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De onde Vem a Salvação.

julho 3, 2011

Elevo os meus olhos para o montes, de onde virá o socorro. Elevo os olhos às cidades, às favelas, aos presídios, aos hospitais, às creches, às casas de recuperação, às instituições políticas, às famílias em crise, às igrejas, às religiões, aos movimentos sociais, às lideranças políticas… e não consigo dizer de onde virá, de onde virá o socorro. Apesar da consciência de que “O socorro vem do Senhor, que fez os céus e a Terra”, não consigo ver de onde ele virá. Porque não vejo mais a fé inabalável, vivenciada, existencial, que um dia tivemos em Deus. O que restou foi o enunciado deste como de tantos outros salmos – que são resultado deste tipo de experiência pessoal do homem salmista com Deus – usados para dizer o oposto do que se vê. Vejo pessoas crendo em si mesmas: crendo em suas “palavras proféticas”, nos seus amuletos, no seu “chamado”, mas se apoiando pouco ou quase nada na verdade inabalável que é a existência de um Deus à prova de fragilidades, desvios, des-entendimentos, que denuncia em nós o oposto do que ele é, ou seja, nossa propensão a fragilidades, desvios, des-entendimentos. Uma experiência religiosa (individual e coletivamente) frágil, exposta, porque se deu por suficiente e renunciou à realidade da dependência que tem de proteção. Deixamos de ser o pequeno povo (interiormente). Deixamos de ser a nação santa (interiormente). Nossas cidades estão abaladas. Somos o produto da nossa independência. Eu, contudo, voltarei os meus olhos para os montes. E farei a pergunta de novo, procurando redescobrir em mim o significado desta resposta.

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