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Nomes Antigos

março 11, 2011

Havia um mestre, um verbo e um nome. E nunca mais houve.

O que eu sentia no íntimo como uma certeza crescente em “perceber que Nele há uma eternidade que me abraça e não me deixará depois do fim”, conheci por Fé, nome antigo. Ela ainda vive, mas roubaram-lhe o nome. Agora chamam Fé suas expectativas daqui e de agora.

Então apresentaram-me o Amor, nome antigo, que expressava o “desejo ardente de dedicar, de si, um bem a outro”. Ele ainda existe, mas roubaram-lhe o nome.  Agora chamam por Amor simplesmente “sorrir e dizer”, ingenuamente, insubsistentemente, indiferentes à vida, à dor, à doação de si.

Conheci um nome antigo chamado Louvor, que nascia de cada um como “uma canção livre e incontível de gratidão a Deus, trilha sonora da vida”. Ele ainda existe, mas roubaram-lhe o nome. Agora chamam Louvor à música. Mas não toda música. Aquela música. Interpretada. Tanto por quem toca quanto por quem ouve.

Conheci o nome antigo para as “pessoas que creram no Filho, como meio não só de ida, mas de vida, ao Pai”, os Crentes, às quais um dia me uni. Ainda existimos, mas roubaram-nos o nome. Agora Crentes são os que crêem, independemente do “em quê”, que não se pergunta, logo não se responde.

Por muito tempo estive confuso, nostálgico. Ouvia os nomes antigos, nossos nomes, sendo usados e tinha esperanças de rever seu valor, encontrá-los nalguma rua, em alguém.  Não houve um nome sequer intocado. Nem mesmo o Seu: Jesus. Muitos levam seu nome sem sequer terem-no conhecido. E “em seu nome”, fazem tanto, fazem tão pouco. Isto me força ao silêncio, um silêncio de alma, profundo. E a esperar ansiosamente pela Verdade que está em conhecê-lo. Não pelo ouvido.

Ao que vencer darei uma pedra branca, e na pedra um novo nome escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe.  O que vencer, de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida; e confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos. A quem vencer, escreverei sobre ele o nome do meu Deus, e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, do meu Deus, e também o meu novo nome.
(v. Bíblia, s. Apocalipse, cap. 2).

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