II Coríntios

Acabei de ler o capítulo 4 da segunda carta aos Coríntios. Que leitura. Apreciei sobremodo os versículos 8 a 11, uma vez que identifiquei alguns aspectos importantes que me fizeram olhar de certa forma diferentemente para esse texto inúmeras vezes lido por mim.

É engraçado ver passagens bíblicas intrigantes e reais como essa. Paulo vai falar exatamente daquilo que é contrário ao nosso (meu) crer evangélico. Ele vai pulverizar a nossa fé religiosamente certinha, imaculada e indefectível. Os versículos citados me provocam reflexão mais aguda porque trazem palavras fortes e situações limite. Sendo bem honesto aqui: Quem gosta de situações limite? Sendo mais franco ainda: Nesse nosso caldeirão evangélico de doutrinas e idéias para todos os gostos, falar sobre limites não dá ibope nem faz pregador/escritor famoso. Pois bem, voltemos ao assunto em tela.

Para adentrar ao texto vou pedir licença a você, caro leitor(a), para poder buscar ajuda profissional (no caso , o dicionário) para, com a ajuda dele, aprofundar as compreensões das palavras paulinas. Vou aqui abaixo elencar todos os significados a fim de tornar a leitura mais clara e compreensível.

Atribular: causar tribulação;
abatidos: derrubados, prostrados;
perplexos: espantados, atônitos;
perseguidos: importunados.

Esses quatro estados do ser são perfeitamente bíblicos e senti-los não descaracteriza o nosso crer, tampouco o nosso Deus. Aliás, quem escreve estas palavras conhecia muito bem os estados que tais sentimentos/situações nos colocam, bem como conhecia o Deus com quem andava.
​O que mais me chama a atenção no texto é que tais circunstâncias “limites” têm um LIMITE no nosso caminhar com o Pai.Todo sentimento de dor, de desgraça, deve obedecer um LIMITE. Tal LIMITE (desculpe a redundância, mas esta é necessária) ocorre nesse nosso contexto de desventura na estrada dos corações pavimentados daqueles que já descansaram Nele graciosa e confiadamente a ponto de não fazer da tribulação, angústia (ânsia , agonia); da perplexidade , desânimo (falta de ânimo, de alma); da perseguição, sentimento de desamparo (abandono); do abatimento, momentos de destruição ( assolação , arrasamento).

Amar e viver com o Pai é mais do que discurso e mãos levantadas. Se trata , na verdade, de experimentá-Lo nos universos mais inóspitos do ser, sabendo que todas as dores do meu e do teu viver devem habitar nos LIMITES transgressores da Graça de Deus. Esse é o paradoxo da Graça libertadora: limites que obedecem LIMITES quando se anda com aquele que é ILIMITADO. Só pode estabelecer LIMITES, para os “limites”, aquele que é ILIMITADO. Aleluia !

Despeço-me na certeza de que os alívios da Graça são maiores que as marcas mais indeléveis da tribulação, perplexidades, perseguições e abatimentos.

​Nele, o Ilimitável,

Hugo Jr
(Texto escrito em 14/01/2009)

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