos mostrar como encontrá-la e seguir por ela. Esta porta não rejeita quem quer que esteja diante dela em busca de abrigo. Quem quer que esteja em busca de abrigo. Esta porta significa retorno ao lar que deixamos. Lá onde Deus habita.

O Caminho… isto quer dizer que já passamos por ele uma vez, decaímos, sim. Por sorte nos lembraremos, antes do fim, por onde retornar. É apertado para que você, por si só, decida seguí-lo. Sem multidões, sem pressões sociais, sem outros “guias”, porque só há um Pastor e Messias genuíno, e este, definitivamente, já está com o Pai, à sua espera, no fim da jornada.

Quer seguir este caminho, encontrar esta porta?

“Você me Buscará e me Encontrará quando me Buscar com todo o Coração”.

Ressurreição

agosto 29, 2010

“O fim do pecado é a morte”…”Todos pecaram e não tem mais a glória de Deus”… “Ele levou sobre si”… “porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu filho…”

Ah! Tomar consciência de minhas falhas,
dos erros cometidos reiteradamente,
da profundidade em que as raízes do pecado se agarram às profundezas da alma,
do comodismo, da indiferença,
dos pedidos de perdão sucessivos e insuficientes,
do falso arrependimento,
dos compromissos não cumpridos,
de Jesus torturado injustamente,
ver tudo isso claramente e entender que

pela

Graça

sou

salvo.

Não, não é motivo de lágrimas, nem tristeza.
Não.
Deixei de ser orgulhoso.
De me desesperar com minhas falhas,
de me sentir derrotado ao ver no espelho a face podre dos desejos,
da hipocrisia que nos faz bons de discurso, ruins de prática,
da falsidade que nos faz fingir ver a Deus quando Ele não está Lá, ouví-lo quando Ele nada disse…

Hoje, quando penso no sacrifício de Jesus, naquele santo sacrifício, difícil, doloroso, mas profundamente voluntário e consciente, elaborado em amor e sabedoria, quando me lembro da sua morte, das suas lágrimas, da sua disposição em fazer isso mesmo sabendo que ia receber tão pouco de mim em troca, ou quase nada…

… sinto Paz.

Ouça:

pela

Graça

somos

salvos.

Não Há mais o que Fazer, só aceita-lo. Esta é a nossa ressurreição.

“O fim do pecado é a morte”…”Todos pecaram e não tem mais a glória de Deus”… “Ele levou sobre si”… “porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu filho…”

Ah! Tomar consciência de minhas falhas,

dos erros cometidos reiteradamente,

da profundidade em que as raízes do pecado se agarram às profundezas da alma,

do comodismo, da indiferença,

dos pedidos de perdão sucessivos e insuficientes,

do falso arrependimento,

dos compromissos não cumpridos,

de Jesus torturado injustamente,

ver tudo isso claramente e entender que

pela

Graça

sou

salvo…

Não, não é motivo de lágrimas, nem tristeza.

Não.

Deixei de ser orgulhoso.

De me desesperar com minhas falhas,

de me sentir derrotado ao ver no espelho a face podre dos desejos,

da hipocrisia que nos bons de discurso, ruins de prática,

da falsidade que nos faz fingir…

Hoje, quando penso no sacrifício de Jesus, naquele santo sacrifício, difícil, doloroso, mas profundamente voluntário e consciente, elaborado em amor e sabedoria, quando me lembro da sua morte, das suas lágrimas, da Graça…

… sinto Paz. Você não? Ouça:

pela

Graça

somos

salvos…

Não Há mais o que Fazer, só aceita-lo. Esta é a nossa ressurreição.

Jesus. Além da Religião.

agosto 4, 2010

Eu já pensei serem as religiões portas. Muitas portas que levariam ao mesmo Deus. Mas então me lembro de Jesus dizendo “Eu sou o caminho… ninguém vai ao pai senão por mim” (v.Bíblia, L. João, cap. 14).

A religião é a moldura do quadro ? Em que a moldura atrapalha ? A moldura não é uma obra prima, mas nós tendemos a considerá-la assim. Transformamos em Intocável o superficial, muitas vezes esquecendo o sentido da obra, resistindo quando ela precisa de uma nova moldura que a ampare, afinal, o mundo muda, as molduras mudam, só a verdadeira arte continua insubstituível.

Jesus está nas coisas simples, no amor entre pessoas iguais ou diferentes, nos gestos do espírito, na bondade não ensinada, como a bondade das crianças, não imposta (daí “necessário nascer de novo”, v. João 3;  e “Deixai vir a mim os pequeninos…porque deles é o reino de Deus”, v. Lucas 18).

Jesus está contido na religião ? Não. Se estiver, quando faltarem as velas, cessa a misericórdia que atende aos pedidos. E se não houverem escadas enormes, cessa a conquista do favor e da graça. E se não houver dinheiro para dízimo, cessa a prosperidade prometida.

A religião segue regras morais. A moral é o juízo de valor da conduta humana. E não preciso dizer que Jesus não está preso à ela, afinal, ele não era um homem comum, era um homem em contato direto com Deus. Isso é assustador. Jesus era assustador. Andava com a escória, era mais sábio que qualquer mestre e, como missão póstuma deixou-nos um desafiador “sejam santos porque eu sou santo” (v. Levítico 11).

Difícil?

“No mundo vocês terão dificuldades,

mas tenham ânimo, eu venci o mundo”.

(últimos conselhos de Jesus  antes de sua morte, v. João 16)

Humilhado. Exaltado!

agosto 3, 2010

Foi assim durante grande parte da minha infância. Volta e meia eu trazia da escola pra casa alguma “novidade”, resultado do que eu chamava de “grande negócio”: uma blusa de frio (que eu não tinha idéia do valor… não fui eu que paguei) por um brinquedo (na maioria das vezes, quebrado), um relógio por duas ou três revistas em quadrinhos, uma caixa de lápis de cor por praticamente qualquer coisa que me oferecessem. Eu me lembro muito bem da satisfação de trocar aquelas coisas (que eu não me interessava) por outras tão mais legais. Me lembro do sorriso de orelha a orelha e do aperto de mãos de “negócio fechado”. Mas não durava muito. Minha mãe sempre foi extremamente atenciosa com minhas coisas. Cuidadosa. E por mais que demorasse, por mais que eu tentasse adiar a ocasião, a pergunta sempre vinha: “Thiago, onde você conseguiu isto?” ou “De quem é esse brinquedo, onde está o seu?”. Era mortificante. Quase que imediatamente após eu tentar demonstrar, como um vendedor que tenta vender vantagens fáceis,  o sucesso da minha troca, do meu negócio, minha mãe secamente exigia: “Volte lá e desfaça o que você fez”. Ah, que sentença absurda, que inquietação. “Como assim, voltar atrás?”, “negócio é negócio”, “por favor, não…”, certamente eu teria preferido receber qualquer punição no lugar do humilhante “Vá lá e desfaça agora!”. Era como trair a palavra, era um tapa no meu pequeno orgulho. Mas minha mãe dizia que não era justo. Eu não entendia essa justiça, mas no fim ela sempre venceu e todas as coisas que eu troquei, negociei, vendi, foram recuperadas.

Justiça. Porque o caminho da justiça tinha que passar pelo vale da humilhação? “O que fulano iria pensar?”, era a minha crise. O pior era ter que ceder à autoridade que havia sobre mim, e que ainda podia até mesmo atingir minhas próprias coisas. Eu não era, então, tão dono de mim assim. “Isso não é justo”.

Justiça. Minha mãe estava me ensinando que, quando o assunto é palavra dada, precisamos ter cautela, sabedoria, prudência, respeito ao outro (porque as vezes, raras vezes, era eu quem levava vantagem ), bondade e simplicidade para voltar atrás. Ela estava me guiando, ainda que forçosamente, ao caminho do arrependimento no tempo devido (porque há coisas, sabemos, que simplesmente não voltam mais).

Justiça. Tantos episódios infantis de pequenas demonstrações de obediência e humildade, coragem para pedir desculpas e se retratar, me fizeram conhecer a justiça de Deus de uma maneira íntima e profunda,e a forma como ele cuida de mim, das “minhas coisas”. Arrependimento: humilhar-se, voltar atrás, deixar de fazer o que estava fazendo, retratar-se, ainda que pareça “negócio fechado”, ainda que pareça “O que fulano vai achar?”…

Justiça. “Felizes os humilhados, porque um dia…”, entendi. Exaltado!

Deus. Além da Religião.

agosto 2, 2010

Olá, pessoal do blog,

quero dividir com vocês um raciocínio sobre Deus e o paradigma religioso, não para ofender a religião (porque, sinceramente, não considero a religião como instituição uma causadora de problemas), mas para discernir o que é, de fato, Deus (relacionamento com ele, dedicação a ele, vida para ele) e o que é liturgia, rito, compromisso social apenas. Vamos a isso?

 

Os paradigmas de Deus são simples: amor prático ao próximo em ações que ajudem, edifiquem (traduzindo: construam algo de bom no outro), contribuam,façam a vida de alguém (ou a de todos à volta) melhor, em algum aspecto mais agradável, em relacionamentos relevantes e sempre bem intencionados; justiça para consigo mesmo e para com Deus, vivendo querendo o melhor da vida e afastando-se do que há de ruim, na sinceridade que afasta a hipocrisia, o orgulho, que nos faz enxergar nossas limitações, que nos dá a sensibilidade de perceber que, apesar de cometermos erros diferentes, todos erramos e todos somos carentes de Deus, que é nossa linha reta num mundo que anda em círculos; paz, interior e exterior, no controle do ânimo, do mau-humor, da vontade de devolver a ofensa, paz em casa, paz na criação dos filhos, na hora de tratar os erros, na hora de tomar decisões difíceis, na iminência da morte; e alegria, aquela festa diária de estar vivo e ter tantas possibilidades, a satisfação de estar vivo, ter amor, ter amigos, ter um motivo, relevância, a alegria infantil das pequenas coisas, das tardes ensolaradas, essas pequenas atividades prazerosas, as vitórias e os títulos, a mudança de vida, a felicidade almejada; , a firme convicção de que existe alguém, que pode não ser sensorialmente apreensível, mas ainda assim é real e consciente, olhando, zelando, guiando os passos da humanidade (principalmente daqueles que confiam em sua palavra), aguardando no outro extremo da história, para uma razão maior que simplesmente 100 anos de vida.

Os paradigmas religiosos, contudo, não são tão uniformes, mas invariavelmente teremos: liturgia, o passo a passo do funcionamento do seu comportamento religioso: levantar a mão? Não levantar? Falar alto ou baixo? Vestir roupas longas ou curtas? Reunir-se aos domingos ou todos os dias da semana? Dizimar quanto? Chamar Deus de quê? Chamar o amigo ao lado de quê? Ler algum livro? Fazer alguma prece? Decorar alguma coisa? Cantar que música? Ler que literatura?Frequentar que ambientes? Temer o quê? Fazer e não fazer o quê? E a Crença, a confiança depositada no conteúdo de algum enunciado ou indivíduo, na efetividade de alguma prática, na esperança de que determinados hábitos resultem em determinados resultados.

Permitam, contudo, que eu lance algumas perguntas inspiradoras:

Se eu vou a determinado culto, em determinado local, e sigo todos os protocolos formais (sento-me, ouço o sermão, canto determinado tipo de música, leio determinada literatura), durante um mês, mas no final deste prazo não acrescentei em nada, no meu dia-a-dia, dos paradigmas de Deus (não sou uma pessoa melhor, mais paciente, mais agradável no trabalho, mais tranquila com os problemas domésticos por confiar em Deus, mais serena de espírito, menos deprimida), em que grupo eu me enquadro: “Filho de Deus” ou “Simplesmente religioso”?

Se eu for impecável no cumprimento dos paradigmas da minha religião, sendo cuidadoso em observar suas normas,(ex. frequentar assiduamente as reuniões) em realizar todos os seus votos e obrigações (ex. dizimar, evangelizar), em manifestar abertamente minha posição diante da comunidade, em atrair novos adeptos, mas for ainda imaturo nos paradigmas de Jesus (ainda não sei amar nem demonstrar amor e respeito, não sou educado e sincero, ainda ando ansioso e estressado, ainda burlo regras morais e sociais básicas, minto muito, não trabalho direito, não pago a quem devo e minha família é um ambiente pouco comunicativo e negativo), posso ser chamado de Filho de Deus? Ou Tecnólogo da Religião?

Se eu praticar determinado conselho ou rito, seguindo suas determinações que prometem tornar-me mais próximo de Deus, se eu orientar minha vida ao redor de determinado grupo de ensinamentos doutrinários que prometem resultar em algum aprendizado e crescimento, e depois de um, dois, três anos de prática fiel, percebo que eles não produziram em mim o que deveriam produzir, ou que eu não evolui como indivíduo, nem me aproximei mais de Deus e de conhecer o segredo de viver de acordo com seus paradigmas (com fé, amor, paz, alegria e tantas outras “bênçãos” prometidas), posso concluir que minha religião pessoal é morta, e que minha prática religiosa em si é insuficiente para me tornar mais íntimo de Deus, mais parecido com ele?

Os paradigmas de Deus são claros e universais. O amor sempre será o amor, a fé será sempre fé, assim como a justiça será a justiça. Pratica-los é uma maneira universal de ir ao encontro de Deus. Já os paradigmas religiosos são incertos, variáveis de modalidade para modalidade religiosa, são um terreno fértil para controvérsias e árido para certezas.  Quem apóia sua busca por Deus em paradigmas religiosos vive uma vida infrutífera, padece no entendimento do mundo e acaba anulando a beleza de Deus, sua glória, seu propósito. Quem vive uma vida alicerçada na “rocha” que são os princípios que Jesus ensinou “com seu sangue”, com sua existência, viverá consciente e plenamente satisfeito, nunca deixando de aprender, com motivos de sobra para sorrir, amado e respeitado por todos, escrevendo uma história impecável, um caminho seguro e direto até a eternidade, onde Deus está. No fim das contas, Deus se mostra como o sol acima do nebuloso, incerto, ambiente religioso. Muitos só vêem Deus parcialmente, não podem contemplá-lo claramente, nem sua vontade, porque vivem dias tempestuosos, nublados, difíceis por conta da religião. Mas Deus, como o Sol, está além das nuvens. Acima, muito acima dali, e claro como o dia.

 

Grande abraço,

Thiago

 

Amazing Father

julho 26, 2010

Incrível! Sete bilhões de filhos. Sim, filhos mesmo. Ainda aqueles que estão distantes. O filho pródigo nunca deixou de ser filho aos olhos do Pai. Apenas estava perdido. O que nos leva de volta a, meu Deus, sete bilhões de filhos! Quando eu tiver meus filhos (por enquanto, sonhamos com dois), quero que eles tenham o melhor de mim. Que tenham certeza do meu abraço, que façam fila para ouvir meus conselhos, que sorriam, sorriam, que sejam amados e saibam amar, educados, generosos, fartos de espírito. E que vivam bem. Sorriam, sorriam. O seu sorriso será delicioso pra mim, já é, e olha que eu ainda nem os conheço pessoalmente. Mas no meu coração, eles já são um sonho bom.

Deus teve tantos sonhos quantos fomos, somos e seremos pela eternidade. “Antes de você nascer, Deus sonhou com a sua vida; ele mesmo lhe formou com um propósito e uma missão (v. Bíblia, Salmo 139.13-18)”. Ele teve um sonho pra mim, um sonho pra você (você já se perguntou como deve ter sido? “eu quero que meu filho seja…”, “minha filha será tão…”). Ele amou cada um desses sonhos, sem nunca ter um preferido, com um amor especial, de um jeito único e especial (como são os filhos), desejando que tivéssemos o melhor dele e desta vida, que ele mesmo nos deu. E o meu sorriso, o seu sorriso, para Deus, é delicioso e surpreendente. Assim Deus tem sete bilhões de motivos, hoje, para renovar sua misericórdia para com esta Terra e para conosco. Não. Nem tudo está perdido, afinal, somos todos seus filhos, sete bilhões de filhos. E um sonho de cada vez pra realizar. Ainda há tempo.

Realize o sonho de Deus pra você. Viva feliz, não ande perdido. Você tem um Pai incrível.

7 de Julho

julho 8, 2010

Olá, pessoal que lê aqui, já estamos em julho e gostaria de compartilhar com vocês alguns pensamentos de hoje. Realmente, Deus pode fazer coisas incríveis na nossa mente, não é ? E quem disse que o budismo está errado com todas aquelas horas de meditação (tudo bem, a gente faz um pouquinho diferente, a gente não esvazia, enche a mente, mas o conceito é o mesmo _risos) ? A Bíblia recomenda veementemente para uma vida saudável longas horas de meditação e reflexão, v. Salmo 1. Vamos a ela então?_risos

A reflexão do dia começa no suposto amor à Deus e termina na pergunta “Quem é esse?”. É ótimo que Deus tenha respondido que seu nome é “Eu sou o que sou”, porque isso alarga exponencialmente a perspectiva. Significa que Deus não pode ser enquadrado num conceito formal. Porém, a Bíblia, o livro clássico cristão (porque existem outros, acreditem, que devem ser considerados…), diz diretamente que “Deus é amor” e que “aquele que não ama não conhece a Deus”. Isso me pegou desprevenido hoje. Me tomou de surpresa imerso em crises pessoais, crises familiares, preconceitos, certa apatia quanto à condição de quem está passando frio ou fome agora enquanto escrevo. É. Somos muito ávidos em dizer a teoria e contradizer com a prática. O que eu notei é o seguinte: o amor a Deus, até mesmo o fato de conhecê-lo ou não (que nós “da religião”, tanto nos orgulhamos) está “condicionado a”. Sim. Amar. “Aquele que diz ‘eu amo a Deus’ e odeia seu irmão é mentiroso”, diz a mesma Bíblia. Como alguém poderia entender o que é amor começando do mais difícil objeto de amor sincero que existe, Deus, que é invisível ? Não. Nós começamos o amor e o conhecer a Deus em nós mesmos, amando nossa alma, nossa vida, tendo o cuidado de preservá-la, conservá-la, alimentá-la, e então o conceito de “pecado” (esse tremendo tabu) se torna de uma simplicidade estonteante: tudo que te faz mal, assim como a recomendação para evitá-lo. E o amor continua em nós, e transborda para os outros (por isso “amar o próximo como a si mesmo”). Logo se vê que se você não ama os que estão ao seu redor, mesmo que sejam problemáticos, caóticos, egoístas, miseráveis, se você não consegue nutrir nenhuma simpatia, misericórdia, otimismo, se você se tornou insensível ao “outro”, possivelmente, você está tremendamente distante de entender quem é ou o que quer esse Deus que dizemos servir e amar. Amar ao outro é uma forma de lembrá-lo de que existe um amor ainda maior esperando quando o tempo chegar. Amar a si mesmo é entender-se, render-se aos limitados dias de vida, à limitada condição de saúde, à limitada capacidade de acertar e à irritante insistência em errar. Assumir esses “pecados” e encontrar a graça (que se explica por ela mesma, paz de graça, amor de graça, perdão de graça, alegria de graça, graça de graça). Eu quero muito conhecê-lo. Eu quero estar conectado 24h com o que está acontecendo nesse outro nível, misterioso, mas eventualmente tão real como um beliscão, que é o “espiritual”. E Deus está nisso tudo. Amando a quem está à minha volta eu começo a ver, ouvir, sentir a Deus. Se os pais amassem os filhos, e os filhos aos pais; se os casais se amassem, assim, por puro carinho e entrega; se os ricos amassem aos pobres; se os justos amassem quem está longe da lei; se eu amar, simplesmente como ele me amou, então, um dia, a hora vai chegar, quando eu puder finalmente encontrá-lo. Pessoalmente. Depois de ter amado o mundo inteiro, imediatamente vou reconhecê-lo. Porque ele terá (como pai e filho) o meu sorriso, os meus olhos, a minha maneira suave de falar.

Quem é Deus? O amor é um bom caminho para encontrar a resposta.

Abraço,

Thiago

Deus está no Silêncio

julho 7, 2010

Olá, pessoal do Blog,

estou postando aqui alguns trechos de uma reflexão sobre Deus e a forma como Ele fala com as pessoas. Inicio pedindo que você reflita nesse texto como quem assiste a um bom filme, vidrado, atento aos detalhes. Você nem pisca. E se alguém pretende te distrair e fazê-lo perder uma só cena: PSSSSIIIIIU ! Deus está no silêncio. Vamos lá?

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Você deve estar cansado de gritarem com você. No mundo são tantas vozes, interiores e exteriores, preocupações em alto e bom som, como uma buzina de ansiedade, como milhares de apitos de stress. Mas Deus, Deus está no silêncio.

Quando você pára de ouvir o barulho à sua volta, esse barulho que o mundo, em pleno funcionamento (como enormes engrenagens rangendo ao se mover, tão complexas), produz: o apelo do pop e da moda, pedindo pra você vestir, pedindo pra você agir; o apelo da religião, pedindo pra você confessar, pra você se arrepender e gritar por Deus com todas as forças; o apelo das obrigações, a reclamação insistente dos seus credores e as intermináveis desculpas dos seus devedores; o apelo da sociedade, que tem um script pronto pra você representar, decore suas falas e assuma seu papel ou você é considerado um “zero à esquerda”…

Quando você deixa de ouvir os Outros, as palavras dos pessimistas, que dizem que você não vai à lugar algum; dos escarnecedores, que dizem pra você agir primeiro, pensar depois (“pra quê levar a vida à sério?); as palavras dos maus, que zombam de você, que depreciam sua imagem, sua personalidade; a injúria dos legalistas, que dizem onde, como e porquê você está errando, sem o mínimo compromisso em apresentar soluções; as tragédias pessoais, as histórias de desastres, a mídia alienadora, a idolatria iconográfica que conta histórias mentirosas sobre pessoas irreais…

Quando você aprende a ignorar o sussurro insistente da sua mente, dizendo “sexo, sexo, sexo, sexo …”, “só mais um cigarro, só mais um, só mais um, só mais um…”, “mate, mate, mate, morra, morra, morra …”, “suicídio, suicídio, suicídio …”…

Quando deixa de ouvir o tic tac do relógio moderno, que já nem depende mais do relógio em si, porque está espalhado na atmosfera e dita o ritmo dos dias e noites dos seres humanos apressados e obedientes demais; quando pára de contar, preocupado, as batidas do seu coração, aceleradas ou lentas demais, atemorizado com sua saúde, com alguma doença (até mesmo as que você ainda não tem); quando deixa de obedecer cegamente ao toque do celular, ao timbre do despertador sempre ocupado…

Quando você se livra de tudo isso, lá está. A voz de Deus, então, se ouve claramente, depois de todos os barulhos cessarem. Não é de admirar que poucos a ouçam. O barulho está em todo lugar. Calar a boca do mundo é uma tarefa realmente complicada. Mas libertadora em todos os sentidos. Calar o mundo pra ouvir a Deus.

Quanto tempo você passou em silêncio hoje?

Eu posso gritar com você, seu chefe pode gritar com você, seus pais também. Deus, jamais.

Apesar de todo o barulho e da dificuldade de encontrar o silêncio para ouvir a Sua voz, uma só Palavra dele pode transformar pra sempre a sua vida.

A linguagem do amor de Deus, muitas vezes, se resume a um olhar. E o silêncio diz o que as palavras não podem.

Quem ora deve falar, mas também deve calar e esperar a resposta. Oração é diálogo, não monólogo.

Posso ilustrar esta história com um monitor de batimentos cardíacos. Barulho ininterrupto significa morte.

Jesus foi chicoteado, escarnecido, provocado sobre seus valores, questionado como pessoa, machucado (física e emocionalmente), e ficou calado. Porque? Para ensinar o valor que as palavras tem. Quando ele abriu a boca, disse unicamente: Pai, perdoa-os.

A esperança é que o barulho do mundo, uma hora, acaba. A festa acaba, o trio pára de tocar, os amigos vão embora, os inimigos se calam, os gritos de desespero se consolam, a tragédia emudece, a briga cede ao cansaço… MAS DEUS NUNCA PÁRA DE DIZER: “Filho? Você me ouve?”

Jesus deveria ter dito: Bem-aventurados os silenciosos.

Porque eles ouvirão a Deus.

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Forte Abraço,

Thiago

Novo Mandamento vos Dou

julho 6, 2010

Jesus era um homem extremamente sensível. Ele podia, por suas palavras, transmitir a essência das escrituras, as mesmas letras que os fariseus usavam para privilegiar o legalismo e oprimir o pobre e a viúva com normas religiosas nocivas, desumanas, centradas na obrigação pela obrigação. Jesus tinha a mente do próprio Deus. A sua lógica era guiada pelo amor e pela bondade. Seus mandamentos não são fórmulas religiosas sem sentido. São conselhos de bem e paz. Percebendo que muitos haviam transformado os “mandamentos” contidos nas escrituras em pesadas engrenagens de uma máquina opressora e alienante, ele resolveu revê-los, um por um (v. livro de Mateus cap. 5:21, na Bíblia). E o mais intrigante da história, a lição mais profunda, o que haveria de restar sobre tudo o que fosse “mandamento”. Jesus disse: Novo mandamento vos dou (João 13:34), que ameis uns aos outros. Mas espera, esse mandamento não era novo, aliás, já existia desde o velho testamento, no texto das escrituras antigas (v. Deuteronômio 6:4 e Levítico 19:17, ex.). Não. Não era um mandamento inédito. Mas era uma ordem imediata, nova, “pra hoje”. Jesus dizia com essas palavras “tem uma coisa que eu quero que vocês façam agora, porque quero que deixem o que estão fazendo e façam uma coisa nova, diferente”. Jesus estava re-ensinando as bases da fé em Deus, rejeitando assim qualquer outra regra marginal, para concentrar as atenções no centro da sua vontade, o amor (v. novamente Deuteronômio 6:4 e Levítico 19:17). Amar a Deus, Amar ao Outro.
Ainda hoje nós nos vemos correr por aí, como os fariseus, preocupados em cumprir a porcentagem do dízimo, o vestuário das solenidades religiosas, a freqüência assídua nos cultos, o trabalho voluntário e obras de assistência… “novo mandamento vos dou”, posso ouví-lo falar. “Amem uns aos outros”. De novo.

Minha História Está Escrita !

junho 1, 2010

Olá amigos(as) do Blog,

Queria dividir com vocês alguma coisa que me veio sobre a nossa relação com a Bíblia. Nós usualmente dizemos que a Bíblia é a Palavra de Deus. Certo. Do ponto de vista prático (porque se a sua Fé não é prática ela está morta, v. o livro de Tiago em “porque a Fé sem obras é morta” e tantos outros trechos) a Bíblia é um conjunto de textos que trazem revelações pessoais de Deus à humanidade, que aconteceram (na história), acontecem (na transformação que ela opera) e acontecerão (daí as profecias). E como ter segurança destas evidências que tornam a Fé na Bíblia e em Deus tão real, tão palpável a quem crê? A segurança está em conhecer o modo de Deus de revelar-se. O livro de Gênesis menciona que “Deus disse: Haja Luz. E houve Luz”. Assim, só temos uma relação profunda de experiência com Deus diante da Bíblia se obtemos a essência das revelações de Deus: Deus diz, Deus faz. Se o que você lê na bíblia não se expressa na sua história, não transforma o mundo a sua volta (como a vida de Jesus, que está escrita ali, transformou o mundo a ponto de até contarmos o tempo baseado em sua Vida_que glória), sua relação com este livro é meramente religiosa, infelizmente, e você ainda não conhece a Palavra de Deus, mas apenas o texto. A própria Bíblia menciona que “a letra, em si, é morta”. Que fascinante. Deus, em aliança com pessoas, na Bíblia, narrou histórias que vieram a ser e transformam o mundo. Mas Deus não parou de revelar-se, nem de escrever através de pessoas. Através da Bíblia, temos a possibilidade de sermos inseridos na essência da experiência com Deus e assim nos tornar parte desta história que começa em Gênesis, mas não termina em Apocalipse, e será contada por muito tempo, na realidade de muitos, até que o mundo mude. Quando leio a Bíblia, consigo rever minha vida dentro daqueles versos. Versos que guiaram meus sucessos, que curaram meus fracassos, realizando na prática de vida a vontade de Deus pra mim. Esta é a Bíblia. E eu sou mais um livro desta grandiosa obra literária.

(Agora todo mundo já sabe que a Bíblia tem pelo menos dois livros de “Tiago”  _risos_ um sem “h”, que é o original, e outro “Thiago”, que sou eu _mais risos).

Espero que esta também seja a sua relação com este livro poderoso. E Deus disse: “Haja Luz”. E Há.

Abraço apertado,

Thiago

À Beira do Poço

junho 1, 2010

Mais uma vez aquela mulher retornava ao poço da sua alma. Mais uma vez ela iria inclinar-se com dificuldade sobre seu vazio existencial buscando erguer de lá de dentro algum significado, algum conteúdo. Sua alma: poço de águas tão profundas. Mas ela habituou-se a isto: ao sacrifício de Ser, à sede diária.

 Quem é este que espera à Beira do Poço? O que ele procura?  “Minha alma é profunda demais e você não tem como chegar até ela”, murmura pálida de esperança a mulher. Ela comete o principal engano da humanidade: orgulhosamente diz que sabe mais de si do que Deus o sabe. Ele responde a ela com um enigma profundo, sua voz ecoa no interior do poço escuro, praticamente seco:

 Se você verdadeiramente soubesse quem te pede “alma”, se você verdadeiramente entendesse, é você quem estaria clamando agora. Então não seria mais um poço vazio, sedento, mas uma fonte de águas vivas que jorram para a eternidade. Ao ouví-lo, instantaneamente, ela sentiu o interior agitar-se: Havia vida naquelas palavras. O poço voltava a minar água, lentamente, duma água viva. Transformada, ela ergue-se e passa à diante, para anunciar a todos o que havia visto e ouvido: sua Alma transbordava.

“Quem é este que espera à Beira do Poço ?”

Volta ao pai, Volta à Vida

maio 11, 2010

Meus olhos estavam constantemente na estrada. Meus pensamentos e meu espírito pessoalmente com Ele, durante todo esse tempo. Ele não percebia, mas eu estava lá. Quando Ele decidiu se afastar, eu decidi que guiaria minha Graça diante dele, para o livrar. Foram longas noites e perigos além da sua consciência. Por pouco ele não se perdeu completamente, mas no fim, ele teve fome. Quem um dia comeu da mesa do pai, nunca esquece (“na casa de meu Pai até os servos tem abundância de pão”). Então ele decidiu voltar. Pensou não ser esperado, mas eu o aguardava naquele caminho a muito tempo (o caminho do arrependimento). Quando o avistei, meus olhos se encheram de lágrimas e eu não pude falar-lhe primeiro, porque minha voz estava embargada: o vi, meu filho, magro, sujo, pobre e esgotado pela vida longe do pai. Nem na minha mais severa disciplina eu iria diminuí-lo daquele modo (porque meu amor supera em muito minha ira). Não dei muita atenção àquelas palavras que disse quando me viu. Eu só procurava uma brecha, uma abertura, um convite para abraçá-lo. Quando ele finalmente se calou e baixou os olhos diante de mim eu entendi: Ele estava de volta! Avancei até Ele e restituí a primeira coisa que lhe foi negada por todo este tempo: Amor. Com um abraço vigoroso devolvi-lhe a chama do carinho, do cuidado e da segurança do Pai. Durante todo este tempo de distância, ele recebeu muitos abraços: abraços sensuais de mulheres de coração mentiroso, abraços traiçoeiros de falsos amigos. Só o meu abraço é Amor. Ele chorou acolhido em meu peito e então, diante daquelas lágrimas sinceras, eu decidi que era hora de restituir-lhe uma segunda coisa perdida: a Honra. Mandei que cuidassem dele, que lhe dessem vestes novas e , como sinal de nova honra, um anel no dedo. Assim, ele nunca mais será confundido. Quando ele decidiu partir sozinho, não levava identificação ou qualquer menção de meu nome. Era um jovem que decidiu viver sozinho no mundo. Agora, ele se vestirá como o Pai e será honrado e conhecido diante dos homens: dêem uma festa! Eu restituo sua Alegria. Todos saibam que meu filho que estava longe retornou. Que todos saibam que eu o recebo sem castigo, de modo que se assim decidi (o único que, justamente, poderia demandar com ele por algo), não há contra ele mais acusação. Restituo sua Liberdade pela minha Justiça. Ah, filho, você pediu a parte dos seus bens. Foi-lhe dada. Você se afastou e perdeu tudo. Não importa. Agora que voltou, você viverá na casa do seu pai, eternamente, sustentado pela minha parte, que nunca lhe será negada e nunca se esgotará. Coma. Beba. Você estava morto. Mas isso não importa mais.

” Aquele que crê em mim, ainda que morra, viverá”.

Eu te recebo de volta, Filho. Volta à Vida.

Terras do Meu Interior

maio 7, 2010

Esses dias, durante o meu momento a sós com Deus, o Senhor me convidou pra caminhar nas terras do meu interior. Eu me levantei e, juntos, fomos até lá. E tivemos uma visão muito triste, porque Ele me levou aos lugares onde eu negligencio, terras solitárias que eu tentei esquecer. Ali a solidão era profunda. Nenhum verde, nenhum rio, ninguém. Ele me mostrou que aquelas terras, um dia, já foram habitadas. Mas a terra secou e os homens do lugar foram forçados a deixá-la, por não haver mais sustento. Ele me mostrou até mesmo lugares de morte, poços corrompidos por águas amargas. Eu chorei muito naquele lugar. Chorei por aquele povo, pelos seus mortos, pela terra seca. Ah, que arrependimento. Então Ele bondosamente me mostrou o que fazer, o seu plano, o porque da nossa ida até aquele lugar de dor: Vamos plantar naquela terra. Vamos recuperá-la. Vamos semear boas sementes da sua Palavra! Em breve, um novo rio irá correr ali (porque o seu Espírito virá para fazer brotar a semente) e então aos poucos a vida será devolvida. Ele prometeu enviar chuvas incessantes e orvalho pela manhã (meu Deus provedor) e abençoar toda a terra com Esperança. E um dia, sim, um dia a terra receberá de volta os seus filhos. E então eles ali repousarão e frutificarão, eternamente. A solidão será afastada de uma vez por todas, Ele me disse, até que não haja lugar para a falta de amor, para o abandono. “Porque seu coração, meu filho, foi feito para abrigar”. “A muitos”.

Que Assim Seja, Pai. “Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte… tu me consolas”. (ver. Bíblia, Salmo 23)

6 de maio

maio 6, 2010

olá, pessoal do Blog,

quero fazer um post aqui em homenagem às pessoas. Isso mesmo. Eu vou homenagear os meus meus pais, meus líderes e meus amigos. Vamos lá?

Começo com os pais. Gente, que bênção é ter uma família (dom de Deus) pra nos apoiar e nos construir nessa intensa, difícil e emocionante (sim, de comédia à filme de terror) vida em família. Eu tenho a felicidade de dizer, diante do meu Pai do céu, que meus pais são um bem na minha vida. Eles me criaram e eu, hoje, me sinto bem criado. Então palmas pra eles. Se hoje eu sou responsável, confiante, bem humorado, estudioso, manso, eu devo um “muito obrigado” pela sua dedicação. E as vezes a dedicação dos nossos pais supera até mesmo suas próprias deficiências. Se nós não entendemos isto, está criado um problema. Se entendemos, você se torna um fruto agradável. Exemplifico: talvez seu pai não seja paciente com você, mas ele sempre te ensinou o valor da paciência, de falar baixo, de manter a calma, logo, quando no futuro você se tornar uma pessoa melhor do que ele mesmo, não julgue, não rejeite, ame. Retribua com o fruto da educação que ele te deu e abençoe a sua casa em tudo. Ê, felicidade, ver Deus nos ensinar essas coisas e transformar nossa casa. Glória a Deus pelos meus pais (Nestor e Maria Helena haha).

Agora vem os líderes: Deus planejou o negócio bem planejado. Ele sabia que viveriamos realidades diferentes, com circunstâncias diferentes, em medidas de oportunidades diferentes, aí pra que ninguém saisse perdendo, nosso Pai (sábio todo) disse: “quem quiser ser o maior, sirva aos demais”. Que glória ! Queria, então, destacar minha alegria aos meus líderes, aos meus conselheiros da Palavra, que tem dividido comigo o que eles tem de melhor. Bom saber que eu posso através deles, pessoas mais experientes que eu, mais maduras, alcançar um novo patamar, um novo horizonte, quando páro pra ouvir com sinceridade e aprender com dedicação. Então mando abraço especial (lógico que vou citar os nomes) pra Rica (meu conselheiro nos tempos de adolescente e hoje um grande amigo),  Hugo (Hugão, meu líder, você é demais), Pr. Hermes (querido PartÔôÔÔ; “eu te louvareeeei”) e Zica, meu amigo, líder e futuro pastor (que ultimamente só tem aberto a boca pra me abençoar, eita pêga) !

Amigos: ah, pessoas, vocês não sabem quantos entraves eu superei, quantas restrições pessoais, e como eu estou feliz por estar aberto, agora, para amar vocês. Meu Pequeno Grupo (sintam-se chamados pelo nome genteeee), meus amigos de infância (Iulo, Patty, Flavinha), meu amor (Tainá ;]), amigos do peito, mesmo que distantes (PG de Itabuna, André, Michel, Nanda, Neto, óóó que dificuldade citar todos), pessoas com quem eu aprendi a dividir e estou aprendendo a multiplicar (depois escrevo sobre isso rs). Que bom saber que existe gente boa ao redor, gente confiável, gente amável, gente alegre, gente pra preencher espaço na alma, pra enlarguecer o coração e ensinar o princípio do que é amar a Deus. Exatamente, ora, porque “aquele que não ama não conhece a Deus”, logo, amar é o primeiro passo pra relacionamento com Deus. Quando você entende o sentimento para com as pessoas, você entende que “amar a Deus” é muito mais que discurso, tem que ser “de coração”. Olha eu pregando. Enfim, um grande abraço nos amigos todos.

Esse post de hoje é especial para essas pessoas. “Amai ao próximo como a ti mesmo”. Obrigado, Senhor.

Ah, Pai, tantos disfarces !

maio 4, 2010

Os dois no jardim sentindo-se culpados, sujos, envergonhados. Não querem que Deus os veja, não dessa forma. Então cobrem a alma com roupas improvisadas, folhas largas para tapar o medo, o orgulho e a vergonha.

Antes de dormir, a menina se ajoelha pra orar. Ela tem um olho roxo na alma, resultado da violência e do desrespeito do seu namorado e de seus amigos, que a forçam a fazer coisas que ela não quer fazer, invadindo sem remorço sua liberdade e arruinando muitos sonhos. Mas ela não quer mostrar o olho roxo ao Senhor. Tem medo do que Ele pode dizer. Ela teme a sua severidade, então, antes de orar, põe um óculos escuro no rosto da sua alma, e vai até Ele assim, disfarçada.

2o anos, ele faz de tudo pra ser aceito. Sinceramente, ele ainda é uma criança, sua alma ainda tem a forma de um menino crescido, magrelo, cabeludo e despreocupado com a aparência. Mas os outros exigem que ele seja outra pessoa, que se comporte de modo diferente, e então ele se veste com músculos e despe o peito, para exibir aos seus “amigos-juízes” seu eu-aceitação. No rosto, ele põe uma máscara sedutora e um sorriso falso de borracha.

Ela caminha com dificuldade, está grávida, mas não quer que Deus ou a igreja saibam. “O que eles iriam dizer?”, pensa. Agora que está mais sensível e deveria vestir roupas leves, ela se esconde e sufoca com casacos longos, para esconder o corpo, e um miserável vestido apertado, que disfarça a evolução da gravidez.

Ele, no fundo, não se sente homem. Não se entende como homem, não tem nenhum referencial positivo que o indique nessa direção, nem tem vontade de seguir a orientação do Senhor. Mas ele sabe que terá que sair de casa, e que lá fora tudo é vigiado e condenado, então ele se veste de homem, um homem indiferente, mas homem. Ensaia até comentários típicos, e cobre com adereços de homem (chapéus, gravatas, cachecóis) os outros adereços que sua alma , profundamente, usa. Vestido assim, ninguém diria o que se passa lá dentro.

Eles correm. A música não pode parar, porque o silêncio significa solidão e a solidão é insuportável, reveladora. A alma inquieta pede preenchimento. Mas eles não dão ouvidos a ela. Vestem suas fantasias coloridas e sensuais e festejam, festejam, festejam. E por dentro a alma clama: “Tomara que o Carnaval dure pra sempre, porque se não…”.

Inseguro, frustrado, todos os dias ele sobe ao púlpito, ou à plataforma e prega, canta, dirige, ensina, e quem o vê nota o terno alinhado, a bata branca, o sorriso carismático, as mãos limpas. Momentos antes, contudo, foram horas e horas de auto-mutilação, porque sua alma está se auto-rejeitando, lutando pra expelir o produto daquele coração amargo, daquela natureza irascível, animal, frustrada. O jeito é abotoar mais apertado. Tomara que ninguém perceba. Tomara que o Senhor não perceba.

Ah, se eles soubessem. Pra que tanto esforço, tanta dor, tantos disfarces? Aos olhos de Deus, todos nós, como no Éden, ainda estamos nus.

“porque o Senhor não vê como o homem vê, porque o homem olha para o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração” (na bíblia, em 1 samuel, 16:7)

Deus, Médico ou Juiz ?

maio 4, 2010

Muitos vêem Deus como Juiz: imparcial, legalista frio, uma autoridade distante e formalizada. Esse “Deus Juiz” não considera emoções. Ele não permite que você se justifique. Que você se explique. Ele apenas aponta erros. Traz à tona todos os erros para que testemunhem contra nós e nos sentencia a pagar, sofrer, penar. Ele te exclui por conta dos seus pecados, sempre com aquele ar de superioridade e de decepção arrogante. Ele nos condena por aquilo que fizemos ou carregamos de mal, independentemente das circunstâncias ou do nosso grau de culpa. Diante desse Deus juiz não haveria outra possibilidade pra nós: condenação, condenação perpétua.

Ah, se eles conhecessem a Deus como Ele realmente é: um médico. Então saberiam, primeiramente, que ele é bom. Muito bom. Paciente, atencioso, habilidoso com pessoas e extremamente bem intencionado. Ele só quer o nosso bem. Está 24h de plantão para nos atender em qualquer necessidade, dor, dúvida. Descobririam que Deus, a essa altura das coisas, nunca esperou ou esperará que alguém chegue até Ele sem erros, sem pecado, porque todos nós temos essa natureza que adoece. Ele é um médico, oras. Está acostumado a todo tipo de doenças (umas na alma: depressão, inveja, orgulho, maldade, mentira etc; outras na vida: carnalidade, materialismo, egocentrismo etc). Aliás, ele não rejeita ou exclui os doentes, pelo contrário, a sua vontade é que todos venham até Ele o quanto antes e contem qual é o problema. Eu posso até ouvir Ele perguntando: “O que você está sentindo, meu filho (a)?”. Então, depois de ouvir tudo, ao invés de uma sentença, Ele te dá o diagnóstico. E com o diagnóstico, ao invés de um castigo, Ele prescreve o tratamento. A cura. Deus, como médico, só deseja uma coisa para os seus filhos (pacientes): que você viva. E viva bem. “Abundantemente”.

 

Um Recado do Médico: Deus, médico dos médicos, sabe que algumas pessoas sofrem de um mal terrível, um mal genético que os deixa cada dia que passa mais debilitados, definhando de dentro pra fora, e que mais cedo ou mais tarde os levará a uma dura morte, se nada for feito. E pra esse mal congênito, só há uma solução: uma transfusão de sangue. Isso mesmo. E de um tipo de sangue especial: J+ (o sangue de Jesus, “Jesus na veia”). Deus, como seu médico, irá insistir para que você o aceite, porque essa é sua única chance. Se aceitá-lo, você terá uma vida muito mais longa do que imagina. Deus, como médico, garante que o tratamento é 100% seguro, gratuito e sem efeitos colaterais. Você terá uma vida normal, sem perder de aproveitar nada do que é bom. Se você sente algum desses sintomas como vazio, solidão, tristeza sem motivo, ansiedade e falta de perspectiva do futuro, desorientação sobre o sentido da vida, dor intensa na alma, medo do amanhã, etc., não deixe de procurá-lo o quanto antes. Ainda há esperança. Ele tem a cura pra você.

Que você deixe de vê-lo como juiz e o veja como Ele realmente É. 

Suas Palavras garantem:

“Porque eu não vim para julgar o mundo, mas para salvá-lo”  (ver. João 3:17)

Marcando Encontros com Deus

maio 2, 2010

Deus deseja se relacionar conosco com intimidade, intensidade e toda a comunhão. Através de Jesus, Deus criou a melhor forma pra nós de Encontros, uma forma maravilhosa de estarmos durante toda a vida com Ele. Funciona assim: nós marcamos a hora e o lugar, Deus decide a programação. E é maravilhoso estar com Ele, a ponto de “todas as coisas cooperarem para o nosso bem”, porque o escolhemos. O que poderia dar errado? Seriamos sempre chegados a Deus, conhecendo sempre o que Ele pensa, estando sempre próximos Dele, nos tornando cada vez mais parecidos com Ele. Mas nosso coração inverteu as tarefas do Encontro: nós queremos decidir a programação, e aí, oramos quando estamos em dificuldade: “Senhor, eu preciso ser promovido no emprego”. Naquele dia, Ele tinha planejado uma surpresa, um emprego novo, que te daria mais tempo pra Ele, pra nós, mas pedimos a promoção, e com a promoção vem mais trabalho, menos tempo, menos Encontros. Nós também nos esquivamos da nossa parte de dizer o horário, porque “não tenho tempo hoje” e escolhemos o mesmo lugar sempre, a igreja. Os Encontros se tornam monótonos e pouco íntimos, e perdemos de visitar com Ele nossa casa, lugares na cidade, um por do sol, enfim, nossos encontros caem na rotina e perdem o amor. Quando saimos do propósito de Deus pra nossos Encontros, Ele não se afasta, Ele não vai embora, Ele simplesmente espera. Então porque a sensação de “Deus não está aqui?”, ou “Deus não fala mais comigo”? É triste, mas também é uma grande alegria perceber que esse tempo todo Deus esteve à nossa espera e que o motivo do silêncio é que nós estamos no lugar errado, na hora errada, com o propósito errado, querendo encontrar a Deus nas nossas conveniências. Dê um pouco mais de si pra Deus, vá até Ele sem pedir nem esperar, apenas pra encontrá-lo, deixe que Ele conduza o Encontro, que Ele comece, apenas espere. Ele tem esperado tanto por você, fielmente, pacientemente. Espere por Ele. Apenas marque o lugar e a hora, e que seja bastante tempo, e que seja num lugar diferente. Certamente Ele te dará um Encontro inesquecível. E você vai viver toda a vida, feliz e plenamente realizado com seus Encontros com Deus.

 

Atenção a alguns erros comuns: Marcar a hora errada (pouco tempo, ou a pior hora do seu dia), o lugar errado (os lugares solitários são os melhores, mesmo que seja o seu quarto), querer dizer a programação e só desejar encontros pra pedir (não são nem encontros, são “reuniões de negócio” com Deus), desanimar-se porque Deus não veio (na verdade, você quem faltou, por isso o silêncio; reavalie, Deus está sempre lá) e desejar uma relação superficial (querendo se encontrar com Deus por correspondência, ou por intermediários; Deus não usa e-mail nem manda recado, ele vai até você).

Lenha e Fogo

maio 2, 2010

O primeiro cristão é o Lenhador. Ele afia o seu machado, prepara os seus braços fortes e entra pela floresta densa em busca de lenha. Sempre procura a fonte mais antiga, de maior profundidade e extensão. Ao golpear a árvore, o cristão percebe que não será fácil. Mas ele insiste, seu trabalho árduo dura o dia inteiro. Aos poucos obtem o que veio buscar: conhecimento. Então ele volta satisfeito, sabendo que fez um belo trabalho diante de uma tarefa difícil. No fim, ele empilha todo aquele conhecimento em grandes toras, senta-se em cima da pilha, e lá do alto diz: Pronto. Fiz o que tinha que fazer. Mas a noite fria vem e ele sente frio. Muita Lenha, mas não há Fogo.

O segundo cristão é o Atiçador. Ele é habilíssimo em fazer surgir a Chama e cultivá-la, mesmo com pouco ou nenhum combustível. Nas noites frias, ele está sempre à beira da fogueira, que nunca se apaga. Ele também enxerga melhor à noite que os demais, porque o Fogo revela muitas coisas ocultas. No fim, ele se senta à beira da pequena fogueira e se acomoda. Sua luz não atrai outros, porque a fogueira é pequena. Há Fogo, mas a Lenha é Pouca.

O primeiro cristão se torna rude. Ele mostra as marcas nas mãos, os braços fortalecidos pelo trabalho árduo, as obras de madeira construídas, que são tantas, e brada aos outros que sigam seu exemplo, que aprendam a trabalhar. Ele despreza o Atiçador. O Lenhador perde a ternura e não conhece a comunhão. O segundo cristão é arrogante e preguiçoso: da beira da fogueira, ele julga o Lenhador  como “distante da luz”, pois o outro não vê o que ele vê. O Atiçador não percebe que nada foi construído, que contentou-se com pouco durante toda a vida e que sua luz não é capaz de brilhar muito longe, pois não tem intensidade.

Lenha e Fogo. Quando o Lenhador aprende Sobre o Fogo, Quando o Atiçador aprende a buscar Lenha abundante, então se erguem as fornalhas que iluminam o mundo, incendeiam corações de milhares e cujas brasas vivas ascendem aos céus, onde Deus está.

Que o Seu Altar seja uma Fornalha de Lenha e Fogo. Palavra e Espírito.

25 de Abril

abril 25, 2010

Olá, meus amigos (as) do Blog,

queria hoje testemunhar sobre o que é ter “primeiro” Deus (e o seu governo, ou seu reino, como queira chamar… autoridade, direção etc.) e ver “as outras coisas” sendo acrescentadas. Faz 2 semanas que eu tenho dado prioridade pra Deus, que tenho me esforçado pra dar tempo a Ele, pra falar com Ele, pra aprender Dele, e isto quer dizer orar mais, ler e refletir mais sobre a Palavra, alimentar a vontade de ver a Deus, decidir firmemente a esperar Deus falar, permanecer ali pra escutá-lo (e devo dizer, quando Ele fala, Ele fala !), desenvolver comunhão, enfim, como é bom viver isso. Deus me conhece, eu o conheço um pouco mais, nós estamos mais juntos agora, começamos a pensar do mesmo jeito, a planejar as mesmas coisas, a sentir os mesmos sentimentos (Ele está me tornando mais parecido consigo pela convivência, como acontece com os grandes amigos). Agora eu vejo como eu estava a 20 dias atrás (isso pelo simples motivo de não ter compromisso com meu relacionamento com Deus): Andei nos últimos tempos tenso, preocupado com o futuro, até ensaiei um “corre-corre”, e graças a Ele não embarquei nessa onda. Acrescentado a isso, os problemas da vida: com a família, com questões nos relacionamentos, com o ministério, tantas coisas. Mas aí vejo hoje a parte boa: As “outras coisas” que a Bíblia diz que seriam acrescentadas começam de dentro. A primeira é Paz. Eu estou em paz. A Paz te devolve o ritmo real das coisas. Enquanto todo mundo está no “corre-corre”, você está andando calmamente com Deus, por onde Ele quer te levar, e aí você vê que você nunca chega atrasado. A Paz te ensina a paciência, a confiança a longo prazo e a tranquilidade da alma (adeus stress, olá Espírito Santo_risos). A segunda coisa é a Justiça. Quando você decide andar com Deus, você cresce. Você começa a ver as coisas boas e más mais claramente. E aí, você é capaz de tomar decisões mais sábias, a falar com sabedoria, a curar sua mente dos medos, traumas, vícios. A Justiça de Deus é como a luz invadindo sua mente, até mesmo lá nos cantos escuros do pesadelo (onde moram a falta de fé, o rancor com alguém, a maldade pra falar, a depressão etc.). Tudo é iluminado. E sua vida segue o mesmo rumo: iluminada. Com Deus você caminha radiante (“os que te amam brilham como o nascer do sol” Juízes 5:31). E Quando Deus está no controle ele ainda traz a Alegria. E a alegria de Deus é como o Salmo 1: “Feliz o homem que… reflete na Palavra dia-e-noite… ele será como uma árvore plantada num lugar estratégico: junto a um rio… que dá o fruto no tempo certo… suas folhas nunca murcham… e tudo quando este homem faz, dá certo”. Você vê as coisas ao seu redor dando frutos, você percebe em seu coração o tempo chegando pra cada projeto, e a Palavra vai se tornando sua fonte única, seu sustento certo, nada rouba a sua alegria. Eu estou VIVENDO isso. Eu que já me perguntei se realmente vale a pena dar a Deus o “primeiro” (que as vezes significa jogar tudo que te atrapalha pro ar), o melhor tempo, a maior disposição, enfim, o coração, eu mesmo respondo: isso sim é felicidade. Felicidade que transforma seus problemas (alguns são até os mesmos, olha só) em combustível para a sua alma (alimentam o desejo do melhor de Deus pra você). Felicidade que seu salário não compra, que seus amigos não tem pra dar. Só Deus pode dar, em Jesus, quando Ele for o “primeiro”. Seja o primeiro na minha vida, Jesus. Está valendo (muito) a pena.

 

Abração, Thiago

Toca-me. Guia-me. *

abril 25, 2010

Eu era cego. Acostumado a ser guiado por alguém a todos os lugares. Dependia de outros, os meus guias. Ouvi de Jesus, ouvi que ele podia com um simples toque fazer ver. Meu maior sonho era ver. Eu ouvia as vozes das pessoas ao redor e estava acostumado ao toque: pessoas me levando de lá pra cá, de cá pra lá, eu as seguia, mesmo as vezes por caminhos que eu não queria seguir. Mas o que fazer, eu era cego. Sim, meu sonho era ver. Então fui (guiado por outros) até Jesus. Rogamos para que ele me tocasse, e ele veio até mim. Senti seu olhar pousando sobre mim, um pobre cego, dependente dos outros, e senti quando ele me tocou. Porém, Ele não me tocava os olhos, mas sim me conduzia, como tantos outros já fizeram, e eu ainda estava cego, mesmo depois disso. Minha fé vascilou, mal sabia que aquela seria a última vez que alguém me guiaria à algum lugar daquele jeito. Ele me levou pra longe dali, longe dos meus antigos guias. Então ele me tocou, tocou de verdade, e a luz invadiu meus olhos pela primeira vez. Ele me perguntou: O que você vê? Eu respondi: Vejo pessoas (eu estava radiante), elas se movem na minha frente. Minha vontade era ir até elas, era agora seguir junto com elas. Eu pensei que já estava curado. Então Jesus novamente tocou-me, à princípio eu não entendi, mas quando a luz invadiu meus olhos pela segunda vez, eu vi: as pessoas que se moviam à minha frente, ao contrário do que pensei, não sabiam pra onde ir, também estavam cegas (“cegos guias de cegos”). Por toda a vida, eu fui um cego guiado por cegos, até Jesus tocar meus olhos. E aprendi com Jesus, o meu único guia verdadeiro, esta lição: Um verdadeiro guia sempre te leva até a luz. Um verdadeiro guia toca e traz luz. Luz  à vida. Hoje eu vejo.  “Tua Palavra ilumina meu caminho; Luz que me guia”.

  

* Paráfrase de Marcos 8:22 “Trouxeram-lhe um cego, e rogaram-lhe que o tocasse. Jesus, pois, tomou o cego pela mão, e o levou para fora da aldeia; e cuspindo-lhe nos olhos, e impondo-lhe as mãos, perguntou-lhe: Vês alguma coisa? E, levantando ele os olhos, disse: Estou vendo os homens, porque como árvores os vejo andando. Então tornou a pôr-lhe as mãos sobre os olhos; e ele, olhando atentamente, ficou restabelecido, pois já via nitidamente todas as coisas”

Jesus de 20 e Poucos Anos

abril 22, 2010

Olá, queridões e queridonas leitores deste Blog. Passo a dividir com vocês algumas coisas que se esclareceram em minha mente durante meu momento a sós com Deus desta semana. Isso tem me afetado muito: o modo como eu dirijo a minha vida, minhas escolhas e minha perspectiva do futuro. Estive pensando a respeito da juventude de Jesus. Isso mesmo, o adolescente que Jesus era, o jovem de 23, 24 anos Jesus, um “Jesus” pouco mencionado, mas muito importante.

A Bíblia nos dá algumas referências a respeito do jovem Jesus, veja: Lucas 1:80 diz que “o menino crescia e se robustecia em espírito”, Lucas 2:40 diz que ele “crescia e se fortalecia, tornando-se cheio de sabedoria; e Deus, com sua graça, estava com ele”, Lucas 2 ainda relata o “sumiço” do Jesus adolescente (na ocasião com 12 anos de idade), que três dias depois foi encontrado “no templo, sentando no meio dos doutores, ouvindo-os, e perguntando muito. E todos os que o ouviam se admiravam da sua inteligência e das suas respostas” (Lucas 2:46). O capítulo finaliza assim: E crescia Jesus em sabedoria, em estatura e em graça diante de Deus e diante dos homens (Lucas 2). Daí em diante, a história salta de 12 anos para 30 anos. Pouco mais é mencionado sobre a juventude de Jesus, mas uma coisa fica ecoando na minha mente: “e ele crescia em sabedoria”; imagino que Jesus, que era extremamente inteligente aos doze,deve ter empenhado os anos seguintes em apurar sua mente, encher-se da Palavra, “refletindo dia e noite” (salmo 1), no seu sentido real, na sua aplicação ao seu cotidiano. Ele também “crescia em estatura e graça diante de Deus”. Ah, a vida devocional de Jesus. Eu imagino o quanto Jesus orava quando ele tinha 20 anos de idade. E eu fico assustado imaginando que enquanto meus desafios pessoais são sucesso profissional, vida familiar e ministérios, ele tinha um mundo pra salvar. Enquanto eu oro para que se abram portas de emprego, ele orava para que as portas do inferno fossem escancaradas, e que Deus preparasse o caminho até a morte, ainda jovem. Ele sabia que não iria chegar aos 40. Ele devia ter emoções completamente equilibradas, fruto do seu tempo com Deus, e do conteúdo que possuia. Ele devia ser também muito alegre, confiante de si mesmo e otimista, ou essas tensões em sua juventude iriam sufocá-lo como pessoa, torná-lo amargo e desagradável, o que não aconteceu, já que a Bíblia ainda menciona que ele “crescia em estatura e graça diante dos homens”. Ele era carismático, interessante, atraía pessoas ao seus redor e, certamente, era a melhor companhia que alguém poderia ter. Jesus jovem, dá pra imaginar? Jesus e seus 20 e poucos anos. Fantástico. E ainda mais se pensarmos que ele, aquele garoto de 20 e poucos anos, era o Um, aquele que estava no começo com Deus, quem mais conhecia e entendia os planos de Deus para a humanidade. Eu olho para a minha juventude e vejo a distância entre nós dois. “Crescer em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens”. Ele era completo. Eu quero ser completo como ele foi. Bom pra mim saber que este mesmo Jesus, jovem, oraria um dia para que nós fossemos Um, assim como ele foi (e é) Um com o Pai, abençoando assim os 20 e poucos anos de tantos outros, abençoando os meus 20 e poucos anos.

Obrigado pela dica, Jesus. “E crescia o jovem Thiago em sabedoria, em estatura e em graça diante de Deus e diante dos homens”. Valeu mesmo.

aos 23, Thiago

É a Minha Força

abril 22, 2010

Eu tenho Amor. Eu tenho a Paz. A Alegria do Senhor é Minha Força.

Dia a Dia sigo os planos que o Senhor sonhou e busco o seu cuidado, a sua direção. Quando caio e estou fraco, pronto a desistir, eu me me lembro da palavra que eu meu coração diz que nada me separa do amor de Deus, e a Sua Paz excede toda Circunstância, então me levanto pra Recomeçar, porque em Jesus eu sei que vou não Parar, não vou parar.

Eu tenho Amor. Eu tenho a Paz. A Alegria do Senhor é Minha Força.

Na vida os caminhos nem sempre são bons, e o mal que se adianta e não posso prever me assalta e quando penso “não vou resistir” e as ondas se levantam e me fazem temer, aí me lembro das palavras do meu Deus que dizem “cuidarei de vós, ó filhos meus”; faz forte aquele que caminha sem vigor; renovo as minhas forças e espero no Senhor, espero no Senhor.

Eu tenho Amor. Eu tenho a Paz. A Alegria do Senhor é Minha Força.  Amor, Paz, é a minha Força.

Amor, Paz, o Senhor é minha Força.

 

* música Agosto\2009

13 de Abril

abril 14, 2010

Olá, amigos(as),

quero falar sobre o que estou experimentando e deixar uma pequena lição que estou reaprendendo (esse negócio de “deixar lição” eu estou aprendendo com a história de Jesus, que era um mestre fora do normal e “ensinava” sempre que podia; isso me animou a procurar ensinar também):

 Não existe tempo fora de Deus que valha a pena. Eu aprendi isso do ano passado pra cá (quando dedicava tanto tempo pra Deus e nunca me sentia cansado, pelo contrário, quando mais eu tinha, mais eu procurava e isso começava a tocar as pessoas ao meu redor). Mas chegou um novo tempo pra mim, de mudança, (cidade nova, desafios novos, compromissos novos) e fui negligente e deixei de buscar. Voltei ao tempo do feijão-com-arroz, abandonei a experiência de “Festa” que você encontra quando se dedica a Ele. Mas no último fim de semana eu permiti que a palavra produzisse em mim arrependimento. E o arrependimento produz um fruto imediato: mudança. Faz três dias que me dedico exclusivamente a buscar a Palavra e a Presença de Deus (minha meta era pelo menos 2h por dia pra orar mais o tempo de bíblia, e nem fazia idéia de como eu ia conseguir superar essa programação_”Mas também. É a fome”, eu diagnostico logo).  Como é bom voltar. E é isso que eu quero dividir aqui, a sensação da experiência de ter Deus como prioridade. Você começa a ser guiado por Ele, a pensar e a se comportar como alguém inspirado por uma inteligência (emocional, profissional etc.) excelente. E ainda tem a paz no coração (os mesmos problemas, mas eles simplesmente mudam de proporção e não afetam mais seu juízo), a alegria de viver (que te puxa pra cima, faz você achar satisfação em tudo) e a certeza do certo (você não vascila, é tentado e não cai, a Palavra faz sentido e cada dia te mostra mais verdades). Bem que a Bíblia diz: “Porque o Reino de Deus é Justiça, Paz e Alegria; no espírito santo”. E voltar a isso me levou de volta à uma música que Ele me inspirou a compor ano passado, quando eu ainda estava começando a entender e a mudar. Ela fala sobre o preço e a recompensa. Hoje eu sou grato a Ele por poder comprovar, ainda tão jovem, com todos os sentidos e sem intermediários, que a sua história é verdadeira e por meio dela eu alcanço essa glória que hoje eu re-experimento. Que Ele mostre e inspire vocês ao Abril de começos e recomeços que eu tenho vivido.

Aprendendo e Curtindo a Graça da Intimidade,

humildemente, Thiago

Maior História

 

Meu Jesus Sofreu a Dor dos Homens
Cada Lágrima Suportou
Ele Deu e Nada Pediu em Troca
Quando Eu o Desprezava, me Amou

Como podem dizer que não se lembram
ou que nunca ouviram falar
Como podem negar tamanha história de amor
Foi meu Jesus Quem Morreu para Contar

Maior Prova de Amor não Se Viu
Veja Bem, Ele quer te Dar a Paz que Só Ele Tem
Maior História de Amor Não Se Verá
Veja Bem, Ele Quer Te Dar a Salvação Que Só Ele Tem Pra Dar

Veja Bem, Lembra Bem
História, Sua História, Ele Morreu pra Contar
Do Amor que Tem pra Dar

Onde Parei ?

abril 14, 2010

Foi naquele dia, numa igreja qualquer, que quando menos esperava, eu  ouvi Sua voz. “Coisa da minha mente”, pensei, mas era tão claro. De tudo que ouvi, uma vontade se firmou: Entregar. E então eu me entreguei. Levantei-me quando convidado, sem entender bem o porquê, mas tendo uma certeza profunda de que algo em mim estava, naquele momento, sendo preenchido (aquele vazio antigo, que de quando em vez me deixava mal, e nada mais prestava). Ali eu encontrei o que chamam de “salvação”, mas que eu sei, explicando bem ou não, que é a certeza de que a mesma voz que me chamou “Filho” agora preenche o meu vazio e, um dia, me mostrará um outro lado da existência.

Conheci a Palavra, como chamam. Interessantíssima ela é. Tem cheiro de antiguidade, mas o seu discurso parece prever tudo o que está ao meu redor. Me interessei. Reconheço que há naquelas páginas tudo o que se possa querer saber: como orar, como se comportar, o ideal Dele para muitas coisas (namoro, igreja, administração do meu dinheiro), muitas lições de vida, alguma poesia e uma proposta interessante sobre a “vida eterna”. De vez em quando eu recorro a ela, à essa Palavra. Queria saber mais. Queria ter mais tempo para responder minhas perguntas (estou adiando algumas respostas, sim). Admiro quem domina seu conteúdo e procuro, sempre que possível, ouvir à respeito, na esperança de conhecer mais disso tudo, porque não há dúvidas: É uma proposta e tanto.

Orar. Simples, mas faz um bem. Eu oro para que eu possa orar mais. Eu oro. Eu até comecei a dedicar um tempo certo pra isso. Todos os dias eu estou lá. Meus 10, 20, 30 minutos me mantém durante o dia todo. E estou me disciplinando em guardar tempo. Não é que isso está me deixando mesmo diferente ? Preciso conhecer as minhas possibilidades. Quem sabe logo, logo eu comece a planejar uma leitura completa da Palavra, quem sabe. Meus 10 min. estão fazendo toda a diferença.

Me comprometi. Como eu não havia visto antes, estava tudo tão claro. O Seu sacrifício, toda aquela dor e nenhuma culpa. E eu preocupado com esse monte de entulho que eu mesmo permiti ser depositado entre Ele e meu Eu. Começo hoje a mudar. E vou mostrar aos outros, tantos, que isso é sério. Que Sua Vida em mim é verdadeira. Que realmente há uma esperança, um caminho. Dei um basta nas vaidades (trabalho, necessidade afetiva, realização dos sonhos pessoais). Vou sair na rua, eles terão que me ouvir. Ele existe. Ele existe.

“Oi, Pai”. “Onde você quer me levar hoje?”. Parei de correr. Quando eu pensei que estava em alta, eu caí em mim. Ele me mostrou quem eu era, e o que eu estava fazendo. Queria construir para Ele um reino exterior (na política da cidade, na fé dos outros, na vida e no testemunho falho dos que se chamam “crentes”, mas são superficiais… eu queria consertar o mundo) mas não havia sequer uma casa no meu coração que Ele pudesse habitar. Estou falando sobre a minha alma, que jamais permiti que Ele atingisse. Agora Ele me conhece e eu, eu estou disposto a conhecê-lo. A Palavra pra mim agora é um guia, que me encaminha para uma nova, profunda, viva experiência. Eu o sinto (paz, força, alegria, inspiração, simplesmente brotam quando eu oro… agora entendo o significado de “sobrenatural”, isso não vem de mim). Sim, não estava ali antes, mas agora eu o sinto, perto, Ele está perto. Quando oro, por um momento tenho a sensação de que Ele está ali, ao meu lado. E Ele é melhor, maior e mais real do que eu jamais poderia imaginar. Nós estamos nos conhecendo aos poucos. Mas minha vontade é prosseguir e sinto que as coisas estão tomando o rumo da felicidade que Ele prometeu. Agora entendo: não importa o que vier, agora eu sei, Ele está aqui.

Não mais Eu. Mudei. Quando eu vi todo aquele sofrimento, toda a correria vazia que esvazia o mundo, eu não suportei o silêncio, a omissão. Eu me doei como Ele. Eu escolhi andar como Ele andava, e ver como Ele vê. Agora caminho nesse propósito firme, “para que eles sejam Um, como nós”. Vou Ser como Ele é. Agora eu vejo, agora eu sinto sua dor: homens bons entregues à sarjeta, ricos chorando sua pobreza moral, crianças abandonadas por adultos que abandonaram sua fé, e com ela sua sensibilidade, sua humanidade, perderam a alma. Igrejas frias de nenhum Deus, homens céticos que preferem se chamar alcoólatras, adúlteros, miseráveis, depressivos, a serem chamados de “crentes”, sem saber que quem crê encontra a Vida, ainda que se afaste do que o mundo chama “Vida”. “Usa-me”, porque eu fui feito sobre medida para esta hora, para ser canal de salvação, agora eu sei. Levo nas mãos a Palavra (de que me encho sempre), o Espírito (Ele está comigo, em tudo somos Um) e o meu Eu (minhas habilidades, minha inteligência, meus sonhos, meu tempo e lugar à Sua disposição…).

a minha história com Ele continua… e a sua?

 

“Que você conheça e prossiga em conhecer à Ele; e a seu tempo, Ele certamente virá” (Os. 6:3). Se você parou de caminhar, se você olha pra trás e é o mesmo a muito tempo, se Ele pra você ainda é aquela voz distante, uma promessa à longo prazo, uma experiência real solitária no passado, uma pessoa indiferente, um relacionamento não correspondido, uma fórmula pesada de cumprir e de pouco proveito interior, ou mesmo uma relação vacilante e confusa, de altos e baixos demais, dúvidas demais e respostas aquém, Oséias 6 expressa bem a vontade Dele: “porque quero seus sentimentos e não sua religiosidade, e te conhecer mais do que qualquer coisa que você possa me dar” (ver. Os 6:6).

Pergunte-se: Onde eu Parei? E Prossiga.

Mais Cedo ou Mais Tarde

abril 12, 2010

Olá, meus queridos. Vou transcrever aqui uma série de 3 mensagens sobre o nosso “Tempo”, que tive a oportunidade de dividir no último Retiro de Adolescentes da minha igreja. Aproveito pra dizer pra você: Fuja ! Corra com todas as suas forças, aproveite qualquer oportunidade de sair desse lugar que você está. Não se deixe submergir. Lute contra a maré, não perca a perspectiva da solução. De que eu estou falando? Da sua situação, do seu Caos. Eu estou falando da sua ROTINA (a sigla é pra “ROUBARAM o que eu TINHA NATURALMENTE). Fica a dica: Leia Gênesis, leia Êxodo, e veja o modo como Deus se relacionava com o homem, e como eles gastavam seu tempo. Estamos muito distantes disso, então, vamos à luta.

O título da primeira mensagem é “Mais Cedo ou Mais Tarde”. Transcrevo aqui apenas alguns pontos e oro para que nosso Pai complete o entendimento como Ele fez naqueles dias. Onde está na Bíblia ?Destaque para João 4, episódio do encontro de Jesus com a mulher samaritana. Aquele pequeno encontro (só o tempo de beber água) mudou a vida de muita gente e responde àquela difícil pergunta: “Quando”?

Mais cedo ou mais tarde

Mais cedo ou mais tarde você descobre que poderia ler, pelo menos, um versículo por dia, e tentar ao máximo praticá-lo no dia seguinte, lembrar dele, viver isso. Mas você diz pra você mesmo que não tem tempo, quando o que falta na verdade é vontade (só a título de curiosidade, a bíblia tem 31.278 versículos. Se você tivesse lido apenas 10 por dia, nos últimos 8 anos, você teria lido a Bíblia inteira… o que você esteve fazendo nos últimos 8 anos que roubou seu tempo para 10 versículos?_risos_…e como eram poucos, quem sabe desse até tempo pra pensar um pouco a respeito_mais risos_vamos seguir, né?).

Mais cedo ou mais tarde você descobre que chama Deus de pai, mas não conversa com Ele, não o obedece, não sabe ao certo como agradá-lo, ou se Ele está (agora mesmo) feliz ou triste com você. Então, sua relação com seu “pai” se resume a agradecer pela comida e ao “boa noite” antes de dormir. Ele sente a sua falta, mas você não sabe. A pressa te tornou insensível.

Mais cedo ou mais tarde você descobre que Deus está fazendo muita coisa ao redor, na vida de outras pessoas, em outras famílias, em outros países. Você até se assusta, desconfia da veracidade de alguns testemunhos, as vezes se sente até ofendido em nome Dele, porque pelo que te consta Ele não faz esse tipo de coisa. Na sua vida, não.

Mais cedo ou mais tarde você descobre que existe uma ansiedade, um mau-humor, uma agonia, uma tristeza, um tédio, um cansaço, uma solidão, que de vez em quando te deixa vazio, vazio, vazio. Mas você é crente, então lógico que não é saudade de Deus (mesmo que você tenha a muito tempo deixado de passar tempo com Ele).

Mais cedo ou mais tarde você descobre que você pensa muito em Deus: cantando na igreja, trabalhando em algum movimento “evangelístico”, naquele Congresso, quando você descobre que tem câncer, quando o namoro não vai bem, ou seu negócio quer afundar. O que você nunca faz é pensar em Deus vivendo o resto da sua vida, fazendo aquelas coisas que você julga insignificantes pra Deus como vestir-se, bater-papo, ir ao shopping, jogar pingue-pongue, assistir um filme, passar as férias em qualquer lugar.

Mais cedo ou mais tarde você descobre que não tem tempo pra nada, nem pra Deus. Mas aí, surge aquela vaga maravilhosa de emprego, aquele convite sedutor pra sair dos amigos, aquela prova inesperada, e do nada, lá está: você acha tempo. Ops, alguma coisa errada ?

Mais cedo ou mais tarde você descobre que desaprendeu a pensar primeiro, fazer depois. E essa é a única característica que te diferencia do resto da criação, a capacidade de raciocinar (usar a razão para realizar).

Mais cedo ou mais tarde você descobre que Adoração é mais um modo de pensar do que um modo de agir. E aí você descobre que você adora pouco a Deus. Você praticamente nem se lembra dele durante o dia.

Mais cedo ou mais tarde você descobre que seu problema não é o horário apertado, a vida corrida, os compromissos de sobrevivência, da qual você não consegue se livrar. E sim, falta de Deus. Ou Ele não pode resolver isso ? (“Buscai primeiro… deixa que das outras coisas, eu cuido…”). Você diz que crê, mas é ateu na prática.

Mais cedo ou mais tarde você descobre que Deus te vê e te quer como Filho, pra cuidar de você em tudo, para te ensinar, te mostrar (mesmo que com rigor) o caminho que você deve seguir. E você o chama de Pai, mas o trata como empregado. Aí, você não fica satisfeito e demite a Deus. “Ele queria mandar até no meu tempo”.

Mais cedo ou mais tarde você descobre que não se sente nem um pouco atraído em doar seu tempo aos amigos, à sua comunidade (à igreja), aos pobres, à família. Aí você descobre que, no fundo, você não sente nada a respeito deles. E isso prova o quê ? “Aquele que não ama não  conhece a Deus”.

Mais cedo ou mais tarde você descobre que ninguém nunca encontrou a Deus sem procurar. Veja: “vocês me buscarão e me encontrarão quando me buscarem com todo o coração”. E se dá conta que de, esses dias, você passou mais de meia hora procurando um objeto que perdeu. Não era nada de muito valor não, mas você queria mesmo encontrar. Você quer mesmo encontrar a Deus? Ou você nem se dá conta do que perdeu?

Mais cedo ou mais tarde você se dá conta que tem dias que você pára na frente da televisão, e está tão bom, tão interessante, que você continua. Tem dias que você simplesmente não consegue sair da frente do computador, ou gastar menos de 20 min. no telefone com ele ou ela. E isso é porque existem momentos que, de tão bons, a gente gostaria de eternizar. Você só nunca experimentou essa sensação orando.

Mais cedo ou mais tarde você descobre que o maior tempo que você passa “com Deus”, na verdade, é dividido entre você, Deus e as outras 100 pessoas do culto,ou 20 pessoas de um grupo da igreja… e descobre que o que era pra ser seu momento “a sós com Deus”, tem um gosto terrível de solidão.

Mais cedo ou mais tarde você descobre que se sua igreja promove 2 retiros por ano, ou Congressos, cada um com 3 dias, vão ser os únicos 6 dias dentro dos 365 que você separou exclusivamente pra se concentrar na bíblia, e em orar. E aí você ainda se pergunta porque você só sente que Deus está próximo nos Congressos, nos retiros.

Mais cedo ou mais tarde você descobre que sabe mais propagandas de TV decoradas que versículos. Simples: você vê mais Tv do que vê a Bíblia.

Mais cedo ou mais tarde você descobre que Deus é bom. Ele te espera. E que você é mau (por aproveitar-se e deixá-lo no fim da fila). Quando você precisa Dele, contudo, você quer sempre ser o primeiro. E se Ele disser “espere”, você vai na frente e “seja o que Deus quiser”.

Mais cedo ou mais tarde você descobre que Deus é real. Sempre foi. Visível, audível, tangível, inteligível, comunicativo, participativo, etc. E que o problema está na sua Fé, que ainda não te convenceu de que você está perdendo tempo, perdendo Deus e se perdendo junto.

Eu torço para que o seu “mais cedo ou mais tarde” seja Cedo. O quanto antes. Não há tempo a perder.

“a Hora vem, e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão ao Pai em Espírito e em Verdade”.

Pode Deixar. Eu te Ligo.

abril 12, 2010

É. Faz um tempo que Ele não me liga. Na verdade, eu não me lembro da última vez. O recado que Ele deixou na secretária eletrônica diz que Ele me ligaria todo dia, que estaria sempre por perto. Parece que Ele quer muito falar comigo. Não entendi. O que eu sei é que eu tenho feito a minha parte. Todos os dias, as vezes até mais de uma vez por dia, eu ligo pra Ele. Digo “Pai, obrigado por isso e aquilo, me ajuda nisso e naquilo…” e pronto. As vezes, antes de ligar, eu revejo as mensagens que Ele deixou. Isso me anima a ligar novamente. Parece que Ele me ama muito mesmo. Eu sempre deixo mensagens na sua secretária, geralmente pedidos. E de vez em quando, sem saber se Ele recebeu mesmo, por via das dúvidas, deixo de novo (pensando assim é até engraçado: eu devo ter dito umas 50 vezes “me ajuda a arranjar um emprego” _risos_imagine ele ouvindo uma atrás da outra, que vergonha). Mas também, nunca mais nos falamos. Na verdade, eu já nem me lembro direito como é a sua voz. Parando pra pensar mesmo, eu só conheço a sua voz, mesmo, pelas mensagens que Ele deixou. Mas tudo bem. Tudo bem. Eu vou continuar ligando. Quem sabe um dia Ele me atenda.

“Eis que estou convosco todos os dias até a consumação do século”. Pare de deixar mensagens pra Deus (orações vazias). Não se satisfaça com o que foi gravado na secretária eletrônica (Bíblia). Esteja disposto a esperar na linha até que Ele atenda e você possa ouví-lo (espere em oração… se cale para ouvir a Deus… dê tempo a isso…) e dialogar (os dois falando) com Ele diretamente. Ele está lá 24h por dia. E cuidado para não ligar para o endereço errado. Consulte a lista telefônica ou pergunte ao telefonista (Jesus), do contrário, cedo ou tarde você pode ser surpreendido pela elegante mensagem dizendo: “este telefone não existe”. Nunca existiu. Daí o silêncio do outro lado da linha.

“Felizes são…”

abril 10, 2010

As pessoas mais felizes de todas… Elas andam na rua falando com ele, distraídas e satisfeitas. Não passam um dia sem se ver. Quando elas dão uma festa, há sempre o nome Daquele primeiro convidado: Ele não pode faltar (sem Ele a festa não teria graça). As pessoas mais felizes de todas… quando amam, quando correm, quando compram, quando falam,  nunca se esquecem Dele, do que poderia agradá-lo . As pessoas mais felizes de todas são aquelas que cantam pensando Nele no chuveiro, que comemoram com Ele pelo seu time ir à final do campeonato, que mencionam o Seu nome com carinho em praticamente tudo que lhe perguntam. As pessoas mais felizes de todas são simples demais e acreditam de todo o coração que “todas as coisas conspiram” para que estejam sempre com Ele, e como é bom estar com Ele. Além de sempre trazer presentes, ele fala de coisas tão agradáveis, tão profundas e inteligentes. Daí o porque delas darem sempre muito valor a qualquer coisa que Ele tenha a dizer. As pessoas mais felizes de todas podem ter muita coisa pra fazer, mas nunca fazem nada antes de perguntar a Ele sua opinião. Quando estão tensas, preocupadas, tristes, elas fecham os olhos, conversam com Ele francamente, desabafam, pedem ajuda (até choram em seu ombro), e quando abrem os olhos, há um brilho novo de força e esperança ali. As pessoas mais felizes de todas nunca fazem nada sozinhas, não porque não possam, mas porque preferem depender Dele, esperar por Ele, “ir junto”. As pessoas mais felizes de todas são essas… que amam a Deus com amor de amigo. Sinceramente.

10 de Abril

abril 10, 2010

Começo a contar a vocês alguma coisa da minha vida com Deus. Há algum tempo Deus tem me falado (é, ele me fala muitas coisas… na verdade, é a voz que mais se ouve no mundo, isso mesmo, nesse nosso mundo de aviões e celular) da importância de compartilhar a vida. Veja a Bíblia. Um livro que conta mais que histórias, compartilha vidas. Vidas de pessoas próximas a Deus, cheias de significado, cheias de uma verdade superior à sua situação. E alguma coisa da vida do próprio Deus, do jeito que coube entre o gênesis e o apocalipse (por incrível que pareça, é um espaçinho apertado _risos).

Hoje foi um dia difícil, daqueles dias de irritação, chateação, decepção. Hoje foi um dia de ira. E enquanto escrevo isso automaticamente “não se ponha o sol sob a sua ira”. Não deixe passar o dia sem passar a ira. O sono de um coração ressentido certamente não é dos mais renovadores. Fui à igreja. Ah, a igreja. Lugar controvertido. É ali que os dois maiores opostos se reunem: a hipocrisia para com Deus (o maior pecado) e o Amor à Deus (a maior virtude). No meio da controvérsia, Deus olha e vê que lá estão “dois ou mais reunidos para encontrá-lo” e ele resolve ter misericórdia e vai até Lá. E foi lá, hoje, no meu dia da ira, que eu encontrei o que eu precisava. Quando o culto terminou aquilo ecoava na minha mente: “2 horas pra Deus”. Meu espírito confirmava: “Isso! Hoje!”. E aí a noite seguiu até que, mais tarde, eu entrei no meu quarto e vim realizar aquela vontade, matar a fome da alma e do espírito (matar a fome, boa expressão). Passei algum tempo a sós com Deus. Nesse tempo, re-contei a ele as coisas que tem passado na minha cabeça, coisas do passado e coisas do que eu espero pra amanhã, pra esse ano, pra mais além. Ele me lembrou de muitas coisas, me ensinou um pouco sobre o meu caráter (em um ponto que eu ainda não via) e fez aquilo que ele faz de melhor: consolou a minha raiva. Ah, um dos seus nomes é “consolador”. Como ele é bom nisso. Então fiz uma coisa que eu aprendi com ele também, depois de desabafar, me calei e deixei que ele falasse, ali no nosso lugar silencioso, só a sua voz falou profundamente durante alguns minutos. Quando terminou, eu estava como novo, e largo por dentro. Suas palavras abrem espaço em mim, e preenchem o espaço com todo o bem que ele sabe fazer. Impressionante como Deus explica as coisas. Seu modo de pensar é arrebatador. E as coisas que ele diz são acompanhadas de uma paz e uma força e alegria sem igual. A minha fé é pequena, mas Ele me faz acreditar (“autor e consumador da fé”).

Está na hora de ir. Eu queria trazer todos comigo, qualquer hora dessas, pra visitar esse lugar em que se encontra Deus. Lá, onde a sua voz se ouve, e onde alguns até podem vê-lo, está a solução para um dia de ira, um dia mau. Ali, hoje, eu curei minhas preocupações e remorço. Agora eu vou dormir. Agora que a ira se foi. Há tudo isso em “2 horas pra Deus”. E isso era o que eu queria contar.

conhecidopelonome.

abril 9, 2010

A história começa quando Ele começa. Por mim e por você, verdade. Não por nós, indistintamente, mas por mim, Thiago, e por Você. No minuto final Ele tinha tantos nomes em mente, tantas histórias, nossas histórias. Era algo pela qual valia a pena morrer, ainda que fosse preciso morrer uma vez para cada um desses, sim. Mas não foi preciso, Ele era suficiente, e bastou dizer aquilo, eu ainda posso ouví-lo: “Está Consumado: Thiago, João, Maria, Ana…”. Dali em diante, todos conhecidos por um único nome: Jesus, “nome sobre todo nome”.