Esvaziado.

A Palavra sempre nos diz que Cristo “esvaziou-se” da sua condição divina para assumir a Humanidade. Com ela, assumiu fraquezas, limitações, dúvidas (sim, Jesus teve dúvidas, como em “Pai, se for possível, passa de mim…”, um ensaio de “Não há outro modo de fazer?”), que vinham no pacote de Ser Humano que ele comprou. E comprou caro, a custo de sua própria Existência aqui. É certo dizer que ele, Jesus, foi humanamente impecável. Amou como ninguém, doou-se como ninguém e viveu para nós, ao contrário de nós, que vivemos cada um por si e para si. 

O que me entristece e intriga é ver que estamos assimilando o Cristianismo de uma igreja “cheia” e não “esvaziada”. Nós estamos avidamente apelando para que Deus nos “encha de poder”, para que ele nos “faça voar como águias”, que nos “leve por sobre o mar”. Estamos centrados no “Divino”. Esquecemos, negligenciamos o Humano. E assim, cultivamos a “divinização da Igreja”, pregando uma igreja super-poderosa, cheia de semi-deuses, ainda que estes hajam irresponsavelmente com as responsabilidades que tem diante de tamanho poder. Nesse ponto, até a história em quadrinhos do “Homem-Aranha” ensina mais: Um grande poder exige uma grande responsabilidade. Mas da responsabilidade não nos damos conta. Queremos apenas mais poder, mais poder, mais poder. Eu, sinceramente, estou esvaziado. No chão, como um saco vazio que não se suporta de pé. E, assim, sem mais suportar ouvir os entusiásticos gritos dos heróis e jingle´s de vitória de suas “batalhas espirituais”, eu me calo, me condôo, me ressinto comigo mesmo, por ter tão pouco a oferecer a esta “nossa igreja”, por poder fazer tão pouco por “nós”.  

Aprendi a amar a Jesus porque ele me amou, e amou a idéia da Humanidade com uma intensidade tão grande que ainda me atinge, através de suas palavras. A Cruz é a maior prova da Humanidade Domana, Equilibrada, Iluminada. Nela, vejo Jesus pregando amor, ainda que na dor dos pregos. E quando Ele disse “Eu venci o mundo”, eu entendo perfeitamente o que quis dizer: Eu venci, neste mundo, a mim mesmo. Esvaziado. Perfeito. Santo.

Seja seu Nome e sua Palavra Eternos em Nós. 

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