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Palavra Viva

outubro 7, 2013

Sem dúvida, a verdade é o que é. A palavra dita, freqüentemente, se distancia da verdade, ainda que não tenha originalmente esta intenção, porque somos muitos limitados, simplistas e bons teorizadores. Algumas dificuldades, simplesmente, não podem ser antecipadas ou enunciadas.
Assim, o evangelho não pode se basear na palavra dita ou facilmente se perderá num mar de moralismo, teorização estéril, discurso sem consequente resposta existencial.
O evangelho, então, deve, literalmente, viver a verdade, e este compromisso nos impõe, necessariamente, algumas lições automáticas. A primeira diz sobre nossas limitações. Uma coisa é dizer que o evangelho cura a alma do homem. Outra é vivenciar esse tipo de experiência. A superação de traumas, a reabilitação de identidades corroídas pelo mal do mundo… Há poder em Cristo para isto… Em Cristo. E só quem puder vivenciar Cristo, de fato, Poderá experimentá-lo. Daí o distanciamento que vemos entre o que é dito e o que de fato temos vivido.
Outra lição, tão profunda quanto a primeira, diz respeito a Pessoa de Jesus e a verdadeira identidade cristã. Porque ser identificado como cristão deveria ser o resultado de uma profunda personificação moral, social e ideológica da figura dele e, consequentemente, do pai. O discurso, quando fora desta relação, revela uma das piores faces da hipocrisia ou da cegueira. Por isso o discurso, no cristianismo, deve ser último, como a assinatura de um documento, aposta após a certeza da veracidade de seu conteúdo.

Lenha e Fogo

maio 2, 2010

O primeiro cristão é o Lenhador. Ele afia o seu machado, prepara os seus braços fortes e entra pela floresta densa em busca de lenha. Sempre procura a fonte mais antiga, de maior profundidade e extensão. Ao golpear a árvore, o cristão percebe que não será fácil. Mas ele insiste, seu trabalho árduo dura o dia inteiro. Aos poucos obtem o que veio buscar: conhecimento. Então ele volta satisfeito, sabendo que fez um belo trabalho diante de uma tarefa difícil. No fim, ele empilha todo aquele conhecimento em grandes toras, senta-se em cima da pilha, e lá do alto diz: Pronto. Fiz o que tinha que fazer. Mas a noite fria vem e ele sente frio. Muita Lenha, mas não há Fogo.

O segundo cristão é o Atiçador. Ele é habilíssimo em fazer surgir a Chama e cultivá-la, mesmo com pouco ou nenhum combustível. Nas noites frias, ele está sempre à beira da fogueira, que nunca se apaga. Ele também enxerga melhor à noite que os demais, porque o Fogo revela muitas coisas ocultas. No fim, ele se senta à beira da pequena fogueira e se acomoda. Sua luz não atrai outros, porque a fogueira é pequena. Há Fogo, mas a Lenha é Pouca.

O primeiro cristão se torna rude. Ele mostra as marcas nas mãos, os braços fortalecidos pelo trabalho árduo, as obras de madeira construídas, que são tantas, e brada aos outros que sigam seu exemplo, que aprendam a trabalhar. Ele despreza o Atiçador. O Lenhador perde a ternura e não conhece a comunhão. O segundo cristão é arrogante e preguiçoso: da beira da fogueira, ele julga o Lenhador  como “distante da luz”, pois o outro não vê o que ele vê. O Atiçador não percebe que nada foi construído, que contentou-se com pouco durante toda a vida e que sua luz não é capaz de brilhar muito longe, pois não tem intensidade.

Lenha e Fogo. Quando o Lenhador aprende Sobre o Fogo, Quando o Atiçador aprende a buscar Lenha abundante, então se erguem as fornalhas que iluminam o mundo, incendeiam corações de milhares e cujas brasas vivas ascendem aos céus, onde Deus está.

Que o Seu Altar seja uma Fornalha de Lenha e Fogo. Palavra e Espírito.