Archive for the ‘Insight’ Category

Eu creio em Conto de Fadas

março 11, 2011

Ela era Bela, encantadora. Sua gentileza, seus gestos sutis, dançantes, alegres, ela era jovem e feliz. Amada por todos que a conheciam. Mas por ser jovem, era ingênua. E por ser ingênua, recebeu das mãos de alguém algo que prometia “alimentar”. Por ser ingênua, ela creu que poderia receber, deste mundo mau, algo de bom. Por ser ingênua, procurou nutrir-se do aparente, e aceitou o que era estranho. Veneno travestido de Alimento.  

Hoje, contaminada, ela experimenta um estado de “quase morte”, e em agonia toda a criação aguarda que a mesma se erga. A Lenda diz que só há uma salvação: O amor de um príncipe, que há de encontrá-la e devolver-lhe a cor, a canção, a alegria, a vida outra vez.

De quem é esta história? De quem estou falando? Não é óbvio?

Estou falando dela… da Igreja.

A Dificuldade está na Prática

março 9, 2011

Caí em mim após ouvir alguém fazer uma alusão à relação médico-paciente. É de assustar e é mesmo verdade que nós, cristãos, temos uma enorme dificuldade de estabelecer uma relação efetiva de cumprimento daquilo que a Palavra nos prescreve. Mas este não é um problema apenas do “crente”. O comodismo (que nem é tão cômodo assim, porque dói viver de qualquer jeito), a apatia, faz parte da natureza humana. Observe bem. Na relação médico-paciente nós atendemos prontamente à indicação do remédio tópico, “tomou-passou”, do remédio paliativo, “doeu, toma que alivia”, do remédio em pípula, “é só engolir e pronto”, mas perdemos completamente a fé quando a indicação médica é “mude a sua qualidade de vida” ou “você vai ter que deixar este ou aquele hábito” e a pior de todas “está na hora de começar a fazer exercício físico”. É como se aquilo nos aleijasse mentalmente. E permanecemos doentes. Conscientemente optamos por não fazer, ainda que em sacrifício da nossa saúde. Longe de moralismos, é engraçado admitir que essa “paralizia incapacitante” tira de nossas mãos a solução do problema. Mas é bom saber que nosso problema não é necessariamente de caráter. Não somos tão cínicos como pensávamos. Não somos “crentes mau caráter que pregam uma coisa e vivem outra”. Só somos frouxos. Só não nos dominamos. “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. Humanizar nossas crises, refletir sobre elas, enquanto “gente que quer viver como Cristo”, pode nos mostrar o caminho da mudança, do arrependimento.  E a mudança reside unicamente em mover-se, sair do lugar, porque quem fica parado, no nosso caso, não está doente. Já está morto.

“Desperta, ó tu que dormes. Ressucita dentre os mortos e Cristo te iluminará”

O Que é Iniquidade.

março 6, 2011

Oi, pessoal do Blog. Me perdoem, mas contrariando o método que prefiro, nesta postagem vou fazer uma citação bíblica um pouco mais longa, isto porque julgo extremamente necessário. Leia com paciência o texto e, só então, você vai poder entender o ponto de vista por inteiro.

Um grande abraço, Thiago

Mas os israelitas foram infiéis com relação às coisas consagradas. Acã, da tribo de Judá, apossou-se de algumas delas. E a ira do Senhor acendeu-se contra Israel. Sucedeu que Josué enviou homens de Jericó a Ai, cidade a leste de Betel, e ordenou-lhes: “Subam e espionem a região”. Os homens subiram e espionaram Ai. Quando voltaram a Josué, disseram: “Não é preciso que todos avancem contra Ai. Envie uns dois ou três mil homens para atacá-la. Não canse todo o exército, pois eles são poucos”. Por isso cerca de três mil homens atacaram a cidade; mas os homens de Ai os puseram em fuga, chegando a matar trinta e seis deles. Eles perseguiram os israelitas desde a porta da cidade até Sebarim, e os feriram na descida. Diante disso o povo desanimou-se completamente. Então Josué, com as autoridades de Israel, rasgou as vestes, prostrou-se, rosto em terra, diante da arca do Senhor, cobrindo de terra a cabeça, e ali permaneceu até à tarde. Disse então Josué: “Ah, Soberano Senhor, por que fizeste este povo atravessar o Jordão? Foi para nos entregar nas mãos dos amorreus e nos destruir? Antes nos contentássemos em continuar no outro lado do Jordão. Que poderei dizer, Senhor, agora que Israel foi derrotado por seus inimigos? Os cananeus e os demais habitantes desta terra saberão disso, nos cercarão e eliminarão o nosso nome da terra. Que farás, então, pelo teu grande nome? ” O Senhor disse a Josué: “Levante-se! Por que você está aí prostrado? Israel pecou. Violaram a aliança que eu lhes ordenei. Eles se apossaram de coisas consagradas, roubaram-nas, esconderam-nas, e as colocaram junto de seus bens. Por isso os israelitas não conseguem resistir aos inimigos; fogem deles porque se tornaram merecedores da sua destruição. Não estarei mais com vocês, se não destruírem do meio de vocês o que foi consagrado à destruição. Vá, santifique o povo! Diga-lhes: Santifiquem-se para amanhã, pois assim diz o Senhor, o Deus de Israel”.

 O que é a Iniquidade ? Parece que, além da maldade comum e generalizada, além da perversão, do crime, da prostituição diante de ídolos e todo o tipo de atrofiamento moral, a iniquidade é mais grave. A Palavra trata a iniquidade com um tom furioso, usado tão ocasionalmente que é de assustar. Mas está lá, veja em Isaías, que é, no meu ponto de vista, a maior fonte de consulta sobre esse tema, expressando claramente o que Deus pensa a esse respeito:

Ai, nação pecadora, povo carregado de iniqüidade, descendência de malfeitores, filhos corruptores; deixaram ao SENHOR, blasfemaram o Santo de Israel, voltaram para trás.  Isaías 1:4

E visitarei sobre o mundo a maldade, e sobre os ímpios a sua iniqüidade; e farei cessar a arrogância dos atrevidos, e abaterei a soberba dos tiranos.  Isaías 13:11

Porque as vossas mãos estão contaminadas de sangue, e os vossos dedos de iniqüidade; os vossos lábios falam falsidade, a vossa língua pronuncia perversidade. Isaías 59:3

Ninguém há que clame pela justiça, nem ninguém que compareça em juízo pela verdade; confiam na vaidade, e falam mentiras; concebem o mal, e dão à luz a iniqüidade. Isaías 59:4

Não é incomum ver a Bíblia relacionar Iniquidade a Vaidade, Arrogância, Orgulho, Falsidade. E a advertência no texto de Isaías serve pra mostrar que as vezes, só de vez em quando, podemos estar enganados com relação a o que “oferecemos a Deus”. E isso faz sentido. Nem tudo que eu ofereço a Deus, ele é obrigado a aceitar. É exatamente sobre isso que eu quero falar. Discordando logo de cara do trecho da música “Deus não rejeita oração” (e fazendo força pra entender essa afirmação como força de expressão), uma coisa é certa sobre a natureza da iniquidade: É algo que Deus rejeita. Mas espera, olha novamente o ponto em comum, porque eu me recordo rapidamente que há também ALGUÉM a quem Deus resiste: o soberbo. Veja a relação sempre direta, iniquidade e vaidade, iniquidade e soberba. Arrogância.

Segui esta linha de raciocínio até aqui porque estou sinceramente preocupado. A história que transcrevi no início fala de DERROTA. E me deparei com uma pergunta interior esses dias que me tirou o fôlego: Onde estão nossas derrotas? Qual foi a última vez que ouvi alguém pregar sobre “Vocês se lembram de como erramos?” ou “Viram como estamos errados agora?”, ou simplesmente “Fomos derrotados”. Parece, e só parece, que nós estamos numa maré de vitórias, marcando recordes de uma invencibilidade “nunca vista antes na história” (risos) da igreja. Será que essa “onda” é real ou só imaginada? Estamos mesmo vencendo o pecado no mundo? Estamos mesmo vencendo as drogas? Estamos mesmo vencendo a desestruturação familiar, os problemas de caráter, o stress moderno? Quer dizer que o movimento religioso, a igreja, os cristãos, estão invictos? Desde quando? Até quando? 

Foi assim que eu cheguei à conclusão sobre a verdadeira natureza da iniquidade. Quando Josué e o povo de Israel erraram, eles entraram em choque com a realidade, vendo frustradas suas expectativas. Eles perceberam que havia “algo errado” e foram logo perguntar porquê. Hoje, eu assisto assustado a um movimento que NÃO DÁ CERTO e ainda assim agradece e reputa, mesmo seus insucessos mais grotescos, a Deus. E ninguém se levanta pra contrariar e dizer “Você está equivocado sobre isso, Deus não está nesse negócio”. E não estou dizendo que agora temos que ficar apontando os insucessos uns dos outros, mas se eu faço parte da situação, do grupo, do momento, da igreja,  aí sim, eu preciso fazer isso. Josué exerceu ali uma virtude básica: humildade. Em outras palavras, ele disse “me explica, Deus, porque não entendi nada”. E Deus disse “Simples, vocês estão errados. Começaram errado e terminaram errados, e vão continuar sem sucesso até consertarem isso e aquilo”. Nós perdemos essa sensibilidade? De ver nossos erros frente a frente? De levá-los até Deus, expô-los à seu julgamento?

Iniquidade é pecar e não sentir. É a aniquilação do Arrependimento. Iniquidade é perder a capacidade de discernir entre o “dedo são” e o “dedo espetado na agulha”. Iniquidade é a cegueira moral, é o cinza-absoluto. É ver todas as coisas como razoáveis, agradáveis, inevítáveis. É confundir o sentido do texto “em tudo dai graças”. É inverter o “melhor do que obedecer é sacrificar” e, ingenuamente, esperar que Deus concorde. Enfim, na exaustão, em último caso, iniquidade na igreja, na religião, na família, na alma, é o FIM: da AUTO-CRÍTICA.