Archive for agosto \14\UTC 2014

emtodasuaverdade

agosto 14, 2014

. reconhecer a verdade total é enxergar a paternidade consciente e amorosa que nos dota de liberdade para errar (experiência do pecado), nos instrui ao arrependimento (autocrítica decisiva) e graciosamente nos livra e resgata de nós mesmos de volta ao estado primordial de dependência (salvação);

. não há caminho possível de dignidade cristã sem pleno conhecimento; a verdade é que o tempo deveria nos tornar íntimos, mas a superficialidade nos rouba isto;

. tudo que existe fora da dignidade é enganação\encenação, histeria coletiva, esquizofrenia, charlatanismo, crise de fé, experimentalismo, sincretismo de incompatibilidades e hipocrisia; tudo isto é frustrante e não sustentável a longo prazo;

. nos fundamentos da dignidade cristã, que a legitimou\divulgou, está o conhecimento\reconhecimento, a identidade firme, a referência clara, a confusão entre criatura-criador e seus atributos, em outras palavras, a tão enunciada “imagem e semelhança de Deus”, que impõe a pergunta “quem é Deus” e imediatamente, na vida, responde com bem, com amor, com esperança;

. existe resultado\fruto mais expressivo, poderoso, do que dar significado à vida? existe dúvida mais incômoda que “pra quê vivo?”, “por quê vivo?”? Existe ser mais abandonado de respostas que o ser humano? Ter segurança num projeto de tamanha magnitude, responder à vida, e viver de acordo com esta Fé, certamente, é uma experiência arrebatadora;

. a autossuficiência angustiada, a ganância de Tântalo, o moralismo intolerante, o insustentável modo de vida e a extinção gradativa do amor incondicionado são exemplos de “tão densas trevas” de onde precisamos ser resgatados. A natureza humana está aí;

. não vivenciar uma consciência\vivência remediada de tais aflições é não ter gerado ainda, interiormente, a convicção, a aposta racional\positiva da aceitação das verdades cristãs; é ter ouvido sem crer; crer altera o curso da existência, crer transporta, ou seja, te leva a superar a vida;

. a transformação, finalmente, se dá na razão prática, quando a vida serve à vida e a vida eterna (e seus valores), ela sim, é o paradigma;

. a transformação se dá na criatividade, quando a ambivalência dos nossos projetos cede ao bem; quando o meu está a serviço do outro, não para consumo, mas para dávida;

. a transformação torna possível existir, permite que a vida seja uma experiência desimpedida, sem falsas expectativas ou frustrações, transitória, sem deixar de ser digna, ensaio da plenitude almejada;

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II Coríntios

agosto 13, 2014

Acabei de ler o capítulo 4 da segunda carta aos Coríntios. Que leitura. Apreciei sobremodo os versículos 8 a 11, uma vez que identifiquei alguns aspectos importantes que me fizeram olhar de certa forma diferentemente para esse texto inúmeras vezes lido por mim.

É engraçado ver passagens bíblicas intrigantes e reais como essa. Paulo vai falar exatamente daquilo que é contrário ao nosso (meu) crer evangélico. Ele vai pulverizar a nossa fé religiosamente certinha, imaculada e indefectível. Os versículos citados me provocam reflexão mais aguda porque trazem palavras fortes e situações limite. Sendo bem honesto aqui: Quem gosta de situações limite? Sendo mais franco ainda: Nesse nosso caldeirão evangélico de doutrinas e idéias para todos os gostos, falar sobre limites não dá ibope nem faz pregador/escritor famoso. Pois bem, voltemos ao assunto em tela.

Para adentrar ao texto vou pedir licença a você, caro leitor(a), para poder buscar ajuda profissional (no caso , o dicionário) para, com a ajuda dele, aprofundar as compreensões das palavras paulinas. Vou aqui abaixo elencar todos os significados a fim de tornar a leitura mais clara e compreensível.

Atribular: causar tribulação;
abatidos: derrubados, prostrados;
perplexos: espantados, atônitos;
perseguidos: importunados.

Esses quatro estados do ser são perfeitamente bíblicos e senti-los não descaracteriza o nosso crer, tampouco o nosso Deus. Aliás, quem escreve estas palavras conhecia muito bem os estados que tais sentimentos/situações nos colocam, bem como conhecia o Deus com quem andava.
​O que mais me chama a atenção no texto é que tais circunstâncias “limites” têm um LIMITE no nosso caminhar com o Pai.Todo sentimento de dor, de desgraça, deve obedecer um LIMITE. Tal LIMITE (desculpe a redundância, mas esta é necessária) ocorre nesse nosso contexto de desventura na estrada dos corações pavimentados daqueles que já descansaram Nele graciosa e confiadamente a ponto de não fazer da tribulação, angústia (ânsia , agonia); da perplexidade , desânimo (falta de ânimo, de alma); da perseguição, sentimento de desamparo (abandono); do abatimento, momentos de destruição ( assolação , arrasamento).

Amar e viver com o Pai é mais do que discurso e mãos levantadas. Se trata , na verdade, de experimentá-Lo nos universos mais inóspitos do ser, sabendo que todas as dores do meu e do teu viver devem habitar nos LIMITES transgressores da Graça de Deus. Esse é o paradoxo da Graça libertadora: limites que obedecem LIMITES quando se anda com aquele que é ILIMITADO. Só pode estabelecer LIMITES, para os “limites”, aquele que é ILIMITADO. Aleluia !

Despeço-me na certeza de que os alívios da Graça são maiores que as marcas mais indeléveis da tribulação, perplexidades, perseguições e abatimentos.

​Nele, o Ilimitável,

Hugo Jr
(Texto escrito em 14/01/2009)