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Cegueira

julho 4, 2013

Perder a visão pode ser um grande inconveniente. Um claro e grave empecilho no cotidiano. Mas existe coisa pior. Pior que a cegueira, é a incapacidade de julgar o que se vê. A incapacidade de tomar pé da miséria do mundo. Pior que a cegueira, é a megalomania de sempre enxergar qualidades em si, nunca defeitos. É ver no espelho sempre uma pessoa idônea. Desmentir a decadência patente, alegar ilusão de ótica, erro de interpretação. E o orgulho, a incoerência, a intencional rotina desencaminhada, desnorteada, é pior que chorar lágrimas de sangue, pior que areia, cal,  nas vistas. Quando o problema está nos olhos, ainda se pode contar com os outros sentidos. O problema mesmo é quando o centro dos sentidos se corrompe. Quando o problema é a cegueira, alguém ainda poderá ajudá-lo a aprender, a ler, a conhecer o mundo. Se o defeito, contudo, está na razão, aí então, a verdade perde sua claridade, aquela claridade que se nota ainda que de olhos fechados.

Está escrito: Se teu olho te contamina, renuncia a ele. Mas é bom dizer: O mesmo vale para o Caráter.

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Toca-me. Guia-me. *

abril 25, 2010

Eu era cego. Acostumado a ser guiado por alguém a todos os lugares. Dependia de outros, os meus guias. Ouvi de Jesus, ouvi que ele podia com um simples toque fazer ver. Meu maior sonho era ver. Eu ouvia as vozes das pessoas ao redor e estava acostumado ao toque: pessoas me levando de lá pra cá, de cá pra lá, eu as seguia, mesmo as vezes por caminhos que eu não queria seguir. Mas o que fazer, eu era cego. Sim, meu sonho era ver. Então fui (guiado por outros) até Jesus. Rogamos para que ele me tocasse, e ele veio até mim. Senti seu olhar pousando sobre mim, um pobre cego, dependente dos outros, e senti quando ele me tocou. Porém, Ele não me tocava os olhos, mas sim me conduzia, como tantos outros já fizeram, e eu ainda estava cego, mesmo depois disso. Minha fé vascilou, mal sabia que aquela seria a última vez que alguém me guiaria à algum lugar daquele jeito. Ele me levou pra longe dali, longe dos meus antigos guias. Então ele me tocou, tocou de verdade, e a luz invadiu meus olhos pela primeira vez. Ele me perguntou: O que você vê? Eu respondi: Vejo pessoas (eu estava radiante), elas se movem na minha frente. Minha vontade era ir até elas, era agora seguir junto com elas. Eu pensei que já estava curado. Então Jesus novamente tocou-me, à princípio eu não entendi, mas quando a luz invadiu meus olhos pela segunda vez, eu vi: as pessoas que se moviam à minha frente, ao contrário do que pensei, não sabiam pra onde ir, também estavam cegas (“cegos guias de cegos”). Por toda a vida, eu fui um cego guiado por cegos, até Jesus tocar meus olhos. E aprendi com Jesus, o meu único guia verdadeiro, esta lição: Um verdadeiro guia sempre te leva até a luz. Um verdadeiro guia toca e traz luz. Luz  à vida. Hoje eu vejo.  “Tua Palavra ilumina meu caminho; Luz que me guia”.

  

* Paráfrase de Marcos 8:22 “Trouxeram-lhe um cego, e rogaram-lhe que o tocasse. Jesus, pois, tomou o cego pela mão, e o levou para fora da aldeia; e cuspindo-lhe nos olhos, e impondo-lhe as mãos, perguntou-lhe: Vês alguma coisa? E, levantando ele os olhos, disse: Estou vendo os homens, porque como árvores os vejo andando. Então tornou a pôr-lhe as mãos sobre os olhos; e ele, olhando atentamente, ficou restabelecido, pois já via nitidamente todas as coisas”