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Onde Parei ?

abril 14, 2010

Foi naquele dia, numa igreja qualquer, que quando menos esperava, eu  ouvi Sua voz. “Coisa da minha mente”, pensei, mas era tão claro. De tudo que ouvi, uma vontade se firmou: Entregar. E então eu me entreguei. Levantei-me quando convidado, sem entender bem o porquê, mas tendo uma certeza profunda de que algo em mim estava, naquele momento, sendo preenchido (aquele vazio antigo, que de quando em vez me deixava mal, e nada mais prestava). Ali eu encontrei o que chamam de “salvação”, mas que eu sei, explicando bem ou não, que é a certeza de que a mesma voz que me chamou “Filho” agora preenche o meu vazio e, um dia, me mostrará um outro lado da existência.

Conheci a Palavra, como chamam. Interessantíssima ela é. Tem cheiro de antiguidade, mas o seu discurso parece prever tudo o que está ao meu redor. Me interessei. Reconheço que há naquelas páginas tudo o que se possa querer saber: como orar, como se comportar, o ideal Dele para muitas coisas (namoro, igreja, administração do meu dinheiro), muitas lições de vida, alguma poesia e uma proposta interessante sobre a “vida eterna”. De vez em quando eu recorro a ela, à essa Palavra. Queria saber mais. Queria ter mais tempo para responder minhas perguntas (estou adiando algumas respostas, sim). Admiro quem domina seu conteúdo e procuro, sempre que possível, ouvir à respeito, na esperança de conhecer mais disso tudo, porque não há dúvidas: É uma proposta e tanto.

Orar. Simples, mas faz um bem. Eu oro para que eu possa orar mais. Eu oro. Eu até comecei a dedicar um tempo certo pra isso. Todos os dias eu estou lá. Meus 10, 20, 30 minutos me mantém durante o dia todo. E estou me disciplinando em guardar tempo. Não é que isso está me deixando mesmo diferente ? Preciso conhecer as minhas possibilidades. Quem sabe logo, logo eu comece a planejar uma leitura completa da Palavra, quem sabe. Meus 10 min. estão fazendo toda a diferença.

Me comprometi. Como eu não havia visto antes, estava tudo tão claro. O Seu sacrifício, toda aquela dor e nenhuma culpa. E eu preocupado com esse monte de entulho que eu mesmo permiti ser depositado entre Ele e meu Eu. Começo hoje a mudar. E vou mostrar aos outros, tantos, que isso é sério. Que Sua Vida em mim é verdadeira. Que realmente há uma esperança, um caminho. Dei um basta nas vaidades (trabalho, necessidade afetiva, realização dos sonhos pessoais). Vou sair na rua, eles terão que me ouvir. Ele existe. Ele existe.

“Oi, Pai”. “Onde você quer me levar hoje?”. Parei de correr. Quando eu pensei que estava em alta, eu caí em mim. Ele me mostrou quem eu era, e o que eu estava fazendo. Queria construir para Ele um reino exterior (na política da cidade, na fé dos outros, na vida e no testemunho falho dos que se chamam “crentes”, mas são superficiais… eu queria consertar o mundo) mas não havia sequer uma casa no meu coração que Ele pudesse habitar. Estou falando sobre a minha alma, que jamais permiti que Ele atingisse. Agora Ele me conhece e eu, eu estou disposto a conhecê-lo. A Palavra pra mim agora é um guia, que me encaminha para uma nova, profunda, viva experiência. Eu o sinto (paz, força, alegria, inspiração, simplesmente brotam quando eu oro… agora entendo o significado de “sobrenatural”, isso não vem de mim). Sim, não estava ali antes, mas agora eu o sinto, perto, Ele está perto. Quando oro, por um momento tenho a sensação de que Ele está ali, ao meu lado. E Ele é melhor, maior e mais real do que eu jamais poderia imaginar. Nós estamos nos conhecendo aos poucos. Mas minha vontade é prosseguir e sinto que as coisas estão tomando o rumo da felicidade que Ele prometeu. Agora entendo: não importa o que vier, agora eu sei, Ele está aqui.

Não mais Eu. Mudei. Quando eu vi todo aquele sofrimento, toda a correria vazia que esvazia o mundo, eu não suportei o silêncio, a omissão. Eu me doei como Ele. Eu escolhi andar como Ele andava, e ver como Ele vê. Agora caminho nesse propósito firme, “para que eles sejam Um, como nós”. Vou Ser como Ele é. Agora eu vejo, agora eu sinto sua dor: homens bons entregues à sarjeta, ricos chorando sua pobreza moral, crianças abandonadas por adultos que abandonaram sua fé, e com ela sua sensibilidade, sua humanidade, perderam a alma. Igrejas frias de nenhum Deus, homens céticos que preferem se chamar alcoólatras, adúlteros, miseráveis, depressivos, a serem chamados de “crentes”, sem saber que quem crê encontra a Vida, ainda que se afaste do que o mundo chama “Vida”. “Usa-me”, porque eu fui feito sobre medida para esta hora, para ser canal de salvação, agora eu sei. Levo nas mãos a Palavra (de que me encho sempre), o Espírito (Ele está comigo, em tudo somos Um) e o meu Eu (minhas habilidades, minha inteligência, meus sonhos, meu tempo e lugar à Sua disposição…).

a minha história com Ele continua… e a sua?

 

“Que você conheça e prossiga em conhecer à Ele; e a seu tempo, Ele certamente virá” (Os. 6:3). Se você parou de caminhar, se você olha pra trás e é o mesmo a muito tempo, se Ele pra você ainda é aquela voz distante, uma promessa à longo prazo, uma experiência real solitária no passado, uma pessoa indiferente, um relacionamento não correspondido, uma fórmula pesada de cumprir e de pouco proveito interior, ou mesmo uma relação vacilante e confusa, de altos e baixos demais, dúvidas demais e respostas aquém, Oséias 6 expressa bem a vontade Dele: “porque quero seus sentimentos e não sua religiosidade, e te conhecer mais do que qualquer coisa que você possa me dar” (ver. Os 6:6).

Pergunte-se: Onde eu Parei? E Prossiga.

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