Archive for março \24\UTC 2011

23 de Março

março 24, 2011

A bíblia diz que “a alegria do Senhor é nossa Força”. Soa como se fosse uma Força automática, permanente. Então existe algo nos tirando a alegria. Tirando Deus de nós. Uma das coisas que nos tira a alegria em Deus é perder de vista o REINO DE DEUS. “Porque o Reino de Deus é justiça, paz e alegria no Espírito”. Se perdemos essa consciência de que, não importam as lutas “cá de baixo”, algo maior está sendo feito, interiormente e, por consequência, ao nosso redor, não há como não ficarmos muito tristes, ansiosos, preocupados. Fomos feitos pra viver ao lado de Deus (veja Gênesis), logo, não é de estranhar que, quando estamos longe dele, sintamos tanto a sua falta ! Deus é uma condição SEM A QUAL: Sem a qual minha alegria nunca será completa. Quantas vezes sorrimos de alma vazia?

“Alegrei-me quando me disseram: Vamos à morada do Senhor”. Só de pensar em encontrá-lo !

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Eu creio em Conto de Fadas

março 11, 2011

Ela era Bela, encantadora. Sua gentileza, seus gestos sutis, dançantes, alegres, ela era jovem e feliz. Amada por todos que a conheciam. Mas por ser jovem, era ingênua. E por ser ingênua, recebeu das mãos de alguém algo que prometia “alimentar”. Por ser ingênua, ela creu que poderia receber, deste mundo mau, algo de bom. Por ser ingênua, procurou nutrir-se do aparente, e aceitou o que era estranho. Veneno travestido de Alimento.  

Hoje, contaminada, ela experimenta um estado de “quase morte”, e em agonia toda a criação aguarda que a mesma se erga. A Lenda diz que só há uma salvação: O amor de um príncipe, que há de encontrá-la e devolver-lhe a cor, a canção, a alegria, a vida outra vez.

De quem é esta história? De quem estou falando? Não é óbvio?

Estou falando dela… da Igreja.

Nomes Antigos

março 11, 2011

Havia um mestre, um verbo e um nome. E nunca mais houve.

O que eu sentia no íntimo como uma certeza crescente em “perceber que Nele há uma eternidade que me abraça e não me deixará depois do fim”, conheci por Fé, nome antigo. Ela ainda vive, mas roubaram-lhe o nome. Agora chamam Fé suas expectativas daqui e de agora.

Então apresentaram-me o Amor, nome antigo, que expressava o “desejo ardente de dedicar, de si, um bem a outro”. Ele ainda existe, mas roubaram-lhe o nome.  Agora chamam por Amor simplesmente “sorrir e dizer”, ingenuamente, insubsistentemente, indiferentes à vida, à dor, à doação de si.

Conheci um nome antigo chamado Louvor, que nascia de cada um como “uma canção livre e incontível de gratidão a Deus, trilha sonora da vida”. Ele ainda existe, mas roubaram-lhe o nome. Agora chamam Louvor à música. Mas não toda música. Aquela música. Interpretada. Tanto por quem toca quanto por quem ouve.

Conheci o nome antigo para as “pessoas que creram no Filho, como meio não só de ida, mas de vida, ao Pai”, os Crentes, às quais um dia me uni. Ainda existimos, mas roubaram-nos o nome. Agora Crentes são os que crêem, independemente do “em quê”, que não se pergunta, logo não se responde.

Por muito tempo estive confuso, nostálgico. Ouvia os nomes antigos, nossos nomes, sendo usados e tinha esperanças de rever seu valor, encontrá-los nalguma rua, em alguém.  Não houve um nome sequer intocado. Nem mesmo o Seu: Jesus. Muitos levam seu nome sem sequer terem-no conhecido. E “em seu nome”, fazem tanto, fazem tão pouco. Isto me força ao silêncio, um silêncio de alma, profundo. E a esperar ansiosamente pela Verdade que está em conhecê-lo. Não pelo ouvido.

Ao que vencer darei uma pedra branca, e na pedra um novo nome escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe.  O que vencer, de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida; e confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos. A quem vencer, escreverei sobre ele o nome do meu Deus, e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, do meu Deus, e também o meu novo nome.
(v. Bíblia, s. Apocalipse, cap. 2).

A Dificuldade está na Prática

março 9, 2011

Caí em mim após ouvir alguém fazer uma alusão à relação médico-paciente. É de assustar e é mesmo verdade que nós, cristãos, temos uma enorme dificuldade de estabelecer uma relação efetiva de cumprimento daquilo que a Palavra nos prescreve. Mas este não é um problema apenas do “crente”. O comodismo (que nem é tão cômodo assim, porque dói viver de qualquer jeito), a apatia, faz parte da natureza humana. Observe bem. Na relação médico-paciente nós atendemos prontamente à indicação do remédio tópico, “tomou-passou”, do remédio paliativo, “doeu, toma que alivia”, do remédio em pípula, “é só engolir e pronto”, mas perdemos completamente a fé quando a indicação médica é “mude a sua qualidade de vida” ou “você vai ter que deixar este ou aquele hábito” e a pior de todas “está na hora de começar a fazer exercício físico”. É como se aquilo nos aleijasse mentalmente. E permanecemos doentes. Conscientemente optamos por não fazer, ainda que em sacrifício da nossa saúde. Longe de moralismos, é engraçado admitir que essa “paralizia incapacitante” tira de nossas mãos a solução do problema. Mas é bom saber que nosso problema não é necessariamente de caráter. Não somos tão cínicos como pensávamos. Não somos “crentes mau caráter que pregam uma coisa e vivem outra”. Só somos frouxos. Só não nos dominamos. “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. Humanizar nossas crises, refletir sobre elas, enquanto “gente que quer viver como Cristo”, pode nos mostrar o caminho da mudança, do arrependimento.  E a mudança reside unicamente em mover-se, sair do lugar, porque quem fica parado, no nosso caso, não está doente. Já está morto.

“Desperta, ó tu que dormes. Ressucita dentre os mortos e Cristo te iluminará”

ComoAmar?

março 6, 2011

O que é preciso para perdoar e não RE-SENTIR o mal? Não amargar? Não tornar o novo encontro um obstáculo? O que é preciso, Senhor? Para dar um passo adiante? Para escancarar e amar de vez, recebendo com dor, mas dignidade, cada golpe moral, cada ofensa pessoal, em nome de Jesus? O que é preciso, Pai, para aprender a sorrir sinceramente a todos, e principalmente àqueles que nos ferem? Sorrir por já ter um perdão de antecedência preparado para aplacar um eventual golpe, sorrir por entender que é preciso carregar o outro, condecender com sua imperfeição e jamais rejeitá-lo, ao contrário, de alguma forma investir em sua vida, Sorrir por ter essa consciência e por tê-la com prazer. Como amar aquele que é a personificação de “tudoqueeunãogosto”? Como perdoar aquele que é 365 dias no ano o meu motivo de desentendimento? Senhor, o que fazer, o que buscar? Orar? Mas já temos orado, não tem funcionado, a que recorrer? Refletir na Palavra? Que palavras? Onde está a receita certa, quais textos decorar, como dar vida a eles, como lembrar deles, como torná-los menos “textos” e mais “contextos” de vida? Como alcançar frieza diante das provocações e calor para com o outro? Como cultivar essa chama eterna no “amor que encobre uma multidão de erros”? Essa paciência bendita? Essa paz interior que simplesmente faz cessar a tempestade e as ondas furiosas ao redor? Essa serenidade, onde está? Senhor, você nos ensinou a Orar, ensina-nos a Amar: 

“Vocês, orem assim: ‘Pai nosso, que estás nos céus! Santificado seja o teu nome.Venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu.Dá-nos hoje o nosso pão de cada dia. Perdoa os nossos erros, assim como perdoamos aos nossos devedores. E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal, porque teu é o Reino, o poder e a glória para sempre. Amém”

“E quando Amarem, amem assim”…



O Que é Iniquidade.

março 6, 2011

Oi, pessoal do Blog. Me perdoem, mas contrariando o método que prefiro, nesta postagem vou fazer uma citação bíblica um pouco mais longa, isto porque julgo extremamente necessário. Leia com paciência o texto e, só então, você vai poder entender o ponto de vista por inteiro.

Um grande abraço, Thiago

Mas os israelitas foram infiéis com relação às coisas consagradas. Acã, da tribo de Judá, apossou-se de algumas delas. E a ira do Senhor acendeu-se contra Israel. Sucedeu que Josué enviou homens de Jericó a Ai, cidade a leste de Betel, e ordenou-lhes: “Subam e espionem a região”. Os homens subiram e espionaram Ai. Quando voltaram a Josué, disseram: “Não é preciso que todos avancem contra Ai. Envie uns dois ou três mil homens para atacá-la. Não canse todo o exército, pois eles são poucos”. Por isso cerca de três mil homens atacaram a cidade; mas os homens de Ai os puseram em fuga, chegando a matar trinta e seis deles. Eles perseguiram os israelitas desde a porta da cidade até Sebarim, e os feriram na descida. Diante disso o povo desanimou-se completamente. Então Josué, com as autoridades de Israel, rasgou as vestes, prostrou-se, rosto em terra, diante da arca do Senhor, cobrindo de terra a cabeça, e ali permaneceu até à tarde. Disse então Josué: “Ah, Soberano Senhor, por que fizeste este povo atravessar o Jordão? Foi para nos entregar nas mãos dos amorreus e nos destruir? Antes nos contentássemos em continuar no outro lado do Jordão. Que poderei dizer, Senhor, agora que Israel foi derrotado por seus inimigos? Os cananeus e os demais habitantes desta terra saberão disso, nos cercarão e eliminarão o nosso nome da terra. Que farás, então, pelo teu grande nome? ” O Senhor disse a Josué: “Levante-se! Por que você está aí prostrado? Israel pecou. Violaram a aliança que eu lhes ordenei. Eles se apossaram de coisas consagradas, roubaram-nas, esconderam-nas, e as colocaram junto de seus bens. Por isso os israelitas não conseguem resistir aos inimigos; fogem deles porque se tornaram merecedores da sua destruição. Não estarei mais com vocês, se não destruírem do meio de vocês o que foi consagrado à destruição. Vá, santifique o povo! Diga-lhes: Santifiquem-se para amanhã, pois assim diz o Senhor, o Deus de Israel”.

 O que é a Iniquidade ? Parece que, além da maldade comum e generalizada, além da perversão, do crime, da prostituição diante de ídolos e todo o tipo de atrofiamento moral, a iniquidade é mais grave. A Palavra trata a iniquidade com um tom furioso, usado tão ocasionalmente que é de assustar. Mas está lá, veja em Isaías, que é, no meu ponto de vista, a maior fonte de consulta sobre esse tema, expressando claramente o que Deus pensa a esse respeito:

Ai, nação pecadora, povo carregado de iniqüidade, descendência de malfeitores, filhos corruptores; deixaram ao SENHOR, blasfemaram o Santo de Israel, voltaram para trás.  Isaías 1:4

E visitarei sobre o mundo a maldade, e sobre os ímpios a sua iniqüidade; e farei cessar a arrogância dos atrevidos, e abaterei a soberba dos tiranos.  Isaías 13:11

Porque as vossas mãos estão contaminadas de sangue, e os vossos dedos de iniqüidade; os vossos lábios falam falsidade, a vossa língua pronuncia perversidade. Isaías 59:3

Ninguém há que clame pela justiça, nem ninguém que compareça em juízo pela verdade; confiam na vaidade, e falam mentiras; concebem o mal, e dão à luz a iniqüidade. Isaías 59:4

Não é incomum ver a Bíblia relacionar Iniquidade a Vaidade, Arrogância, Orgulho, Falsidade. E a advertência no texto de Isaías serve pra mostrar que as vezes, só de vez em quando, podemos estar enganados com relação a o que “oferecemos a Deus”. E isso faz sentido. Nem tudo que eu ofereço a Deus, ele é obrigado a aceitar. É exatamente sobre isso que eu quero falar. Discordando logo de cara do trecho da música “Deus não rejeita oração” (e fazendo força pra entender essa afirmação como força de expressão), uma coisa é certa sobre a natureza da iniquidade: É algo que Deus rejeita. Mas espera, olha novamente o ponto em comum, porque eu me recordo rapidamente que há também ALGUÉM a quem Deus resiste: o soberbo. Veja a relação sempre direta, iniquidade e vaidade, iniquidade e soberba. Arrogância.

Segui esta linha de raciocínio até aqui porque estou sinceramente preocupado. A história que transcrevi no início fala de DERROTA. E me deparei com uma pergunta interior esses dias que me tirou o fôlego: Onde estão nossas derrotas? Qual foi a última vez que ouvi alguém pregar sobre “Vocês se lembram de como erramos?” ou “Viram como estamos errados agora?”, ou simplesmente “Fomos derrotados”. Parece, e só parece, que nós estamos numa maré de vitórias, marcando recordes de uma invencibilidade “nunca vista antes na história” (risos) da igreja. Será que essa “onda” é real ou só imaginada? Estamos mesmo vencendo o pecado no mundo? Estamos mesmo vencendo as drogas? Estamos mesmo vencendo a desestruturação familiar, os problemas de caráter, o stress moderno? Quer dizer que o movimento religioso, a igreja, os cristãos, estão invictos? Desde quando? Até quando? 

Foi assim que eu cheguei à conclusão sobre a verdadeira natureza da iniquidade. Quando Josué e o povo de Israel erraram, eles entraram em choque com a realidade, vendo frustradas suas expectativas. Eles perceberam que havia “algo errado” e foram logo perguntar porquê. Hoje, eu assisto assustado a um movimento que NÃO DÁ CERTO e ainda assim agradece e reputa, mesmo seus insucessos mais grotescos, a Deus. E ninguém se levanta pra contrariar e dizer “Você está equivocado sobre isso, Deus não está nesse negócio”. E não estou dizendo que agora temos que ficar apontando os insucessos uns dos outros, mas se eu faço parte da situação, do grupo, do momento, da igreja,  aí sim, eu preciso fazer isso. Josué exerceu ali uma virtude básica: humildade. Em outras palavras, ele disse “me explica, Deus, porque não entendi nada”. E Deus disse “Simples, vocês estão errados. Começaram errado e terminaram errados, e vão continuar sem sucesso até consertarem isso e aquilo”. Nós perdemos essa sensibilidade? De ver nossos erros frente a frente? De levá-los até Deus, expô-los à seu julgamento?

Iniquidade é pecar e não sentir. É a aniquilação do Arrependimento. Iniquidade é perder a capacidade de discernir entre o “dedo são” e o “dedo espetado na agulha”. Iniquidade é a cegueira moral, é o cinza-absoluto. É ver todas as coisas como razoáveis, agradáveis, inevítáveis. É confundir o sentido do texto “em tudo dai graças”. É inverter o “melhor do que obedecer é sacrificar” e, ingenuamente, esperar que Deus concorde. Enfim, na exaustão, em último caso, iniquidade na igreja, na religião, na família, na alma, é o FIM: da AUTO-CRÍTICA. 

Fé, na Certa uma Boa Escolha!

março 6, 2011

Não quero uma Fé baseada na crença da Sorte. Porque Sorte é a generalização do “caos”. Sorte é pra qualquer um, não faz ninguém Diferença. Eu quero uma fé minimamente progressiva, que me faça um bem inexplicado por motivo certo. Algo que eu possa me apoiar, recorrer na necessidade. Uma fé crescente e evidente, não um terreno movediço.

Também não quero uma fé mística e generalizada, que creia em tudo e não ateste suas convicções. Em resumo, eu não quero nem a incredulidade que me afasta de Deus e do sobrenatural, nem a credulidade cega que me ilude com um Deus de rosto desconhecido e rituais simbólicos, alienantes.

Eu quero apoiar minha fé em algo tão palpável e certo quanto um Abraço. Um Abraço Eterno.

Esvaziado.

março 6, 2011

A Palavra sempre nos diz que Cristo “esvaziou-se” da sua condição divina para assumir a Humanidade. Com ela, assumiu fraquezas, limitações, dúvidas (sim, Jesus teve dúvidas, como em “Pai, se for possível, passa de mim…”, um ensaio de “Não há outro modo de fazer?”), que vinham no pacote de Ser Humano que ele comprou. E comprou caro, a custo de sua própria Existência aqui. É certo dizer que ele, Jesus, foi humanamente impecável. Amou como ninguém, doou-se como ninguém e viveu para nós, ao contrário de nós, que vivemos cada um por si e para si. 

O que me entristece e intriga é ver que estamos assimilando o Cristianismo de uma igreja “cheia” e não “esvaziada”. Nós estamos avidamente apelando para que Deus nos “encha de poder”, para que ele nos “faça voar como águias”, que nos “leve por sobre o mar”. Estamos centrados no “Divino”. Esquecemos, negligenciamos o Humano. E assim, cultivamos a “divinização da Igreja”, pregando uma igreja super-poderosa, cheia de semi-deuses, ainda que estes hajam irresponsavelmente com as responsabilidades que tem diante de tamanho poder. Nesse ponto, até a história em quadrinhos do “Homem-Aranha” ensina mais: Um grande poder exige uma grande responsabilidade. Mas da responsabilidade não nos damos conta. Queremos apenas mais poder, mais poder, mais poder. Eu, sinceramente, estou esvaziado. No chão, como um saco vazio que não se suporta de pé. E, assim, sem mais suportar ouvir os entusiásticos gritos dos heróis e jingle´s de vitória de suas “batalhas espirituais”, eu me calo, me condôo, me ressinto comigo mesmo, por ter tão pouco a oferecer a esta “nossa igreja”, por poder fazer tão pouco por “nós”.  

Aprendi a amar a Jesus porque ele me amou, e amou a idéia da Humanidade com uma intensidade tão grande que ainda me atinge, através de suas palavras. A Cruz é a maior prova da Humanidade Domana, Equilibrada, Iluminada. Nela, vejo Jesus pregando amor, ainda que na dor dos pregos. E quando Ele disse “Eu venci o mundo”, eu entendo perfeitamente o que quis dizer: Eu venci, neste mundo, a mim mesmo. Esvaziado. Perfeito. Santo.

Seja seu Nome e sua Palavra Eternos em Nós.