A Angústia do Ser Lúcido

 [ Colaboração: Hugo Júnior ]

Pode ser que o título deste texto lhe cause estranheza e possa trazer perguntas a mente como as seguintes: – Não é bom ser lúcido? – Porque traria angústia algo que existe em nós e que nos faz melhores que os animais?. Se eu estivesse lendo um texto assim, também não entenderia. Na verdade não tenho a pretensão de ser elucidador de conflitos teológicos, psicológicos ou colocar neste papel idéias revolucionárias acerca deste assunto. O que eu me proponho aqui, é analisar esta sensação tão dúbia e intrigante que nos acomete.

Acontece que rotineiramente estamos enfrentando a angústia da lucidez. A todo tempo somos surpreendidos com pensamentos, atos ou palavras que não nos convém ou que deveriam já fazer parte do nosso passado. O certo é que recorrentemente a sensação de estar fazendo algo errado nos invade como um tufão. É quando nos pegamos desejando o mal a alguém, quando somos quase que “compelidos” a não sermos honestos, ou simplesmente quando sofremos de uma preguicite aguda para não termos que ser apenas gentis. Os exemplos aqui são apenas para nos dar a dimensão de como estas coisas estão em nossa realidade mais palpável, mais visível. Não enxergá-las é “viver bem” dentro de padrões obscuros e desprovidos de limites.

A lucidez nos angustia e nos remete para o caos porque ela nos instiga a mente, nos denuncia, nos coloca nus diante de nossas fraquezas e ri de nós. É como se dissesse para cada um de nós:  – Eu não disse? – Esta frase nos deprime e oprime, nos arrefece as forças a ponto de querermos desprezar qualquer limite e dar um grande adeus para o que chamamos de pudor.

Seria muito melhor que as coisas não possuíssem regras e normas. A vida seria mais liberada e a nossa psiquê não sofreria tanto. Existir sem o menor senso de limite nos transformaria em super homens, verdadeiros donos do mundo. Ah, enfim liberdade ! Concordar ou não com esta vida ou não-vida é opção de cada um. A construção de nosso universo é pessoal e cercada de percalços inerentes a condição de humanos. É possível que algum dia possamos ter pensado assim. Quando nos vimos à mercê de cometer algo censurável, e tomados pela raiva da lucidez, pedimos a morte ou pelo menos que nos fosse retirado este senso de certo e errado que carregamos dentro de nós.

Diante de tantos motivos para poder aqui fazer uma ode à libertinagem, prefiro me apoiar em princípios mais elevados. Estes, por mais duros de serem alcançados, ainda são a única saída. Podemos ser donos do mundo, mas nunca seremos donos de nós mesmos. Podemos ter “toda a liberdade”, mas estaremos presos à condição de animais guiados por instintos dos mais primitivos.

O que posso dizer é que a angústia, a dor e o desespero de ser lúcido devem ser canalizados para Aquele que pode nos conter e nos direcionar diante do absurdo. Não há como desprezar a nossa humanidade cheia de falhas e contaminada com o pecado. Ela é nossa. O que podemos fazer é nos cercar e vigiar para que a nossa carne não vença o Espírito e tornemos a sofrer com a nossa lucidez, descrita na Bíblia como Espírito Santo.

A lucidez angustia e por vezes enlouquece. Evitar viver na linha tênue entre o sacro e o profano nos fará melhores seres humanos.

Em Cristo,

Hugo Júnior

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