Posts Tagged ‘Bíblia’

18 de Novembro

novembro 18, 2011

É muito comum ouvirmos que “Deus tem um propósito na sua vida”. Aí, volta e meia explicamos nossos sucessos ou insucessos por meio deste conceito. Se venci, se consegui o emprego, se realizei o sonho pessoal, se galguei uma posição, digo: É o propósito de Deus! Se, por outro lado, perdi, não consegui o emprego, tive um trauma, sofri um acidente, decaí em algum aspecto, começo a explicar que “Deus tem um propósito nisso tudo”.

Ficam, então, algumas perguntas no ar: Tudo que me acontece está dentro dos propósitos de Deus? Todo sucesso é propósito de Deus? Todo insucesso é sinal de que Deus quer de mim outra coisa? Vamos pensar biblicamente:

O povo de Israel queria muito um rei. O povo pediu a Deus um rei. Deus deu ao povo um rei. Sucesso, certo? Mas era esse o propósito de Deus? Não. O povo considerou aquela uma grande conquista, já que todos os outros povos tinham reis, mas não era este, nem de perto, o propósito de Deus. Esse caso ilustra aquelas nossas conquistas que, ao invés de nos aproximar de Deus, nos afastam (essa é pra os amigos que trocam seus momentos de meditação e estudo da palavra por uma promoção de emprego rs) .

Nas guerras do velho testamento, não são poucos os casos em que, mesmo vencendo uma guerra e se apropriando de todos os bens do povo vencido (ou seja, aparente sucesso, ascensão material etc.), Deus se mostrava insatisfeito com o povo, porque sua intenção é que eles não se apropriassem daquelas riquezas ou fizessem escravos. Logo, vê-se aí mais um caso em que a vitória não representa propósito de Deus. A bíblia está cheia deles e a lição é auto-explicativa: existem coisas que não deveriamos desejar ou ter.

Agora vejamos sobre derrotas. José era um rapaz muito justo. Amava seu pai, amava seus irmãos. Num determinado momento, os irmãos voltam-se contra ele e o aprisionam, em seguida vendendo-o como escravo para o Egito. José fica preso durante muitos anos. Está aí uma grande derrota pessoal. E ninguém diga que foi um período prazeroso e tranquilo na vida de José. Foi um período de privação e dificuldade. Mas nesse caso, a derrota de José significou um alinhamento aos propósitos de Deus não só para ele, mas para com o povo.As vezes, derrotas a curto prazo reservam vitória a longo prazo.

Existem também derrotas irreversíveis na Bíblia que foram designadas por Deus. Veja a história de Jó. Independentemente de ter tido mais filhos e filhas, a verdade é que a morte dos primeiros não se reverteu. Eles se perderam deste mundo. Uma grande tristeza, sem dúvida, mas que não escapava da história de Deus para a vida de Jó. Assim, insucessos nem sempre são sinais de que Deus não está lá. É preciso humildade e maturidade para reconhecer isso. E a história de Jó nos ensina que independentemente das circunstâncias, seus princípios e valores devem permanecer inabalados.

Tem também aqueles casos em que, derrotados nas primeiras tentativas, começamos a desconfiar que Deus está nos levando para outro “propósito”. Será que uma ocasional derrota já demonstra que Deus nos quer num lugar diferente? Na história de Jacó com seu sogro a coisa parecia indicar que não era dos “propósitos de Deus” que ele tivesse a mulher que desejava, Raquel. Isto porque diversas vezes ele foi enganado, ludibriado, coagido e explorado pelo sogro, a ponto de ter que fugir para se ver livre dessa situação. Um caso de insucessos e frustrações sucessivas, mas que guardavam um propósito ali. Muitas vezes nos veremos limitados por um agente externo. É preciso sabedoria, estratégias e paciência para superar determinados obstáculos.

Na verdade, o que vejo é que os propósitos de Deus são, a princípio, ocultos, e não evidentes. Assim, não é fácil enxergá-los e simplesmente contemplar as evidências circunstanciais não responde a pergunta. Nem tudo que acontece conosco é propósito de Deus. Apressar-se em dizer que esta ou aquela é a vontade de Deus é um erro muito comum (veja a história do erro fundamental de Saul, no livro de Samuel). Algumas coisas são simplesmente resultado da nossa liberdade. Nem todos os acidentes e tragédias guardam propósitos (apesar de que podem, evidentemente, ensinar). Nem todas as crises, as conquistas, os eventos do dia-a-dia, são da “vontade de Deus”. Se assim fosse, nossa vida seria plena e correria invariavelmente em ascenção constante, o que, claro, não é verdade. Nossa inconstância é evidente. E a tentativa de explicar sucessos e fracassos pela luz dos propósitos é apenas mais uma manifestação da nossa inconstância, de entendimento e de caráter. É mais fácil “explicar” um insucesso que enfrentá-lo. É mais fácil “justificar” um desastre do que conviver com a realidade de que nós, homens e mulheres, optamos por este caminho, um caminho de “conhecimento do bem e do mal”, de livre-arbítrio, em detrimento da completa dependência de Deus.

Por fim, a Bíblia diz que “há propósito para todas as coisas debaixo do céus”. Parece controverso? Não é. A Palavra está dizendo que para tudo que existe, existe uma “finalidade para a qual isto foi criado”, um plano inicial. Por exemplo, o propósito de existência dos rios, muito provavelmente, era prover água para os campos. O propósito dos pássaros, dentre outras coisas, era semear a terra. E assim por diante. Mas um rio poluído, certamente, não está nos propósitos de Deus, nem o tráfico de aves. Eles existem? Inúmeros casos. Longe do propósito inicial, mas estão lá, resultado da sua e da minha vontade.

Da próxima vez que você experimentar vitórias ou derrotas, reflita antes de concluir o “propósito de Deus”. O salmista Davi, humildemente, disse: quem pode entender a mente do Senhor? Entender os propósitos de Deus é um desafio contínuo e inesgotável de entendimento, reavaliação, interpretação e meditação acerca daquilo que vemos, ouvimos, conhecemos e enfrentamos. E só há um modo de saber se você está plenamente diante de um propósito genuinamente divino: diante de Deus, de si mesmo e de todos os que o cercam, isto será Bom, Perfeito e Agradável. É alcançar o “Sentido” das coisas. E isto, cá pra nós, nos dias de hoje, não é uma coisa fácil de se encontrar.

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Minha História Está Escrita !

junho 1, 2010

Olá amigos(as) do Blog,

Queria dividir com vocês alguma coisa que me veio sobre a nossa relação com a Bíblia. Nós usualmente dizemos que a Bíblia é a Palavra de Deus. Certo. Do ponto de vista prático (porque se a sua Fé não é prática ela está morta, v. o livro de Tiago em “porque a Fé sem obras é morta” e tantos outros trechos) a Bíblia é um conjunto de textos que trazem revelações pessoais de Deus à humanidade, que aconteceram (na história), acontecem (na transformação que ela opera) e acontecerão (daí as profecias). E como ter segurança destas evidências que tornam a Fé na Bíblia e em Deus tão real, tão palpável a quem crê? A segurança está em conhecer o modo de Deus de revelar-se. O livro de Gênesis menciona que “Deus disse: Haja Luz. E houve Luz”. Assim, só temos uma relação profunda de experiência com Deus diante da Bíblia se obtemos a essência das revelações de Deus: Deus diz, Deus faz. Se o que você lê na bíblia não se expressa na sua história, não transforma o mundo a sua volta (como a vida de Jesus, que está escrita ali, transformou o mundo a ponto de até contarmos o tempo baseado em sua Vida_que glória), sua relação com este livro é meramente religiosa, infelizmente, e você ainda não conhece a Palavra de Deus, mas apenas o texto. A própria Bíblia menciona que “a letra, em si, é morta”. Que fascinante. Deus, em aliança com pessoas, na Bíblia, narrou histórias que vieram a ser e transformam o mundo. Mas Deus não parou de revelar-se, nem de escrever através de pessoas. Através da Bíblia, temos a possibilidade de sermos inseridos na essência da experiência com Deus e assim nos tornar parte desta história que começa em Gênesis, mas não termina em Apocalipse, e será contada por muito tempo, na realidade de muitos, até que o mundo mude. Quando leio a Bíblia, consigo rever minha vida dentro daqueles versos. Versos que guiaram meus sucessos, que curaram meus fracassos, realizando na prática de vida a vontade de Deus pra mim. Esta é a Bíblia. E eu sou mais um livro desta grandiosa obra literária.

(Agora todo mundo já sabe que a Bíblia tem pelo menos dois livros de “Tiago”  _risos_ um sem “h”, que é o original, e outro “Thiago”, que sou eu _mais risos).

Espero que esta também seja a sua relação com este livro poderoso. E Deus disse: “Haja Luz”. E Há.

Abraço apertado,

Thiago