Economia do Ego

Um dos piores efeitos da Inflação se chama indexação. Funciona assim: o que era considerado aumento, encarecimento, ontem, se torna o marco inicial hoje. Assim, os preços continuamente são reajustados e o sujeito vai se adaptando às novas exacerbações, sempre tendo como novo “normal” um limite cada vez maior e perdendo-se do preço “real”.

Isto porque somos da moda e nos adaptamos bem à efemeridade, dada a enorme importância que damos à vaidade e seus subprodutos no comportamento, na estética e na ética. No campo da Moral, temos dificuldade em ser consistentes e a indexação também existe. O que ontem era absurdo, hoje é padrão, mas com uma disfaçatês que assusta aos economistas. Os excessos se multiplicam, sem que ninguém registre que este “todo mundo faz” de hoje, um dia, já foi o fundo do poço.

O antídoto econômico para a inflação do ego é complexo. O individualismo hedônico tem muitas causas, mas suspeito que a principal seja nosso profundo sentimento de solidão. E ela é materialista e de um relativismo alucinador. Homens e mulheres que já não sabem como construir solidez e constância no amor. Filhos abandonados por pais individualistas e despreocupados. Seres humanos que, ao se distanciarem de Deus (“não é mais um ‘conceito’ necessário em pleno século XXI”, dizem), estão órfãos de significado e caminho. Veja, por mais peso que determinadas aquisições tenham, elas não são dotadas de calor humano. E quando não há verdades absolutas, até mesmo a própria vida pode acabar à disponibilidade da efêmera “felicidade”.

Por mais que o Egoísmo cresça, ele jamais poderá prover auto-suficiência e segurança. Pelo contrário, a tendência é a experimentação de um esvaziamento íntimo enorme, um “cair em si” de proporções cada vez mais dramáticas.

Somos o que somos. Relacionais, espirituais e dotados de tamanho potencial ético, ainda que latente, que podemos até inflacionar nossas verdades, mas nunca ignorar: quando se trata da economia da existência humana, todo excesso tem um preço.

O antídoto? Ah, sim. O antídoto é ter memória.

“Guarda estas minhas palavras”.

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