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Anda com Ele

julho 7, 2013

Violência. Impressiona pensar no que o homem é capaz. Além de ser capaz de ferir, tirar a vida, o ser humano ainda tem uma enorme capacidade para ferir a alma. Nós, que prezamos pela nossa segurança, aprendemos então, através do medo, a eleger os nossos inimigos. E a regra de ouro do medo é: fique longe deles. É a partir deste raciocínio que vamos refletir sobre como Jesus revolucionou a humanidade, tanto diante do medo, como através da esperança. Veja, se nós seguimos a lógica deste mundo individualista, nosso bem estar estará de tal modo acima da importância do outro que nos tornaremos, aos poucos, ilhas. Isto porque, nos últimos tempos, ninguém quer ferir-se, expor fraquezas, chorar abertamente. Nos escondemos sob máscaras insensíveis e nos afastamos daqueles que, do menor ao maior grau, nos ferem. E aí nos tornamos ilhas. Uma humanidade solitária, existencialmente esvaziada do outro.

O Cristianismo, contudo, tem como fundamento o amor. Amar ao próximo como a si mesmo. Amar amigos. Interceder pelos inimigos. Recorro aos dois textos mais chocantes a respeito do tema:

“Vocês ouviram o que foi dito: ‘Olho por olho e dente por dente’. Mas eu lhes digo: Não resistam ao perverso. Se alguém o ferir na face direita, ofereça-lhe também a outra. E se alguém quiser processá-lo e tirar-lhe a túnica, deixe que leve também a capa. Se alguém o forçar a caminhar com ele uma milha, vá com ele duas. Dê a quem lhe pede, e não volte as costas àquele que deseja pedir-lhe algo emprestado”. “Vocês ouviram o que foi dito: ‘Ame o seu próximo e odeie o seu inimigo’. Mas eu lhes digo: Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem, para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos céus. Porque ele faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos (ver Bíblia, livro de Mateus, cap. 5)”.

“Abençoem aqueles que os perseguem; abençoem, e não os amaldiçoem. Alegrem-se com os que se alegram; chorem com os que choram (…) Não retribuam a ninguém mal por mal. Procurem fazer o que é correto aos olhos de todos. Façam todo o possível para viver em paz com todos. Amados, nunca procurem vingar-se (…) mas pelo contrário, Se o seu inimigo tiver fome, dê-lhe de comer; se tiver sede, dê-lhe de beber. Fazendo isso, você amontoará brasas vivas sobre a cabeça dele. Não se deixem vencer pelo mal, mas vençam o mal com o bem (v. Bíblia, livro de Romanos, cap. 12)”.

Nas palavras de Jesus e de Paulo, qualquer deliberada devolução de violência é insustentável do ponto de vista cristão. E isto para nós, cidadãos deste mundo, onde se clama por “justiça” e se luta tão ativamente contra a violência urbana, pode parecer loucura, mas pense. Você consegue ver o potencial revolucionário que um princípio como este tem se for diligentemente praticado? O poder de encerrar guerras históricas, de pacificar povos, de por ordem no caos do ódio humano. Nós só precisamos entender que um cabo-de-guerra só é possível quando os dois lados tencionam vencer através da força, através da dominação do outro, em revelia a suas necessidades. E as vezes, mesmo o lado “vencedor” experimenta perdas tão profundas que o valor em si da disputa se perde.

A intensa verdade reside, pra mim, na sentença: “anda com ele”.

Quando isolamos nossos inimigos, quando nos entrincheiramos, polarizamos a disputa e confundimos a violência em si com o ser humano em si. Aí, aos poucos, o valor da vida humana cede lugar ao desprezo e, uma vez tendo o nosso pensamento traumatizado pelo medo, iremos sem demora recorrer à pena de morte, às prisões perpétuas, na tentativa de afastar inimigos, como se fosse humanamente possível afastar todo o mal que existe, acorrentá-lo, mantê-lo longe, quando ele muitas vezes reside em nós e dentro daqueles que estão ao nosso lado. Ingenuidade.

Se, contudo, fazemos como Jesus nos disse, nos expomos, humanizamos a disputa e insistimos no bem, ainda que feridos, veremos que o homem em si não é o maior problema e que muitas vezes somos os maiores responsáveis pelos nossos próprios conflitos. Diálogo, atenção, investimento no outro, repartição de cargas, ações afirmativas que de alguma forma busquem as reais causas das nossas lutas, da violência, podem revelar verdades mais profundas e caminhos mais eficazes que os que o medo indica. O fim da violência, segundo Jesus, reside aí.

O medo de ferir-se, a recusa em sacrificar-se, em algum ponto, destrói a vida em comum. Leva a falência casamentos. Destrói amizades. Encerra oportunidades. Mas o amor, ah, só o amor, aprendido nesta perspectiva da encarnação de uma nova mente e uma nova postura diante da vida, através desta Palavra, nos leva à “superação de uma multidão de erros”. Suportar um tapa na cara, como a Bíblia sugere, pode evitar uma contenda maior futuramente e, quem sabe, nos fazer credores de uma dívida impagável, porque não há nada mais nobre que o perdão que nasce em meio a dor. Foi assim que Ele, Jesus, clamou:

“Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”.

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“Jesus como seu Salvador”

novembro 20, 2011

Ter Jesus como Salvador parece simples. Parece uma questão de Afirmação. Vou tentar dar aqui minha perspectiva do que isso significa, em poucas palavras.

Nós diariamente precisamos de Salvação. A cada instante. Nossas escolhas podem representar Salvação ou Perdição. Aceitar aquela determinada proposta de emprego pode significar a ruína dos meus relacionamentos ou uma grande alavancada no meu desenvolvimento pessoal. Quem determina qual será o resultado das minhas escolhas ? O meu espírito, o que carrego de virtudes e valores comigo, a minha bagagem. É aí que Jesus é determinante. Acredito que Ele representa o exemplo máximo de alguém que viveu, como dizemos, “em espírito”, ou seja, viveu em virtudes, viveu bem (no sentido de saber amar, permitir ser amado, valorizar a vida e as pessoas, não se perder pelas ilusões do mundo) e para o bem. Acredito também que não há outro caminho que leve alguém a este nível de entendimento, senão aquele que Jesus aponta. Ele é o exemplo mais intenso, constrangedor e poderoso de amor e de elevação que jamais existiu. Quando eu digo que “aceito Jesus como meu Salvador”, estou dizendo que aceito este modelo de existência, essa postura diante da vida, esses “mandamentos” de alguém que é mais que um mestre de boas maneiras, mais que honorariamente o “filho de Deus”. Ele é o único que pode me levar a, vivendo a vida de maneira diferente, descobrir a resposta para meu maior questionamento: qual é o significado de tudo isto.

“Eu sou o caminho, a verdade e a vida”.

Meu Caminho, Minha Verdade, Minha Vida.

Sobre o Perdão e a Culpa

novembro 15, 2011

Todos os dias eu me sentia arrastado pelos cabelos até o centro do pátio de terra. Rosto espremido sobre o chão quente, meus acusadores furiosamente brabando “morte”, “pedras”. Assim os erros da juventude, os excessos, a vida oscilante, me faziam curvar, feriam-me, envergonhavam-me, usando tantas vezes a própria Palavra como sentença: “seus pecados fazem separação entre você e Deus”.

Então aprendi sobre a Graça, sobre o Dom Imerecido, sobre o que é sinceramente desejar não errar mais. Em Paulo, conheci o conceito do “mal que não quero fazer”. Em Jesus, aprendi o conceito do “venham a mim os que estão cansados e sobrecarregados”. Todos os dias, daí em diante, quando erro, ouço Sua voz dizendo…

“Eu também não te condeno. Vá”.

Deus. Política e Religião.

fevereiro 20, 2011

Difícil proposta, hã? Incluir na mesma conversa, como participantes, de um lado Deus, o que ele representa para nós, intimamente, e política e religião, propostas tão “cheias de verdades absolutas”. Mas vamos a ela, à esta tentativa de propor diálogo. Como ocorreu a iniciativa? Um amigo fez, a algum tempo atrás, uma afirmação um tanto desconcertante pra mim. Dizia ele que religião e política nunca deviam se misturar. Eu discordei ferrenhamente. Não porque não havia entendido o significado daquela afirmação (que só exprime o temor, o horror evocado na nossa memória quando lembramos de todas as vezes que alguém misturou esses dois “combustíveis sociais altamente inflamáveis” e pôs fogo na mistura), ou seja, ele estava incomodado com uma questão próxima, real e bastante coerente, mas não tinha em foco o problema em si. E desse modo me propus a ajudá-lo a enxergar este ponto de vista, na medida do possível.

Religião e política não podem ser dissociadas. Assim como política e psicologia, música  e religião, o fenômeno pop e a configuração da família, ou seja, tudo que é humano versus qualquer outra coisa ainda humana.

Mas para responder a esta questão básica preciso traçar uma fronteira. A fronteira entre Deus, na figura de Jesus (que nos é a mais íntima e chegada), e religião. E só recorro a um único argumento simples para estabelecê-la: A religião, toda forma de religião, é anterior ou posterior a Jesus? Sim, porque uma coisa é dizer que Jesus veio instituir a religião, ou que é seu patrono ou ícone. Isto é totalmente falso. A religião é anterior a Jesus. E inclusive, grande parte do seu empenho foi nos tornar mais lúcidos com relação a ela.

Sim, porque é nele, no seu “Life Stile” (ou estilo de vida, como diz um amigo) que eu deposito toda a minha confiança. Minha fé está firmada em sua afirmação quando disse “eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vem ao Pai senão por mim”. Logo em seguida ele se levanta, cansado da teoria, e põe em prática aquele modo de viver de arrepiar, contrário a tudo que somos, ferrenhamente oposto ao “modo corriqueiro de viver” ou, como chamamos, “o modo mundano de viver”.

Minha fé não está, nunca esteve, fundamentada na religião, pelo contrário, uso minha fé como bem entendo para criticá-la, assim como faço com a política, a economia, a arte, a moda, enfim, tudo que minha consciência puder tocar, numa tentativa de humanizar estas experiências, torná-las saudáveis. E não vou dizer que quero divinizar nada, porque já quanto a isto não tenho condições. Humanizar sim, porque sou humano. Divinizar pertence a Deus, e somente isto peço diariamente: Senhor, não necessito que a religião seja divina, nem a política, nem a história, nem a economia. Quando chegar a hora, Diviniza a minha alma. E por enquanto, humaniza-me ao máximo.

Logo, quando digo que não posso comprometer meus princípios cristãos diante de qualquer coisa (política, inclusive), estou certo. Mas quando digo que não posso relacionar Jesus a qualquer coisa, estou enganado. Na verdade, o desconforto está em perceber que o que chamamos de “princípios cristãos” não são, ao contrário do que é dito, uma unanimidade pacífica. Há quem diga que levar as pessoas a votar em determinado candidato por esse ou aquele motivo, ditas “em nome de Jesus”, é um ato cristão. Sinceramente, estas discussões pra mim são completamente periféricas, superficiais e frágeis. Quando penso na Palavra “enganoso é o coração do homem, quem o pode sondar?” perco a coragem de defender ferrenhamente quem quer que seja. Quando medito sobre “Como rio de águas assim é o coração do rei na mão do SENHOR, que o inclina a todo o seu querer” percebo que a escolha deste ou daquele nome é indiferente, já que quando o Senhor quiser falar, ele o fará a quem quer que seja.  Toda a discussão perde o sentido e chegamos a lugar algum, porque estamos correndo atrás de respostas a nossas próprias inclinações políticas, tentando elevar nossa aspirante “análise sociológica do ideal de futuro humano” à categoria de “propósito divino”. Realmente, desde ponto de vista, Jesus e política são inconciliáveis. Assim como a religião e a política.

Quer conciliar religião e política? Longo caminho: humanizar essas duas feras sociais, promover o diálogo entre dois leviatãs furiosos em poder e inesgotáveis em argumentos sobre “quem é o melhor caminho para o sucesso da humanidade”. Nota: Talvez um pouco mais do conhecimento de Deus, verdadeiramente Deus, possa ser de grande ajuda na tarefa, logo, é possível o diálogo, conquanto Deus seja posto como mediador entre nós e qualquer coisa.

Quer conciliar Deus e Política? Tente partindo daqui: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Vejo pouco disso no movimento político-religioso de qualquer lugar do mundo (e se formos falar do passado e do presente, vamos ter que nos humilhar ainda mais pelos equívocos bizarros que cometemos e atribuímos a Deus). Talvez seja melhor, de fato, aprender a pilotar a motocicleta antes de empreender grandes viagens, ou seja, talvez seja melhor refrear o discurso e as tentativas, agir com prudência, como ensina a Palavra, para não ferirmos a “Vida em nome de Deus” que queremos preservar no processo de descobrimento do “modo correto”. Porque ainda somos crianças. E só tendo consciência, assumindo esta nossa infantilidade diante de Deus, entendendo que ainda o estamos conhecendo (e estamos longe do completo entendimento), poderemos atingir o “Reino dos Céus”. Concluo, crendo que a causa dos nossos sucessivos insucessos está NÃO no antagonismo radical entre Deus e qualquer coisa (e consequentemente entre Deus e política, Deus e diversas religiões), MAS SIM na dificuldade que ainda temos em conciliar a mente de Deus, a verdade oculta de quem Ele realmente representa para nós, quais são seus propósitos, quem Ele realmente É, à  nossa vida, integralmente, na condição de Homens. Seja na figura de Políticos, Religiosos, ou o que quer que seja.

 

01 de Fevereiro

fevereiro 1, 2011

“Ora, Tomé, um dos discípulos, não estava com eles quando veio Jesus. Disseram, pois, os outros discípulos: Vimos o Senhor. Mas ele disse-lhes: Se eu não vir o sinal dos cravos em suas mãos, e não puser o dedo no lugar dos cravos, e não puser a minha mão no seu lado, de maneira nenhuma o crerei. Oito dias depois, estavam outra vez os seus discípulos reunidos e com eles Tomé. Chegou Jesus, e apresentou-se no meio, e disse: Paz seja convosco. Depois disse a Tomé: Põe aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos; e chega a tua mão, e põe-na no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente. E Tomé respondeu, e disse-lhe: Senhor meu, e Deus meu!

Disse, então, Jesus: Porque você me viu, Tomé, você crê; Felizes os que não viram e creram”. (João 20:24 a 29)

 

Olá pessoal do Blog, segue aqui alguns questionamentos de ultimamente. Espero que vocês encontrem no seu relacionamento com o Pai e nos frutos desse nosso estilo de vida respostas seguras para eles. Preocupado com nossas “certezas” sobre a Fé e sobre esta Vida que proponho esta reflexão, na esperança de que, ainda cedo, a gente alcance conclusões realmente bem-sucedidas (ou “Bem-Aventuradas”, “Felizes”, como passarei a chamar) a respeito de Deus e do que buscamos.

Grande abraço, Thiago

Felizes o quê? A Bíblia nem sempre propõe sugestões muito comuns a nós e à nosso modo de viver o Cristianismo. Aliás, me preocupo, porque algumas coisas simplesmente passam desapercebido aos nossos olhos. Ou não vimos o texto, ou por conveniência, somos coniventes com certas omissões. Digo isso porque passei boa parte do dia hoje refletindo sobre essas palavras: “Felizes os que não viram e creram”.

Qual era a situação? Tomé, um dos discípulos, precisava de evidências fáticas, algo para tocar, algo material, sólido, para afastar suas dúvidas sobre a Ressurreição de Jesus. E a ressurreição de Jesus era, no fim das contas, a prova inegável de que ele realmente era o Filho de Deus. Se aquela evidência não pudesse ser oferecida, todas as demais palavras de Jesus, tudo o mais cairia diante dos olhos de Tomé e de sua consciência. Jesuspoderia negar-se a dar evidências (como o fez muitas vezes), mas não nega. Ele simplesmente permite que Tomé satisfaça sua necessidade por sinais, mas depois o exorta frontalmente: Não seja incrédulo.

Provar o milagre. Não é essa a nossa maior necessidade? Não é por esse tipo de experiência que temos consumido todo o tempo dos nossos cultos, investido toda a intensidade da nossa Fé? Se não é o sobrenatural que perseguimos, o que é? O que Deus pensa a respeito da nossa necessidade de afirmações? O que Deus está disposto a fazer para que a gente deixe de duvidar da sua existência e de suas boas intenções, e da validade dos seus conselhos? Volta e meia me sinto correndo atrás do vento, como disse Salomão. E parece que a razão disso tudo é porque me esqueci ou ignoro o que Jesus disse a Tomé: Você só crê porque viu? Felizes os que não viram e creram. Eu, sinceramente, estou chocado com estas palavras. E quanto mais raciocino sobre elas, menos respostas me vem. Porque, aparentemente, Jesus indica que a Fé que não precisa de Milagres para sobreviver é mais Feliz. Produz mais segurança. Será que estamos vivendo infelizes, insatisfeitos, sub-nutridos sobrenaturalmente, por conta disso? Frustrados com Deus, buscando sinais, quando Jesus nos pede Confiança? Qual será o ponto de Equilíbrio entre “meu Deus é um Deus de milagres” (ou seja, ele pode curar o paciente terminal, pode parar balas e dar todo tipo de livramentos, pode dar visão a cegos, pode fazer a estéril engravidar…) e “Felizes os que não viram e ainda assim creram”? 

No meio de tantas perguntas, uma conclusão importante. Intrigado com esta situação narrada pelo Evangelho de João, resolvi buscar novos relatos sobre Tomé, já que foi da consciência dele que surgiu a dúvida que suscitou o problema. Encontrei uma lição profunda, veja: Em João 20 (v. Bíblia, em “João” Cap. 20) esta flagrada a incredulidade de Tomé. Mas a resposta de Jesus me parece prática demais para o caso, como um simples “você não precisa ver o caminho para andar, apenas dê um passo após o outro”, como se fosse fácil assim caminhar “no escuro”. Mas em João 11 encontramos uma coisa surpreendente. É mais um dos relatos de milagres que Jesus operou. E quem estava lá? O mesmo Tomé. E qual foi o milagre operado? Ressurreição. Pare e reflita aqui. Tomé já havia presenciado algo parecido, mas ainda assim sua Fé não havia sido alimentada. Nesta ocasião Jesus ressucita a Lázaro, depois de 4 dias de sepultura (tantas semelhanças, tantas evidências comuns), e, pasme, Tomé estava com eles, provavelmente presenciou aquele “espetáculo sobrenatural”, mas o tempo passa. A memória e a certeza enfraquecem. A conclusão é: Milagres não são indispensáveis à Fé. Nem provam a Fé. Milagres são Milagres. E Deus quem dirá quando e onde eles serão necessários e porquê.

E finalizo perguntando:

O que nos resta? O que devemos buscar? A Bíblia diz que agradar a Deus exige de nós “Fé”. Sem ela, isto não será possível. O que me leva à tantas outras perguntas.

Para quem é o milagre? Para nós, para Deus ou para os outros? (porque as vezes sinto que buscamos milagres na tentativa de mostrar aos outros, ou a nós mesmos, “veja, eu estou certo, Deus existe, você não vê? Tenha Fé”) Mas e a felicidade prometida aos que creriam sem ver, onde fica?

Será que realmente temos consciência do que é o milagre? Será que devemos realmente tratá-lo como um “espetáculo público”, como uma “moeda de compra” da Fé dos outros, filmá-lo, registrá-lo oficialmente (mesmo correndo o risco de, eventualmente, ou fatalmente, ser surpreendidos pela falta de consistência de muito daquilo que chamamos “milagre”?)?

Se constantemente eu estiver tentando re-tocar as marcas dos pregos, testar com prova e contra-prova a veracidade do sangue derramado, o que fazer, se Jesus se negar a oferecer provas de si mesmo (como o fez diante do pedido dos fariseus por “sinais”)?

Crer sem Ver é possível? Sim, porque tem dias que sinto que se Deus não agir em minha vida de alguma maneira sobrenatural, mesmo que da maneira mais absurda (uma nuvem diferente, uma carta anônima, uma brisa inesperada) minha fé não vai suportar. E serei tomado e consumido pelas dúvidas. Seria possível viver toda esta vida crendo apenas no que se leu a respeito de Jesus? No passado documentado?

Alguns dizem que não é possível. Alguns dizem que os mesmos milagres e sinais tem que ocorrer, porque o Deus é o mesmo. Alguns dizem que Jesus ainda cura como nos dias passados, mesmo que ninguém tenha se atrevido até agora a ir aos hospitais curar(como Jesus o fez, veja em João 5, O Tanque de Betesda, onde os doentes se reuniam). Alguns dizem sobre  a necessidade da experiência com anjos, e demônios, e visões e batalhas espirituais e tanto o mais do “sobrenatural necessário”. Eu, porém, crendo em todas estas coisas, tenho ainda muitas questões a respeito do “como”, “porquê” e “pra quê” destas coisas. E encerro com o fim do capítulo que despertou esta reflexão sobre Tomé, incredulidade, Fé,  milagres e Jesus (Sempre Enigmático, mas tão sábio e profundo):

“Jesus, pois, operou também em presença de seus discípulos MUITOS OUTROS SINAIS, QUE NÃO ESTÃO ESCRITOS neste livro. Estes, porém, foram ESCRITOS para que vocês CREIAM que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenham vida em seu nome”. (João 20:30 e 31)

Parece que Jesus esperava que nossa Fé fosse Suficiente para que, mesmo apenas lendo e conhecendo essas histórias, pudessemos chegar a algum lugar seguro na vida com Deus. Para que mesmo se não fosse possível Ver, Tocar, Provar, Testar, estivessemos felizes. Nossa Fé não depende disto. 

Céu.

janeiro 31, 2011

Em meus sonhos, era assim:

“Eu deixava de respirar. A escuridão consumia a vista e o silêncio me cercava. Depois deste Vale da Sombra, começava a ascensão. Primeiro vinha a Grande Luz, no alto de uma escada rolante interminável, onde Milhares de outros crentes enfileirados seguiam lentamente rumo ao Céu. Os Portões Dourados, Anjos subindo e descendo, estava tudo lá. O som agudo de Trombetas produzia uma música harmoniosa com aquele ambiente de contemplação. No fim da subida, milhares se reuniam às portas da Morada Eterna para ouvir, como num grande show, uma Grave Voz dizer “Venham, benditos de meu pai. Entrem”. Entrávamos pelos portões cantando e lá estava o Paraíso: Algo Indisível, Inimaginável, Indescritível, de modo que a narração se encerra aqui”.

Amadureci. Meus sonhos amadureceram também. Percebi que aquela minha projeção da “Glória Final” possuia algumas falhas as quais não vou me ater, porque talvez eu atinja o sonho de mais alguém. Só me resta então, em poucas palavras, contar como é o sonho agora, que até mudou de nome, passando a se chamar “Finalmente, o Encontro”. Vejamos:

“Abro os olhos. Nem percebi que havia Adormecido. Apesar de o lugar parecer diferente, não me é estranho. Apesar de saber que faz muito tempo que estive ali, sei que Conheço bem aquele lugar. Aquela cama costumava ser minha, assim como o quarto iluminado pela Estrela da Manhã e o aroma de Pão Nosso de cada Dia do café. Enquanto suspiro profundamente e sinto-me mais Vivo do que nunca, ouço alguém à porta do meu quarto, esperando o convite para entrar. Meu coração, surpreendentemente emocionado, está à beira de matar uma Saudade enorme de alguém. Convido-o. Então ele surge pela entrada. Meus olhos confirmam uma Certeza antiga de que ele estaria me esperando: Jesus. Ele diz:

– Bem-vindo de volta! E sorri. – Mesmo sabendo a resposta, pergunto:

– Onde estou? – Ainda digerindo a informação e sem conter a Satisfação plena. Ele olha em volta como quem demonstra algo óbvio e triunfante e responde, com alegria:

– Onde mais? Você está em Casa!

Profundamente, então, eu sei que é Verdade. Estou em Casa. E este é o meu “Céu”.

Jesus de Poucos.

janeiro 26, 2011

“Sabendo Jesus que haviam de vir arrebatá-lo, para o fazerem rei, 

retirou-se”.

Não é uma flagrante contradição? Não só de todo um propósito que pretendia o cristianismo em seus primeiros dias, de captar adeptos, mas também a toda uma sistemática religiosa, midiática, iconoclasta, dos grandes ajuntamentos de hoje? A fé por atacado não se harmoniza com este pequeno fragmento narrativo esquecido por muitos na história de Jesus. Assim como tantas outras ocasiões em que Ele mesmo realizava milagres e dizia, para a surpresa de quem lê, “não revele isto a ninguém, ainda não é a hora”. Nos parece contraditório porque pra nós todo milagre deve ser divulgado, não é verdade? Assim como todo bom conselheiro deve almejar, como realização máxima do seu propósito de existência, atingir as multidões, as grandes massas.

Partindo desse pressuposto que eu comecei a minha pesquisa pela vida de Jesus, esperando encontrar relatos sobre um líder religioso que reunisse consigo todo um sindicato de seguidores fiéis e determinados, bem treinados, influentes. Uns 100. Mas sua história me surpreende: ele escolhe doze. Anônimos doze. A resposta razoável para este comportamento pouco estratégico para um “militante político-religioso” é que Jesus não iria simplesmente captar pessoas, seduzí-las com Ideologia. Ele estava interessado em alterar profundamente seu modo de vida. E ele iria atingir a humanidade através de poucos.

Também imaginei que, diante da máxima “Deus é para todos”, ele jamais iria se negar a atender pedidos, o que poderia certamente prejudicar sua “campanha filosófica particular”. Que jamais iria impor condições a seus seguidores, que em hipótese alguma deixaria de expor suas convicções quando houvesse boa ocasião, e dizendo da forma mais clara possível: que nunca dispensaria ninguém.  Mas o que é aquilo que encontramos nos livros? Jesus dizendo “Quer me seguir? Negue-se!”, deixando de curar a muitos (por falta de fé?), ou sendo enfático com seus poucos discípulos remanescentes ao perguntar “E vocês? Também não vão partir?” numa clara confissão de que Ele não era quem a grande maioria esperava que fosse (um reformador, um conquistador), e a mais surpreende e exasperadora falha estratégica do “mestre dos mestres” diante da possibilidade de ser inocentado por Pilatos das acusações que o levaram à morte: seu silêncio.  

A contradição era tão grande, tão profundamente evidente com este Cristianismo que está aí, que percebi formarem-se dois polos opostos: O de Jesus. E o estranho a ele. Porque Jesus, aquele homem intensamente tomado pela presença de Deus, ele era de poucos. Apesar de ensinar a multidões (que o buscavam, não o contrário), Ele se detinha e atendia realidades individuais que passariam despercebidos pelos outros. Veja a mulher do fluxo de sangue, o cego bartimeu, Zaqueu, a mulher flagrada em adultério, a mulher samaritana, e tantos outros.

Jesus não fazia distinções nem tinha preconceitos. O que o tornava A TODOS ACESSÍVEL. Mas ele não via a humanidade como um todo, nem pretendia desenvolver um relacionamento midiático, impessoal, com seus seguidores. Ele deixou uma marca: o amor ao próximo. Literalmente. E assim ele amou tão intensamente aqueles homens a quem escolheu que deu a sua vida por eles, e em consequência por todo o gênero. Mas não amou o gênero, amou a pessoas reais, com nome, personalidade e histórias próprias. Assim, não foi preciso que ele ressucitasse diante dos olhos de todos, que fosse proclamado rei sobre os Judeus ou mesmo sobre o Império Romano, nem que seus milagres fossem divulgados “ao vivo”. Aquelas experiências pessoais foram provas de amor pessoal. E só nos ensinam que amar a Deus não é buscar uma experiência coletiva com Ele, mas buscá-lo com intimidade.

Ficamos com o toque, a atenção e a presença de Jesus, que importava-se em “cear” com aqueles que amava. Não multidões para seguí-lo, apertá-lo, assediá-lo, mas companheiros de Barco, com quem se poderia rir, chorar, crescer, viver.

E como um pouco de fermento atinge toda a massa,

pouco a pouco,

Ele conquistou com amor o mundo inteiro.

01 de Novembro

novembro 2, 2010

Olá, pessoal do Blog,

resolvi postar hoje parte de um estudo que estou preparando aqui. Espero que a leitura seja chocante na medida certa e, sobretudo, que te leve a reflexões e a conclusões práticas relevantes sobre Jesus e esse negócio maravilhoso e complexo que é viver como Ele.

Abração,

Thiago

 

Eu desafio você

 

A pensar (comigo e consigo), reconhecer (verdades e mentiras a seu respeito) e reagir (violentamente).

A relevar as diferenças entre pessoas, ser maduro e passar 1 ano inteiro sem brigar, ainda que em momentos de tensão. A nunca devolver um palavrão, a sempre se calar quando a palavra não for boa para edificação. Ou seja, se for pra amaldiçoar, fique quieto. O diabo não tem boca própria neste mundo. Não permita que ele use a sua.

Eu te desafio a EXECUTAR PRIMEIRO as coisas que você acredita, com sucesso, por um bom tempo, para depois abrir a boca para ensinar, ministrar, cantar, cobrar dos outros…

Eu desafio você a ter uma família equilibrada e a manter a calma com quem te conhece e te provoca. Eu desafio você a superar a falta de pai e de mãe, as brigas de pai e mãe, os erros de pai e mãe, porque Pai maior é Deus e o único que pode te ensinar a amar de verdade, porque ele quem inventou o amor e, talvez, seus pais nem o conheçam. Talvez você seja o único que possa apresentá-lo a eles.

Eu desafio você a amar mais os mendigos, os meninos de rua, e a entender melhor sua insistência, sua inconveniência, quando pedem, porque a fome não espera, muito menos o vício, a dependência química, o desespero que é a pobreza (material e espiritual). Eu desafio você a fazer qualquer obra social que seja FORA DA IGREJA, porque igreja não é ONG, nem uma “associação divina do desencargo de consciência”: “Eu dou meus dízimos e missão cumprida”. “Eu participo do evangelismo e missão cumprida”. “Eu freqüento os cultos, missão cumprida”…

Eu desafio você a orar de olhos abertos, a profetizar e ver cumpridas suas profecias pelo menos 3 vezes consecutivas. A deixar o pensamento positivo, a se rebelar contra a ansiedade das coisas não resolvidas. A deixar de imaginar Deus no céu e Jesus pregado na cruz, porque eles já mudaram de endereço e agora querem uma CONSCIÊNCIA pra habitar, entendeu? Seu coração, seu Eu, suas emoções, suas idéias, suas palavras, sua vida é o novo endereço de Deus.

Eu desafio você a ser santo, a deixar de se fazer de vítima, dizendo que “Deus” te fez de carne e a carne é fraca, porque mais fragilizado e massacrado que você foi Jesus, que nesta mesma carne fraca e cheia de tentações deu um tapa na cara da morte e partiu no fim dizendo “Eu venci o mundo”.

Eu desafio você a mudar a vida de alguém. Mostrar Deus a alguém de uma forma tão evidente que não sejam necessárias discussões sobre religião. Simplesmente contagiar alguém com seu estilo de vida. Fazer UM discípulo SEQUER (lembre-se que a bíblia usa o termo “ide e fazei discípulos”, no plural), ou seja, alguém que decida viver como você vive, por reconhecer que é um jeito melhor de viver.

Eu desafio você a amar, amar, amar, cultivar amizades verdadeiras, pra ver se esta organização que chamamos de “corpo de Cristo” tem alguma esperança, no meio de tanta podridão, falso amor, sorrisos artificiais, moralismo barato, muito discurso e pouca prática, famílias esburacadas, casamentos na carne viva, jovens depressivos, solitários, viciados, escapistas, gente se fechando pra relacionamentos e se escondendo, outros pulando de galho e galho em busca de um amor duradouro, outros que simplesmente não se LEMBRAM, não conseguem LEMBRAR que a bíblia diz que NÃO HÁ MÉRITO EM AMAR QUEM SE GOSTA! AME OS SEUS INIMIGOS!

Eu desafio você a se enxergar! Se enxergue! Veja que você ainda tem a boca suja, a mente podre, ódio enraizado na alma, viciado por lixo, deficiente nos valores sobre namoro, família, dinheiro, honestidade, responsabilidade, trabalho… Eu desafio você a ser o primeiro político honesto, o primeiro estudante que não pesca, o primeiro homem que não olha pra a mulher sensual que passa, a primeira mulher que domou a TPM,o primeiro pobre completamente feliz, o primeiro rico que vendeu tudo e dividiu com os pobres, tudo isso por amor a Deus.

Eu desafio você a ser melhor um dia depois do outro. A terminar cada ano com sobra de resultados positivos. A demonstrar que sabe a bíblia não diante da platéia, com microfone na mão ou dançando pra lá e pra cá, cheio de caras e bocas, mas SENDO, DE VERDADE, BOM EM TUDO, porque isso é abençoar. Ser bom pros outros. Você é o aparelho, a bíblia é o manual. Entre saber o que o manual diz e saber USAR o aparelho bem há uma enorme distância.

Eu desafio você a confiar menos na sua oração e na oração dos outros por você e mais em Deus. Eu desafio você a pedir mais para os outros do que para si mesmo. A perder o sono com uma causa que não seja sua, que não envolva o que comer, o que vestir, onde morar, alguém pra amar, alguém que você odeia… A entender que a Fé é crer nas coisas que não se vêem mas se esperam na outra vida, e não materializar essas coisas em bens, trabalho, relacionamentos que você ainda não possui.

Eu desafio você a se tornar uma pessoa que sempre é recebida, em qualquer lugar aonde vá, com sorrisos e comemoração. Uma pessoa amada e amável, que é Luz onde passa, que é convidada sempre e nunca força entrada, que se é melhor em alguma coisa, é em saber que “todos erraram e estão distantes de Deus” e que tem que trabalhar dia e noite para corrigir isso.

Eu desafio você a ter um namoro pra valer, onde Deus seja não aquele que diz “não pode fazer isso”, “não faça aquilo”, mas sim um objeto de afeição em comum tão grande pros dois que aprendam juntos a agradá-lo, e jamais ignorá-lo.

Eu desafio você a se lembrar pra sempre de pelo menos 3 dessas coisas ditas, e a se tornar um exímio praticante de pelo menos uma; desafio você a começar a viver 10% das pregações que você ouve, 5% dos e-mails religiosos e vídeos que lê e vê, 1% da bíblia que você conhece (ou sua fé é tão morta que você nem ouve mais o espírito gemer?).

Eu desafio você a entender que o amor de Deus, na pessoa de Jesus, nunca quis que você seguisse uma religião especifica. Deus só queria que você fosse uma pessoa melhor. Que amasse. Olhe ao redor: O amor está morto. Eu te desafio a, como Jesus com poder imenso fez a Lázaro, mandar rolar a pedra do impossível e fazer o amor reviver.

O mal que há no mundo pode te desafiar dia e noite, questionar sua fé, abalar suas certezas, mas é DEUS QUEM TEM O MAIOR DESAFIO a ser aceito por mim e por você, um desafio que provavelmente vai tomar sua vida toda, suas energias, vai te deixar esgotado, muitas vezes cansado, perdido, em crise… mas que vai te dar a maior recompensa de todas: Vida Boa, Vida Eterna!

Solte a Maldita Corda !

outubro 20, 2010

Foi por Fé que você decidiu saltar de Pára-Quedas. Não por suposição! A aeronave em pane já seria um incentivo suficiente, não é? Afinal, quem desejaria cumprir esse percurso mortal até o fim? O Problema foi quando você resolveu ouvir as vozes em sua mente, minutos antes de pular. Raciocínios de puro ceticismo inútil como “será que é 100% seguro?”, “Onde está o chão, eu não o vejo. Será que dá?”, e as terríveis estatísticas desencorajadoras iguais a “mais de 1,6 % dos pára-quedas de emergência falham”, “0,5% das pessoas saudáveis não tem um coração forte o suficiente para  emoções intensas” e por aí vai. Resultado: Você salta, mas por incredulidade instintiva traz consigo uma estúpida corda de “escape”. Maldita corda! Obviamente não há como voltar atrás, você já está no caminho da segurança. Se você continuar a segurá-la, uma hora ela vai chegar ao limite e o ricochete vai ser miserável, vai te partir em dois. A corda de escape ao invés de livrar, trai. Mas aquelas vozes na sua mente não se calam, te levam ao pânico total e você, cego, agarra-se à corda com todas as suas forças.

 

Quando você salta por Fé descobre logo depois dos primeiros minutos que, apesar da velocidade, da altura, da tensão, a queda é maravilhosa. E se vê nos ares, contrariando as possibilidades, tendo possibilidade de aproveitar da imensidão do céu, tendo a certeza da terra firme lá embaixo, mas sequer apreensivo por ela. Por Fé, você se descobre um Sky-diving. E descobre que desde a decisão de saltar daquela aeronave falida, você, enfim, encontrou o que é viver intensamente.

Jesus disse: “Quem quer achar Vida de Verdade,

tem que Estar disposto a Perdê-la”.  Radical !

Porta Estreita

setembro 13, 2010

No fim daquele Caminho apertado, alto, lá está: a porta. Mas quem disse que ela jamais esteve fechada? O Mestre nos disse para seguí-lo por este caminho (“Eu sou o caminho”). Não haveria erros. Desvios? Sim, existem muitos. Mas todo desvio é precedido de Escolha. E depois de desviar-se, você sempre pode voltar atrás. Este caminho é inconfundível.

Aquela Porta é especial. Esteve durante todo o tempo aberta. Não há porteiros nem guardas, ainda que além de seus umbrais esteja reservada toda a riqueza que há. É que há o bastante para todos. Esta porta também é especial. Às vezes, surge diante do homem no leito de morte, radiosa. E ele toma a adiada decisão. Então caminha pelo curto caminho, atravessa a porta delicada e encontra a Vida outra vez.

O Caminho é curto, mas não é penoso, calcário. É um caminho alto, de aspirações, elevações e muitos êxtases. Definitivamente não é a ladeira do Gólgota. Porque ela já foi usada pela última vez. Este caminho não está condicionado a penitências, portanto não tem degraus. É um leve e contínuo aclive, com a vista do maior nascer do sol que há de vir além dos montes eternos.

A Porta é especial. Apesar de estreita, é perfeita para todos os tamanhos de homens e mulheres. Porque foi feita na medida de um Deus (Jesus), que se esvaziou e veio nos mostrar como encontrá-la e seguir por ela. Esta porta não rejeita quem quer que esteja diante dela em busca de abrigo. Quem quer que esteja em busca de abrigo. Esta porta significa retorno ao lar que deixamos. Lá onde Deus habita.

O Caminho… isto quer dizer que já passamos por ele uma vez, decaímos, sim. Por sorte nos lembraremos, antes do fim, por onde retornar. É apertado para que você, por si só, decida seguí-lo. Sem multidões, sem pressões sociais, sem outros “guias”, porque só há um Pastor e Messias genuíno, e este, definitivamente, já está com o Pai, à sua espera, no fim da jornada.

Quer seguir este caminho, encontrar esta porta?

“Você me Buscará e me Encontrará quando me Buscar com todo o Coração”.

Ressurreição

agosto 29, 2010

“O fim do pecado é a morte”…”Todos pecaram e não tem mais a glória de Deus”… “Ele levou sobre si”… “porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu filho…”

Ah! Tomar consciência de minhas falhas,
dos erros cometidos reiteradamente,
da profundidade em que as raízes do pecado se agarram às profundezas da alma,
do comodismo, da indiferença,
dos pedidos de perdão sucessivos e insuficientes,
do falso arrependimento,
dos compromissos não cumpridos,
de Jesus torturado injustamente,
ver tudo isso claramente e entender que

pela

Graça

sou

salvo.

Não, não é motivo de lágrimas, nem tristeza.
Não.
Deixei de ser orgulhoso.
De me desesperar com minhas falhas,
de me sentir derrotado ao ver no espelho a face podre dos desejos,
da hipocrisia que nos faz bons de discurso, ruins de prática,
da falsidade que nos faz fingir ver a Deus quando Ele não está Lá, ouví-lo quando Ele nada disse…

Hoje, quando penso no sacrifício de Jesus, naquele santo sacrifício, difícil, doloroso, mas profundamente voluntário e consciente, elaborado em amor e sabedoria, quando me lembro da sua morte, das suas lágrimas, da sua disposição em fazer isso mesmo sabendo que ia receber tão pouco de mim em troca, ou quase nada…

… sinto Paz.

Ouça:

pela

Graça

somos

salvos.

Não Há mais o que Fazer, só aceita-lo. Esta é a nossa ressurreição.

“O fim do pecado é a morte”…”Todos pecaram e não tem mais a glória de Deus”… “Ele levou sobre si”… “porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu filho…”

Ah! Tomar consciência de minhas falhas,

dos erros cometidos reiteradamente,

da profundidade em que as raízes do pecado se agarram às profundezas da alma,

do comodismo, da indiferença,

dos pedidos de perdão sucessivos e insuficientes,

do falso arrependimento,

dos compromissos não cumpridos,

de Jesus torturado injustamente,

ver tudo isso claramente e entender que

pela

Graça

sou

salvo…

Não, não é motivo de lágrimas, nem tristeza.

Não.

Deixei de ser orgulhoso.

De me desesperar com minhas falhas,

de me sentir derrotado ao ver no espelho a face podre dos desejos,

da hipocrisia que nos bons de discurso, ruins de prática,

da falsidade que nos faz fingir…

Hoje, quando penso no sacrifício de Jesus, naquele santo sacrifício, difícil, doloroso, mas profundamente voluntário e consciente, elaborado em amor e sabedoria, quando me lembro da sua morte, das suas lágrimas, da Graça…

… sinto Paz. Você não? Ouça:

pela

Graça

somos

salvos…

Não Há mais o que Fazer, só aceita-lo. Esta é a nossa ressurreição.

Jesus. Além da Religião.

agosto 4, 2010

Eu já pensei serem as religiões portas. Muitas portas que levariam ao mesmo Deus. Mas então me lembro de Jesus dizendo “Eu sou o caminho… ninguém vai ao pai senão por mim” (v.Bíblia, L. João, cap. 14).

A religião é a moldura do quadro ? Em que a moldura atrapalha ? A moldura não é uma obra prima, mas nós tendemos a considerá-la assim. Transformamos em Intocável o superficial, muitas vezes esquecendo o sentido da obra, resistindo quando ela precisa de uma nova moldura que a ampare, afinal, o mundo muda, as molduras mudam, só a verdadeira arte continua insubstituível.

Jesus está nas coisas simples, no amor entre pessoas iguais ou diferentes, nos gestos do espírito, na bondade não ensinada, como a bondade das crianças, não imposta (daí “necessário nascer de novo”, v. João 3;  e “Deixai vir a mim os pequeninos…porque deles é o reino de Deus”, v. Lucas 18).

Jesus está contido na religião ? Não. Se estiver, quando faltarem as velas, cessa a misericórdia que atende aos pedidos. E se não houverem escadas enormes, cessa a conquista do favor e da graça. E se não houver dinheiro para dízimo, cessa a prosperidade prometida.

A religião segue regras morais. A moral é o juízo de valor da conduta humana. E não preciso dizer que Jesus não está preso à ela, afinal, ele não era um homem comum, era um homem em contato direto com Deus. Isso é assustador. Jesus era assustador. Andava com a escória, era mais sábio que qualquer mestre e, como missão póstuma deixou-nos um desafiador “sejam santos porque eu sou santo” (v. Levítico 11).

Difícil?

“No mundo vocês terão dificuldades,

mas tenham ânimo, eu venci o mundo”.

(últimos conselhos de Jesus  antes de sua morte, v. João 16)

Deus. Além da Religião.

agosto 2, 2010

Olá, pessoal do blog,

quero dividir com vocês um raciocínio sobre Deus e o paradigma religioso, não para ofender a religião (porque, sinceramente, não considero a religião como instituição uma causadora de problemas), mas para discernir o que é, de fato, Deus (relacionamento com ele, dedicação a ele, vida para ele) e o que é liturgia, rito, compromisso social apenas. Vamos a isso?

 

Os paradigmas de Deus são simples: amor prático ao próximo em ações que ajudem, edifiquem (traduzindo: construam algo de bom no outro), contribuam,façam a vida de alguém (ou a de todos à volta) melhor, em algum aspecto mais agradável, em relacionamentos relevantes e sempre bem intencionados; justiça para consigo mesmo e para com Deus, vivendo querendo o melhor da vida e afastando-se do que há de ruim, na sinceridade que afasta a hipocrisia, o orgulho, que nos faz enxergar nossas limitações, que nos dá a sensibilidade de perceber que, apesar de cometermos erros diferentes, todos erramos e todos somos carentes de Deus, que é nossa linha reta num mundo que anda em círculos; paz, interior e exterior, no controle do ânimo, do mau-humor, da vontade de devolver a ofensa, paz em casa, paz na criação dos filhos, na hora de tratar os erros, na hora de tomar decisões difíceis, na iminência da morte; e alegria, aquela festa diária de estar vivo e ter tantas possibilidades, a satisfação de estar vivo, ter amor, ter amigos, ter um motivo, relevância, a alegria infantil das pequenas coisas, das tardes ensolaradas, essas pequenas atividades prazerosas, as vitórias e os títulos, a mudança de vida, a felicidade almejada; , a firme convicção de que existe alguém, que pode não ser sensorialmente apreensível, mas ainda assim é real e consciente, olhando, zelando, guiando os passos da humanidade (principalmente daqueles que confiam em sua palavra), aguardando no outro extremo da história, para uma razão maior que simplesmente 100 anos de vida.

Os paradigmas religiosos, contudo, não são tão uniformes, mas invariavelmente teremos: liturgia, o passo a passo do funcionamento do seu comportamento religioso: levantar a mão? Não levantar? Falar alto ou baixo? Vestir roupas longas ou curtas? Reunir-se aos domingos ou todos os dias da semana? Dizimar quanto? Chamar Deus de quê? Chamar o amigo ao lado de quê? Ler algum livro? Fazer alguma prece? Decorar alguma coisa? Cantar que música? Ler que literatura?Frequentar que ambientes? Temer o quê? Fazer e não fazer o quê? E a Crença, a confiança depositada no conteúdo de algum enunciado ou indivíduo, na efetividade de alguma prática, na esperança de que determinados hábitos resultem em determinados resultados.

Permitam, contudo, que eu lance algumas perguntas inspiradoras:

Se eu vou a determinado culto, em determinado local, e sigo todos os protocolos formais (sento-me, ouço o sermão, canto determinado tipo de música, leio determinada literatura), durante um mês, mas no final deste prazo não acrescentei em nada, no meu dia-a-dia, dos paradigmas de Deus (não sou uma pessoa melhor, mais paciente, mais agradável no trabalho, mais tranquila com os problemas domésticos por confiar em Deus, mais serena de espírito, menos deprimida), em que grupo eu me enquadro: “Filho de Deus” ou “Simplesmente religioso”?

Se eu for impecável no cumprimento dos paradigmas da minha religião, sendo cuidadoso em observar suas normas,(ex. frequentar assiduamente as reuniões) em realizar todos os seus votos e obrigações (ex. dizimar, evangelizar), em manifestar abertamente minha posição diante da comunidade, em atrair novos adeptos, mas for ainda imaturo nos paradigmas de Jesus (ainda não sei amar nem demonstrar amor e respeito, não sou educado e sincero, ainda ando ansioso e estressado, ainda burlo regras morais e sociais básicas, minto muito, não trabalho direito, não pago a quem devo e minha família é um ambiente pouco comunicativo e negativo), posso ser chamado de Filho de Deus? Ou Tecnólogo da Religião?

Se eu praticar determinado conselho ou rito, seguindo suas determinações que prometem tornar-me mais próximo de Deus, se eu orientar minha vida ao redor de determinado grupo de ensinamentos doutrinários que prometem resultar em algum aprendizado e crescimento, e depois de um, dois, três anos de prática fiel, percebo que eles não produziram em mim o que deveriam produzir, ou que eu não evolui como indivíduo, nem me aproximei mais de Deus e de conhecer o segredo de viver de acordo com seus paradigmas (com fé, amor, paz, alegria e tantas outras “bênçãos” prometidas), posso concluir que minha religião pessoal é morta, e que minha prática religiosa em si é insuficiente para me tornar mais íntimo de Deus, mais parecido com ele?

Os paradigmas de Deus são claros e universais. O amor sempre será o amor, a fé será sempre fé, assim como a justiça será a justiça. Pratica-los é uma maneira universal de ir ao encontro de Deus. Já os paradigmas religiosos são incertos, variáveis de modalidade para modalidade religiosa, são um terreno fértil para controvérsias e árido para certezas.  Quem apóia sua busca por Deus em paradigmas religiosos vive uma vida infrutífera, padece no entendimento do mundo e acaba anulando a beleza de Deus, sua glória, seu propósito. Quem vive uma vida alicerçada na “rocha” que são os princípios que Jesus ensinou “com seu sangue”, com sua existência, viverá consciente e plenamente satisfeito, nunca deixando de aprender, com motivos de sobra para sorrir, amado e respeitado por todos, escrevendo uma história impecável, um caminho seguro e direto até a eternidade, onde Deus está. No fim das contas, Deus se mostra como o sol acima do nebuloso, incerto, ambiente religioso. Muitos só vêem Deus parcialmente, não podem contemplá-lo claramente, nem sua vontade, porque vivem dias tempestuosos, nublados, difíceis por conta da religião. Mas Deus, como o Sol, está além das nuvens. Acima, muito acima dali, e claro como o dia.

 

Grande abraço,

Thiago

 

À Beira do Poço

junho 1, 2010

Mais uma vez aquela mulher retornava ao poço da sua alma. Mais uma vez ela iria inclinar-se com dificuldade sobre seu vazio existencial buscando erguer de lá de dentro algum significado, algum conteúdo. Sua alma: poço de águas tão profundas. Mas ela habituou-se a isto: ao sacrifício de Ser, à sede diária.

 Quem é este que espera à Beira do Poço? O que ele procura?  “Minha alma é profunda demais e você não tem como chegar até ela”, murmura pálida de esperança a mulher. Ela comete o principal engano da humanidade: orgulhosamente diz que sabe mais de si do que Deus o sabe. Ele responde a ela com um enigma profundo, sua voz ecoa no interior do poço escuro, praticamente seco:

 Se você verdadeiramente soubesse quem te pede “alma”, se você verdadeiramente entendesse, é você quem estaria clamando agora. Então não seria mais um poço vazio, sedento, mas uma fonte de águas vivas que jorram para a eternidade. Ao ouví-lo, instantaneamente, ela sentiu o interior agitar-se: Havia vida naquelas palavras. O poço voltava a minar água, lentamente, duma água viva. Transformada, ela ergue-se e passa à diante, para anunciar a todos o que havia visto e ouvido: sua Alma transbordava.

“Quem é este que espera à Beira do Poço ?”

Toca-me. Guia-me. *

abril 25, 2010

Eu era cego. Acostumado a ser guiado por alguém a todos os lugares. Dependia de outros, os meus guias. Ouvi de Jesus, ouvi que ele podia com um simples toque fazer ver. Meu maior sonho era ver. Eu ouvia as vozes das pessoas ao redor e estava acostumado ao toque: pessoas me levando de lá pra cá, de cá pra lá, eu as seguia, mesmo as vezes por caminhos que eu não queria seguir. Mas o que fazer, eu era cego. Sim, meu sonho era ver. Então fui (guiado por outros) até Jesus. Rogamos para que ele me tocasse, e ele veio até mim. Senti seu olhar pousando sobre mim, um pobre cego, dependente dos outros, e senti quando ele me tocou. Porém, Ele não me tocava os olhos, mas sim me conduzia, como tantos outros já fizeram, e eu ainda estava cego, mesmo depois disso. Minha fé vascilou, mal sabia que aquela seria a última vez que alguém me guiaria à algum lugar daquele jeito. Ele me levou pra longe dali, longe dos meus antigos guias. Então ele me tocou, tocou de verdade, e a luz invadiu meus olhos pela primeira vez. Ele me perguntou: O que você vê? Eu respondi: Vejo pessoas (eu estava radiante), elas se movem na minha frente. Minha vontade era ir até elas, era agora seguir junto com elas. Eu pensei que já estava curado. Então Jesus novamente tocou-me, à princípio eu não entendi, mas quando a luz invadiu meus olhos pela segunda vez, eu vi: as pessoas que se moviam à minha frente, ao contrário do que pensei, não sabiam pra onde ir, também estavam cegas (“cegos guias de cegos”). Por toda a vida, eu fui um cego guiado por cegos, até Jesus tocar meus olhos. E aprendi com Jesus, o meu único guia verdadeiro, esta lição: Um verdadeiro guia sempre te leva até a luz. Um verdadeiro guia toca e traz luz. Luz  à vida. Hoje eu vejo.  “Tua Palavra ilumina meu caminho; Luz que me guia”.

  

* Paráfrase de Marcos 8:22 “Trouxeram-lhe um cego, e rogaram-lhe que o tocasse. Jesus, pois, tomou o cego pela mão, e o levou para fora da aldeia; e cuspindo-lhe nos olhos, e impondo-lhe as mãos, perguntou-lhe: Vês alguma coisa? E, levantando ele os olhos, disse: Estou vendo os homens, porque como árvores os vejo andando. Então tornou a pôr-lhe as mãos sobre os olhos; e ele, olhando atentamente, ficou restabelecido, pois já via nitidamente todas as coisas”

Jesus de 20 e Poucos Anos

abril 22, 2010

Olá, queridões e queridonas leitores deste Blog. Passo a dividir com vocês algumas coisas que se esclareceram em minha mente durante meu momento a sós com Deus desta semana. Isso tem me afetado muito: o modo como eu dirijo a minha vida, minhas escolhas e minha perspectiva do futuro. Estive pensando a respeito da juventude de Jesus. Isso mesmo, o adolescente que Jesus era, o jovem de 23, 24 anos Jesus, um “Jesus” pouco mencionado, mas muito importante.

A Bíblia nos dá algumas referências a respeito do jovem Jesus, veja: Lucas 1:80 diz que “o menino crescia e se robustecia em espírito”, Lucas 2:40 diz que ele “crescia e se fortalecia, tornando-se cheio de sabedoria; e Deus, com sua graça, estava com ele”, Lucas 2 ainda relata o “sumiço” do Jesus adolescente (na ocasião com 12 anos de idade), que três dias depois foi encontrado “no templo, sentando no meio dos doutores, ouvindo-os, e perguntando muito. E todos os que o ouviam se admiravam da sua inteligência e das suas respostas” (Lucas 2:46). O capítulo finaliza assim: E crescia Jesus em sabedoria, em estatura e em graça diante de Deus e diante dos homens (Lucas 2). Daí em diante, a história salta de 12 anos para 30 anos. Pouco mais é mencionado sobre a juventude de Jesus, mas uma coisa fica ecoando na minha mente: “e ele crescia em sabedoria”; imagino que Jesus, que era extremamente inteligente aos doze,deve ter empenhado os anos seguintes em apurar sua mente, encher-se da Palavra, “refletindo dia e noite” (salmo 1), no seu sentido real, na sua aplicação ao seu cotidiano. Ele também “crescia em estatura e graça diante de Deus”. Ah, a vida devocional de Jesus. Eu imagino o quanto Jesus orava quando ele tinha 20 anos de idade. E eu fico assustado imaginando que enquanto meus desafios pessoais são sucesso profissional, vida familiar e ministérios, ele tinha um mundo pra salvar. Enquanto eu oro para que se abram portas de emprego, ele orava para que as portas do inferno fossem escancaradas, e que Deus preparasse o caminho até a morte, ainda jovem. Ele sabia que não iria chegar aos 40. Ele devia ter emoções completamente equilibradas, fruto do seu tempo com Deus, e do conteúdo que possuia. Ele devia ser também muito alegre, confiante de si mesmo e otimista, ou essas tensões em sua juventude iriam sufocá-lo como pessoa, torná-lo amargo e desagradável, o que não aconteceu, já que a Bíblia ainda menciona que ele “crescia em estatura e graça diante dos homens”. Ele era carismático, interessante, atraía pessoas ao seus redor e, certamente, era a melhor companhia que alguém poderia ter. Jesus jovem, dá pra imaginar? Jesus e seus 20 e poucos anos. Fantástico. E ainda mais se pensarmos que ele, aquele garoto de 20 e poucos anos, era o Um, aquele que estava no começo com Deus, quem mais conhecia e entendia os planos de Deus para a humanidade. Eu olho para a minha juventude e vejo a distância entre nós dois. “Crescer em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens”. Ele era completo. Eu quero ser completo como ele foi. Bom pra mim saber que este mesmo Jesus, jovem, oraria um dia para que nós fossemos Um, assim como ele foi (e é) Um com o Pai, abençoando assim os 20 e poucos anos de tantos outros, abençoando os meus 20 e poucos anos.

Obrigado pela dica, Jesus. “E crescia o jovem Thiago em sabedoria, em estatura e em graça diante de Deus e diante dos homens”. Valeu mesmo.

aos 23, Thiago