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01 de Fevereiro

fevereiro 1, 2011

“Ora, Tomé, um dos discípulos, não estava com eles quando veio Jesus. Disseram, pois, os outros discípulos: Vimos o Senhor. Mas ele disse-lhes: Se eu não vir o sinal dos cravos em suas mãos, e não puser o dedo no lugar dos cravos, e não puser a minha mão no seu lado, de maneira nenhuma o crerei. Oito dias depois, estavam outra vez os seus discípulos reunidos e com eles Tomé. Chegou Jesus, e apresentou-se no meio, e disse: Paz seja convosco. Depois disse a Tomé: Põe aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos; e chega a tua mão, e põe-na no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente. E Tomé respondeu, e disse-lhe: Senhor meu, e Deus meu!

Disse, então, Jesus: Porque você me viu, Tomé, você crê; Felizes os que não viram e creram”. (João 20:24 a 29)

 

Olá pessoal do Blog, segue aqui alguns questionamentos de ultimamente. Espero que vocês encontrem no seu relacionamento com o Pai e nos frutos desse nosso estilo de vida respostas seguras para eles. Preocupado com nossas “certezas” sobre a Fé e sobre esta Vida que proponho esta reflexão, na esperança de que, ainda cedo, a gente alcance conclusões realmente bem-sucedidas (ou “Bem-Aventuradas”, “Felizes”, como passarei a chamar) a respeito de Deus e do que buscamos.

Grande abraço, Thiago

Felizes o quê? A Bíblia nem sempre propõe sugestões muito comuns a nós e à nosso modo de viver o Cristianismo. Aliás, me preocupo, porque algumas coisas simplesmente passam desapercebido aos nossos olhos. Ou não vimos o texto, ou por conveniência, somos coniventes com certas omissões. Digo isso porque passei boa parte do dia hoje refletindo sobre essas palavras: “Felizes os que não viram e creram”.

Qual era a situação? Tomé, um dos discípulos, precisava de evidências fáticas, algo para tocar, algo material, sólido, para afastar suas dúvidas sobre a Ressurreição de Jesus. E a ressurreição de Jesus era, no fim das contas, a prova inegável de que ele realmente era o Filho de Deus. Se aquela evidência não pudesse ser oferecida, todas as demais palavras de Jesus, tudo o mais cairia diante dos olhos de Tomé e de sua consciência. Jesuspoderia negar-se a dar evidências (como o fez muitas vezes), mas não nega. Ele simplesmente permite que Tomé satisfaça sua necessidade por sinais, mas depois o exorta frontalmente: Não seja incrédulo.

Provar o milagre. Não é essa a nossa maior necessidade? Não é por esse tipo de experiência que temos consumido todo o tempo dos nossos cultos, investido toda a intensidade da nossa Fé? Se não é o sobrenatural que perseguimos, o que é? O que Deus pensa a respeito da nossa necessidade de afirmações? O que Deus está disposto a fazer para que a gente deixe de duvidar da sua existência e de suas boas intenções, e da validade dos seus conselhos? Volta e meia me sinto correndo atrás do vento, como disse Salomão. E parece que a razão disso tudo é porque me esqueci ou ignoro o que Jesus disse a Tomé: Você só crê porque viu? Felizes os que não viram e creram. Eu, sinceramente, estou chocado com estas palavras. E quanto mais raciocino sobre elas, menos respostas me vem. Porque, aparentemente, Jesus indica que a Fé que não precisa de Milagres para sobreviver é mais Feliz. Produz mais segurança. Será que estamos vivendo infelizes, insatisfeitos, sub-nutridos sobrenaturalmente, por conta disso? Frustrados com Deus, buscando sinais, quando Jesus nos pede Confiança? Qual será o ponto de Equilíbrio entre “meu Deus é um Deus de milagres” (ou seja, ele pode curar o paciente terminal, pode parar balas e dar todo tipo de livramentos, pode dar visão a cegos, pode fazer a estéril engravidar…) e “Felizes os que não viram e ainda assim creram”? 

No meio de tantas perguntas, uma conclusão importante. Intrigado com esta situação narrada pelo Evangelho de João, resolvi buscar novos relatos sobre Tomé, já que foi da consciência dele que surgiu a dúvida que suscitou o problema. Encontrei uma lição profunda, veja: Em João 20 (v. Bíblia, em “João” Cap. 20) esta flagrada a incredulidade de Tomé. Mas a resposta de Jesus me parece prática demais para o caso, como um simples “você não precisa ver o caminho para andar, apenas dê um passo após o outro”, como se fosse fácil assim caminhar “no escuro”. Mas em João 11 encontramos uma coisa surpreendente. É mais um dos relatos de milagres que Jesus operou. E quem estava lá? O mesmo Tomé. E qual foi o milagre operado? Ressurreição. Pare e reflita aqui. Tomé já havia presenciado algo parecido, mas ainda assim sua Fé não havia sido alimentada. Nesta ocasião Jesus ressucita a Lázaro, depois de 4 dias de sepultura (tantas semelhanças, tantas evidências comuns), e, pasme, Tomé estava com eles, provavelmente presenciou aquele “espetáculo sobrenatural”, mas o tempo passa. A memória e a certeza enfraquecem. A conclusão é: Milagres não são indispensáveis à Fé. Nem provam a Fé. Milagres são Milagres. E Deus quem dirá quando e onde eles serão necessários e porquê.

E finalizo perguntando:

O que nos resta? O que devemos buscar? A Bíblia diz que agradar a Deus exige de nós “Fé”. Sem ela, isto não será possível. O que me leva à tantas outras perguntas.

Para quem é o milagre? Para nós, para Deus ou para os outros? (porque as vezes sinto que buscamos milagres na tentativa de mostrar aos outros, ou a nós mesmos, “veja, eu estou certo, Deus existe, você não vê? Tenha Fé”) Mas e a felicidade prometida aos que creriam sem ver, onde fica?

Será que realmente temos consciência do que é o milagre? Será que devemos realmente tratá-lo como um “espetáculo público”, como uma “moeda de compra” da Fé dos outros, filmá-lo, registrá-lo oficialmente (mesmo correndo o risco de, eventualmente, ou fatalmente, ser surpreendidos pela falta de consistência de muito daquilo que chamamos “milagre”?)?

Se constantemente eu estiver tentando re-tocar as marcas dos pregos, testar com prova e contra-prova a veracidade do sangue derramado, o que fazer, se Jesus se negar a oferecer provas de si mesmo (como o fez diante do pedido dos fariseus por “sinais”)?

Crer sem Ver é possível? Sim, porque tem dias que sinto que se Deus não agir em minha vida de alguma maneira sobrenatural, mesmo que da maneira mais absurda (uma nuvem diferente, uma carta anônima, uma brisa inesperada) minha fé não vai suportar. E serei tomado e consumido pelas dúvidas. Seria possível viver toda esta vida crendo apenas no que se leu a respeito de Jesus? No passado documentado?

Alguns dizem que não é possível. Alguns dizem que os mesmos milagres e sinais tem que ocorrer, porque o Deus é o mesmo. Alguns dizem que Jesus ainda cura como nos dias passados, mesmo que ninguém tenha se atrevido até agora a ir aos hospitais curar(como Jesus o fez, veja em João 5, O Tanque de Betesda, onde os doentes se reuniam). Alguns dizem sobre  a necessidade da experiência com anjos, e demônios, e visões e batalhas espirituais e tanto o mais do “sobrenatural necessário”. Eu, porém, crendo em todas estas coisas, tenho ainda muitas questões a respeito do “como”, “porquê” e “pra quê” destas coisas. E encerro com o fim do capítulo que despertou esta reflexão sobre Tomé, incredulidade, Fé,  milagres e Jesus (Sempre Enigmático, mas tão sábio e profundo):

“Jesus, pois, operou também em presença de seus discípulos MUITOS OUTROS SINAIS, QUE NÃO ESTÃO ESCRITOS neste livro. Estes, porém, foram ESCRITOS para que vocês CREIAM que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenham vida em seu nome”. (João 20:30 e 31)

Parece que Jesus esperava que nossa Fé fosse Suficiente para que, mesmo apenas lendo e conhecendo essas histórias, pudessemos chegar a algum lugar seguro na vida com Deus. Para que mesmo se não fosse possível Ver, Tocar, Provar, Testar, estivessemos felizes. Nossa Fé não depende disto. 

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Jesus de Poucos.

janeiro 26, 2011

“Sabendo Jesus que haviam de vir arrebatá-lo, para o fazerem rei, 

retirou-se”.

Não é uma flagrante contradição? Não só de todo um propósito que pretendia o cristianismo em seus primeiros dias, de captar adeptos, mas também a toda uma sistemática religiosa, midiática, iconoclasta, dos grandes ajuntamentos de hoje? A fé por atacado não se harmoniza com este pequeno fragmento narrativo esquecido por muitos na história de Jesus. Assim como tantas outras ocasiões em que Ele mesmo realizava milagres e dizia, para a surpresa de quem lê, “não revele isto a ninguém, ainda não é a hora”. Nos parece contraditório porque pra nós todo milagre deve ser divulgado, não é verdade? Assim como todo bom conselheiro deve almejar, como realização máxima do seu propósito de existência, atingir as multidões, as grandes massas.

Partindo desse pressuposto que eu comecei a minha pesquisa pela vida de Jesus, esperando encontrar relatos sobre um líder religioso que reunisse consigo todo um sindicato de seguidores fiéis e determinados, bem treinados, influentes. Uns 100. Mas sua história me surpreende: ele escolhe doze. Anônimos doze. A resposta razoável para este comportamento pouco estratégico para um “militante político-religioso” é que Jesus não iria simplesmente captar pessoas, seduzí-las com Ideologia. Ele estava interessado em alterar profundamente seu modo de vida. E ele iria atingir a humanidade através de poucos.

Também imaginei que, diante da máxima “Deus é para todos”, ele jamais iria se negar a atender pedidos, o que poderia certamente prejudicar sua “campanha filosófica particular”. Que jamais iria impor condições a seus seguidores, que em hipótese alguma deixaria de expor suas convicções quando houvesse boa ocasião, e dizendo da forma mais clara possível: que nunca dispensaria ninguém.  Mas o que é aquilo que encontramos nos livros? Jesus dizendo “Quer me seguir? Negue-se!”, deixando de curar a muitos (por falta de fé?), ou sendo enfático com seus poucos discípulos remanescentes ao perguntar “E vocês? Também não vão partir?” numa clara confissão de que Ele não era quem a grande maioria esperava que fosse (um reformador, um conquistador), e a mais surpreende e exasperadora falha estratégica do “mestre dos mestres” diante da possibilidade de ser inocentado por Pilatos das acusações que o levaram à morte: seu silêncio.  

A contradição era tão grande, tão profundamente evidente com este Cristianismo que está aí, que percebi formarem-se dois polos opostos: O de Jesus. E o estranho a ele. Porque Jesus, aquele homem intensamente tomado pela presença de Deus, ele era de poucos. Apesar de ensinar a multidões (que o buscavam, não o contrário), Ele se detinha e atendia realidades individuais que passariam despercebidos pelos outros. Veja a mulher do fluxo de sangue, o cego bartimeu, Zaqueu, a mulher flagrada em adultério, a mulher samaritana, e tantos outros.

Jesus não fazia distinções nem tinha preconceitos. O que o tornava A TODOS ACESSÍVEL. Mas ele não via a humanidade como um todo, nem pretendia desenvolver um relacionamento midiático, impessoal, com seus seguidores. Ele deixou uma marca: o amor ao próximo. Literalmente. E assim ele amou tão intensamente aqueles homens a quem escolheu que deu a sua vida por eles, e em consequência por todo o gênero. Mas não amou o gênero, amou a pessoas reais, com nome, personalidade e histórias próprias. Assim, não foi preciso que ele ressucitasse diante dos olhos de todos, que fosse proclamado rei sobre os Judeus ou mesmo sobre o Império Romano, nem que seus milagres fossem divulgados “ao vivo”. Aquelas experiências pessoais foram provas de amor pessoal. E só nos ensinam que amar a Deus não é buscar uma experiência coletiva com Ele, mas buscá-lo com intimidade.

Ficamos com o toque, a atenção e a presença de Jesus, que importava-se em “cear” com aqueles que amava. Não multidões para seguí-lo, apertá-lo, assediá-lo, mas companheiros de Barco, com quem se poderia rir, chorar, crescer, viver.

E como um pouco de fermento atinge toda a massa,

pouco a pouco,

Ele conquistou com amor o mundo inteiro.