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Profundidade. Eternidade.

maio 15, 2011

Não houve sequer uma noite que Ele não reviu dolorosamente o passado. Ter fugido do egito depois de assassinar um homem, ainda que por uma causa justa, o marcou profundamente. Fugir significou abandonar seu povo. Abandonar as músicas que amava, os amigos e parentes, os pequeninos e pequeninas de Isaque, os velhinhos sofridos de Israel, gente que habitava sua alma permanentemente. Fugir, para Moisés, certamente foi uma dor profunda. Mas do mesmo modo como a dor penetrou profundamente, assim também a Palavra e suas verdades sutis invadiram seu coração. Nos anos no deserto, Moisés tornou-se sensível. Aprendeu a amar uma mulher e edificou sua casa. Aprendeu a submeter-se a uma autoridade, na figura do sábio sogro. Aprendeu a cuidar sem oprimir. Aprendeu o valor do silêncio, da calma, da reflexão a sós. E foi ali, no deserto, que Moisés aprendeu uma das lições mais profundas e poéticas de sua vida, diante da Sarça, que ardia em chamas, mas não se consumia. Ver a Sarça arder foi como relembrar a dor de um povo oprimido, sem sorte, massacrado pelo mundo cruel e primitivo. Mas perceber que ela não se consumia, que permanecia, ainda que engolida pelas chamas, o fez entender a grandiosidade do Deus que estava prestes a conhecer, um Deus que se lembra de todos os oprimidos, ainda quando estes acreditam estar inevitavelmente entregues ao esquecimento. Nas noites seguintes, quando os sonhos e visões de opressão retornaram, eles foram afastados pela lembrança da Promessa: Uma promessa de Eternidade. Sem mais dores.

Céu.

janeiro 31, 2011

Em meus sonhos, era assim:

“Eu deixava de respirar. A escuridão consumia a vista e o silêncio me cercava. Depois deste Vale da Sombra, começava a ascensão. Primeiro vinha a Grande Luz, no alto de uma escada rolante interminável, onde Milhares de outros crentes enfileirados seguiam lentamente rumo ao Céu. Os Portões Dourados, Anjos subindo e descendo, estava tudo lá. O som agudo de Trombetas produzia uma música harmoniosa com aquele ambiente de contemplação. No fim da subida, milhares se reuniam às portas da Morada Eterna para ouvir, como num grande show, uma Grave Voz dizer “Venham, benditos de meu pai. Entrem”. Entrávamos pelos portões cantando e lá estava o Paraíso: Algo Indisível, Inimaginável, Indescritível, de modo que a narração se encerra aqui”.

Amadureci. Meus sonhos amadureceram também. Percebi que aquela minha projeção da “Glória Final” possuia algumas falhas as quais não vou me ater, porque talvez eu atinja o sonho de mais alguém. Só me resta então, em poucas palavras, contar como é o sonho agora, que até mudou de nome, passando a se chamar “Finalmente, o Encontro”. Vejamos:

“Abro os olhos. Nem percebi que havia Adormecido. Apesar de o lugar parecer diferente, não me é estranho. Apesar de saber que faz muito tempo que estive ali, sei que Conheço bem aquele lugar. Aquela cama costumava ser minha, assim como o quarto iluminado pela Estrela da Manhã e o aroma de Pão Nosso de cada Dia do café. Enquanto suspiro profundamente e sinto-me mais Vivo do que nunca, ouço alguém à porta do meu quarto, esperando o convite para entrar. Meu coração, surpreendentemente emocionado, está à beira de matar uma Saudade enorme de alguém. Convido-o. Então ele surge pela entrada. Meus olhos confirmam uma Certeza antiga de que ele estaria me esperando: Jesus. Ele diz:

– Bem-vindo de volta! E sorri. – Mesmo sabendo a resposta, pergunto:

– Onde estou? – Ainda digerindo a informação e sem conter a Satisfação plena. Ele olha em volta como quem demonstra algo óbvio e triunfante e responde, com alegria:

– Onde mais? Você está em Casa!

Profundamente, então, eu sei que é Verdade. Estou em Casa. E este é o meu “Céu”.